
Monet - Le Parlement, effet de brouillard

A reestruturação orgânica do Ministério da Cultura (Decreto-Lei n.º 215/2006
de 27 de Outubro) ao abrigo do prescrito no PRACE (resolução do Conselho de Ministros n.º 39 de 2006) levou, entre outras reorganizações, à criação de Empresas Públicas Empresariais (EPE’s) para gerir Equipamentos Culturais como o T.N.D. Maria II, como o T. N. S. João e como o novo Organismo de Produção Artística (OPART) (ver alínea c) do ponto 5 do artigo 26º do Dec. n.º 205) que ‘articula’ na mesma EPE o T.N. de S. Carlos e a Companhia Nacional de Bailado.
Há muito que pugno (e pugnarei) pela separação e clarificação entre a gestão, a direcção e a programação culturais, aproveitando a convergência de sinergias entre os gestores culturais, os directores artísticos e os programadores conforme se poderá deduzir pelo que fui escrevendo sobre o tema gestão cultural.
De facto, um dos principais problemas da cultura em Portugal foi, e é, termos artistas programadores, programadores gestores e, só talvez por mero acaso, não tenhamos visto ainda gestores a subir ao palco, muito embora também nesta classe possa haver (e há-os, seguramente) excelentes artistas…
Contudo, existe uma particularidade neste processo que, apesar de na nomenclatura conter o adjectivo empresarial, a forma como Mário Vieira de Carvalho gizou o OPART inviabiliza a tão necessária empresarialização da cultura por parte do Estado, ao prescrever que os directores artísticos não serão nomeados pelo Conselho de Administração (composto por 3 elementos executivos e dois não executivos que serão os respectivos directores artísticos), mas por despacho conjunto dos Ministério da Cultura e das Finanças!
Como? Como é que diz? Não, diz mais, pasme-se, afirma que o Conselho de administração do OPART não estará acima dos directores artísticos, mas a servi-los e vai aliviar os DA da carga das preocupações burocráticas do quotidiano! (DN de 26/01/2006 pags. 34 e 35)
Como? Mas que raio de empresa é esta? Para que irão servir 3 excelsas e executivas pessoas no conselho de administração? Isto é folclore e fumaceira; é uma brincadeira de mau gosto às empresasinhas e um rude golpe à empresarialização!
Na próxima 2ª feira, 12 de Março, às 18:30h no foyer do Teatro Nacional de S. Carlos, a Associação Guilhermina Suggia, em boa hora formada por Virgílio Marques, e a Antena 2 promovem uma conferência acerca da vida e obra da grande violoncelista portuguesa (1885-1950).
Serão conferencistas Anita Mercier, professora da Julliard School, que escreve a biografia, Guilhermina Suggia:The Life of a Cellist a editar em 2008 e Isabel Millet, escritora e filha de Isabel Cerqueira Millet, aluna e testamentária de Guilhermina Suggia, que está a escrever uma trilogia sobre a insigne violoncelista.
Paulo Gaio Lima, vencedor do Prémio Suggia no Porto em 1979, aluno de Madalena Sá e Costa, assegurará uma participação musical ao vivo.
Um programa a não perder com entrada gratuita.
Numa das edições do Público da semana passada, Emmanuel Nunes, sobre a ópera que lhe foi encomendada pelo S. Carlos, declarou que a sua encomenda não estaria concluída por decisão de Paoço Pinamonti, director do Teatro Nacional de S. Carlos.
Tendo eu o maior respeito pelo compositor, devo lamentar este tipo de declarações, colocando-me ao lado do que o Henrique Silveira escreveu a este propósito aqui e aqui.
Registando o facto de Henrique Silveira ter citado Stockhausen para menosprezar Emmanuel Nunes desconhecendo, talvez, o calvário por que este passou para entrar para professor do Conservatório Nacinal Superior de Paris onde, em vários concursos públicos, foi absurdamente afastado em benefício dos pupilozitos de Stockhausen, então muito em voga, devo dizer que, considerando que se conquista o respeito pela rectidão de carácter, não tem obtido Emmanuel Nunes pela palavra o que obteve, justamente, pela música que compôs.
Neste embróglio, ao que parece, não andará bem o Secretário de Estado Mário Vieira de Carvalho ao permitir tudo, ou quase tudo, a Emmanuel Nunes quando, aparentemente, não terá cedido com esta complacência aos mimos, muito mais fáceis de afagar, de Maria João Pires e do seu projecto de Belgais, projecto muito mais relevante para o país do que uma ópera de Emmanuel Nunes.