Mar 082007
 

A propósito da ideia da ministra da Educação alemã, Annete Schavan, de fabricar um Livro Europeu de História para os estudantes dos 27 estados-membros da ministra da Educação alemã, deixo um excerto que subscrevo integralmente do Francisco José Viegas:

Que haja um manual sobre a Europa, distribuído pelas escolas para sensibilizar a criançada e explicar as instituições europeias, sim; mas pormo-nos de acordo uns com os outros e limparmos da História as vergonhas de cada um para que não haja ofendidos nem malandros, parece-me um exagero. (…)

Ora bem, o livro é para já, a farda vem logo, logo, a seguir!

Fev 082007
 

do Público:

O Presidente da República, Cavaco Silva, considera que a moeda única, instituída pelo Tratado de Maastricht há precisamente 15 anos, “continua a ser decisiva” para projectar o desenvolvimento de Portugal “para os níveis médios europeus”.
(…)
O Presidente recorda que foi em Maastricht que “se forjou a União Económica e Monetária, materializada na moeda única que é hoje, indiscutivelmente, um dos maiores sucessos da construção europeia”.

Por acaso não acho que seja comédia; acho que o senhor está mesmo convicto! Ele habituou-nos assim…

ps: sobre o assunto ver estas entradas.

Jan 222007
 

a insurgir-se contra a política exclusivamente fiduciária do BCE. Parece que a futura candidata presidencial do PS em França sabe, concretamente, por onde deve começar!

«Ségolène Royal, s’est exprimée, mercredi 17 janvier à Luxembourg, en faveur d’”un élargissement du statut de la BCE qui intègre très clairement, comme aux Etats-Unis et au Royaume-Uni, non seulement la maîtrise de l’inflation, mais aussi la croissance économique et le progrès social”. “Il ne s’agit pas de remettre en cause son indépendance, mais il s’agit de ne pas la laisser exercer une omnipotence” (…)» (Le Monde)

Jan 222007
 

Ao passar pelo desNorte dou com um texto do HVA onde aborda o paradoxo da coincidência das comemorações do cinquentenário da morte de Toscanini, o mestre de todos os que lhe seguiram, um inabalável lutador contra o fascismo e o anti-semitismo de Hitler e Mussolini, e a complacência com que se permitiu a instalação de um pertido fascista no Parlamento Europeu.
Deixo um excerto:

«não deixa de ser irónico que, quando se assinala o cinquentenário da morte do maestro italiano Arturo Toscanini, que passou uma boa parte da sua vida lutando contra tais ideais, estejamos a assistir no Parlamento Europeu ao nascimento de um grupo parlamentar de extrema-direita.
Em 1931, Toscanini, que na altura já andava de candeias às avessas com os governantes do seu país natal, recusou-se a tocar a Giovinezza, o hino fascista italiano. Toscanini não voltaria a tocar em Itália até à morte de Benito Mussolini, em Abril de 1945. A partir de 1933 passou a boicotar todas as orquestras e teatros alemães, como forma de protesto contra as leis anti-semitas introduzidas pelo regime nazi.
»

Dez 072006
 

«Um euro demasiado forte teria um impacto negativo sobre a indústria exportadora europeia. Mas, por agora, a evolução cambial não parece preocupar o BCE. De resto, a expectativa nos mercados financeiros é de que o BCE deverá voltar a subir os juros pelo menos uma vez no primeiro trimestre do próximo ano.» (Público)

Ah, claro, pois, a expectativa dos mercados financeiros! Eu bem me parecia, é de ter em conta, relevante, diria até, determinante!

Dez 052006
 

A política monetária do BCE, ao manter e elevar o preço do euro, não desiste de defender os elevados rendimentos do capital agiota, borrifando-se para o desenvolvimento económico.
A contínua ameaça do aumento da inflação serve apenas para esconder a intenção de manter a zona euro como um paraíso para a agiotagem bolsista, colocando em causa, a médio prazo, a própria existência da moeda, conforme já escrevi várias vezes, para além de travar o crescimento e impiedosamente as exportações, facilitando, pois claro, a importação mais em conta…, de produtos e bens, para gáudio do consumo!
O endividamento das famílias que financie…, pois…, a tal classe média que sustenta esta democracia e que rapidamente tenderá a desaparecer completamente falida!
Curiosamente, a OCDE que sempre se opôs a tal política, surpreende agora com o seu súbito apoio!
Deixo um excerto de L’argent un peu plus cher dans la zone euro, escrito por Jean-Pierre Robin, no Figaro de ontem.

«(…)
Depuis lors, rien n’est venu démentir ce pronostic, en dépit du recul mécanique de l’inflation des prix à la consommation avec la baisse du pétrole et malgré le rebond du cours de l’euro. Le patron de la BCE, qui continue envers et contre tout de s’inquiéter « des risques pesant sur la stabilité des prix », vient de recevoir un renfort de poids en la personne de Jean-Philippe Cotis. L’économiste en chef de l’OCDE, souvent très critique à l’égard de la BCE, a viré sa cuti : « Si la reprise reste vigoureuse, il faudra peut-être relever les taux d’intérêt en 2008 également » (sic), a-t-il lâché la semaine dernière. Cela a conforté les analystes de marché qui considèrent que le mouvement de hausse des taux européens se poursuivra tout au long de 2007 pour franchir le cap des 4 %. Selon l’OCDE, le renchérissement du prix de l’argent n’est que le reflet des perspectives de croissance de la ­zone euro, qu’elle vient de relever à 2,6 % en 2006, 2,2 % en 2007 et 2,3 % en 2008.»

Out 192006
 
«Portugal’s poor growth performance and its economic difficulties since the launch of the euro in 1999 have highlighted the difficulties faced by some members of the 12-country currency bloc in adjusting to the disciplines imposed by a single monetary policy.» (link)
Já várias vezes escrevi, para o boneco, é certo, por exemplo aqui, sobre a irresponsabilidade de termos entrado para a zona euro aos trambolões, i.e., sacrificando toda a actividade económica em prol do cego cumprimento dos critérios exigidos.
Pode ser que agora a direita ou a esquerda ou quem entender, consiga ser mais assertivo nas análises que faz ao trabalho dos políticos que nos governaram à época, sérios, não tenho dúvida, mas de vistas curtas, muito curtas mesmo, atavismo endémico, afinal, sem novidade!
Jul 052006
 

A pujança que os senhores do BCE teimam em imprimir ao euro, responsável pela fuga do investimento na produção e pelo incremento do investimento fiduciário, é a principal causa do empobrecimento da classe média europeia e, a prazo, da própria existência da UE e do seu central banco.
Será esta política de direita, de esquerda ou de total desprezo pelos cidadãos?
Ou de nada disso se trata, apenas de uma pura e simples vassalagem ao poder do capital anónimo?
Até quando resistirão os mandantes desta União a assumir a Europa o que fazem dela – uma offshore?

Nov 032005
 

ou a razão pela qual nunca votarei em Soares ou Cavaco, seja em que volta for

O Tratado da União Europeia, mais conhecido por Tratado de Maastricht, celebrou ontem 12 anos, 2 de Novembro de 1993, conforme HVA no desNorte recordou.
Após 3 anos de acesa polémica o Conselho Europeu de 9 e 10 de Dezembro de 1991 aprovou-o, instituindo, entre outros postulados, medidas para coordenar a política monetária dos estados membros no sentido de preparar o caminho até ao objectivo da União Económica e Monetária, ou seja, o mercado e moeda única, que viriam a ocorrer a 1 de Janeiro de 1999. Essas medidas impunham 5 critérios de convergência obrigatórios que ainda hoje são observados no quadro do Pacto de Estabilidade e Crescimento:

«A relação entre o défice público e o produto interno bruto não deve ultrapassar os 3%;

A relação entre a dívida pública e o produto interno bruto não deve ultrapassar os 60 %;

Um grau de estabilidade duradoura dos preços, e uma taxa de inflacção média (observados durante um período de um ano antes da análise) que não deve ultrapassar em mais de 1,5% os dos três Estados membros que apresentem os melhores resultados em matéria de estabilidade de preços;

Um tipo médio de interesses nominais a longo prazo não deve superar em mais de 2% dos três Estados membros que apresentem os melhores resultados em matérias de estabilidade de preços;

As margens normais de flutuação previstas pelos mecanismos dos tipos de mudança do Sistema Monetário Europeu devem respeitar-se, sem provocar graves tensões, no decorrer pelo menos nos dois últimos anos que precedem a análise.»

Para o efeito, já anteriormente se previra, no Acto Único Europeu, aprovado em 1986, uma série de Fundos Estruturais para ajudar os países a efectuar as reformas necessárias para criar condições para o cumprimeto dos 5 critérios:

«Para conseguir o objectivo de uma maior coesão económica e social nos diversos países e regiões da Comunidade aprovou-se a reforma e o apoio financeiro dos chamados Fundos estruturais (Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícolas (FEOGA), Fundo Social Europeu (FSE) e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), já criado no Tratado de Roma.»

Desde que Portugal se obrigou a cumprir, cegamente estes critérios puramente financeiros em prejuízo da economia, através de Mário Soares (Presidente da República) e Cavaco Silva (Primeiro Ministro), mais tarde Guterres e Durão Barroso, o défice da nossa balança comercial não mais cessou de crescer, devido ao aumento exponencial das importações e ao decréscimo das exportações, bem como uma redução anual do crescimento do PIB até à recessão que hoje vivemos.

Coincidência? Acho que sim, afinal um é Professor Doutor em Finanças Públicas internacionalmente reconhecido, outro um político profissional com 9 obras editadas desde que saiu da Presidência da República!

A questão não é de direita nem de esquerda, aliás, nem esta nem as demais que ao mundo se colocam em tempo de defuntas ideologias – é patética a teimosia nesta dicotomia. A questão é de saber se temos ou não capacidade para aprender com os erros, mesmo que involuntariamente e de boa-fé praticados, no passado cometemos.

Mai 302005
 

O “Non” é o facto e as consequências?
Esta é a pertinente questão cuja resposta, infelizmente, não está ao alcance da minha inteligência – aconselho os sítios do sim do não e do caralho que os foda para melhor aquilatar das graves consequências que se avizinham por esse mundo afora…
Já quanto em relação aos porquês, coisa mais comezinha, sempre posso escarrar qualquer coisita:
1 – Finalmente, muito mais cedo do que se perspectivaria, embora já o tivesse dito algumas vezes, o lamacento “pragmatismo” deste bloco central que vem impondo uma ideia de Europa a todos os europeus conseguiu colocar 80% dos eleitores nas urnas (uma vitória ímpar no combate à abstenção) e unir a extrema direita à esquerda e extrema-esquerda (coisa inédita desde o pós-guerra), i.e., colocar do mesmo lado cidadãos que a única coisa que os une é defenderem ainda princípios éticos e morais de conduta, por mais aberrantes que possam parecer;
2 – Tal como outrora com Maastricht, Amesterdão e os critérios para termos um euro caríssimo, o que terá de mudar são os cidadãos que, coitados, não entenderam a via única que tão brilhantes mentes verteram em “diktat” – o problema é de educação, minhas senhoras e meus senhores: temos de investir mais em educação até que percebem o bem que lhes queremos e que magnanimemente oferecemos a esses pobres coitados;
3 – a maltosa do “saber”, assentada na burocracia bem pensante e granjeadora do euro-subsídio das grandes cidades de “La France” (por favor, pronunciem tal qual Chirac se não, não vale), ficou nua diante do país das médias e pequenas cidades, dos cidadãos do “fazer”, que os mandaram para o “Real Madrid”, porque se vive mal comó caralho, embora a média, a puta (são sempre elas), nunca os ilustre, esmagados pelos elevadas mordomias de alguns!
Quanto ao demais, eu bem gostaria que assim não fosse, que não fossem os democratas a justificar o retorno das ditaduras, mas tenho pouca esperança em ditadores camuflados de democratas – mais tarde ou mais cedo a camuflagem vai ficando cada vez mais coçada e já não engana ninguém…