Abr 272013
 

O consenso que Cavaco Silva e seus fiéis seguidores começaram a exigir ao PS, apoiado agora, por interesse eleitoral, pelo governo é de muito inverosímil concretização, uma vez que o que está a ser pedido é que o maior partido da oposição dê o seu aval à política que Passos Coelho, por intermédio de Vítor Gaspar e, mais recentemente, por Poiares Maduro, entenderem encetar ou prosseguir. À vista está que o PS não pode aceitar esse consenso, não com o PSD, mas com este Primeiro-Ministro e seu Ministro das Finanças! Tal como no governo anterior, o CDS não negava um consenso com o PS, mas sim com Sócrates. Sócrates era, então, o óbice; hoje são Passos Coelho e Vítor Gaspar.
Portugal bandeiraHá, no entanto, matéria de consenso possível, exigível diria até, cujo interesse é nacional sobreleva, podendo ser transversal a todas as forças e agentes políticos, uma vez que se centra no domínio das relações internacionais, ou seja, na diplomacia – procurar pontes de concordância e frentes de pensamento e acção comuns junto dos países europeus que estão a sofrer consequências idênticas às nossas.
De tanto se propagar a ideia de não somos a Grécia, com o intuito de vender uma imagem diversa junto da troika, esquecemos que, apesar de não sermos a Grécia, estamos a ser obrigados a desenvolver políticas de brutal pressão sobre os mais desfavorecidos, colocando em sério risco a coesão social, impostas por quem pretende defender, sem olhar a meios, uma moeda que já vimos não estar a servir a maioria dos Estados membros da União Europeia e muito menos os seus cidadãos.
Urge um consenso nesta matéria, que me parece perfeitamente possível e exigível, com um planeamento de acções concretas e bem delineadas, onde o Presidente da República deveria desenvolver um papel de charneira enquanto chefe máximo da diplomacia portuguesa assim como Paulo Portas enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros. O PSD muito poderá fazer junto do Partido Popular Europeu, o PS junto da Internacional Socialista, o PCP com a Internacional Comunista e mesmo o BE com os verdes e outos grupos de esquerda democrática.
Apesar de não sabemos ainda por onde poderemos ir, sabemos já, sem margem para dúvida, que a a actual política do euro não é sustentável para os cidadãos e que será através de árduas negociações com a U.E. e com a Alemanha que teremos de trilhar caminho, seja através de federar a dívida ou de ruptura com o euro.
Até aqui temos caminhado nessas negociações (se é que alguma houve com seriedade) orgulhosamente sós. Exige-se que procuremos, activa e conjuntamente, trabalhar no sentido de encontrar parceiros que confiram maior força negocial, seja junto de outros Estados membros, seja com países que nos possam compreender melhor, como os EEUU e países emergentes como o Brasil, por exemplo.
Este consenso possível e exigível não pode ser feito nem se sustenta em acções de interesse partidário ou eleitoralista, mas na defesa de um interesse nacional facilmente identificável pelos cidadãos, cuja a prossecução se encontra entre as competências de Cavaco Silva.
Mãos à obra Senhor Presidente da República, se é que pretende mesmo consensos e força negocial nas inevitáveis renegociações que teremos de realizar com o poder da União Europeia!

Abr 212013
 

Concretizado o primeiro consenso, o que ocorreu dentro do PSD, conseguido através do apoio de Cavaco Silva a Passos Coelho e do regresso dos cavaquistas ao poder – Poiares Maduro e Marques Guedes – estamos agora em plena vigência de um governo de iniciativa presidencial. (ver texto)
Cavaco SilvaOs cavaquistas, desavindos com o governo devido à política desastrosa de Vítor Gaspar, parecem agora optar pela continuidade, acreditando que Marques Guedes e, em especial, Poiares Maduro poderão fazer a diferença na condução de uma política negocial activa com os poderes da União Europeia, em contraponto com o seguidismo cego do Ministro das Finanças. Com Passos Coelho não contam (como poderiam se ninguém crê na sua estatura política?), indiferentes ao que o CDS possa fazer, os cavaquistas partem à conquista da comunicação social e das redes sociais para clamarem um consenso urgente com o PS!
Com o PS? Será?
Passos Coelho não atirou a toalha ao chão conforme anunciou, mas toalha já não tem, tornando-se um Primeiro-Ministro pardo, na sombra de um poder que se lhe viu fugir com o desastre anunciado e a tomada de assalto por parte dos fiéis a Cavaco Silva. Joga agora nos bastidores, na esperança de que, mais uma vez, Vítor Gaspar o consiga salvar. Com efeito, os indefectíveis de Cavaco sempre dominaram a bancada do PSD e dominam agora Primeiro-Ministro.
Mas não lhes basta. É curto. Unidos a não quererem eleições, o PSD encontrou o consenso por essa via (e não foi assim que esta Europa do Euro se construiu desde Maastricht, fugindo de eleições e referendos, tudo combinando e resolvendo pelos burocratas mandatários da alta-finança nas costas dos cidadãos?), mas não quer suportar o ónus da queda do governo sem arrastar o PS!
Mas porquê o PS? Não têm eles maioria absoluta? Não precisam de 2/3 para nada se não querem rever a Constituição!
Será paranóia esta repentina urgência de consenso com o PS?
Não, não é paranóia. Não, não é urgente para os interesses de Portugal. Não, não há necessidade de um entendimento com o PS para encetar negociações com a troika – trata-se de medo!!! Medo, sim, apenas e só isso!
O consenso entre as facções do PSD e Cavaco Silva necessitam de prender António José Seguro a eles, não um consenso com o PS, mas tão-só António José Seguro, pois é o medo do regresso de Sócrates que os une!!! Não se uniram por Portugal, mas por medo que um outro político chegue novamente ao poder! Trata-se do “efeito Sócrates”. (ver texto)
E assim, com politiquices e jogos do poder vai andando este país, governado entre amores de circunstância, apesar dem sólidos compadrios, e ódios pessoais!
E de Portugal quem trata? Os tratantes, ao que vemos!

Abr 072013
 

Cavaco SilvaDepois do completo falhanço do governo de 2 anos de Passos Coelho, nomeadamente do seu Ministro das Finanças, no que concerne ao controlo do défice, da dívida pública, de uma luta incompreensível contra a Constituição, após uma brutal pressão sobre os cidadãos, seja ao nível dos seus rendimentos, seja ao das prestações do Estado, com a consequente destruição do tecido económico, de empresas e emprego, Cavaco Silva diz não ver sinais de falta de legitimidade e encoraja o governo a prosseguir, abrindo caminho a uma nova fase – um governo de iniciativa presidencial.
Pelo que se percebeu da conferência de imprensa de Passos Coelho, Vítor Gaspar terá acedido a prosseguir, mas permitam-me a franqueza de entender que só terá aceitado ficar até ao final das negociações sobre as maturações juntamente com a Irlanda.

Abr 062013
 

Passos CoelhoPelo que vou lendo e ouvindo parece que, afinal, as consequências do acórdão do Tribunal Constitucional não serão lá muito famosas para aqueles que defendiam a inconstitucionalidade. Mas será que isso importará a quem governa?
Aparentemente não. Tudo mudou muito rapidamente e Passos Coelho terá cedido à pressão de Cavaco Silva para não se demitir. Já ontem, após longo período de letargia governativa, Passos Coelho acertou o passo com Cavaco Silva afirmando, sem margem para dúvida, que não se demitiria. Mas se não se demite quem arcará com a responsabilidade do falhanço financeiro, económico, social e político?
Para quem afirma que Gaspar não é remodelável, lamento imenso, mas acho que ele já foi, até por sua iniciativa! Tem de haver um rosto responsável! Vítor Gaspar, após Passos Coelho, é o máximo responsável pelos orçamentos reiteradamente inconstitucionais, acrescendo o agora súbito apoio dos cavaquistas a Passos Coelho que deverá ter como contrapartida, exactamente, a saída do Ministro das Finanças bem como uma renegociação com a troika.
Mas será a única alternativa de Passos Coelho? Não, não me parece, até porque, após receber este recente apoio de Cavaco Silva, poderá muito bem forçar a permanência de Gaspar para afastar o ónus da tutela do Presidente da República.
No entanto, parece-me pouco provável o êxito de uma aproximação ao PS, uma vez que Seguro está agora em posição de intransigência quanto à demissão do governo, restando a Passos Coelho, para agradar a Cavaco Silva, a tentativa de encontrar ministros sem filiação partidária de áreas mais próximas do PS.
A ver vamos se será Passos Coelho ou Cavaco Silva a ficar na dependência um do outro, sendo que, se não houver remodelação no Ministério das Finanças, vamos entrar num penoso período de apodrecimento das condições governativas deste Primeiro Ministro e num escalar da indignação nas ruas sem precedentes.
Passos tem de optar. Ou Gaspar ou novo fôlego para o governo. Não tem outra escolha uma vez que não há remodelação que permita novo fôlego com Gaspar. Ficará para resolver se Passos aceitará ficar refém de Cavaco Silva ou se será este que, devido ao seu apoio explícito ao governo, ficará coagido no seu papel de Presidente da República pelo Primeiro Ministro.
E sobre tudo isto não é seguro que tudo fique resolvido no Conselho de Ministros que ocorre por esta hora. Poderá ser assunto que se irá resolvendo nos dias vindouros.

Mai 212012
 

Tal como a extensa resma de economistas do pensamento único, com assento de comentadores mediáticos, Cavaco Silva sabia onde o acordo com a tróika nos levaria quando o apoiou e até contribuiu para que ele se precipitasse, permitindo que fosse negociado e assinado por um governo de gestão, com o acordo de partidos de uma Assembleia da República demissionária.
Cavaco SilvaSabia, sim, como todos sabíamos, da impossibilidade de cumprir semelhante acordo sem atirar com os cidadãos para a miséria, seja através da sobrecarga de impostos, da chantagem dos bancos sobre as famílias em dificuldades, seja através do galopante desemprego!
Vir agora rejubilar-se pelo facto de o G8 ter obrigado a falar-se de crescimento e mostrar-se consternado com o “flagelo” do desemprego, é recurso de retórica, palavras vãs e cínicas se não vetar o novo Código de Trabalho, que o PSD, o CDS e o PS, unidos, permitiram que se aprovasse, o qual, todos sabemos, nada acrescentar para o crescimento da riqueza, mas promover mais desemprego e em proporções absolutamente catastróficas!
Seja consequente com as suas palavras Senhor Presidente, mande para apreciação do Tribunal Constitucional e, se este não detectar insconstitucionalidade, use o seu veto político, porque, enquanto o Parlamento é uma amálgama de gente de ninguém conhece, o Presidente da República é eleito directamente e responde diante de todos os cidadãos.

Abr 032011
 

Cavaco SilvaCavaco Silva foi, de facto, encostado à parede, quando menos gostaria que acontecesse, pelo PSD, quando este votou contra a proposta do PEC para 2011 apresentada por Sócrates ao Conselho Europeu e aprovada por este, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia.
De nada adianta agora o jogo de atribuição de responsabilidades à jogada de Sócrates e à ingenuidade de Passos Coelho e , ainda menos sobre quem deve pedir o ‘resgate’ de Portugal, se o governo de gestão se a Assembleia da República demissionária, disputa em que se envolveram todos os políticos, eminentes constitucionalistas, comentadores e o próprio Cavaco Silva!
Em boa verdade, mesmo que se admita a exigência de uma ‘jogada’ política de Sócrates, a questão não é constitucional, nem política, mas sim de defesa de Portugal. Cavaco Silva, ao dizer, e bem, que não pode governar, não pode exigir a um governo que a Assembleia da República negou a sua proposta de solução que faça o que não quer, e menos que corrija o ingénuo erro do PSD!
Exigir a um governo de gestão que viu a sua proposta de solução ser recusada pela Assembleia da República, que assuma responsabilidades em nome de todos os cidadãos para três, quatro ou mais anos, mesmo que constitucionalmente viável, é politicamente inaceitável!
É ao Presidente da República e a mais ninguém que cabe defender os últimos interesses de Portugal, em especial, num momento em que existe um governo de gestão e que se irá, por sua vontade expressa, iniciar um processo eleitoral conducente à formação de um novo governo.
Até lá, independentemente da opinião mais avalizada, Cavaco Silva tem de ter a coragem de cumprir com a sua obrigação de assumir o controlo de Portugal, nomeadamente, a de demitir, de imediato, um governo que entende que não cumpre o exigível e a constituição de outro, de sua iniciativa, temporário, até ao final do processo eleitoral!
Assuma as suas responsabilidades, Sr. Presidente da República, em vez de se envolver em escaramuças partidárias de sobre quem deverá fazer o que o Senhor entende que deve ser feito e tem obrigação de fazer!

Jan 242011
 

Eleições Presidencias 2011Iniciei o hábito de apresentar os resultados eleitorais como se em democracia representativa vivêssemos, ou seja, onde a vontade de cada cidadão contasse para o apuramento de resultados e consequente legitimação do poder.
Assim o farei, mais uma vez, não sem antes reconhecer o óbvio: Cavaco Silva é o legítimo vencedor destas eleições presidenciais.
Resultados do Acto Eleitoral:

1 – Abstenção: 5.139.483 – 53,37%

2 – Cavaco Silva: 2.230.240 – 23,16%

3 – Manuel Alegre: 832.021 – 8,64%

4 – Fernando Nobre: 593.886 – 6,17%

5 – Francisco Lopes: 300.845 – 3,12%

6 – Votos Brancos: 191.167 – 1,99%

7 – José Coelho: 189.351 – 1,97%

8 – Votos Nulos: 86.545 – 0,1%

9 – Defensor Moura: 66.092 – 0,69%

Assim:

1 – Cavaco Silva será Presidente da República Portuguesa pela vontade expressa de 23,16% dos cidadãos eleitores;

2 – os candidatos da área do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda (Fernando Nobre, Manuel Alegre e Defensor Moura) são os maiores derrotados ao perderem, neste plebiscito, 723.851 votos relativamente às anteriores eleições (Manuel Alegre, Mário Soares e Francisco Louçã); Cavaco Silva perde menos que o avanço da abstenção, apenas 543.191 votos; o candidato do PCP vê também fugir 173.238 votos (Jerónimo de Sousa em 2006 e Francisco Lopes, agora), percentagem maior que que o crescimento da abstenção.

Estes são os resultados reais de uma democracia representativa cuja Constituição prevê na PARTE I, Direitos e deveres fundamentais, mais precisamente no TÍTULO I, Princípios gerais, onde se desenvolve o conceito de cidadania, não a reduzindo o cidadão a um mero eleitor, quando o poder entende chamá-lo para o efeito.

Se outras conclusões houver a retirar da verdade deste acto eleitoral, sugere-me a democracia que devo abrir espaço à liberdade de cada um.

Jun 252010
 

A derrota de um sistema único de cobrança, através de ‘chip’, das portagens nas SCUT, representa uma vitória para os cidadãos que pugnam pela liberdade de escolha, contra o cerco que o poder lhes tem infligido. Como se já não bastasse o governo e o PS, sofremos ainda ontem a pressão indescritível do Presidente da República e do ex-Presidente da República Mário Soares. (ver links: Cavaco Silva; Mário Soares)
No entanto, aqueles que como eu pretendem que os cidadãos tenham a alternativa de poder efectuar pagamentos sem ser obrigados a identificarem-se, nem a pré-pagamentos de serviços a não ser por livre escolha, devem estar atentos, porque o PSD pode ainda vir a inviabilizar essa liberdade na discussão na especialidade do diploma, uma vez que afirma ainda haver possibilidade de consenso com o PS, e cito do Público, se houver bom senso, lucidez, capacidade de entendimento do Governo em relação à situação que está criada e se o Governo não quiser criar uma enorme trapalhada no país, acho que isso é possível.
Nesta guerra sem tréguas, cada vez mais clara, que os partidos do poder encetaram contra os cidadãos, urge que os cidadãos europeus, que não tenham enfeudado a sua liberdade, não hesitem em fazer ouvir a sua voz através da denúncia e da indignação!

Mai 182010
 

Cavaco SilvaHá escassos dias, Cavaco Silva recusou-se dirigir-se aos portugueses ou, tão-só, comentar as novas medidas preconizadas pelo PS e pelo PSD, e mandatadas pela Alemanha, contra os cidadãos, dando como pretexto de escusa a visita do Papa.
Bento XVI já regressou a casa, já publicamente se congratulou por tão caloroso acolhimento, e Cavaco Silva, o único político eleito directamente pelos cidadãos, sem mais delongas, dirige-se de imediato aos portugueses para, junto deles, manifestar que tinha promulgado a lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Notável! Isto é um Presidente de outra galáxia! É assim mesmo, Sr. Presidente Cavaco Silva, não dê confiança a esses energúmenos que andam a dizer que deveriam ser os políticos, como V. Ex.ª, a pagar as facturas do aventureirismo de uma ideia utópica de União Europeia onde nos meteram, sem consultar os cidadãos!

Mai 122010
 

Sao JorgeEntre as ofertas que Cavaco Silva entregou a Bento XVI contam-se uma imagem de Santo António de Lisboa e uma edição bilingue português/latim dos seus Sermões.
Fora eu Presidente da República teria preferido ofertar uma edição dos Sermões do Padre António Vieira e uma imagem de São Jorge!
Mas isto seria eu…, que nada percebo do que será ser Presidente de todos os portugueses!