Francamente de acordo com a frase de João Gonçalves de que o Parlamento parece um condomÃnio fechado (ver post anterior), mas menos lamentável não é o modo como os media, em geral, tratam o Orçamento de Estado para 2008 - manchetes, tÃtulos, leads chamam a atenção para a um “espectacular combate” entre Sócrates e Santana Lopes, enquanto que sobre o orçamento, nada, nem uma linha!
Curioso é que tanto Sócrates como Santana Lopes agarram a ideia e exploram-na em seu benefÃcio mediático!
Quem ganha com isto? Não faço a mÃnima ideia! Só sei quem não ganha - Portugal!
É o paÃs que temos…, está visto, e o que merecemos, claro está!
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A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes (…) (Direcção de Informação da SIC)
Não, basta! Que a vergonha do que se passa no PSD não é relevante para Portugal até posso aceitar; agora virem dizer que não faltaram ao respeito a Santana Lopes, isso ultrapassa tudo, desde logo a noção do que é respeitar os outros.
Ao que parece ontem a SIC NotÃcias interrompeu uma entrevista a Santana Lopes para emitir em directo a chegada de Mourinho à Portela. Santana Lopes considerou-se desrespeitado e abandonou o estúdio.
A atitude de Santana Lopes é perfeitamente compreensÃvel e aceitável, mas o apoio que lhe foi dado por Pacheco Pereira, aduzindo que interromper uma entrevista polÃtica com um não-evento, sem notÃcia, nem conteúdo, merece esta resposta, se bem que polÃtica e culturalmente correcto, induz-me algumas interrogações, atendendo até ao que a Cristina Vieira escreveu no Contra Capa sobre a indignação de Pacheco Pereira em relação à quantidade de tempo de antena que os canais de televisão estão a dedicar ao futebol:
1 - Não fora o momento de eleições internas no PSD insurgir-se-ia Pacheco Pereira da mesma forma?
2 - o que levará Pacheco Pereira a considerar que uma entrevista a Santana Lopes é socialmente mais relevante que a chegada de um homem que é um dos mais bem sucedidos no mundo na sua profissão e leva o nome de Portugal onde o PSD todo inteiro nunca levará?
3 - se Pacheco Pereira gostasse de futebol ou do fenómeno percebesse alguma coisa reagiria da mesma forma?
4 - Em que é que as tramóias que se passam no PSD interessam ao paÃs?
5 - Não será até benéfico que as notÃcias relativas aos vÃcios dos cadernos eleitorais do PSD sejam apenas transmitidas em horário de adultos de modo a evitar que os adolescentes adensam o descrédito a que já votam os partidos polÃticos?
Anteontem deixei aqui um link para a extensa entrevista de Susana Ralha, concedida à Cesaltina Pinto e editada na VISAOONLINE, reservando qualquer comentário para mais tarde, de forma a não influenciar, previamente, a sua leitura. É o que farei agora.
Sem relevar a mágoa que se pressente na entrevistada, parece que este folhetim é apenas mais um, englobado no descalabro que se vem assistindo na gestão da Casa da Música após o belíssimo trabalho feito e deixado, em apenas 8 meses, por Alves Monteiro, apesar das demissões de Pedro Burmester e, por lealdade, de Fausto Neves, o motor do Serviço Educativo desde o seu inÃcio, que foram perfeitamente extemporâneas.
Após a incompreensÃvel retirada de apoio a Alves Monteiro por parte da ex-Ministra da Cultura de Santana Lopes e de Rui Rio (só entendida pelos relatórios das auditorias de empresas privadas e do Tribunal de Contas que comprometiam todas as administrações anteriores, incluÃndo as que Rui Rio apadrinhou), nunca mais a boa gestão regressou à Casa da Música!
O que estamos a assistir desde então é uma corrida para a colocação dos amigos antes desta aprazada administração do Dr. Couto dos Santos sair!
Conhecida a intenção do Estado e dos financiadores privados de demitir todos os membros deste Conselho de Administração ligados a Rui Rio, a ex-Ministra com a conivência de Couto dos Santos, sem rebuço, nomeia e contrata desalmadamente funcionários e directores para que os vindouros sejam confrontados com uma limitação séria à constituição de equipas de confiança, por via de pesadas indemnizações!
Esta gente é séria (embora possa não parecer), entenda-se mas, por grande obséquio, Sra. Ministra da Cultura, trave, o mais breve possível, esta administração a prazo de causar mais danos do que os que já ousou!
Para mim não são os notáveis que estão em causa, sejam eles Pedro Burmester, Fausto Neves ou Susana Ralha, mas a constituição de equipas consistentes enquadradas numa gestão harmoniosa e eficiente de um projecto que não começou bem, que foi reposto na boa gestão e que agora está, novamente, purgado do mínimo bom-senso!
No Público de 13 de Maio, Henrique Ribeiro, porta-voz da administração da Casa da Música, esclarecia que «o Serviço Educativo não foi extinto: houve um reforço (…) ao passar a direcção autónoma com funções na área da educação e da investigação.» e, mais adiante: «Achou-se que uma direcção destas devia ser dirigida por alguém com habilitações literárias ao nível do doutoramento. A Susana Ralha não cumpria esse requisito». Ora aí está, a senhora que lá estava e admitia que não conseguia erguer um projecto é agora a tal, doutorada senhora, a recém-nomeada Directora do Serviço Educativo e de Investigação!!!
Sra. Ministra da Cultura, por favor, tire de lá esta gente antes que nada reste a não ser o recurso a pesadas indemnizações para correr com a bestialidade e, já agora, não são necessárias muitas reflexões, basta ler o que Alves Monteiro deixou pronto e avançar, com honestidade e bom-senso, a bem da Casa da Música!
Metropolitana, ninguém te canta
E eu?, pergunta recorrentemente o CrÃtico em legenda a um retrato do Ministro da Cultura! Não terá nada mais para dizer sobre a Metropolitana? Terá receio de se envolver? Não considerará relevante o caos instalado? Nada disto, estou certo. O que acontece é que o que acontece é inverosÃmil que aconteça num paÃs em que culturalmente pouco acontece e por intestinas vaidades se destrói o que acontece!
O que se permite que aconteça na AMEC é ininteligÃvel, num Estado de Direito!
Tinha prometido a mim mesmo não regressar a este folhetim de faca e alguidar, mas despejam-se, reportagens manipuladoras sem qualquer comentário crÃtico, dá-se a palavra a estudantes, ex-directores, põe-se no ar reacções fabulosas de Miguel Graça Moura e, tal como o Henrique Silveira, “e eu”??, sim, onde está a pressão dos editores da informação dos canais de televisão junto dos apelidados fundadores e financiadores maioritários que unilateralmente romperam o contrato de fundadores ao negarem os seus financiamentos à AMEC de forma ilegal e desumana ao sonegarem indirectamente as remunerações à totalidade dos músicos, dos funcionários e professores? Ainda não vi nenhum canal de televisão, estranhamente menos ainda os do Estado, tentar ouvir de viva voz Pedro Santana Lopes, Pedro Roseta e David Justino, afinal os primeiros responsáveis pela situação criada? A capital importância da manutenção e prossecução do projecto Metropolitana exige que os responsáveis pelos orgãos de informação para além de mandarem efectuar investigação séria aos seus colaboradores se inibam de, em manipulador mediatismo, passar nos jornais prime time alunos enraivecidos a fechar a cadeados a instituição, a vociferarem, através do presidente da recém formada associação de estudantes que foram 12 anos de prepotência e abusos de poder, músicos e ex-directores a denunciarem hipotéticas ilegalidades como os recibos outrora verdes, os ganhos do maestro e este, em total desnorte, dizendo que agora é que não sai mesmo, e pronto!Fora de horas li um excelente artigo na última (espero não chorar aqui mais esta perda) Grande Reportagem, em Agosto, de onde, entre outras ideias que não partilho, uma subscrevo e transcrevo:
A máquina da democracia resulta da combinação da separação dos poderes, com o primado da lei e os mecanismos de representação, e todos estes mecanismos necessitam de um tempo e de um espaço que a virtualidade do real perturba, primeiro, e depois nega. Precisa de tempo lento e não do falso tempo real dos directos?, precisa de lugares discretos para construir decisões ponderadas, e não da absoluta transparência?, precisa de atenção cÃvica e não da distração do circo permanente, precisa de escrutÃnio diferido e não imediato, para poder prosseguir polÃticas impopulares.
Atrás, no mesmo artigo, tinha escrito:
A demagogia nas sociedades industriais avançadas assenta nos meios de comunicação social de massas modernos. Dentro desses meios ela é tanto mais eficaz (e tanto mais reproduzida) quanto mais esses meios assentem na manipulação dos nossos sentidos “mais convincentes”?: a visão em particular.
Quase me apetece mais nada dizer, calar-me sob a verdade negada e aviltada neste caso Metropolitana. Pacheco Pereira, noutro contexto certamente, escreve sem deixar espaço a interrogações, acrescentos, ou sequer recticências!
Mas gostaria de ilustrar a ponderação, o bom senso e o propósito destas palavras, recordando o caso Pedro Burmester / Rui Rio. De facto, tal como agora Santana Lopes, Rui Rio retira a confiança pessoal a Pedro Burmester e vice-versa. Que aconteceu? Rio e o seu ex-administrador ainda tentam influenciar os órgãos de comunicação social, mas prontamente Pedro Roseta toma as rédeas à crise e remete-se a um prudente silêncio até à sua resolução, e que resolução! À frente da administração da Casa da Música coloca um dos nossos melhores gestores portugueses, com provas indeléveis de competência, este apresenta um enquadramento legal que permita que Pedro Burmester permaneça a prestar bons serviços ao projecto na área da sua competência e Rui Rio ainda pôde regozijar-se pelo pianista não ser mais administrador. Confesso que perante o descalabro gerado na altura tive muitas dúvidas quanto ao futuro da Casa da Música, surpreendendo-me o Ministro da Cultura com a serenidade, ponderação e qualidade da sua acção!
E agora, “e eu”?, como pergunta e bem o Henrique Silveira, onde está este Ministro?
Este arrastado folhetim não é grotesco só pelo que tem sido dito, mas essencialmente pelo que não é dito e pela ausência de quem devia estar e não está, repito, a Câmara de Lisboa na pessoa do seu Presidente, o Ministro da Cultura e o da Educação! Não, não é grotesco, é grosseiro, tosco melhor dizendo, principalmente ininteligÃvel!
Auditorias revelaram comportamentos mais que suspeitos por parte de Graça Moura tendo-se apresentado uma queixa à Procuradoria Geral da República e outra ao Tribunal de contas.
Nestes dias o diz que disse avoluma-se, 70 mil contos por ano, ai que estamos há 12 anos a recibos verdes e os estudantes, coitados, alvos das mais vis prepotências! Mas, só agora é que os músicos deixam de tocar pelo facto de permanecerem ilegalmente como prestadores de serviços? E no futuro, o que será que os principais financiadores prometeram a estas pessoas, integração no quadro? É que não existe em Portugal enquadramento legal na legislação laboral para estes profissionais pois também eles não cuidaram suficientemente de o promover. Em boa verdade uma orquestra para manter os seus nÃveis de qualidade não deve, à semelhança de congéneres estrangeiras, celebrar contratos sem termo ou no mÃnimo exigir regularmente provas aos músicos perante reconhecido júri, sendo que um não apto dá direito a despedir com justa causa. Mas, com esta ilegalidade de manutenção de prestadores de serviços bem como com outra também anunciada de que a AMEC só tem contabilidade organizada desde 1998 não pactuaram estes fundadores e financiadores estatais até há muito pouco tempo? Professores também como prestadores de serviços? Como é possÃvel se a concessão e manutenção do paralelismo pedagógico por parte do Ministério da Educação exige professores legalmente contratados sendo as escolas de ensino artÃstico obrigadas anualmente a depositar na Direcção Regional de Educação a que pertencem os respectivos contratos? Mais uma parceria na ilegalidade? E os estudantes, sim, essas vÃtimas de abusos como afirmou o representante da associação de estudantes, foram obrigados a permanecer na escola, não puderam optar por outra, não conseguiram avisar os novos colegas para não se inscreverem, já que o número de alunos da AMEC triplicou em quatro anos? O timing destas revelações é muito suspeito e a serem verdade tornam a Câmara de Lisboa e os Ministérios da Educação e o da Cultura coniventes em várias e recorrentes ilegalidades.
Aos órgãos e representantes do Estado eleitos é por maioria de razão exigÃvel decisões ponderadas pautadas pelo primado da lei de que nos fala Pacheco Pereira. Mas não, cometem-se ilegalidades, atropelam-se os inalienáveis direitos de rendimento de vários prestadores de serviços, atira-se tudo para a virtualidade do tempo real da comunicação social, sôfrega de recambolescos escândalos pessoais e particulares, sem nunca colocar acima dos protagonistas, Pedro Santana Lopes e Miguel Graça Moura, a essência, o Ãmpar projecto da AMEC.
A questão, o verdadeiro problema é de uma simplicidade confrangedora e as soluções aparentes. Apresentadas as queixas a quem de direito, se se instala uma quebra de confiança entre os fundadores e principais financiadores, que até são públicos, das duas uma: ou pareceres jurÃdicos sustentam o despedimento por justa causa arriscando o despedimento de MGM imediato ou tal não sustentam e, então sim, como parece que o visado não se envergonha e sai, no tal recato necessário, negoceia-se uma saÃda anunciando-se o mútuo acordo. Por mais voltas que se dê só existem estas duas soluções.
Assim parecendo, porque não foram observadas? Por que razão se aira com tudo para a comunicação social, todo este lavar de roupa suja dos meninos, denegrindo a instituição? Será que os Ministros da Cultura e da Educação se encontram superiormente impedidos de actuar para não prejudicar um putativo candidato a candidato à Presidência da República do PSD? E o silêncio do PS, estará a oposição conivente com o desmoronar da AMEC a reboque destas vendetas pessoais? Do PC sabemos que as suas Câmaras continuam a apoiar MGM…, a vida dá cada volta…!
E os comentaristas, sim, de José Pacheco Pereira, ainda nem uma linha ou palavra, sendo estranho pois é como sabemos um interessado pela coisa da cultura; Pedro Santana Lopes em silêncio, compreensÃvel, é parte principal do problema; Marcelo Rebelo de Sousa é que não se entende não aproveitar este folhetim para alfinetar o candidato a candidato, ou engano-me mesmo e a entrevista concedida ontem a MGM no decorrer do telejornal da TVI era preparatória à intervenção de hoje de MRS. A seguir…
Aguardo, muito sinceramente, que este inusitado processo seja mesmo provocado pela desavença dos meninos e que seja mesmo boato, ruÃdo, que há o propósito de derrubar a AMEC, alienar as suas instalações à Associação Industrial que terá manifestado interesse e constituir uma nova orquestra, esta sim, para executar os famosos concertos para violino…
Metropolitana - folhetim 2
da vendeta, da ilegalidade e da chantagem
A Antena 2 volta a prestar serviço público, coisa escassa, hoje no “Acordar a 2″. Peço desculpa por não recordar os nomes dos animadores do programa, mas interessa é que convidaram e deram a palavra a quem, nos meio das desavenças das comadres, mais tem sofrido, refiro-me aos músicos e aos estudantes, através de Rui Mira pela comissão de músicos e António Jorge pela associação de estudantes.
Ficamos então a saber que o auto-anunciado promitente demissionário MGM dirige por ora as instalações da AMEC enquanto os músicos se recusam a tocar, os estudantes a aprender e os professores a ensinar. Triste sina a deste homem…! Eu sei, eu sei que raramente os divórcios são desejados por ambos, mas que diabo, quando já não temos a consorte de que serve insistir na união legal? Pois é, está nos livros, os filhos é que sofrem! É o caso, pelas palavras dos entrevistados, a AMEC desmorona-se pela mão do progenitor. Novidade, novidade também não é, estamos cansados de ver, se não fores minha não serás de mais ninguém!
Ficámos também a saber o que já sabÃamos, que a esmagadora maioria dos músicos não pertence ao quadro, são prestadores de serviços e que, por este facto, dois deles foram sumariamente dispensados pelo maestro logo após a manifestação de desacordo à s posições assumidas pelo déspota.
Por dedução, aferimos que os fundadores e principais financiadores, a Câmara de Lisboa e os Ministérios da Cultura e Educação, pactuaram com a ilegalidade do modelo de prestação de serviços durante mais de 10 anos, tantos os que conta a AMEC.
Questionámo-nos qual a razão que terá levado a estas nobres e públicas posições dos músicos e estudantes, constituÃdos recentemente em comissão e associação e a resposta surgiu sem demora: em reunião havida entre estas recentes estruturas e a senhora vereadora da cultura da Câmara de Lisboa foi-lhes, por esta, afiançado que não receberiam os honorários enquanto MGM permanecesse na instituição e que se não agissem no sentido de o obrigar a sair a Câmara constituiria nova orquestra com outros músicos.
Do que mais me agrada neste paÃs é ver recorrentemente aliadas a coragem e a nobreza da carácter, emociona-me profundamente…
Mas há mais, embora em diferentes versões, os entrevistados afiançam que o maestro telefonou a vários músicos para assegurar o concerto no Festival de Órgão enquanto MGM afirma que a senhora D. Gabriela Canavilhas telefonou a outros tantos a incentivar o boicote do referido concerto!
Quem? A Sra. D. Gabriela Canavilhas? Não, só um momento…, não, não pertence aos quadros da AMEC nem é lá prestadora de serviços. Mas…, então? Não, deve tê-lo feito na qualidade de promitente futura directora anunciada pela Câmara de Lisboa, pelo Ministério da Cultura e o da Educação!
Como é que é que isto é possÃvel? Vendetas de moleques, ilegalidades várias, chantagens oriundas do Poder Autárquico e do Governo, ingerências de proclamados promitentes futuros directores e um coveiro que quer o nado morto!
E prosseguimos, prosseguimos com o Governo calado, a oposição muda e os cidadãos cegos.
No meio desta profÃcua novela talvez razão tenha o CrÃtico que, parodiando, promete escrever um livro sobre o assunto! Que Deus lhe dê muitos anos de vida para conseguir o necessário tempo para levar a empreitada a bom porto.
Amanhã será dia de Gabriela Canavilhas conduzir o “Acordar a 2″ onde talvez possamos ser mais e melhor elucidados. Quem sabe se o próprio Presidente da Câmara de Lisboa não será convidado?
Ontem, no “Jardim da Músicaâ€? na Antena 2, Judite Lima arriscou convidando Miguel Graça Moura para uma entrevista sobre o caos que reina para os lados da AMEC, havendo já comentários no seu forum. Tal foi o desequilÃbrio emocional do convidado que Judite Lima não conseguiu conduzir a entrevista como desejaria, deixando MGM libertar a pressão emocional que atravessa. De qualquer forma, ficou um bom registo do que pensa o promitente demissionário maestro sendo de salutar ouvir as opiniões dos fundadores desavindos, em especial a Câmara de Lisboa e os Ministérios de Cultura e Educação.
A verdade é que a AMEC tem hoje 4 escolas de música de reconhecido mérito, duas excelentes orquestras e um assinalável palmarés de concertos realizados. Para todos os efeitos, a MGM se deve a constituição desta Ãmpar obra no panorama cultural português não podendo ser sonegado ao maestro os bons e competentes serviços prestados a Lisboa e à sua área metropolitana.
Mas o que correu mal, afinal? O que deitou tudo a perder, a crer numa primeira auditoria à s contas pedida pela Câmara de Lisboa, foi o facto desta ter revelado que MGM auferiria vários vencimentos e honorários e poderá ter abusado em sumptuosas despesas alheias ao exercÃcio das suas funções. Quem teve acesso à auditoria sabe que será muito difÃcil a MGM justificar algumas dessas despesas bem como aquisições de bens que não se encontravam nas instalações da associação. No entanto, até ao momento, MGM não foi indiciado por qualquer crime, muito menos condenado.
Mas terá sido este o verdadeiro motivo da queda em desgraça do maestro? Não o foi para Maria Elisa porque seria para MGM?
A questão é pessoal, vem muito detrás. Pedro Santana Lopes nunca perdoou ao seu amigo de partido o enxovalho público a que este o votou aquando dos célebres concertos para violino de Chopin! Não fora esta necessidade de vendeta pessoal e julgo que a Câmara de Lisboa nunca teria pedido uma auditoria e, mesmo que tal ocorresse, as anomalias encontradas poderiam ter sido corrigidas em local próprio e não na praça pública. Só que o ódio pessoal foi mais forte…
A reboque de Pedro Santana Lopes o s Ministérios da Cultura e da Educação anunciam a sua pretensão de afastar o maestro das suas funções de gestão, confinando-o à estante o que este não aceitou, reclamando um contrato de fundadores válido até Dezembro de 2004. As entidades atrás referidas, saliente-se, responsáveis por mais de 80% do financiamento da AMEC, convocam uma reunião entre si para revogar os estatutos, tendo sido anulada por manifesta ilegalidade ao negar a presença da totalidade dos associados.
O passo seguinte foi anunciar a falta de confiança pessoal em MGM e a pretensão de constituir uma nova direcção afastando liminarmente MGM de todo e qualquer função na associação.
O braço de ferro entre os meninos desavindos arrastam para a lama da fácil mediatização , todos os bons serviços prestados, os músicos e professores, toda a instituição. De facto a comunicação entre os associados passa a ser feita através dos órgãos sociais.
MGM não soube (não é de agora, infelizmente) sair quando sentiu que os principais financiadores lhe retiraram a confiança pessoal e tenta passar para dentro da instituição o mal estar que ele próprio ajudou a erguer.
Mas, pergunta-se, se é pública a desavença entre os meninos que fizeram os Ministérios da Cultura e da Educação para combater esta luta de garnizés sem esboçar uma tentativa que fosse para ultrapassar a questão e salvar o essencial, a AMEC? Nada, rigorosamente nada. A tudo assistiram, em tudo colaboraram, sempre seguindo o actual Presidente da Câmara de Lisboa. Desde Agosto que aderiram à posição da Câmara em não entregar o subsÃdio a que estatutariamente estão obrigados, deixando músicos, professores e funcionários sem vencimento desde então. Pura chantagem, ilegalidade lactente, levadas a cabo por deveria pautar o seu comportamento pelos mais exigentes padrões éticos, o Ministério da Cultura e da Educação.
Que dizer dos principais partidos portugueses, o PSD e o PS? O silêncio, total alheamento, (desinteresse, medo?), nem uma palavra sobre o folhetim Santana / Graça. Uma irresponsabilidade total do governo e da oposição.
Chegam ao ponto de, através da comunicação social anunciarem a constituição de uma nova orquestra, deixando morrer todo o trabalho realizado e bem!
A situação agravou-se de tal forma nesta última semana que a chantagem acabou por surtir efeito junto das famÃlias que dependiam financeiramente da AMEC - os directores mais chegados apresentam pessoalmente a sua demissão a MGM na passada 6ª feira e os músicos, em conjunto, apelam ao maestro para este sair.
Todo este folhetim tinha um final anunciado, ficando para nossa vergonha o comportamento do Estado e da Câmara Municipal de Lisboa bem como do próprio auto-imposto maestro!
E, agora, que futuro para a AMEC? Dos nomes apresentados para a direcção que pretendem ver eleita nenhum dá garantias de competência à associação. Será que pretenderão contratar um maestro, um gestor com créditos firmados na coisa da cultura e um director pedagógico a preços principescos? Não sairá esta solução mais onerosa que a anterior, mesmo que comprovados os desvios detectados nas auditorias?
Convenhamos que este género de comportamentos não abonam a dignificação dos polÃticos nem dos agentes culturais, não são nada promissores para a preservação e aperfeiçoamento da AMEC, não adiantando para nada o Presidente da República pugnar pelo bom nome dos polÃticos quando eles próprios se alheiam do seu próprio bom nome a troco de vendetas pessoais.
Muito gostaria que a coisa cultural fosse mais tratada na globosfera, como o fazem o CrÃtico Musical, Textos de Contracapa ou Aviz. É que este meio é promissor quando queremos ver tratados assuntos que a comunicação social institucionalizada se esquiva.







