Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘Opinion’

A Cristina Vieira no Contracapa pega no assunto do excerto do artigo de Pacheco Pereira (que atrás abordei) e abre portas ao que sinto que poderá estar por trás não só daquela passagem, como doutros ataques desferidos contra a blogosfera - uma campanha orquestrada e desesperada dos media tradicionais devido à drástica quebra de vendas e as virtualidades abertas pela Web 2.0 (vulgo Web Social), nomeadamente à criação de redes específicas e especializadas e seu inter-relacionamento digital.
O excerto em causa tem provocado alguma polémica, nomeadamente através do escritos de Fernando Venâncio, do José (aqui e aqui), da Zazie, do Paulo Querido e do Dragão, mas foram Paulo Querido e Fernando Câncio que me incitaram a procurar ler na íntegra o artigo de Pacheco Pereira.

Afinal, deduz-se, que o artigo tem por base a leitura de The Cult of the Amateur de Andrew Keen que não li mas, socorrendo-me da Wikipédia, dou conta de que este autor tenta alertar para os perigos da Web 2.0, identificado-a como um grande movimento utópico similar à sociedade comunista, pelo facto de todos, mesmo os que não receberam educação adequada, poderem usar a tecnologia digital para se tornarem realizadores cinematográficos, músicos e escritores autodidactas. No seu entender este processo empobrece a criatividade, democratiza os media e nivela por baixo tanto amadores como profissionais. Propõe ainda como solução que os media tradicionais elitistas se constituam como inimigos da Web 2.0.

Sendo sensível à preocupação que Pacheco Pereira tenta manifestar - o tal empobrecimento cultural - não me parece defensável a tese de Andrew Keen, muito menos num mundo que diz defender a liberdade individual e cujo poder se sustenta no sufrágio universal e no apelo a uma cidadania activa, seja de professores catedráticos, seja de analfabectos! Regular a liberdade para que a de cada qual não colida com a do próximo, parece-me evidente em lugares que prezam o Estado de Direito; agora limitar a liberdade de expressão (de opinião ou de criação) parece-me, isto sim, muito mais próprio de uma ditadura, comunista ou de qualquer outra adjectivação. ( leia-se a crítica sugeria por Paulo Querido de Lawrence Lessig no Lessig 2.0)
Se seguíssemos à letra a solução preconizada por estas profecias apocalípticas e pelo calar dos tais amadores autodidactas, nunca teríamos tido um Torga, um Eugénio de Andrade, um Fernando Namora, um Carlos Paredes, uma Amália…

Continuo, afinal, com a impressão primeira que formei, a de que está constituído um poderoso lobbie global que colocou em marcha uma campanha contra a rede da blogosfera, nomeadamente a proporcionada pela Web 2.0 (vulgo Social Web), por parte dos media tradicionais, desesperados que estão com a drástica redução das suas vendas, contando com o apoio dos comentadores contratados pelo facto de sentirem diluir o seu poder enquanto opinion makers, buscando sustentação teórica nas inusitadas opiniões escritas de Andrew Keen.

A apoiar o que defendo, vejo o que a Cristina adiantou sobre a campanha contra os blogues que o Estadão lançou há cerca de um mês, criada pela empresa Talent, onde se lê e passo a citar, todos os blogs, ou melhor, todo o conteúdo gerado por não profissionais, não presta. A tónica da campanha estava em duas ou três ideias: blogs limitam-se a copiar informação, blogs não são fidedignos (…).. A Resposta não tardou através de Cristiano Dias no blogue Brainstorm#9 onde se lê o óbvio: Obviamente, existe muito lixo na internet. Falando especificamente de blogs, dos milhares que aparecem todos os dias, poucos se aproveitam, é verdade. Mas a lei da sobrevivência é a mesma: apenas os com conteúdo relevante e/ou divertido permanecem. A tecnologia avança, mas isso não muda.

Assim sendo, para além do artigo do Dr. Pacheco Pereira não acrescentar novidade dentro deste estratagema, a sua motivação para o escrever deverá ter sido bem mais elaborada e alargada que a nobre defesa da cultura e de uma elite de qualidade que a lidere, como insinua, enquadrando-se, antes, num lobbie global que ataca os blogues por considerar ser a melhor defesa para travar a tendência de redução de vendas dos media tradicionais e a não diluição do poder de opinion makers dos comentadores lá instalados.

A propósito do concerto que Murray Perahia deu anteontem na Casa da Música o HVA, no desNorte, escreve um texto que subscrevo na íntregra, pelo que escreve diz e pela elegância com que justamente se indigna!
A Casa da Música está a mudar, vai mudando, vai refazendo-se, vai esquecendo o que Alves Monteiro legou! (ver aqui, aqui e aqui)
Deixo um breve excerto do texto do HVA:

Não sei se tem a ver com o regresso do filho pródigo, mas sei que a programação já não tem o fulgor (leia-se qualidade) de tempos não muito distantes. Parece que está mais variada, dizem-me. Naquilo que me diz respeito, quem quiser variedade(s) que vá ao Rivoli.

no Público de hoje utilizando uma estratégia conhecida - um pé dentro e outro fora. (link Abrupto)
Nada de novo, afinal, é a sua estratégia pessoal de sempre, à qual deve o estatuto mediático que alcançou.
A coisa vende, não haja dúvida, foi decalcada da do outro Professor que veio explicar que sim, mas talvez nem por isso em relação ao mesmo assunto. Com uma pequena diferença, contudo, Marcelo Rebelo de Sousa disse o que vai fazer.

é a que faz a Helena Araújo no 2 Dedos de Conversa, sob o título Jogar a Feijões.

A AIDS Healthcare Foundation, fundação que luta contra a Sida, anunciou hoje ter apresentado uma queixa contra a farmacêutica Pfizer (…)
por entender que
O marketing enganador e ilegal que é feito para vender o Viagra, provocou um aumento da propagação das doenças sexualmente transmissíveis, entre as quais a Sida (Jornal de Notícias)

Afinal parece que a propagação do HIV, seguindo o raciocínio, tem a ver com o tesão. Ora se assim é, e não me custa a acreditar, parece-me muito mais preocupante que a AIDS Healthcare Foundation ainda não tenha apresentado uma queixa contra o Vaticano por continuar a propagandear o não-uso do preservativo!
Das duas, uma, ou um gajo capa-se, e prontos, que se lixe a taça, ou o problema nada tem a ver com o tesão, mas com a falta de protecção!
De fundamentalismo em fundamentalismo não me admiraria nada que as embalagens de viagra passassem a ter obrigatoriamente inscrito: O TESÃO MATA.

À primeira vista, numa lógica de auto-regulação do funcionamento do mercado, a existência de uma tabela que imponha preços máximos e mínimos por acto médico pode parecer um absurdo. Em teoria não poderia estar mais de acordo com o Adolfo Mesquita Nunes quando escreve no Arte da Fuga:

«(…) quem impõe coercivamente tabelas de preços escapa à questão da legitimidade, acomodando-se numa alegada e também confortável ideia de justiça social, protegendo o bolso de quem os paga e a qualidade do serviço prestado.»

Não colocando em questão legalidade da decisão da Autoridade da Concorrência, não entendo que a Tabela do Acto Médico seja um atentado contra a liberdade dos médicos, uma vez que ela foi discutida e aprovada pelos seus membros - os médicos.
No entanto, o principal problema reside na totemização da liberdade individual que o pensamento neo-liberal nos condicionou, fazendo-nos esquecer, por vezes, que a liberdade, para ser efectiva, necessita de regras, de comportamentos previsíveis, para que possa ser fruída.
A verdade é que a não existência uma tabela de referência dos actos médicos impede a implementação dos seguros de saúde, uma vez que não haverá actuário capaz de calcular, em função do risco e dos preços praticados, as garantias e sua amplitude, as excepções e o preço do produto a comercializar. Assim sendo, porque a reivindicação de uma tabela de actos médicos foi uma luta de anos por parte das seguradoras, a medida agora tomada só vem beneficiar as seguradoras que possuem instalações e técnicos de saúde próprias e avençados, colocando à Autoridade da Concorrência um outra problema para decidir - poderão as seguradores que vendem seguros de saúde obrigar, coercivamente, sob pena de o seguro ser nulo, os seus clientes a não poderem optar pelos médicos e estabelecimentos que entendem?
A liberdade precisa de regras, precisa acordos, precisa de consensos, para que ela possa ser fruída o máximo possível. A sua totemização é o princípio da sua ausência ou, se pretendermos, a liberdade de quem tem poder!

a insurgir-se contra a política exclusivamente fiduciária do BCE. Parece que a futura candidata presidencial do PS em França sabe, concretamente, por onde deve começar!

«Ségolène Royal, s’est exprimée, mercredi 17 janvier à Luxembourg, en faveur d’”un élargissement du statut de la BCE qui intègre très clairement, comme aux Etats-Unis et au Royaume-Uni, non seulement la maîtrise de l’inflation, mais aussi la croissance économique et le progrès social”. “Il ne s’agit pas de remettre en cause son indépendance, mais il s’agit de ne pas la laisser exercer une omnipotence” (…)» (Le Monde)

Ainda sobre o PU (utilizando a sigla da Jacky) há um aspecto que neste post não foquei, mas que não passou despercebido à Susana Serrano num comentário - as ESE’s! Transcrevo parte dele:

«É uma absoluta irresponsabilidade ministerial!
Durante os últimos 20 anos investiram nas ESEs, em cursos semi-especialistas, de má qualidade geral, para cobrir o 2º ciclo essencialmente e dar formação “mais credível� aos professores do 1º ciclo, deixando mais uma vez “as disciplinas artísticas, menores� de fora do currículo. É verdade, estas últimas, pagas a recibo verde agora e dadas como actividades extra-curriculares, estão na lei, no currículo do 1º ciclo há já muitos anos.Na realidade só o Inglês ainda não fazia parte do currículo do 1º ciclo, era só intenção.
Os resultados do investimento nas ESEs são também muito contraditórios e ainda não foram nem analisados, nem investigados e muito menos avaliados seriamente, assim como tudo neste ME que temos; como tal parte-se para outra mudança. Acho que a maioria das pessoas não acredita nisso e os sindicatos mais uma vez vão pegar no assunto pelo único lado que não deviam.
» Susana Serrano

Com efeito, num momento em que toda a gente já sabe do logro que as Escolas Superiores de Educação (ESE’s) representaram para a diminuição da qualidade do ensino superior em Portugal (com honrosas excepções, claro), esta medida do Professor Único viria dar um novo fôlego ao incrementar as inscrições nessas instituições em detrimento das universitárias, sabendo nós que elas correm sério risco de desaparecer por falta de alunos, i.e., por desinteresse do mercado! (ver notícia do Público 11 de Julho de 2006)
Então, para além da medida ser má para a qualidade do ensino pelas razões adiantadas, ainda se acrescenta esta desconfiança (para não dizer suspeição) de favorecimento encapotado das ESE’s, para mais sabendo que o Secretário de Estado Valter Lemos foi um dos grandes impulsionadores destas instituições, tendo sido Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco desde 1996 e Presidente da Politécnica - Associação dos Institutos Politécnicos do Centro desde 2003, funções só deixou quando foi convidado para este governo!

«O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, reiterou hoje a disponibilidade de o Governo português colaborar com a Assembleia da República e o Parlamento Europeu no apuramento sobre voos da CIA com escalas em território nacional.»(Público - 11.01.2007 - 19h27)

«PS, PSD e CDS-PP rejeitaram hoje a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar para investigar responsabilidades do actual e anteriores Governos na alegada utilização do espaço aéreo nacional para actividades ilegais da CIA.»(Público 11.01.2007 - 20h44)

Alguém terá dito que era compadrio, mas acho que não, é cinismo, apanágio da política dos políticos. Mais fácil é insistir que Carlos Coelho e Ana Gomes querem protagonismo ou são doidinhos, mas a bem da nação, claro, dos políticos.

Tem a Lolita toda a razão, em Equívocos e manifestos, quando afirma que o que está em jogo em relação ao aborto é a questão de saúde pública!
No entanto, ao afirmar mais à frente que, sendo uma questão de saúde pública da mulher, o homem não é para o caso chamado, a pergunta a referendar não poderia ser a que é, nem a referendar deveria ir, pois só as mulheres deveriam poder pronunciar-se.

A Cristina Vieira no Contra Capa pegou no assunto que atrás abordei da cultura e sua gestão aludindo que, por considerar que a cultura é elitista se deveria enveredar pela progressividade de níveis de complexidade na programação e, coincidentemente com uma educação para a arte também progressiva.
Eu compreendo o que a Cristina pretende dizer e aceito que se se optar, exclusivamente, por programações de fruição mais complexa o carácter elitista adensar-se-á. Apesar de o assunto ser demasiadamente vasto e de difícil solução transcrevo para aqui o comentário que deixei no seu blogue embora só seja compreensível se antes lerem o seu texto.

1 - não há cultura elitista - cultura é cultura, é tudo o que nos deixaram;
2 - por deficiente educação o legado cultural cuja fruição requer bagagem prévia foi sendo “apropriado” por cada vez menos pessoas que formaram um grupo restricto e, por outro lado, esse mesmo grupo foi-se fechando e reivindicando a “sabedoria” de fruir só para eles (aqueles a que tu bem inseres na “elite” que referes;
3 - a única forma que encontro para devolver da sua fruição a todos é ela ser objecto de estudo na escola, desde tenra idade, onde as artes não sejam vistas como um apêndice, mas como imprescindíveis para a formação da identidade, tal como a língua e a matemática;
4 - como em qualquer outra área para lá das artes, devemos dar às crianças os clássicos originais, uma vez que elas não são burras e têm uma capacidade de assimilação muito superior a um adulta (como sabes melhor do que eu, a capacidade de assimilação ou de aprendizagem, se preferires, é das poucas coisas que vamos perdendo desde o dia em que nascemos);
5 - qualquer clássico original será sempre melhor do que um sucedâneo do mesmo, uma vez que tudo está datado e a criança deve enquadrar cada obra no seu tempo, para perceber a nossa evolução bem como para compreender, mais tarde, manifestações mais vanguardistas; começar por estas é que seria (e tem sido) um erro de palmatória;
6 - entretanto, para os adultos que não beneficiaram de uma educação deste tipo e que têm direito à fruição artística, pode-se perfeitamente (penso eu) encaminhá-los para manifestações menos complexas, embora sem ceder ao facilitismo e à falta de qualidade;
7 - tudo tem a ver com educação e com gestão cultural e, neste último particular aspecto, com uma gestão criteriosa do investimento e da receita em especial no que concerne aos equipamentos culturais - defendo que, sem nunca ceder na qualidade, deve-se incluir na programação manifestações artísticas mais comerciais de modo a que a receita de bilheteira consiga financiar outros projectos essenciais, mas fora do circuito comercial.

Esta última questão levar-nos-ia à mentalidade vigente (que escrevi noutro sítio) do divórcio entre os actores culturais e os “contabilistas” que saem das nossas escolas de economia. Enquanto não resolvermos esta tendência secular, enquanto os “contabilistas” não forem gestores para olhares para a cultura como um bem a investir e os actores culturais não admitirem que têm um produto para comercializar e rentabilizar, será muito difícil chegarmos a bom porto.

Desejo, sinceramente, que esta senhora consiga fazer o que tem defendido - justiça com a maior celeridade possível - doa a quem doer.

Ainda na campanha eleitoral que o levaria à presidência da Câmara do Porto Rui Rio prometeu, muito bem, impedir que o Parque da Cidade fosse perifericamente alvo de urbanizações de luxo.
Cumprida a promessa, Rui Rio abafa-o agora, muito mal, dentro de um circuito de alta velocidade (sigam o link para escutarem a barulheira do site da Câmara), pronto a receber já em 2007 uma prova do Campeonato do Mundo de Turismo!

Sobre o assunto ver Corrida para a Morte por Tiago Oliveira.

adenda: misteriosamente depois deste post retiraram a barulheira do site.

«Um euro demasiado forte teria um impacto negativo sobre a indústria exportadora europeia. Mas, por agora, a evolução cambial não parece preocupar o BCE. De resto, a expectativa nos mercados financeiros é de que o BCE deverá voltar a subir os juros pelo menos uma vez no primeiro trimestre do próximo ano.» (Público)

Ah, claro, pois, a expectativa dos mercados financeiros! Eu bem me parecia, é de ter em conta, relevante, diria até, determinante!

sai esta notícia no Público:
«A Junta Metropolitana do Porto considera “injusto e profundamente discriminatório” o relatório do Tribunal de Contas (TC) à gestão da empresa Metro do Porto, divulgado na semana passada.»
(…)
O documento, aprovado por 13 dos 14 presidentes de câmara da área metropolitana (Luís Filipe Menezes, autarca de Gaia, não compareceu) estranha que “das matérias abordadas no relatório final do TC, a par de pertinentes questões de carácter técnico, apareçam ilações e críticas de apreciação claramente política”.»
Desejo, sinceramente, que a Judite de Sousa não se perca com estas manobras de dispersão nem com as questiúnculas entre o Presidente da Câmara do Porto e a Ministra da Cultura, mas que confronte o entrevistado com base no que representava o Porto no contexto do Noroeste peninsular quando foi eleito e o que hoje representa.

A política monetária do BCE, ao manter e elevar o preço do euro, não desiste de defender os elevados rendimentos do capital agiota, borrifando-se para o desenvolvimento económico.
A contínua ameaça do aumento da inflação serve apenas para esconder a intenção de manter a zona euro como um paraíso para a agiotagem bolsista, colocando em causa, a médio prazo, a própria existência da moeda, conforme já escrevi várias vezes, para além de travar o crescimento e impiedosamente as exportações, facilitando, pois claro, a importação mais em conta…, de produtos e bens, para gáudio do consumo!
O endividamento das famílias que financie…, pois…, a tal classe média que sustenta esta democracia e que rapidamente tenderá a desaparecer completamente falida!
Curiosamente, a OCDE que sempre se opôs a tal política, surpreende agora com o seu súbito apoio!
Deixo um excerto de L’argent un peu plus cher dans la zone euro, escrito por Jean-Pierre Robin, no Figaro de ontem.

«(…)
Depuis lors, rien n’est venu démentir ce pronostic, en dépit du recul mécanique de l’inflation des prix à la consommation avec la baisse du pétrole et malgré le rebond du cours de l’euro. Le patron de la BCE, qui continue envers et contre tout de s’inquiéter « des risques pesant sur la stabilité des prix », vient de recevoir un renfort de poids en la personne de Jean-Philippe Cotis. L’économiste en chef de l’OCDE, souvent très critique à l’égard de la BCE, a viré sa cuti : « Si la reprise reste vigoureuse, il faudra peut-être relever les taux d’intérêt en 2008 également » (sic), a-t-il lâché la semaine dernière. Cela a conforté les analystes de marché qui considèrent que le mouvement de hausse des taux européens se poursuivra tout au long de 2007 pour franchir le cap des 4 %. Selon l’OCDE, le renchérissement du prix de l’argent n’est que le reflet des perspectives de croissance de la ­zone euro, qu’elle vient de relever à 2,6 % en 2006, 2,2 % en 2007 et 2,3 % en 2008.»

«“Um euro muito forte penalizará a competitividade da Zona Euro e será contrário aos desafios da economia europeia de 2007″, disse Howard Archer, da Global Insight.
No entender deste economista, as ameaças do próximo ano serão o abrandamento da economia mundial, a subida das taxas de juro, as medidas de políticas fiscais na Europa para reduzir os défices públicos, principalmente na Alemanha, e os preços elevados do petróleo.
» (Público)

Há descobertas da pólvora todos os dias, conforme vai calhando a quem mais jeito der!
Louco tenho sido eu para escrever coisas como esta

Ora aqui está uma boa notí­cia para o Baixo Alentejo!
Depois de todos os partidos em sucessivas eleições terem tontamente prometido e jurado que não autorizariam a instalação de uma grande superfí­cie em Beja, em atitude de vassalagem para com uma associação comercial representante de um comércio local inexistente, eis que alguém teve coragem para ousar o evidente.
Não sei a quem são devidos os parabéns mas, ainda assim, endereço-os sem destinatá¡rio definido.

A rotatividade dos deputados do PC não é novidade - sempre assim foi desde a Constituinte. Entende este partido, seguindo a revisão de Lenine àcerca da soberania, por ele apelidada de "Centralismo Democrático", que defendeu que os representantes são do partido, servem o partido, e não do povo (ideia original de Marx da democracia popular), cabendo ao partido pôr e dispor como bem entender.

Nada de extraordinário, afinal, não fora Abílio Fernandes estar entre os três substituíveis. É que os partidos, monopólios legais de candidatos ao poder central, não se dão bem com os autarcas que fizeram ou fazem um bom trabalho em prol das populações e que, por tal, aglutinaram um natural poder mediático que ofusca quem, deambulando pelos corredores de S. Bento, nada ou pouco fez pelos eleitores.
Este "incómodo", no entanto, não é exclusivo do PC, bem pelo contrário, o tal "centralismo democrático" tem-se manifestado até de forma menos transparente e muito mais cruel nos outros partidos, e mais não é que o domínio dos aparelhos sobre os que não se pretendem aparelhar!
Exemplos?
A perseguição política e o denegrir da imagem de Narciso Miranda e Fernando Gomes no PS mais não foi que o resultado dos medos do aparelho, sustentando agora uma distrital do Porto inimaginável!
Luís Filipe Meneses, talvez o melhor presidente de câmara em exercício, está continuamente sob o fogo do aparelho do PSD, não perdendo uma oportunidade para o denegrir, enquanto enaltece o "trabalho" de Rui Rio ali mesmo ao lado - cena caricata para quem lá vive apenas separado pelo Douro.
Mais recentemente a demissão "forçada" do líder da concelhia do PSD Porto por desabafar que talvez Rui Rio necessitasse de rever a sua política cultural.
Agora Abílio Fernandes, um dos melhores autarcas do pós 25 de Abril que por mera coincidência é afastado da A.R. no preciso dia em que sai esta notícia: «Unesco diz que centro histórico de Évora é dos "mais bem preservados" do país»

Agarrar-se ao poder parece ser cousa quase natural nos meios partidários, agora deitar abaixo quem tem obra que fala por si e os sustenta é novidade e sintoma de que a mediocridade deixou de conhecer limites para atingir os seus fins!

É certo de que nunca fui grande adepto, mas o fim de algo que esteve sempre esgotado dá-nos que pensar…
A Festa da Música tornou-se no evento de música dita clássica mais mediático de Portugal – ele era um corrupio de comentadores, de candidatos a comentador, de críticos, de sociólogos da música, de músicos sociólogos, de antropólogos, de Cinhas, de Caras, caía lá tudo, todo este mundo e mais outro! Essa festança acabou!
Merecia o evento continuar? Sem dúvida, havia qualidade na programação, nos músicos, na montra que era para os músicos portugueses, no renascer da vivência da música clássica, mas o que era o CCB para além desses 3 dias? Nada será demasiado e algo muito! (ver tristeza da Teresa Cascudo)
A verdade é que não há dinheiro para pagar ao René Martin, mas também nada há a agradecer pois muito pouco fez para a internacionalização dos músicos portugueses que afinal convidava para as suas festas.
Fim do contrato. Ponto, parágrafo.., por uma questão orçamental, mas parágrafo!
E agora, finda a festança, poderemos continuar a ter música? Ou seja, será que o CCB poderá, como diz, ter uma programação mais regular, melhor, gastando menos?
Eu acho que pode, francamente, mas pelo que já vi não me parece que não o consiga. E o problema reside justamente neste ponto: será que não temos entre nós capacidade para programar com excelência. (ver o que escreveu o Tiago Bartolomeu Costa a propósito)
A resposta é demasiado óbvia – o fim da Festa da Música acaba com a festa, mas é a própria programação do CCB que arrasa com a música!

Pergunta do referendo:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

NÃO, será mais uma vez a minha resposta!

Repugna-me que as mulheres sejam penalizadas, mas exactamente por isso, dever-se-ia não cometer, mais uma vez o erro, de discriminar os homens, nos seus direitos e opções.
A desigualdade que já existe no Direito de Família favorável às mães, levando os tribunais a, em caso de divórcio, só não lhes estregarem a tutela dos filhos em raríssimas excepções, leva-me-á a novamente votar Não só e apenas por teimarem em ter lá a frase - por opção da mulher!
Como progenitor já passei por não querer o filho e a mãe querer; querer o filho e a mãe não querer. Creiam que o que mais me marcou foi a segunda hipótese: a mãe fazer a interrupção voluntária contra a minha vontade, violando, desta forma, no meu entender, princípios constitucionais que, penso, deveriam ser suficientes para considerar esta pergunta como inconstitucional:

Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 36.º
(Família, casamento e filiação)

3 . Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.

Artigo 21.º
(Direito de Resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

Como é evidente, assumo que deverá ser por única opção da mulher em casos de violação, incesto, manifesto alheamento do progenitor, portadoras de H.I.V., entre outros casos que ora não me ocorrem.

O Dragão, mais uma vez, prontos, tá bem, é um dos meus blogues preferidos, aborda agora, de seguideira, questões tão prementes como a cultura e a necessidade de um ministério e um antropo-escatológico ensaio sobre Asterix.
Imperdível!

«Portugal’s poor growth performance and its economic difficulties since the launch of the euro in 1999 have highlighted the difficulties faced by some members of the 12-country currency bloc in adjusting to the disciplines imposed by a single monetary policy.» (link)
Já várias vezes escrevi, para o boneco, é certo, por exemplo aqui, sobre a irresponsabilidade de termos entrado para a zona euro aos trambolões, i.e., sacrificando toda a actividade económica em prol do cego cumprimento dos critérios exigidos.
Pode ser que agora a direita ou a esquerda ou quem entender, consiga ser mais assertivo nas análises que faz ao trabalho dos políticos que nos governaram à época, sérios, não tenho dúvida, mas de vistas curtas, muito curtas mesmo, atavismo endémico, afinal, sem novidade!

O garrote que há anos o poder central vem apertando ao grande Porto - por nunca ter digerido a sua superior vitalidade nem o seu desinteresse pelo próprio poder central - atinge, com a escolhas das 3 SCUT’s a serem pagas, contornos que roçam uma desavergonhada indecência!
Primeiro porque foi promessa do governo não cobrar portagem nessas vias em desacordo com o PSD; segundo porque, quebrada a promessa, as escolhidas são todos numa zona específica do país, zona essa que, desde que o Dr. Rui Rio assumiu a presidência da Câmara do Porto, perde diariamente a sua vitalidade e afirmação!
Aliás, o primeiro a apoiar o princípio utilizador/pagador para o grande Porto foi precisamente o não iluminado déspota, embora eleito e reeleito, ainda Santana Lopes estava no governo.

O Sr. Secretário de Estado Adjunto Castro Guerra afirma que: «a culpa do aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade em 2007 é dos consumidores, porque "este défice tem de ser pago por quem o gerou".»
porque
«Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores".» (no Público)
Ó senhor, que é que eu tenho a ver com a merda das leis que os governos vão ou não fazendo?
Por acaso algum não governante impôs que o preço da energia não fosse sendo actualizado? Mesmo atendendo a que elegemos os nossos representantes, diga-me qual foi o partido, desde 74 até hoje, que no seu programa eleitoral aflorou tal assunto?
Olhe, bardamerda! Para além de ser muito pouco polido para quem o sustenta a verdade é que se não estivesse pressionado pelos candidatos à privatização da EDP tudo continuaria como dantes.
Enderece, por favor, os meus cumprimentos ao Dr. Pina Moura que parece estar a prestar um óptimo serviço a quem representa, lamentando não poder dizer o mesmo de V. Exa.

Ler E o anel de ruby pelo Besugo no Blogame Mucho.

A 26 de Julho saudei Isabel Pires de Lima pelo facto de, para lá de saber se a gestão é pública ou privada, afiançar a garantia der um Serviço Público para o Rivoli, em declarações à RR.
No entanto, como escrevi, não sei onde está definido o que isso de Serviço Público de Teatros Municipais.
Ontem renovou as suas intenções e ofereceu-se para mediadora entre a Câmara do Porto e os manifestantes, mas o problema é que, 2 meses volvidos, todos continuamos sem saber o que é isso de serviço público!
Esta coisa de serviço público tem, no audiovisual, servido os maiores disparates, sendo de temer que, a não estar concretamente definido em que consiste, a Ministra continue a falar de nada, mesmo revelando bom senso e vontade de encontrar uma solução digna, uma vez que para Rui Rio esta medida mais não representa que o produto de uma vendeta encapotada contra Isabel Alves Costa, não sendo de esperar que os manifestantes presentes consigam contribuir para um desenlace feliz.
O economês fala hoje mais alto escondendo-se sempre no politicamente correcto. Este género de acções obriga a que falemos a mesma linguagem e utilizemos os mesmos métodos para o combater - bastará comparar a relação custo/benefício de muitas das medidas do ditador democraticamente eleito como, por exemplo, a pista de automóveis da Boavista ou o património da zona classificada pela Unesco.
A continuar assim, Rui Rio sairá, mais uma vez, com uma vitória pessoal numa contenda onde ninguém sairá a ganhar - Câmara, produtores e artistas e, principalmente, o público.

Eu gostaria de ter escrito isto, mas ainda bem que foi o Francisco José Viegas que o fez, muito melhor do que eu conseguiria.
O FJV entende que os professores são o elo mais fraco na cadeia de comando da organização e gestão da educação em Portugal. Entende bem, pois é na escola (diz o autor) que tudo acontece.
No entanto, eu gostaria de tentar ser mais assertivo, para dizer que é na relação particular que se estabelece entre cada aluno e cada professor, nessa comunicação que se pretende biunívoca, onde se cruza o ensino e a aprendizagem, o que quer dizer, onde se joga o sucesso de ambos os actores do processo educativo.
Quem já passou por empresas comerciais sabe o que pretendo dizer, é líquido, é na relação vendedor/comprador que o negócio se gera e, embora possa parecer estranho ao professor (ele não vende, no sentido literal) as técnicas a utilizar para uma rápida percepção de quem é o interlocutor (o aluno) e as de persuasão na comunicação são exactamente as mesmas.
O resto, o resto é como diz FJV, são génios, os génios que saíram das escolas para num qualquer gabinete, esquecendo-se de que para lá foram por professores terem sido, se entregarem aos mais inquietantes e compulsivos devaneios pedagogeses!
E a propósito, utilizando o título de FJV, o post do Dragão sobre a Violência Doméstica tem muito a ver com a indisciplina nas escolas, com a facilidade com que os pais se desresponsabilizam pela educação dos filhos e com o muito enfraquecido poder de persuasão dos professores quando comparado com o audiovisual.
Mesmo mais ausente da blogosfera do que outrora é sempre bom regressar para encontrar textos como estes.

A propósito da entrada anterior é interessante relembrar que, para ingressar em qualquer curso superior de música, não é necessário o diploma do ensino secundário vocacional em música, vulgo o 8º grau dos Conservatórios, nem sequer o curso geral, equivalente ao 9º ano, nem tão-só a frequência! Qualquer candidato que tenha o 12º ano em qualquer área pode candidatar-se e apresentar-se nos exames de admissão e ser admitido!
Esta situação inadmissível é a prova da absurda, embora extensa, regulamentação avulsa do ensino artístico em Portugal!
Serve isto a quem?
Eu sei que não serve a ninguém, eu sei…, mas que este status quo está adequadíssimo para que os professores admitam quem bem entenderem, nomeadamente, os seus alunos particulares, ai isso está!
Mas tal não deve acontecer…, é tudo gente muito séria, acima de qualquer suspeita, como todos nós!

Via Morfeu do Anomalias tomo conhecimento que as faculdades de Filosofia estão doravante impedidas de exigir exame de acesso de filosofia!!!

Vejam no Morfeu o assunto mais desenvolvido deixando aqui a imagem do Expresso que ele lá publicou.

Filosofia 

Como é que isto é possível? O que é que se estará a passar na cabecinha daqueles senhores conselheiros do Ministério da Educação?