Abr 212013
 

Concretizado o primeiro consenso, o que ocorreu dentro do PSD, conseguido através do apoio de Cavaco Silva a Passos Coelho e do regresso dos cavaquistas ao poder – Poiares Maduro e Marques Guedes – estamos agora em plena vigência de um governo de iniciativa presidencial. (ver texto)
Cavaco SilvaOs cavaquistas, desavindos com o governo devido à política desastrosa de Vítor Gaspar, parecem agora optar pela continuidade, acreditando que Marques Guedes e, em especial, Poiares Maduro poderão fazer a diferença na condução de uma política negocial activa com os poderes da União Europeia, em contraponto com o seguidismo cego do Ministro das Finanças. Com Passos Coelho não contam (como poderiam se ninguém crê na sua estatura política?), indiferentes ao que o CDS possa fazer, os cavaquistas partem à conquista da comunicação social e das redes sociais para clamarem um consenso urgente com o PS!
Com o PS? Será?
Passos Coelho não atirou a toalha ao chão conforme anunciou, mas toalha já não tem, tornando-se um Primeiro-Ministro pardo, na sombra de um poder que se lhe viu fugir com o desastre anunciado e a tomada de assalto por parte dos fiéis a Cavaco Silva. Joga agora nos bastidores, na esperança de que, mais uma vez, Vítor Gaspar o consiga salvar. Com efeito, os indefectíveis de Cavaco sempre dominaram a bancada do PSD e dominam agora Primeiro-Ministro.
Mas não lhes basta. É curto. Unidos a não quererem eleições, o PSD encontrou o consenso por essa via (e não foi assim que esta Europa do Euro se construiu desde Maastricht, fugindo de eleições e referendos, tudo combinando e resolvendo pelos burocratas mandatários da alta-finança nas costas dos cidadãos?), mas não quer suportar o ónus da queda do governo sem arrastar o PS!
Mas porquê o PS? Não têm eles maioria absoluta? Não precisam de 2/3 para nada se não querem rever a Constituição!
Será paranóia esta repentina urgência de consenso com o PS?
Não, não é paranóia. Não, não é urgente para os interesses de Portugal. Não, não há necessidade de um entendimento com o PS para encetar negociações com a troika – trata-se de medo!!! Medo, sim, apenas e só isso!
O consenso entre as facções do PSD e Cavaco Silva necessitam de prender António José Seguro a eles, não um consenso com o PS, mas tão-só António José Seguro, pois é o medo do regresso de Sócrates que os une!!! Não se uniram por Portugal, mas por medo que um outro político chegue novamente ao poder! Trata-se do “efeito Sócrates”. (ver texto)
E assim, com politiquices e jogos do poder vai andando este país, governado entre amores de circunstância, apesar dem sólidos compadrios, e ódios pessoais!
E de Portugal quem trata? Os tratantes, ao que vemos!

Mai 212012
 

Tal como a extensa resma de economistas do pensamento único, com assento de comentadores mediáticos, Cavaco Silva sabia onde o acordo com a tróika nos levaria quando o apoiou e até contribuiu para que ele se precipitasse, permitindo que fosse negociado e assinado por um governo de gestão, com o acordo de partidos de uma Assembleia da República demissionária.
Cavaco SilvaSabia, sim, como todos sabíamos, da impossibilidade de cumprir semelhante acordo sem atirar com os cidadãos para a miséria, seja através da sobrecarga de impostos, da chantagem dos bancos sobre as famílias em dificuldades, seja através do galopante desemprego!
Vir agora rejubilar-se pelo facto de o G8 ter obrigado a falar-se de crescimento e mostrar-se consternado com o “flagelo” do desemprego, é recurso de retórica, palavras vãs e cínicas se não vetar o novo Código de Trabalho, que o PSD, o CDS e o PS, unidos, permitiram que se aprovasse, o qual, todos sabemos, nada acrescentar para o crescimento da riqueza, mas promover mais desemprego e em proporções absolutamente catastróficas!
Seja consequente com as suas palavras Senhor Presidente, mande para apreciação do Tribunal Constitucional e, se este não detectar insconstitucionalidade, use o seu veto político, porque, enquanto o Parlamento é uma amálgama de gente de ninguém conhece, o Presidente da República é eleito directamente e responde diante de todos os cidadãos.

Nov 242011
 

Greve Geral - 24 Novembro 2011Em dia de Greve Geral, convocada pelas duas centrais sindicais, penso sobre o verdadeiro móbil que a anima, independentemente da percentagem de adesão que venha a ter. À partida, tudo parece indicar que se tratará de pugnar contra a drástica redução de rendimento do trabalho infligida aos funcionários públicos e aos pensionistas, indiciando poder não sensibilizar os assalariados das empresas privadas. Mas, pergunto eu, se se poderá retirar-se desta greve geral uma atitude de indignação contra a acordo celebrado com a troika pelo PS, PSD e CDS.
A meu ver, por muito que queiram fazer passar essa mensagem, dificilmente ela será aceite como móbil, uma vez que o envolvimento do PS neste dia retira o fundamento para tal intenção. Vivemos num mundo de imagem, do faz de conta, onde o partido que negociou o danoso acordo para Portugal esteja, neste momento, ao lado dos que estão a sofrer, na carne, com ele! Mas a política tem vindo a ser feita, há muitos anos, por estes figurinos, sempre muito aprumados para ditos e gestos mediáticos ou interesses de sondagens, que são o reflexo da imagem que nos passam os órgãos de comunicação social.
Quanto à utilidade, mesmo sabendo que o maior ganho é de quem não terá de pagar este dia de trabalho e outros que possam vir, a mobilização das pessoas em torno do que não estão dispostas a aceitar, hoje e futuramente, poderá ditar a relevância desta jornada de luta e indignação.
No entanto, o facto de todos os canais audiovisuais do Estado, os da RTP, estarem a funcionar é o mais rude golpe para as intenções dos aderentes à greve, sendo uma demonstração da ausência de respeito dos seus trabalhadores por si próprios e da sua falta de solidariedade para com os demais funcionários públicos.

Abr 112011
 

Fernando NobreÉ com enorme surpresa que dou conta de surpreendentes surpresas de várias pessoas com a decisão de Fernando Nobre de aceitar ser cabeça de lista por Lisboa pelo PSD!
Fernando Nobre não deve ter surpreendido o seu mentor Mário Soares que, tal como ele, sempre revelou grande apetência para ser um enorme estadista!
É disso que se trata! Fernando Nobre pretende dar uma voz activa aos descontentes dos partidos que nele votaram no Parlamento, através do mais que indicado púlpito de Presidente da Assembleia da República.
Surpreende-me quem, surpreendentemente, considera este passo de Fernando Nobre uma surpresa!

Abr 072011
 

Dão-se alvíssaras a quem conseguir fazer compreender quais as razões que terão norteado Passos Coelho e o PSD a chumbar a proposta do PEC do PS para 2012 e a aceitar e aplaudir e apoiar o governo neste pedido de ajuda à União Europeia, sem conhecer as condições impostas, mesmo sabendo, de antemão, que serão muito mais gravosas para os cidadãos!

Abr 032011
 

Cavaco SilvaCavaco Silva foi, de facto, encostado à parede, quando menos gostaria que acontecesse, pelo PSD, quando este votou contra a proposta do PEC para 2011 apresentada por Sócrates ao Conselho Europeu e aprovada por este, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia.
De nada adianta agora o jogo de atribuição de responsabilidades à jogada de Sócrates e à ingenuidade de Passos Coelho e , ainda menos sobre quem deve pedir o ‘resgate’ de Portugal, se o governo de gestão se a Assembleia da República demissionária, disputa em que se envolveram todos os políticos, eminentes constitucionalistas, comentadores e o próprio Cavaco Silva!
Em boa verdade, mesmo que se admita a exigência de uma ‘jogada’ política de Sócrates, a questão não é constitucional, nem política, mas sim de defesa de Portugal. Cavaco Silva, ao dizer, e bem, que não pode governar, não pode exigir a um governo que a Assembleia da República negou a sua proposta de solução que faça o que não quer, e menos que corrija o ingénuo erro do PSD!
Exigir a um governo de gestão que viu a sua proposta de solução ser recusada pela Assembleia da República, que assuma responsabilidades em nome de todos os cidadãos para três, quatro ou mais anos, mesmo que constitucionalmente viável, é politicamente inaceitável!
É ao Presidente da República e a mais ninguém que cabe defender os últimos interesses de Portugal, em especial, num momento em que existe um governo de gestão e que se irá, por sua vontade expressa, iniciar um processo eleitoral conducente à formação de um novo governo.
Até lá, independentemente da opinião mais avalizada, Cavaco Silva tem de ter a coragem de cumprir com a sua obrigação de assumir o controlo de Portugal, nomeadamente, a de demitir, de imediato, um governo que entende que não cumpre o exigível e a constituição de outro, de sua iniciativa, temporário, até ao final do processo eleitoral!
Assuma as suas responsabilidades, Sr. Presidente da República, em vez de se envolver em escaramuças partidárias de sobre quem deverá fazer o que o Senhor entende que deve ser feito e tem obrigação de fazer!

Nov 102010
 

SCUTDepois do PS insistir nas portagens nas SCUT’s e em formas de pagamento ilegais, com a anuência do PSD por abstenção, adianto quais são as razões que me assistem para não ter pago nem vir a pagar.
Comecemos pela Constituição da República Portuguesa, concretamente pelos seus artigos 35.º, 26.º e 21.º. Cito com sublinhado meu:

- artigo 35.º 3.
3. A informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical, fé religiosa, vida privada e origem étnica, salvo mediante consentimento expresso do titular, autorização prevista por lei com garantias de não discriminação ou para processamento de dados estatísticos não individualmente identificáveis.

- artigo 26.º 1.
A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.

- artigo 21.º
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

As razões porque me escudo nestes pontos da Constituição prendem-se com os seguintes factos e consequentes decisões pessoais:

1 – Não pode o Estado obrigar-me a identificar-me para efectuar o pagamento de um serviço, como é obrigatório para a aquisição de um chip;
2 – Não pode o Estado obrigar-me a que eu tenha de ter uma conta bancária seja em que banco for, para adquirir o chip pré-pago;
3 – Não pode o Estado discriminar-me com 30 cêntimos de penalização pelo facto de eu optar pela modalidade de pagamento posterior;
4 – Não pode o Estado obrigar-me a privar-me da intimidade da minha vida privada e familiar ao identificar o lugar em que me encontro, dia e hora através do sistema de pagamento posterior, o qual fotografa o meu veículo;
5 – Mediante os pontos anteriores, tenho o direito a invocar e a colocar em prática o meu direito de resistência por me sentir ofendido nos meus direitos e liberdades, prescritas na Constituição da República Portuguesa, sendo que o acto de resistência será o de não pagar voluntariamente.

Nov 022010
 

Têm-se as instituições partidárias e presidenciais e suas clientelas e fiéis agitado e tentar-nos agitar em torno da imprescindibilidade de um acordo entre o PS e o PSD para a viabilização da sua aprovação parlamentar. O assunto é demasiadamente sério para com ele glosarmos, uma vez que, se ponderarmos séria e ponderadamente, logo detectamos que se, porventura, o orçamento para 2011 não fosse aprovado, contrariamente àqueles que dizem que não teríamos orçamento, teríamos o de 2010. E isto, faz toda a diferença.
Avante, meus senhores, e sem medos que ‘o povo é sereno’…

Recordemos…

FMI - Jose Mario BrancoNão há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer-se dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas é sempre o mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica! Lourosa! Lourosa! Marrazes! Marrazes! Fora o arbitro, gatuno! Qual gatuno, qual caralho! Razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá!

excerto da letra de “FMI” (1982) de José Mário Branco

Apetece-vos revisitar a música? Força, é só seguir o link!

Jul 092010
 

Ao que parece PS e PSD irão hoje tratar das SCUT e meios de pagamento. Relativamente ao pagamento a coisa é muito simples: ou o PSD, honrando a memória de Sá Carneiro, não cede no meio de pagamento sob anonimato que agora designam por ‘DEP temporário’, o qual para ser efectivo tem de ser facilmente acessível através de vários pontos de distribuição, ou andou a enganar-nos em todo este processo, cujo único objectivo terá sido atirar poeira para os olhos dos seus eleitores!
O resto é treta! Ou o PSD respeita os princípios sobre os quais de fundou, ou PSD deixará de ser! Há momentos em que uma decisão está mesmo no âmago da identidade!

Jul 022010
 

À última hora, sem se conhecer a razão, aparece uma alternativa de pagamento das SCUT que não obriga os cidadãos a identificarem-se – o pré-pagamento! (ver link)
PSD - simboloEsta modalidade de pagamento, ainda não prevista pela manhã, honra o PSD, respeita a memória de Sá Carneiro, porque preserva a privacidade e a livre circulação de pessoas, embora não o escuse de ter sido o partido que obrigou a cobrar portagens em todo o país, invocando a nome dos nortenhos. (ver link)
É ideal? Será confortável? Talvez não. Mas, digno, sim. E no contexto, não é coisa desprezível!