Abr 212013
 

Vitor GasparNão foi conhecida a razão que Vítor Gaspar terá encontrado para desistir da sua demissão durante o último fim-de-semana em Dublim – partiu daqui com a demissão agendada para depois da negociação das maturidades dos empréstimos e regressa com ânimo para prosseguir.
Sente-se que Gaspar estará convicto de que, abnegadamente, aceitou ir o governo para prestar um enorme serviço ao país e que, volvidos 2 anos, Portugal é demasiadamente pequeno para ele e suas gentes muito pouco inteligentes para o entender. Bateu com a porta por não compreender que o seu orçamento era inconstitucional e disse basta a esta “cambada de energúmenos”, uma vez que só os seus pares das altas instâncias europeias o compreendem e fazem jus ao seu brilho de funcionário da globalização selvagem.
Será que o apoio e solidariedade obtidos nesse fim-de-semana em Dublim foi suficiente para que mudasse de ideias? Não creio, definitivamente. Talvez o apoio de Cavaco Silva a este governo e a nomeação de Poiares Maduro, um académico que Gaspar entenderá estar à sua altura, um par, poderão ter sido decisivos para Gaspar cedesse à pretensão de permanência de Passos Coelho, Primeiro-Ministro cujo conhecimento de governação o Ministro das Finanças pouco respeitará. Aliás, Passos Coelho sem Gaspar não existe sem Gaspar e ambos conscientes disso.

Poiares MaduroA nomeação de Poiares Maduro inicia uma nova era para este governo, um novo fôlego que quase todos só pensavam ser possível com a demissão de Gaspar. Tem sido enfatizado no currículo no novo Ministro a sua excelência académica e a sua ‘falta de experiência’ prática e política. Lamento não estar de acordo com esta visão simplista porque considero que, para além do brilhante currículo universitário, Poiares Maduro tem experiência como poucos na negociação com os poderes da Europa, salientando o facto de ter sido o advogado da Islândia no processo contra os capitalistas agiotas holandeses e ingleses da Icesave, vencendo o processo junto do Tribunal da Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA), onde se pretendia que os islandeses os indemnizassem pela falência daquela instituição! Poiares Maduro ganhou a causa e libertou a Islândia de pagar a credores agiotas de bancos privados falidos, abrindo um precedente na jurisprudência europeia. Esquecer este facto, dizendo que Poiares Maduro tem pouca experiência, é no mínimo muito pouco sério.

Poiares Maduro tem revelado ser uma pessoa que pensa pela a sua própria cabeça, conhece como poucos os meandros do edifício legal da União Europeia e já demonstrou não limitar a sua inteligência a espartilhos ideológicos defuntos como o socialismo sem classes, a social-democracia onde a Europa se construiu e agora se desmorona e ao liberalismo que o capital agiota está, no momento, a derrotar em toda a linha, não obstante não ceder no fundamento – a democracia e a liberdade dos cidadãos.

Conseguirá o novo Ministro fazer a diferença? Não creio, mas sinto que será uma voz com propriedade e muito activa na defesa possível dos nossos interesses junto dos poderes europeus, eleitos e não eleitos.
E é do que estamos precisados e muito – de inteligência, de uma segurança que não ceda nem a interesses nem a histerismos, e de uma mente que sirva os interesses particulares de Portugal, sem preconceito ideológico que não seja o da defesa dos interesses dos cidadãos, da sua liberdade e da democracia.

Abr 032011
 

Cavaco SilvaCavaco Silva foi, de facto, encostado à parede, quando menos gostaria que acontecesse, pelo PSD, quando este votou contra a proposta do PEC para 2011 apresentada por Sócrates ao Conselho Europeu e aprovada por este, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia.
De nada adianta agora o jogo de atribuição de responsabilidades à jogada de Sócrates e à ingenuidade de Passos Coelho e , ainda menos sobre quem deve pedir o ‘resgate’ de Portugal, se o governo de gestão se a Assembleia da República demissionária, disputa em que se envolveram todos os políticos, eminentes constitucionalistas, comentadores e o próprio Cavaco Silva!
Em boa verdade, mesmo que se admita a exigência de uma ‘jogada’ política de Sócrates, a questão não é constitucional, nem política, mas sim de defesa de Portugal. Cavaco Silva, ao dizer, e bem, que não pode governar, não pode exigir a um governo que a Assembleia da República negou a sua proposta de solução que faça o que não quer, e menos que corrija o ingénuo erro do PSD!
Exigir a um governo de gestão que viu a sua proposta de solução ser recusada pela Assembleia da República, que assuma responsabilidades em nome de todos os cidadãos para três, quatro ou mais anos, mesmo que constitucionalmente viável, é politicamente inaceitável!
É ao Presidente da República e a mais ninguém que cabe defender os últimos interesses de Portugal, em especial, num momento em que existe um governo de gestão e que se irá, por sua vontade expressa, iniciar um processo eleitoral conducente à formação de um novo governo.
Até lá, independentemente da opinião mais avalizada, Cavaco Silva tem de ter a coragem de cumprir com a sua obrigação de assumir o controlo de Portugal, nomeadamente, a de demitir, de imediato, um governo que entende que não cumpre o exigível e a constituição de outro, de sua iniciativa, temporário, até ao final do processo eleitoral!
Assuma as suas responsabilidades, Sr. Presidente da República, em vez de se envolver em escaramuças partidárias de sobre quem deverá fazer o que o Senhor entende que deve ser feito e tem obrigação de fazer!

Jun 252010
 

A derrota de um sistema único de cobrança, através de ‘chip’, das portagens nas SCUT, representa uma vitória para os cidadãos que pugnam pela liberdade de escolha, contra o cerco que o poder lhes tem infligido. Como se já não bastasse o governo e o PS, sofremos ainda ontem a pressão indescritível do Presidente da República e do ex-Presidente da República Mário Soares. (ver links: Cavaco Silva; Mário Soares)
No entanto, aqueles que como eu pretendem que os cidadãos tenham a alternativa de poder efectuar pagamentos sem ser obrigados a identificarem-se, nem a pré-pagamentos de serviços a não ser por livre escolha, devem estar atentos, porque o PSD pode ainda vir a inviabilizar essa liberdade na discussão na especialidade do diploma, uma vez que afirma ainda haver possibilidade de consenso com o PS, e cito do Público, se houver bom senso, lucidez, capacidade de entendimento do Governo em relação à situação que está criada e se o Governo não quiser criar uma enorme trapalhada no país, acho que isso é possível.
Nesta guerra sem tréguas, cada vez mais clara, que os partidos do poder encetaram contra os cidadãos, urge que os cidadãos europeus, que não tenham enfeudado a sua liberdade, não hesitem em fazer ouvir a sua voz através da denúncia e da indignação!

Mai 192010
 

Entendeu o PCP apresentar uma moção de censura por considerar que o Governo PS e o PSD estão juntos numa ofensiva brutal contra os portugueses e contra o interesse nacional.
Compreender a razão do momento, agora e não logo após a aprovação do PEC, é já de si difícil, mas adiantar, no texto, que condenam a política de direita que praticam é um tiro no pé que não lembraria ao mais ingénuo!
Caso a inteligência prevalecesse, uma moção de censura cujo texto criasse dificuldades a uma abstenção do CDS, colocaria graves problemas ao PSD, uma vez que o ‘Bloco Central’ revelar-se-ia com a mascarilha por terra tombada!
Mas, hélas, acima do interesse dos cidadãos, os do partido. Neste ou em qualquer outro!

Mar 222010
 

Via Orçamento de Estado o governo decidiu, incluindo a façanha no PEC, iniciar cobrar portagens nas estradas que denomina de SCUT’s. O governo decidiu e não ouvi nenhum partido manifestar-se contra, nomeadamente os que sempre defenderam tal via para esfolar os cidadãos – PSD, CDS e agora PS!
Todas? Não. Por ora, não. Só as que dão acesso ao Porto – A28, A29 e A41/42! (ver notícia)
Portagens SCUT - Atentado Económico ao Grande PortoMas quem pedir uma SCUT para esta zona?
O Grande Porto passará a estar completamente sitiado, através de impostos directos, que é o que são as portagens, de discriminatório, pois só atinge quem trabalha na região e, por outro lado, não me lembro de alguém ter pedido SCUT alguma, mas sim estradas dignas desse nome, que permitam a mobilidade de cria riqueza na região.
Borrifo-me para aqueles que pretendem lançar a poeira do princípio do ‘utilizador / pagador’, tal como o fizerem em tempos alguns políticos do Norte e que agora perderam o pé para esboçar qualquer argumento credível, uma vez que tal princípio só poderia aplicar-se se alternativas dignas, construídas com os impostos de todos e entregues à ‘Estradas de Portugal’, houvesse.
Não é o caso. O caso é um ATENTADO ECONÓMICO ao Grande Porto!

Jan 122010
 

É comum, mesmo entre a corrente neoliberal que nos conduziu à libertinagem da agiotagem, ouvir que os Estados devem defender as instituições financeiras (bancos e seguradoras) e os desempregados que o colapso daquelas empresas provocou. No entanto, sabendo o que se sabe hoje (e sempre se desconfiou), é no mínimo estranho continuar a não se ouvir uma palavra sobre a defesa e o apoio que se deveria dar aos que trabalham, mas cujo sistema bancário suga os rendimentos até ao tutano!
É lamentável que, em nome da defesa do mercado, os Estados tenham canalizado avultadíssimas quantidades de dinheiro proveniente dos contribuintes para salvar bancos cuja ruinosa gestão fez desmoronar a economia de mercado, enquanto que os milhões de vítimas da União Europeia, as quais, apesar de ainda terem emprego, não sejam objecto de protecção dos Estados, sendo que são a esmagadora maioria dos que mais sofreram, sofrem e ainda sofrerão com a sofreguidão do sistema bancário. Destes milhões de vítimas não se fala, preferindo-se designar toda esta vergonha por crédito malparado!
Num momento em que em Portugal parece ter-se tornado moda falar do endividamento de país, parece-se esquecer-se a grande parte desse endividamento se deve aos privados (crédito malparado continua a crescer 300.000.000 de euros por mês, segundo notícia do DN), sejam eles empresas ou cidadãos que estão aprisionados aos juros e, em especial, aos ‘spreads’ que o sistema bancário, sem qualquer controlo nem regulação, os fustiga sem rebuço nem piedade.

Out 292009
 

Gabriela CanavilhasA experiência de Gabriela Canavilhas preenche quesitos que sempre defendi como essenciais para a escolha de um Ministro da Cultura: saber, saber fazer e especialização, ou vasta, relevante e bem sucedida experiência no domínio da gestão cultural, seja na esfera pública quanto na privada.

Apesar de desconhecer o pensamento da nova ministra sobre políticas culturais e da manifestação de desacordos no passado com eco neste blogue, parece-me apropriado aqui realçar o meu agrado pela sua escolha e o desejo das maiores felicidades.

Out 262009
 

Dos discursos de Cavaco Silva e Sócrates de hoje sente-se que ambos usaram da franqueza para anunciar os seus fios de rumo:

É necessário encontrar compromissos com as outras forças políticas, ouvir os agentes sociais e as organizações da sociedade civil (…) – Cavaco Silva


Mas, que ninguém duvide, estou bem consciente do mandato democrático que este Governo recebeu: o mandato de prosseguir as reformas e a modernização. Tal como estou bem consciente da urgência do tempo presente, que é combater e superar a crise. Este Governo toma hoje posse com uma linha de orientação bem definida para a governação e decidido a cumprir o programa que o eleitorado sufragou. – José Sócrates

Os dados estão lançados, ambos recordando o “Chico Fininho” de Rui Veloso e Carlos Tê:

“Gingando pela rua
Ao som do lou reed
Sempre na sua
Sempre cheio de speed
Segue o seu caminho
(…)”

Duvido que seja ao som de Lou Reed, mas enfim…
Certo fiquei de que Sócrates sente urgência no regresso à maioria absoluta e esse, sim, será o que norteará o seu rumo.

Jun 302009
 

Henrique Granadeiro, hoje ao Jornal I, desmente-me categoricamente por no post anterior ter adiantado que, pelo facto de a administração da PT não se demitir em bloco após a intervenção da líder do PSD, de Cavaco Silva e, posteriormente, do governo, num negócio entre a PT e a TVI (empresas privadas, constituídas como sociedades anónimas e cotadas em bolsa), o período em que vivemos poderia ficar conhecido, daqui por umas décadas, como o dealbar da ‘Era da Vaselina’.
Henrique GranadeiroNão poderia ter sido mais errado no meu vaticínio e, como deveria ser norma nestes casos, há que apresentar, humildemente, desculpas ao ‘chairman’ da PT, bem como a toda a sua administração. Com efeito, Henrique Granadeiro afiança que a intervenção de partidos políticos, governos e, pelos vistos agora, a Presidência da República não são casos virgens, mas recorrentes e sistemáticos, estranhando o entrevistado não a intervenção estatal em negócios de empresas privadas, mas o alarido político que em torno do caso se fez.
Ora errei, e publicamente, aqui, me penitencio, por ter utilizado o termo ‘dealbar’ (não se trata de caso virgem, bem pelo contrário, ao que parece) e, pelo facto de ao não se estranhar tal procedimento, nem a administração da PT, nem os accionistas (mudos até ao momento), haverá largas dezenas de pessoas na gestão de empresas privadas e no mundo dos negócios que parecem ter ultrapassado uma fase iniciática de estranheza, indiciando ser-lhes a vaselina já perfeitamente dispensável.
Como se dizia, primeiro, estranha-se, depois…

Aproveito para lembrar o que toda a gente sabe, mas o stress do dia-a-dia poderá justificar que se presente não tenha, que o Estado Português foi constituído réu, por acusação da Comissão Europeia, que alega o incumprimento das leis europeias sobre livre circulação de capitais e liberdade de estabelecimento no espaço europeu sem fronteiras, em três processos onde detém as chamadas ‘golden share’ em empresas privadas, nomeadamente, a PT, a EDP e a GALP.

Jun 262009
 

Agora há quem diga que espera que a administração da PT cumpra; o PC afirma que Sócrates sabia, com toda a certeza, do negócio; Sócrates mete-se no negócio; Manuela Ferreira Leite para além de ter afirmado que Sócrates mentia, vem agora acusá-lo de ter travado o negócio para defender a sua imagem!
O país ensandeceu. Já há muito que dava indícios, mas as declarações incendiárias de Cavaco Silva atiçaram um fogo de proporções inauditas e de controlo duvidoso.
Eu, pessoalmente, também espero que a administração da PT cumpra. Cumpra consigo própria, demitindo-se em bloco, se vergonha na cara tiver, e mande todos estes políticos, comentadores e excelsos mestres e doutos catedráticos de economia, que nunca na vida vergaram a mola numa empresa privada nem ideia fazem do que é criar riqueza, diariamente, deambulando sempre por entre empresas públicas ou lavrando pareceres e sebentas, fazer o que nunca fizeram apesar de terem obrigação porque cursaram para isso – serem empreendedores e criarem riqueza para o país!