Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Politics’

Estou fartíssimo das virgens moralistas que dominam os meios de comunicação social, blogosfera e governos!
O ministro disse alguma mentira? Disse algo que não seja uma vantagem competitiva para os investidores?
Esta saga que parece não ter fim, de ao poder só chegarem académicos e profissionais da política e do comentário, sem nunca terem experimentado o que é a vida empresarial nem dela ideia fazerem para lá do que vem nas sebentas e manuais, em estudos e artigos académico-paranormais e milhares de teses de mestrado e doutoramento que até agora para nada serviram nem se vislumbra que serventia venham a ter, tem conseguido os resultados que estão à vista de todos!
Querem mais do mesmo? Sirvam-se, estejam à vontade, mas não levem a mal não me apetecer tal petisco!
Que fastio!

A votação do pedido do BE foi adiada ontem para data a definir, com os votos do PSD e do CDS/PP e a abstenção do PS
(…)
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, mostrou-se hoje disponível para ir ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre os voos da CIA. (Público)
Ana Gomes é tratada quase como tolinha, conforme escrevi, mas quem dá cambalhotas atrás de cambalhotas são o PS, o PSD, o CDS e Luís Amado! Luís Amado…?

Eu também acho absurdo este ‘mandar calar’, Francisco José Viegas, mas não compreendo por que raio os partidos têm direito a tempo de antena num assunto que recusaram decidir!

é o título de um texto de Medeiros Ferreira no Bicho Carpinteiro que levanta, um pouco, o véu sobre o que vai, ou não vai mesmo, pelo PS.
Quando leio textos deste género fico sempre com a ideia de que vai muito, mas muito mais…

A administração norte-americana garantiu hoje ter provas da implicação do Irão no Iraque e prometeu divulgar, dentro em breve, mais detalhes sobre as redes iranianas no Iraque. (Público)

E dos EEUU já conseguiram provas da sua implicação que implica todo o Ocidente?

A petição contra a aplicação da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS), que reuniu mais de oito mil assinaturas, vai ser entregue hoje na Assembleia da República, onde deverá ser discutida em plenário. (Público)
Vamos ver o que é que os assentados na A.R., eleitos e não eleitos, irão fazer!

a insurgir-se contra a política exclusivamente fiduciária do BCE. Parece que a futura candidata presidencial do PS em França sabe, concretamente, por onde deve começar!

«Ségolène Royal, s’est exprimée, mercredi 17 janvier à Luxembourg, en faveur d’”un élargissement du statut de la BCE qui intègre très clairement, comme aux Etats-Unis et au Royaume-Uni, non seulement la maîtrise de l’inflation, mais aussi la croissance économique et le progrès social”. “Il ne s’agit pas de remettre en cause son indépendance, mais il s’agit de ne pas la laisser exercer une omnipotence” (…)» (Le Monde)

Ao passar pelo desNorte dou com um texto do HVA onde aborda o paradoxo da coincidência das comemorações do cinquentenário da morte de Toscanini, o mestre de todos os que lhe seguiram, um inabalável lutador contra o fascismo e o anti-semitismo de Hitler e Mussolini, e a complacência com que se permitiu a instalação de um pertido fascista no Parlamento Europeu.
Deixo um excerto:

«não deixa de ser irónico que, quando se assinala o cinquentenário da morte do maestro italiano Arturo Toscanini, que passou uma boa parte da sua vida lutando contra tais ideais, estejamos a assistir no Parlamento Europeu ao nascimento de um grupo parlamentar de extrema-direita.
Em 1931, Toscanini, que na altura já andava de candeias às avessas com os governantes do seu país natal, recusou-se a tocar a Giovinezza, o hino fascista italiano. Toscanini não voltaria a tocar em Itália até à morte de Benito Mussolini, em Abril de 1945. A partir de 1933 passou a boicotar todas as orquestras e teatros alemães, como forma de protesto contra as leis anti-semitas introduzidas pelo regime nazi.
»

Depois de ter negado, sucessivas vezes, escalas em Portugal de voos para Guantánamo, enxovalhado Ana Gomes e Carlos Coelho publicamente pelo facto, vem agora dar o dito por não dito!
Não falou em demissão, nem um pedido de desculpas esboçou às pessoas que ridicularizou! É preciso ter… nem sei o quê?
E então, há ou não razões para o PS, o PSD e o CDS permitirem o inquérito parlamentar que negaram conforme aqui publicitei? Há ou não razões para não confiar nesta gente que anda pela política?

Ainda sobre o PU (utilizando a sigla da Jacky) há um aspecto que neste post não foquei, mas que não passou despercebido à Susana Serrano num comentário - as ESE’s! Transcrevo parte dele:

«É uma absoluta irresponsabilidade ministerial!
Durante os últimos 20 anos investiram nas ESEs, em cursos semi-especialistas, de má qualidade geral, para cobrir o 2º ciclo essencialmente e dar formação “mais credível� aos professores do 1º ciclo, deixando mais uma vez “as disciplinas artísticas, menores� de fora do currículo. É verdade, estas últimas, pagas a recibo verde agora e dadas como actividades extra-curriculares, estão na lei, no currículo do 1º ciclo há já muitos anos.Na realidade só o Inglês ainda não fazia parte do currículo do 1º ciclo, era só intenção.
Os resultados do investimento nas ESEs são também muito contraditórios e ainda não foram nem analisados, nem investigados e muito menos avaliados seriamente, assim como tudo neste ME que temos; como tal parte-se para outra mudança. Acho que a maioria das pessoas não acredita nisso e os sindicatos mais uma vez vão pegar no assunto pelo único lado que não deviam.
» Susana Serrano

Com efeito, num momento em que toda a gente já sabe do logro que as Escolas Superiores de Educação (ESE’s) representaram para a diminuição da qualidade do ensino superior em Portugal (com honrosas excepções, claro), esta medida do Professor Único viria dar um novo fôlego ao incrementar as inscrições nessas instituições em detrimento das universitárias, sabendo nós que elas correm sério risco de desaparecer por falta de alunos, i.e., por desinteresse do mercado! (ver notícia do Público 11 de Julho de 2006)
Então, para além da medida ser má para a qualidade do ensino pelas razões adiantadas, ainda se acrescenta esta desconfiança (para não dizer suspeição) de favorecimento encapotado das ESE’s, para mais sabendo que o Secretário de Estado Valter Lemos foi um dos grandes impulsionadores destas instituições, tendo sido Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco desde 1996 e Presidente da Politécnica - Associação dos Institutos Politécnicos do Centro desde 2003, funções só deixou quando foi convidado para este governo!

Contrariando a tendência que se constata em quase toda a Europa, excluindo França donde teimamos decalcar, o governo ensaia na comunicação social a ideia de prolongar o professor único até ao 6º ano.

«Segundo Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, o que se quer evitar é que, do quarto para o quinto ano, os alunos passem de um professor para dez, amenizando a transição curricular das crianças, algo que tem sido uma das críticas mais frequentes feitas por outros sistemas educativos europeus ao sistema português.» (Público)

Amenizar a transição curricular das crianças é um objectivo salutar mas, enquanto na Europa se caminha para, desde o 1º ano, os alunos terem professores por disciplina e horário semanal fixo para cada uma (bastaria o Sr Secretário de Estado ir ao Colégio Alemão, por exemplo), por cá a via é cortar ao n.º de professores, implicando uma redução assustadora da qualidade do ensino prestado, já que a especialização individual e o trabalho de equipa são um caminho sem retorno no que ao conhecimento diz respeito.
Francamente, acho que esta ideia cairá por ela própria sob pena de regredirmos dezenas de anos, mas espero que os sindicatos, em vez de se porem aos berros contra a redução de professores que a medida implica, abordem o assunto pelo lado da preservação e incremento da qualidade do ensino nas escolas, desde o 1º ano!
Esta ideia é das tais que nem a um guarda-livros lembraria!

«O comandante das forças norte-americanas no Iraque admitiu hoje que o novo plano de segurança para Bagdad “não tem garantias de sucesso”» (Público)
Compreende-se a dúvida mas, ainda assim, gostaria de saber o que é que o senhor entenderá por sucesso…

«O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, reiterou hoje a disponibilidade de o Governo português colaborar com a Assembleia da República e o Parlamento Europeu no apuramento sobre voos da CIA com escalas em território nacional.»(Público - 11.01.2007 - 19h27)

«PS, PSD e CDS-PP rejeitaram hoje a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar para investigar responsabilidades do actual e anteriores Governos na alegada utilização do espaço aéreo nacional para actividades ilegais da CIA.»(Público 11.01.2007 - 20h44)

Alguém terá dito que era compadrio, mas acho que não, é cinismo, apanágio da política dos políticos. Mais fácil é insistir que Carlos Coelho e Ana Gomes querem protagonismo ou são doidinhos, mas a bem da nação, claro, dos políticos.

depois de o Tiago Oliveira ter colocado este post no A Baixa do Porto e eu este, a página do site da Câmara silenciou a barulheira de automóveis de corrida que lá estava!
Coisas simples, demasiadamente simplórias, diria…

Ainda na campanha eleitoral que o levaria à presidência da Câmara do Porto Rui Rio prometeu, muito bem, impedir que o Parque da Cidade fosse perifericamente alvo de urbanizações de luxo.
Cumprida a promessa, Rui Rio abafa-o agora, muito mal, dentro de um circuito de alta velocidade (sigam o link para escutarem a barulheira do site da Câmara), pronto a receber já em 2007 uma prova do Campeonato do Mundo de Turismo!

Sobre o assunto ver Corrida para a Morte por Tiago Oliveira.

adenda: misteriosamente depois deste post retiraram a barulheira do site.

Falecido o primeiro, parece que a melhor forma de apagar a sua memória é compará-lo com outros ditadores - Fidel (como já começaram a fazê-lo) e talvez Chavez. Eu não tenho grandes problemas com isso - etiquetas nunca foram o meu forte - mas assim sendo, será que devemos a Fidel os mesmos elogios que Margaret Tatcher endereçou a Pinochet?

«There are implications for Chile where the small minority of communists who once nearly wrecked the country under Allende will now be encouraged to overturn the prosperous, democratic order that Pinochet and his successors built.
(…)
Make no mistake revenge by the Left, not justice for the victim, is what the Pinochet case is all about. Senator Pinochet is in truth on trial, not for anything contained in Judge Garzon’s indictment, but for defeating communism. What the left can’t forgive is that Pinochet undoubtedly saved Chile and helped save South America.
» (Guardian)

Não, eu não teria coragem de dirigir estas palavras a Fidel…, nem a Chavez, mas isto da memória ou de quem a quer ir fazendo e registando é uma porra!

«Economistas portugueses criticam aumento das taxas de juro pelo BCE» (no Público, ouvindo João Ferreira do Amaral, Luís Mira Amaral, Octávio Teixeira e José Silva Lopes)
De opinião só os burros não mudam, mas irem buscar a mesa, entenderem o pano verde, comprarem os baralhos, meterem-nos a todos na jogatina e depois não irem a jogo…
Bom cada um sabe de si…, e de burros como nós nada temos a temer; agora dos chicos espertos, cautelinha! É que quando começa a doer, chiça caneco, não é nada com eles. Eles até só lá foram para ver a bola…

«Um euro demasiado forte teria um impacto negativo sobre a indústria exportadora europeia. Mas, por agora, a evolução cambial não parece preocupar o BCE. De resto, a expectativa nos mercados financeiros é de que o BCE deverá voltar a subir os juros pelo menos uma vez no primeiro trimestre do próximo ano.» (Público)

Ah, claro, pois, a expectativa dos mercados financeiros! Eu bem me parecia, é de ter em conta, relevante, diria até, determinante!

sai esta notícia no Público:
«A Junta Metropolitana do Porto considera “injusto e profundamente discriminatório” o relatório do Tribunal de Contas (TC) à gestão da empresa Metro do Porto, divulgado na semana passada.»
(…)
O documento, aprovado por 13 dos 14 presidentes de câmara da área metropolitana (Luís Filipe Menezes, autarca de Gaia, não compareceu) estranha que “das matérias abordadas no relatório final do TC, a par de pertinentes questões de carácter técnico, apareçam ilações e críticas de apreciação claramente política”.»
Desejo, sinceramente, que a Judite de Sousa não se perca com estas manobras de dispersão nem com as questiúnculas entre o Presidente da Câmara do Porto e a Ministra da Cultura, mas que confronte o entrevistado com base no que representava o Porto no contexto do Noroeste peninsular quando foi eleito e o que hoje representa.

A política monetária do BCE, ao manter e elevar o preço do euro, não desiste de defender os elevados rendimentos do capital agiota, borrifando-se para o desenvolvimento económico.
A contínua ameaça do aumento da inflação serve apenas para esconder a intenção de manter a zona euro como um paraíso para a agiotagem bolsista, colocando em causa, a médio prazo, a própria existência da moeda, conforme já escrevi várias vezes, para além de travar o crescimento e impiedosamente as exportações, facilitando, pois claro, a importação mais em conta…, de produtos e bens, para gáudio do consumo!
O endividamento das famílias que financie…, pois…, a tal classe média que sustenta esta democracia e que rapidamente tenderá a desaparecer completamente falida!
Curiosamente, a OCDE que sempre se opôs a tal política, surpreende agora com o seu súbito apoio!
Deixo um excerto de L’argent un peu plus cher dans la zone euro, escrito por Jean-Pierre Robin, no Figaro de ontem.

«(…)
Depuis lors, rien n’est venu démentir ce pronostic, en dépit du recul mécanique de l’inflation des prix à la consommation avec la baisse du pétrole et malgré le rebond du cours de l’euro. Le patron de la BCE, qui continue envers et contre tout de s’inquiéter « des risques pesant sur la stabilité des prix », vient de recevoir un renfort de poids en la personne de Jean-Philippe Cotis. L’économiste en chef de l’OCDE, souvent très critique à l’égard de la BCE, a viré sa cuti : « Si la reprise reste vigoureuse, il faudra peut-être relever les taux d’intérêt en 2008 également » (sic), a-t-il lâché la semaine dernière. Cela a conforté les analystes de marché qui considèrent que le mouvement de hausse des taux européens se poursuivra tout au long de 2007 pour franchir le cap des 4 %. Selon l’OCDE, le renchérissement du prix de l’argent n’est que le reflet des perspectives de croissance de la ­zone euro, qu’elle vient de relever à 2,6 % en 2006, 2,2 % en 2007 et 2,3 % en 2008.»

«“Um euro muito forte penalizará a competitividade da Zona Euro e será contrário aos desafios da economia europeia de 2007″, disse Howard Archer, da Global Insight.
No entender deste economista, as ameaças do próximo ano serão o abrandamento da economia mundial, a subida das taxas de juro, as medidas de políticas fiscais na Europa para reduzir os défices públicos, principalmente na Alemanha, e os preços elevados do petróleo.
» (Público)

Há descobertas da pólvora todos os dias, conforme vai calhando a quem mais jeito der!
Louco tenho sido eu para escrever coisas como esta

Ora aqui está uma boa notí­cia para o Baixo Alentejo!
Depois de todos os partidos em sucessivas eleições terem tontamente prometido e jurado que não autorizariam a instalação de uma grande superfí­cie em Beja, em atitude de vassalagem para com uma associação comercial representante de um comércio local inexistente, eis que alguém teve coragem para ousar o evidente.
Não sei a quem são devidos os parabéns mas, ainda assim, endereço-os sem destinatá¡rio definido.

A rotatividade dos deputados do PC não é novidade - sempre assim foi desde a Constituinte. Entende este partido, seguindo a revisão de Lenine àcerca da soberania, por ele apelidada de "Centralismo Democrático", que defendeu que os representantes são do partido, servem o partido, e não do povo (ideia original de Marx da democracia popular), cabendo ao partido pôr e dispor como bem entender.

Nada de extraordinário, afinal, não fora Abílio Fernandes estar entre os três substituíveis. É que os partidos, monopólios legais de candidatos ao poder central, não se dão bem com os autarcas que fizeram ou fazem um bom trabalho em prol das populações e que, por tal, aglutinaram um natural poder mediático que ofusca quem, deambulando pelos corredores de S. Bento, nada ou pouco fez pelos eleitores.
Este "incómodo", no entanto, não é exclusivo do PC, bem pelo contrário, o tal "centralismo democrático" tem-se manifestado até de forma menos transparente e muito mais cruel nos outros partidos, e mais não é que o domínio dos aparelhos sobre os que não se pretendem aparelhar!
Exemplos?
A perseguição política e o denegrir da imagem de Narciso Miranda e Fernando Gomes no PS mais não foi que o resultado dos medos do aparelho, sustentando agora uma distrital do Porto inimaginável!
Luís Filipe Meneses, talvez o melhor presidente de câmara em exercício, está continuamente sob o fogo do aparelho do PSD, não perdendo uma oportunidade para o denegrir, enquanto enaltece o "trabalho" de Rui Rio ali mesmo ao lado - cena caricata para quem lá vive apenas separado pelo Douro.
Mais recentemente a demissão "forçada" do líder da concelhia do PSD Porto por desabafar que talvez Rui Rio necessitasse de rever a sua política cultural.
Agora Abílio Fernandes, um dos melhores autarcas do pós 25 de Abril que por mera coincidência é afastado da A.R. no preciso dia em que sai esta notícia: «Unesco diz que centro histórico de Évora é dos "mais bem preservados" do país»

Agarrar-se ao poder parece ser cousa quase natural nos meios partidários, agora deitar abaixo quem tem obra que fala por si e os sustenta é novidade e sintoma de que a mediocridade deixou de conhecer limites para atingir os seus fins!

«Em Portugal, por exemplo, a percentagem do sector cultural e criativo para o PIB é de 1,4 por cento, abaixo do sector têxtil (1,9) mas acima do dos derivados de borracha e plástico (0,5 por cento).
(…)
Já em França, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido, o sector cultural e criativo é o que mais contribui para os PIB nacionais.» (no Público)

Há evidências que a insigne e nobel escola económica portuguesa (especialistas em finanças públicas e de todos os tipos ou, mais concretamente, versão moderna de guarda-livros) não consegue decifrar por evidente formatação do ensino. Nas nossas faculdades de economia e de gestão não se formam gestores, não se incute o desenvolvimento do “faro” do negócio, antes espartilham o conhecimento na gestão corrente, na despesa e na receita, escamoteando a análise de oportunidades de negócios e mercados emergentes, condicionamento que limita drasticamente a capacidade de discernir o que é despesa do que é investimento.
Num momento em que o investimento na indústria ruma para o Oriente e a dos serviços concentra-se em enormes grupos financeiros que ninguém conhece ao certo seu modus operendi nem as regras do jogo, o negócio da cultura parece ser o que de mais promissor a Europa pode explorar. Temos património, temos criadores, temos equipamentos, mas falta-nos o know how para explorar o negócio - o investimento na formação de gestores, no caso, gestores culturais. Temos o ouro, mas não o sabemos garimpar…

Não tenho a veleidade de pretender sensibilizar pessoas como o Dr. Rui Rio para este fenómeno, mas há muita boa gente que ainda está a tempo de perceber estas mudanças dos mercados e do comportamento dos consumidores e arrepie caminho!
Pensem, por exemplo, no chavão de que o Estado gasta muito dinheiro com a cultura! O que é que isso quer dizer em termos práticos? Não sei, mas os factos são estes: o orçamento do ministério da cultura é de cerca de 0,6% do PIB enquanto o contributo da cultura para o nosso PIB é de 1,4%!
Repare-se no fenómeno Casa Fernando Pessoa. Trata-se de uma instituição nova? É sobre-financiada? De forma alguma! Trata-se de um caso de sucesso muito recente onde existe trabalho, muito com certeza, mas competência (o termo que a distingue e deveria constituir-se em case study nas nossas faculdades), competência intrínseca às coisas da cultura e, muito especialmente, à forma como é gerida.
É tempo de aprendermos e de arrepiar caminho sem nos deixarmos prender por conversas de café como a de saber se mais ou menos Estado, se somos neo-liberais ou sociais-democratas ou outra coisa qualquer, porque o mercado e as oportunidades de negócio não esperam nem dessas cogitações querem saber.

Para um economista, para um gestor, a questão deveria resumir-se a constatar que a cultura é uma das mais promissoras oportunidades de negócio para a Europa e que devemos investir o mais eficazmente possível para estar rentavelmente nele.
Para os governos a questão poderá ser mais complexa, como venho defendendo, pois eles próprios deveriam reorganizar-se numa perspectiva de gestão cultural, envolvendo tutelas dispersas pelos ministérios da cultura, educação e negócios estrangeiros e pelo audiovisual, com missões e objectivos próprios quando não contraditórios.

«Portugal’s poor growth performance and its economic difficulties since the launch of the euro in 1999 have highlighted the difficulties faced by some members of the 12-country currency bloc in adjusting to the disciplines imposed by a single monetary policy.» (link)
Já várias vezes escrevi, para o boneco, é certo, por exemplo aqui, sobre a irresponsabilidade de termos entrado para a zona euro aos trambolões, i.e., sacrificando toda a actividade económica em prol do cego cumprimento dos critérios exigidos.
Pode ser que agora a direita ou a esquerda ou quem entender, consiga ser mais assertivo nas análises que faz ao trabalho dos políticos que nos governaram à época, sérios, não tenho dúvida, mas de vistas curtas, muito curtas mesmo, atavismo endémico, afinal, sem novidade!
é o título de 2 textos do Masson sobre as reformas educaticas (link e link) no Almocreve das Petas que aconselho vivamente.
Não é que esteja em total acordo, mas está lá uma análise calma e bem entrelaçada sobre os riscos que poderão advir.

O garrote que há anos o poder central vem apertando ao grande Porto - por nunca ter digerido a sua superior vitalidade nem o seu desinteresse pelo próprio poder central - atinge, com a escolhas das 3 SCUT’s a serem pagas, contornos que roçam uma desavergonhada indecência!
Primeiro porque foi promessa do governo não cobrar portagem nessas vias em desacordo com o PSD; segundo porque, quebrada a promessa, as escolhidas são todos numa zona específica do país, zona essa que, desde que o Dr. Rui Rio assumiu a presidência da Câmara do Porto, perde diariamente a sua vitalidade e afirmação!
Aliás, o primeiro a apoiar o princípio utilizador/pagador para o grande Porto foi precisamente o não iluminado déspota, embora eleito e reeleito, ainda Santana Lopes estava no governo.

O Sr. Secretário de Estado Adjunto Castro Guerra afirma que: «a culpa do aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade em 2007 é dos consumidores, porque "este défice tem de ser pago por quem o gerou".»
porque
«Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores".» (no Público)
Ó senhor, que é que eu tenho a ver com a merda das leis que os governos vão ou não fazendo?
Por acaso algum não governante impôs que o preço da energia não fosse sendo actualizado? Mesmo atendendo a que elegemos os nossos representantes, diga-me qual foi o partido, desde 74 até hoje, que no seu programa eleitoral aflorou tal assunto?
Olhe, bardamerda! Para além de ser muito pouco polido para quem o sustenta a verdade é que se não estivesse pressionado pelos candidatos à privatização da EDP tudo continuaria como dantes.
Enderece, por favor, os meus cumprimentos ao Dr. Pina Moura que parece estar a prestar um óptimo serviço a quem representa, lamentando não poder dizer o mesmo de V. Exa.

Ler E o anel de ruby pelo Besugo no Blogame Mucho.

Não desisto de pugnar por uma política gestão cultural global do Estado. Os princípios orientadores, as regras de apoio às artes, a tipologia dos apoios, o controlo, a avaliação dos resultados são fundamentais para se delinearem estratégias, programar temporadas e espaços de programação regular.
Sem isto nada é endendível, parecendo que todos os financiamentos são de ocasião para mais não dizer.
Sobre este assunto recomendo vivamente a leitura de O grande teatro da metrópole, pelo Tiago Bartolomeu Costa, em O Melhor Anjo, onde analisa a nova programação do Teatro Nacional D. Maria II.