Desnorteados andamos desde a crise financeira de finais de 2007, atulhados em problemas que nos endereçam, sem soluções à vista, obrigados internacionalmente a atirar para a pobreza milhões de cidadãos, a desestruturarmos a nossa administração pública, a destruir tudo quanto permita o acesso à dignidade humana proclamada em todas as Constituições do mundo dito livre, pluralista e democrático – entregamos a soberania nacional a um projecto utopista que agora devora os cidadãos, o Estado e regurgita miséria!
Há dois anos, precisamente, alguns partidos, muitos políticos e carradas de comentadores preferiram atirar-nos para uma tutela “global” composta por burocratas da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI, afirmando à boca cheia, sem qualquer rebuço e com poderosos megafones ligados a todos os canais possíveis e imagináveis de comunicação social de que seria melhor para Portugal sermos governados por esta gente estrangeira, ou melhor, apátrida, a qual deteria um conhecimento inquestionável para resolver os problemas de défice e de dívida pública.
Os préstimos milagrosos e inquestionáveis destes senhores, que em troika se constituíam para virem “pôr na ordem” os portugueses, foram cantados por Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Lobo Xavier, Passos Coelho, Paulo Portas, e milhares de outros, sempre com o beneplácito do Presidente da República, Cavaco Silva, contrariando o que até a Chanceler alemã pretendia, tentando encontrar uma solução sem recorrer a esta gente como está a acontecer em Espanha, onde fôssemos tentando, por nós próprios, resolver os nossos problemas com a compreensão e ajuda discreta da União Europeia através da Alemanha.
Acontece que, volvidos estes dois anos, o desastre financeiro, económico e social a que as políticas de empobrecimento e alienação de património a que nos obrigaram aqueles burocratas nos conduziram, é já tão visível que quase ninguém resta que ouse bem-dizer da solução a que nos entregaram.
A nossa História está prenha de pessoas que sempre menosprezam os portugueses e idolatram os estrangeiros, tendo entregue, em actos de traição, a condução dos nossos destinos a outrem – foi assim em 1383 e em 1580. No entanto, mais tarde ou mais cedo, aqueles que, apesar do engano político, constataram o seu erro e juntaram-se ao Mestre de Avis e ao movimento da Restauração, apeando os traidores contratados – Conde Andeiro e Miguel de Vasconcelos!
Vivemos hoje um momento muito idêntico, onde em acto muito pouco patriota de alguns se entregou a nossa soberania, deixando instalar entre nós Condes Andeiros e Miguéis de Vasconcelos, que minam qualquer tentativa de nos podermos, por nós, erguer e portugueses livres voltarmos a ser. Se dúvidas alimentávamos, a tentativa de Paulo Portas, relativamente à sua posição de entrave à taxa extraordinária sobre as pensões com o quase acordo de Passos Coelho, sofre um revés inesperado com a imposição de um ultimato dos burocratas de Bruxelas exigindo uma clarificação do governo português referente ao assunto, condição essa que inviabilizaria o encerramento da 7ª avaliação e respectivo envio do financiamento, logo após a chegada do Vítor Gaspar a Bruxelas!
Entendamo-nos! Paulo Portas e os cavaquistas, se suspeitas já alimentavam, ficaram agora certos de que o que está em causa é a presença de traidores entre nós, neste caso de Vítor Gaspar, o qual, apesar de já isolado no seio do Conselho de Ministros, continua a manter o seu poder com o beneplácito e às ordens de um poder não eleito de burocratas que dominam as instâncias internacionais que compõem a troika – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI!
Se recuarmos 2 anos e pensarmos nos momentos de inusitado chumbo do “PEC 4″, na urgência de entregar a nossa soberania a burocratas mandatários da alta-finança internacional e no modo como Passos Coelho tratou do seu governo, vemos, agora com clareza, como surgem o actual Conde Andeiro, Vítor Gaspar, oriundo dessa classe de não-eleitos da Comissão Europeia bem como os Miguéis de Vasconcelos de hoje, António Borges, oriundo do Goldmann Sachs e do FMI e Carlos Moedas, também oriundo do Goldman Sachs, com o interesse de provocar a alienação da estrutura empresarial do Estado e, claro, do desmantelamento do Estado Social, com o mesmo objectivo – entregar à alta-finança os sectores da energia (EDP e GALP), dos transportes (TAP e ANA), da educação e da saúde!
O problema que hoje urge resolver não é mais o financeiro (do défice que só se tem agravado, da dívida soberana que só tem aumentado), o de crescimento (cujas estruturas de produções foram e estão a ser todas destruídas e/ou desmanteladas), mas sim o de denunciar publicamente e varrer de cena, sem tibiezas, os traidores da pátria, os Condes Andeiro e os Miguéis de Vasconcelos, que minam qualquer tentativa de nos reconstruirmos por nós!
Que lições haverá a tirar de todo este desnorte? Tiro uma que sobrelevo: a Democracia é o menos mau dos regimes! Podemos ter políticos maus, muito maus ou péssimos, mas pugnarei sempre por elegê-los e obrigá-los a cumprir as políticas com que se comprometeram em campanha eleitoral e evitar, sempre, entregar o poder a tecno e burocratas que não se submeteram, nem nunca o ousarão, ao escrutínio eleitoral, não obstante pretenderem controlar a política, colocando-a ao serviço de obscuros e inconfessáveis desígnios.
Perguntar-me-ão, mas quem é hoje a tolinha da Leonor Teles? Mas essa é fácil, primária, está aos olhos de todos quem abriu a porta a estes traidores e os alimenta, pois sem eles nada é!




Fantochada!!!
Paulo Morais, em vários programas televisivos, tem denunciado não fenómenos de corrupção, mas de falta de ética de políticos que poderão promover a mesma. Aqui fica um desses vídeos.
A escolha do fado como ‘Património Imaterial da Humanidade’ pela UNESCO é motivo de orgulho para Portugal, seja pelo reconhecimento da sua qualidade artística intrínseca, ainda hoje muito devedora a Amália Rodrigues, seja pela inscrição inédita de uma manifestação artística portuguesa naquele lote de tão difícil acesso.
Doces lembranças da passada glória,