Divulgo e sugiro que assinem a Petição contra a Pobreza – Zero Poverty Act Now – lançada pela Caritas em Portugal que propõe que nos empenhemos em pressionar os políticos em 4 pontos:
Zero Poverty1 – Erradicar a Pobreza Infantil na Europa;
2 – Assegurar um Mínimo de Protecção Social para Todos;
3 – Aumentar a Prestação de Serviços Sociais e de Saúde;
4 – Garantir Emprego Digno para Todos.
Recorde que:

30.000 crianças morrem diariamente devido à pobreza
1.300.000.000 vivem com menos de 1$/dia



Para seguir as actualizações da ‘Zero Poverty no Facebook clique aqui.
Semeie para os outros para colher para si.

A França, que despertou para o problema do suicídio laboral após as alterações dos critérios de avaliação do trabalho introduzidas da ‘France Telecem’, tem hoje especialistas que se dedicam ao ’sofrimento ético’ e ao reconhecimento do trabalho, como Christophe Dejours que esteve há pouco entre nós, mas os problemas que detecta de relacionamento não são exclusivamente laborais, nem tão pouco sectorias, são de natureza transversalmente social – o desaparecimento da solidariedade!
Deixo um excerto retirado do Público:
Christophe Dejors

O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco.

Nas empresas há muito que assim é, como na rua ou nos condomínios. Ninguém quer saber do que o não atinge directamente. Não há causas que mereçam o nosso envolvimento, a não ser as das ‘redes sociais’ que não têm custos pessoais, restando apenas as que mexem com a vidinha de cada um!

O argumento da surpresa diante de défices ‘inesperados’ parece estar instalado para não cumprir os programas eleitorais sufragados, mas estranho é ninguém se indignar, num regime que não elege directamente o chefe de governo, diante do despudor com que os eleitos mandam desrespeitam os seus eleitores, para mais sendo financiados pelos contribuintes para fazerem as respectivas campanhas eleitorais.
Atingimos um estádio de irresponsabilidade democrática – dos governantes e dos cidadãos – ao não se exigir a assunção da responsabilidade política inerente, nem de uma responsabilidade jurídica diante de uma flagrante quebra contratual. É o que está em causa – uma quebra contratual dos contratados aos contratadores, um caso de justiça!
Justiça, sim. Não se queira confundir justiça com legalidade, porque quem faz as leis é precisamente quem quebra esses contratos e, enquanto assim for, de democracia é que é imprudente qualificar um regime onde o plebiscitado é figura de retórica, um adorno de circunstância eleitoralista. Não é a existência de actos eleitorais que qualificam um regime democrático, mas a livre escolha dos cidadãos de programas de governação e não de pessoas.

Incomoda-me, sim, o despudor da exploração mediática do sofrimento humano; da pronta chegada dos abutres da putrefacção humana, enquanto a da ajuda humanitária se preparava. Incomoda-me, sim, o espectáculo da dança do número de vítimas, mas em especial a ausência da necessidade de procurar reportar motivos, mesmo que ténues, de esperança. Incomoda-me, sim…
Mas ontem, no meio desse exultar da morte, comovi-me, não pelo que via, mas por ouvir a quantidade de países onde instituições e voluntários rumaram ao Haiti para ajudar. Vi ontem uma equipa de protecção civil de Miami a resgatar pessoas com vida dos escombros ao fim de 5 dias e rejubilarem por isso, por salvar uma, uma e cada vida, e cada um.
O mundo poderia ser assim. E seria. Seria se os interesses que dominam o mundo não se sobrepusessem à natural fraternidade e solidariedade humana.
E é também no meio deste género de atitudes que me lembro de Maria de Lurdes Pintasilgo! E de Kofi Annan!
Sim, se nós quiséssemos poderíamos ser mais humanos, ser mais daquilo de que a natureza nos fez, mais fraternos. Ser mais como os outros demais bichos, fraternos, afinal.

Imagine “the world will live as one”…, de John Lennon, numa escola para surdos…, pela Glee…


“You may say I’m a dreamer”…

Bom 2010!

Palma Inácio…, LUAR…, referências de miúdo!

Palma Inacio

ps: imagem sacada de ‘Não Apaguem a Memória‘, deste post.

Se está contra a destruição dos jardins do Palácio no Porto por força da privatização aprovada por Rui Rio exerça o seu dever cívico:




Clique na palavra petição cujo texto inicia assim:

A aprovação na reunião de 23 de Junho da Câmara do Porto, com os votos do PSD, CDS e PS, da privatização e da chamada “requalificação” do Pavilhão Rosa Mota é mais um passo na destruição pelo Executivo PSD/CDS, com a cumplicidade do PS, de um património que os transcende e que incumbe à cidade respeitar, preservar e melhorar. Se tal proposta chegar a ser concretizada, verificar-se-á não só uma alteração radical da área circundante do pavilhão (lago e tílias) por força da nova construção para eventos empresariais, como o município do Porto ficará detentor de apenas 20% do capital da nova sociedade gestora. À cidade rouba-se o seu património e espaço público, eliminam-se os seus espaços verdes e alimentam-se negócios, favorecendo privados.
Bastaria, aliás (…)

Carta Aberta
a
Sua Excelência
Senhor Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Apresentando cordiais cumprimentos, venho saudar V. Ex.ª pela forma como ontem, dia de reflexão para as eleições ao Parlamento Europeu, apelou aos portugueses para exercerem o seu direito de voto. Permita que saúde, V. Ex.ª, pelo vigor com que cumpriu o seu dever e obrigação enquanto Presidente da República eleito por sufrágio directo e universal.
Contudo, o seu discurso, transmitido em canal televisivo financiado por todos os contribuintes, evoluiu, após o apelo ao voto, para uma desconsideração pública da generalidade dos cidadãos portugueses que, de forma consciente e reflectida, entendem que a sua opção cívica, neste acto eleitoral, é a abstenção.
Compreendo que V. Ex.ª considere que “a abstenção não é solução”, mas não consigo aceitar que quem considero como meu Presidente, apesar de não ter sido a minha opção de voto, renegue a ser Presidente de todos os portugueses – os que, em acto eleitoral, optam por um partido candidato, os que optam por votar sem escolher e os que optam por, consciente e reflectidamente, abster-se.
No meu entendimento, tem V. Ex.ª, enquanto Presidente da República eleito por sufrágio directo e universal, o dever e a obrigação de tratar e representar todos os cidadãos de igual forma, sem discriminar um que seja pelas suas opções políticas, desde que democráticas, sociais e religiosas. Esta obrigação, como é evidente, não colide com a fruição da liberdade de expressão de V. Ex.ª para apelar ao voto, mas não deverá de todo permitir apelidar de irresponsáveis os cidadãos que entendam abster-se.

Sou casado, pai de quatro filhos a quem tento, pedagogicamente, explicar as minhas opções em actos eleitorais e outros momentos e, apesar de parecer que V. Ex.ª terá dificuldade em compreender, é-me muito difícil, incómodo e até confrangedor sentir-me, ética e moralmente, coagido a participar através da abstenção, seja pelo facto de não me rever nos programas dos partidos candidatos, seja por cepticismo quanto ao seu cumprimento, seja, no presente caso, por não aceitar a imposição, por via da ratificação e não de referendo, com concordância explícita de V. Ex.ª, do Tratado de Lisboa aos europeus.
Publicamente, repito, em canal televisivo financiado por todos os cidadãos, V. Ex.ª fez o que não deveria – acusar-me de irresponsável, desconsiderando-me diante dos meus filhos e, através dessa discriminação, promover a minha exclusão social.

Os modos de fazer política não podem deixar de reflectir os modos que em casa hoje se ensinam, mas, ainda assim e apesar de os tempos serem outros, entristece-me ver que chegamos a um ponto em que um cidadão reconhece como seu Presidente um cidadão que não contribuiu para a sua eleição, enquanto este, com acrescidíssimas obrigações e responsabilidades, recusa publicamente reconhecer-me como seu representado – tanto a mim como a mais algumas centenas de milhar de cidadãos!
Permita, V. Ex.ª, a ousadia de perguntar quais são as suas obrigações, enquanto Presidente da República, quando um governo, como o actual não cumpriu o programa eleitoral com que constitui em candidatura, nomeadamente no que concerne à defesa de um referendo para a aprovação do Tratado Constitucional? Que diligências providenciou V. Ex.ª para defender os cidadãos que acreditaram e votaram nesse partido? Terá, V. Ex.ª, publicamente dito, sem que eu me apercebesse, que esse partido político era irresponsável e, consequentemente, não credível?

Sua Excelência
Senhor Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

O dever cívico de um cidadão numa democracia livre não se inicia nem se pode esgotar no exercício do direito de voto. O dever cívico de qualquer cidadão livre e democrático é exercer, desde cedo, uma cidadania activa, responsável, consciente e eticamente comprometida na liberdade e na solidariedade, orientadas para o bem comum.
Este é o meu compromisso, enquanto cidadão para comigo próprio e, por consequência, sem falar ao respeito que V. Ex.ª me merece, não posso, não obstante, manifestar que não reconheço a um Presidente da República, mesmo eleito por voto directo e universal, nem autoridade nem legitimidade para promover a minha exclusão social e muito menos desconsiderar-me publicamente diante dos meus filhos devido às minhas opções políticas para mais num país livre e democrático.

Atentamente

De V. Ex.ª

Beringel, 7 de Junho de 2009

Carlos Araújo Alves

nota prévia: o autor não autoriza a transcrição deste texto ou parte em qualquer órgão de comunicação social.

Na recta final da campanha eleitoral para as eleições europeias o Tratado de Lisboa foi o tabu de praticamente todos os candidatos, do CDS ao BE, do PC ao PSD, incluindo o PS. A nova ‘constituição europeia’, programaticamente imbuída dos primários conceitos neoliberais que nos conduziram à depressão que vivemos, não mereceu destaque nem especial referência aos candidatos em liça. Uns porque mentiram aos cidadãos – tinham prometido um referendo -, outros porque estão de acordo (o PSD e o CDS) e o PC e o BE, francamente, não se compreende o seu silêncio nesta matéria, a mais relevante para o futuro da União Europeia!
O descrédito do sistema partidário europeu é latente, mas quem já por lá se instalou pouco lhe interessa saber que o Tratado de Lisboa preconiza soluções ideológicas ruinosas que pertencem ao passado, se é rigoroso na instauração de uma união financeira, mas descarta-se da necessária união económica e, sem qualquer vergonha, borrifa-se para a abstenção generalizada dos cidadãos europeus.
A partidocracia está implantada, e de vento em popa por toda a União com a benção dos media, assegurando e segurando clientelas e escuda-se, pifiamente, numa presunção de complexidade do Tratado de Lisboa que inviabiliza a sua o apresentação ao plebiscito dos cidadãos.
Esta gente ensandeceu. Quer casar com cidadãos aos quais não reconhece maioridade. Mas reclama a indissolubilidade desse casamento e , sem tibiezas, propõe-se, não elaborar uma Constituição Europeia que os consortes compreendam, mas antes decidir por eles.
A Europa dos Cidadãos acabou. Finou-se por aborto provocado. Mesmo o seu mentor, Jacques Delors, fez campanha pelo sim à ratificação, não deixa de afirmar

Je n’aimais pas les dispositions du Traité sur l’absence de dispositions sociales et sur l’UEM que je voulais rééquilibrer entre l’économique et le monétaire. Rien n’a été fait là-dessus. Et pourtant, j’ai voté parce qu’à certains moments, il faut que l’Europe se désembourbe. Elle est déjà loin des citoyens, si donc on la plonge à nouveau dans le coma allégé, ça ne va pas. (via RTL)

Assim vão os políticos com assento, construindo uma Europa para eles e, alguns, talvez, psiquicamente escudados na crença de que estão a fazer o melhor pelos cidadãos.
Para ilustrar o estado da campanha em Portugal deixo um vídeo que me parece resumir fielmente os temas e o nível do debate intra e inter-partidário em Portugal.


A propósito do post anterior sobre a fome que assola Moçambique, lembrei-me da ideia dos Presentes Solidários para este Natal da Fundação Evangelização e Culturas, instituição dedicada à cooperação e solidariedade entre e com países lusófonos.
Presentes SolidariosSegundo esta instituição, para cada país lusófono há um presente pensado segundo uma necessidade local específica. Os sete presentes que propomos são escolhidos em conjunto com os nossos parceiros no terreno. São estes parceiros que, localmente, comprarão os presentes e ficarão encarregues pela sua distribuição, garantido que estes produtos chegam realmente a quem mais precisa.
CLIQUE AQUI e ofereça um cobertor para Moçambique, um passe escolar para Cabo Verde, uma chapa de zinco para Angola, uma mochila e um estojo para São Tomé e Príncipe, uma maleta de parto para a Guiné-Bissau ou um filtro de água para o Brasil.
Passe lá, veja os preços, escolha e envie. Basta um clique!”