Mar 112010
 

35 anos após o 11 de Março de 1975, tempos do PREC, tensos, turbulentos, agitados, mas de combate pela democracia e pela liberdade, com o PCP a ganhar posição em muitos sectores chave do Estado, pelo facto de ser o único partido com uma estrutura montada há muitos anos e clandestinamente muito agilizada, consegue-se travar a mais perigosa investida contra-revolucionára liderada por António de Spínola, que foge para Espanha e depois para o Brasil, onde vem a liderar dois movimentos terroristas, o ELP, sediado em Espanha, e o MDLP, sediado no Brasil, cujos operacionais nunca forma colocados diante da justiça.

Antonio de Spinola

Quadro do Museu da Presidência da República

Güenter Wallraff, jornalista e autor do livro ‘A Descoberta de uma conspiração, a acção Spínola’, revela, via JN:

António Spínola queria voltar ao poder através de um golpe de Estado e “eliminar fisicamente” os adversários políticos
(…)
O facto de Spínola lhe ter dito que queria armas para exterminar fisicamente os adversários levou depois a que as autoridades suíças, a quem Wallraff entregou provas, o detivessem e extraditasse mais tarde para o Brasil
.

Em nome da memória colectiva e da justiça convém não continuar a branquear a existência de tentativas contra-revolucionárias contra a implementação de um regime democrático, nem a existência de movimentos terroristas de extrema direita, sem esquecer, simultaneamente, que o grande beneficiário desta vitória sobre a contra-revolução foi o PCP que conseguiu infiltrar-se, ainda mais profundamente, no poder, através de Vasco Gonçalves, Primeiro-Ministro de então, sob o ‘slogan’ ‘aliança Povo-MFA’.
Feita, há muito tempo, a história dos excessos revolucionários do PREC, ´talvez seja tempo, volvidos 35 anos, de repor a verdade histórica no que concerne aos movimentos contra-revolucionários, uma vez que no próprio Museu da Presidência da República o 11 de Março ainda é apelidado de intentona, o MDLP é uma organização de ‘combate à ditadura marxista’ e não uma organização terrorista, para constatarmos a incompreensão diante da reintegração de Spínola nas forças armadas em 1978, bem como a sua promoção a marechal em 1981, e a perfídia que Mário Soares cometeu contra todos os que se bateram pela liberdade e pela democracia e contra aqueles que, mais tarde, as defendem intransigentemente, ao condecorá-lo, em 1987, com ‘Grã-Cruz da Ordem Millitar de Torre e Espada’.

Abr 282009
 

35 anos após o 25 de Abril é constrangedor ouvir Lasalete da Coração da Cidade, instituição particular de solidariedade social sem fins lucrativos de apoio aos sem abrigo no Porto, afirmar que Neste momento, os bens que nos são doados não chegam para conseguirmos alimentar as mais de 300 famílias que nos procuram.
No blogue do Coração da Cidade, sob o título os cravos estão vermelhos de vergonha…, Lasalete enuncia, com humildade, o que deve ser a liberdade: a liberdade é um treino diário de adestramento da vontade de viver e de disciplina interior, é um modelar constante do nosso mal formado carácter para que a liberdade se manifeste em nós e simultaneamente nos outros….
Mais adiante, descrente nos partidos e da ilusória liberdade de que falam, é com profunda tristeza e mágoa que escreve:

mas, o que mais deixa de lado o prazer da liberdade, é que constantemente os menos abastados se deixaram contagiar pela inoperância e entregaram a liberdade aos partidos, deixaram-se conduzir por querelas partidárias e não foram capazes de entender que a parte mais bela da liberdade, que é a união de esforços , estava a adoecer, porque a liberdade deve ser alimentada por um povo que sente diariamente na alma e no corpo as algemas dolorosas das migalhas que os ricos fazem escorregar das suas mãos abastadas e nuas de caridade, douradas da caridade assistencial que não sabem usar…

Deixo um vídeo da RTP para ouvirem, de viva voz, quem pelos outros faz a sua vida.


É por isto que Mandela, nos seus 90 anos, e sabendo que a democracia está de volta à África do Sul, não se esqueceu de lembrar ao seu partido antes destas últimas eleições, o ANC, que a grande prioridade é a erradicação da pobreza.
Mas Mandela é Mandela. Nunca se deixou deslumbrar pelas riquezas nem aceitou as injustiças que as democracias ocidentais proporcionam. Ele sabe. Sabe, porque por isso dedicou e entregou a sua vida.

Abr 252009
 

A ler, ver e ouvir a forma como, de lá, de Portsmouth, o Ricardo, sob o título ‘O Burburinho da Revolução‘, sente o 25 de Abril no seu ‘Peremela’. E lendo, e sentindo, e conhecendo-o, sentimos alcançar a sustentação emocional que o conduziu à composição do seu tema ‘a José Afonso‘ que volto a disponibilizar para vossa escuta.

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Abr 242009
 

Comemorar o 25 de Abril é, antes do mais, cantar a liberdade e o fim da guerra colonial, propondo-vos este ano que o façamos com música, destacando dois concertos que me parecem muito adequados para comemorar a data: ‘Música e Revolução’ de Maria de Medeiros e a Gustavo Dudamel a dirigir a ‘Orquestra Juvenil Simón Bolívar’ interpretando a ‘Sagração da Primavera’ de Stravisnky.

Maria de MedeirosMaria de Medeiros apresenta ‘Música e Revolução’ hoje, dia 24, na Sala Suggia pelas 21:00h, na Casa da Música, interpretando canções do ‘Maio de 68′, sob e direcção musical de Stephan Sanseverino, Pascal Salmon ao piano, Edmundo Carneiro na percussão e NN em Contrabaixo. A 2ª parte deste concerto poder-se-á escutar a Sinfonia, para oito vozes e orquestra de Berio interpretada pelo Orquestra Nacional do Porto e pelo ‘Neue Vocalsolisten Stuttgart’, dirigida por Michael Zilm.

Gustavo DudamelAmanhã, no Coliseu dos Recreios, às 21:00h, no âmbito do ‘Ciclo Grandes Orquestras Mundiais‘ promovido pela Gulbenkian, Gustavo Dudamel regressa a Portugal com a Orquestra Juvenil Simón Bolívar para apresentar a Sagração da Primavera de Stravinsky.
Nunca aqui escrevi sobre este, um jovem maestro, Gustavo Dudamel, hoje com 28 anos, director musical da Orquestra Sinfónica de Gotemburgo desde 2006, um produto do ‘El Sistema‘, um programa de educação musical para os mais pobres implantado na Venezuela por José António Abreu em 1975 sob o nome, então, de ‘Acción Social para la Música’, e que produziu já centenas de excelentes músicos profissionais que alimentam as excepcionais orquestras infantis e juvenis do país, retirando-os da miséria dos bairros em que viviam e do ‘destino’ que os acorrentava.
O ‘El Sistema’ de José António Abreu foi adoptado e acarinhado por Hugo Chávez, designando-se agora por ‘Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela’.

Abr 242008
 

Anos depois, em 1982, José Mário Branco marcou-me com este concerto – FMI – que é um desabafo, pessoal, um desabafo de contra, contra o conformismo, contra o cansaço de lutar pelos conformados, contra o consumismo, a alienação, cansado…, desencantado, mas lúcido, lúcido até hoje. É uma das mais belas e pungentes obras da canção de intervenção, de assombro, de fim de etapa, mas de uma visão de um futuro diferente, sem se prostituir, contudo. Aqui fica:

ps: quem quiser adicionar no Youtube deixo o link directo.

Abr 252007
 

25 de Abril - menino e cravo Sempre me interroguei por que razão os media gastam dezenas de horas a dar a palavra e a entrevistar políticos a 25 de Abril!
Sei e tenho um enorme respeito por todos os que se baterem contra a ditadura, alguns com graves prejuízos familiares e até físicos, mas não esqueço que o 25 de Abril foi uma revolta de militares que queriam e conseguiram pôr termo à guerra do ultramar.
Sem estes homens, que demonstraram grande coragem, a democracia não teria chegado tão cedo, nem aos democratas teria sido entregue o poder político!
Neste dia a minha homenagem vai sempre e só para o MFA – Movimento das Forças Armadas.


Abr 252005
 

25 de Abril - Menino e CravoGrândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra d’uma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

Zeca Afonso

Mai 102004
 

Por mera coincidência o post anterior reflectia sobre ideias idênticas às que o Francisco, na Planície Heróica, tinha exposto, nomeadamente sobre o regime de voluntariado dos exércitos profissionais. E pergunta-me:
Achas que o 25 de Abril teria sido possível nestas circunstâncias?
É evidente que a resposta se coloca em terreno de conjecturas mas, ainda assim, ouso responder que não, pelo menos da forma como o conhecemos.
O 25 de Abril foi planeado e conduzido por oficiais de patente média e inferior e com base num programa unanimemente aceite, baseado em 3 pontos: o fim da guerra colonial, o fim da ditadura e o desenvolvimento de Portugal.
Ora os exércitos actuais, conforme disse no post anterior, são feitos de voluntários que se alistam por razões ou de confirmação de soldo ou de imaginários heróis imbatíveis, sendo depois arduamente sujeitos a um tratamento psicológico intenso assente em dois pilares: obediência cega a uma cadeia de comando e treino específico para lidar com situações extremas de crise que impliquem a intimidação e/ou o uso de força rápida e eficaz de aniquilação do inimigo.
As forças norte-americanas assumem que os ensinamentos do psicólogo Stanley Milgram (que pretendeu provar que «uma elevada percentagem de indivíduos obedeceria a instruções para infligir dor em terceiros») são o paradigma do treino das suas tropas.
Ora, não me parece que este tipo de soldados tivesse condições psicológicas para organizar-se em torno de uma causa (a única causa que reconhecem é a ordem de comando) nem agir contra ou com o desconhecimento da hierarquia e muito menos arquitectar clandestinamente planos para derrubar a fonte da sua existência – a própria cadeia de comando.
Só por isto, acho que o 25 de Abril que conhecemos não teria sido possível nas circunstâncias em que ocorreu.

Abr 162004
 

Abril com “R”

“Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois

Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.

Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.”

Manuel Alegre