Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘Youtube’

Aguaviva - Poetas Andaluces de Ahora

Após tomar conhecimento da morte do seu amigo Johnny Hodges, Ben Webster, com Teddy Wilson ao piano, dá-nos esta interpretação de Old Folks:

Gonzalo Rubalcaba, ainda muito escondido pelos “puristas” do jazz que sempre desconfiam do apuro técnico dos músicos, é seguramente um dos pianistas mais inventivos e respeitadores da tradição “afro” do Jazz da actualidade, que junta esses predicados a uma técnica e sensibilidade raras.
Quem puder não perder, ele estará amanhã no Auditório de Espinho, e 3ª feira, dia 8, no Seixal, no Auditório Municipal.
Deixo dois registos vídeo em duo com Chick Corea absolutamente inadjectiváveis. São para ouvir…

Paul Robeson, esquecido? Acho que sim. Continuo a ouvir e a sentir o mesmo que da primeira vez que o escutei vai para 35 anos - a negritude , a cutura afro-americana, a sinceridade, a minha janela para o Jazz que viria a seguir.
Deixo-vos com Nobody Knows the Troubles I’ve Seen, Ol’ Man River, Deep River, Curly Headed Baby, Go Down Moses, Sometimes I Feel Like a Motherless Child, Shenandoah, Summertime e America’s Low Octave. Boa Páscoa!

“Avé Maria” de Back/Gounod com Bobby McFerrin. O 1º vídeo foi captado na Alemanha com o público; o 2º nos EUA, com necessidade de um coro profissional, para…, senão…
Ensino Artístico Especializado para quê? Quem somos? Donde vimos? Para onde vamos?

A fragmentação extrema da divisão social corresponde (…) à nova tendência tecnológica para o «ligeiro» (…)
Têm-se apontado (…) os aspectos risíveis das inovações tecnológicas modernas, a sua proliferação de acessórios, as suas aberrações de funcionalidade absoluta (…)
O tecnológico tornou-se porno; o objecto e o sexo entraram, com efeito, no mesmo ciclo ilimitado da manipulação sofisticada, da exibição e da proeza, dos comandos à distância, das interconexões e comutações de circuitos, de «teclas sensitivas», de combinatórias livres de programas, de existência visual absoluta.

Gilles Lipovetsky, A Era do Vazio (1983)

uma criação de Zs2 Creative

Em Straight Ahead Joshua Redman glosa sobre St. Thomas de Sonny Rollins de forma sublime. Defunto o Free Jazz, Joshua Redman representa um dos expoentes máximos da nova geração de saxofonistas tenor que busca inspiração na tradição afro-americana da sua música - o Jazz.


Joshua Redman - saxofone tenor, Jonny King - piano, Christian McBride - contrabaixo, Brian Blade - bateria

Bom fim-de-semana.

De tenra idade aprender as técnicas e a tradição, para que esse conhecimento intra e interpessoal vá construindo e continuamente resedenhando uma identidade própria, propiciadora da livre e inovadora manifestação artística.
Obrigado, Michael Brecker e Ray Brown, pelo que nos ensinaram e ensinam!


Michael Brecker e Ray Brown em 2000 - Round Midnight de Monk

Bom fim-de-semana.


Body and Soul por Coleman Hawkins, Londres 1967.

Bom fim-de-semana.

Je me refuse de me laisser classer dans un genre. Ce qui m’intéresse, c’est de m’inscrire dans une démarche de recherche. L’instrument a cette particularité de permettre d’embrasser de larges horizons.
Je veux éviter de tomber dans cette ornière qui invite au produit industriel impeccable qui passe à côté du message
. Pierre-Laurent Aimard

Regresso a Pierre-Laurent Aymard desta vez a interpretar os Estudos Sinfónicos de Schumann, para piano para insistir em pianistas que recusam o mediatismo efémero e pelo facto de ainda hoje o catalogarem com o rótulo de especialista em música contemporânea. É certo que esteve no Ensemble Intercontemporain desde a sua fundação; é certo que se notabilizou a interpretar Ligetti, Boulez, Eötvös e Bartok, mas ouçam esta interpretação de Schumann e vejam se corroboram as afirmações de Aimard do início do post.

Bom fim-de-semana.

Give Peace a Chance de John Lennon por vários, em 1991, é a proposta que deixo para este Dia Internacional de Música.

A música consegue comunicar, interagir e entender-se com outras culturas de uma forma que é inviável através da palavra, porque não há palavras que cheguem para dar significado a todo um turbilhão de emoções.
Jordi Savall

Jordi Savall há dias, em entrevista a Ana Sousa Dias no programa Noutro Lado da RTP 2, reafirmou o seu empenho em tocar ao lado de músicos de outras origens e culturas como forma de aproximar as pessoas.
Parece uma blague, mas Jordi Savall acrescenta logo a seguir mais ou menos assim:
A música consegue comunicar, interagir e entender-se com outras culturas de uma forma que é inviável através da palavra, porque não há palavras que cheguem para dar significado a todo um turbilhão de emoções.


Jordi Savall, os Nederlands Blazers Ensemble (NED) e alguns músicos turcos a interpretar um arranjo de Onno Tunç de uma canção popular turca

De facto, pensando apenas nesta constatação insofismável, o despertar, o desenvolver e o aprender a lidar com essas emoções, que são afinal parte integrante e prima da condição humana, não podem ser conseguidas através de uma educação vocacionada essencialmente para a tecnologia e para o desenvolvimento de competências.
Esta é mais uma razão, se não uma das principais, para que não possamos permitir que a educação artística seja um menosprezado adereço no seio do sistema educativo, tal como está a ser implementada através da já redutora designação de actividade de enriquecimento curricular (link) (ver aqui e aqui), leccionada por professores contratados à peça directamente pelos conselhos Directivos das escolas (ver), nem um privilégio de uma pequena meia-dúzia de estudantes que optem por um ensino especializado conducente à profissionalização artística, como se pretende através do que se preconiza no Relatório de Avaliação do Ensino Artístico encomendado pelo Ministério da Educação (link), ao defender que o ensino artístico deverá ficar reservado a algumas escolas de ensino integrado em todo o país, chegando ao ponto de aconselhar o fim do financiamento do Estado dos regimes articulado e supletivo! (ver caracterização dos regimes de ensino artístico).
Se outras razões não houvessem (ver arquivo Educação Artística), as palavras de Jordi Savall apontam bem o caminho - o do despertar, desenvolver e aprender a lidar com emoções - o qual só através da inserção da educação artística nos planos curriculares desde o 1.º ciclo poderá ser percorrido, cumprindo uma missão fundamental de um sistema educativo: formar jovens em diversas competências, sim, mas em ambiente que lhes proporcione a necessária informação e convivência artística e humanística bastantes para propiciarem e despertarem a busca da sua própria identidade enquanto Pessoas.

Bom fim de semana.

Temo que Pavarotti fique apenas conhecido como o maior divulgador de árias de canto lírico e não como o maior tenor de ópera de todos os tempos, como ele gostaria.

J’espère qu’on se souviendra de moi comme d’un chanteur d’opéra, comme représentant d’une forme d’art qui a trouvé sa plus forte expression dans mon pays. (via Ljubomir MILASIN em APF)

Guardo para mim o Pavarotti da La Bohème, da Aïda, por exemplo esta, representada em 1984 no Vienna State Opera, e dedico-lhe o que Deus, através dele, nos concedeu: Una Furtiva Lagrima do Elixir de Amor de Donizetti.

Hoje estou nesta…, de regresso ao início da adolescência, com estes precursores do Heavy Metal.

O Black Sabbath é considerada a primeira banda de heavy metal, por unir todos os elementos citados acima (power chords, distorção, riffs acelerados, bumbo duplo, intensidade vocal, letras obscuras), e criarem uma imagem transgressora, muitas vezes ligada ao misticismo, satanismo, apologia ao uso de drogas e também abordagem político-social. (retirado da Wikipédia)

Pierre-Laurent Aimard, solista do Ensemble Intercontemporain durante vários anos, interpreta esta Sonata para Piano de Boulez de forma sublime.
Bom fim-de-semana.

Afinal há uma versão da Polonaise em Lá b M. op. 53 de Chopin interpretada por Pollini, embora seja não seja em vídeo aqui a deixo para porque merece, sem o mínimo de dúvida, figurar entre a selecção anterior onde também a acrescentarei. Os meus agradecimentos ao Ricardo Serrano que a descobriu e me anunciou. Tudo indica que poderá haver mudança de preferências - é notável a força e a consistência que Pollini transmite!
Aqui fica:

Manuel Alegre e Carlos Paredes

A propósito de um diálogo sobre Chopin e pianistas preferidos que se iniciou no Art&manha, passou pela Teresa, pelo Paulo e pela Sónia, pelo Ricardo, pelo Heitor, pelo César Viana, não pelo Henrique mas sei que ouviu e leu, por um(a) anónimo(a) zangado(a) com a gente, pela minha tímida arrogância de confessar não ser sensível às Mazurkas até a Teresa me dar a conhecer o Moravec, aqui vos deixo a Heróica, a Polaca n.º 6 em Lá b M. op. 53, interpretada por mais famosos, mais ou menos famosos, ainda pouco famosos, para se deliciarem e, se quiserem ousar, elegerem as vossas preferências.
Seis interpretações diferentes dispostas por ordem alfabética do primeiro nome do intérprete: Artur Rubinstein, DongMin Lim, Elena Kuschnerova, Gyögy Czifra, Rafal Blechacz e Vladimir Horowitz. O último vídeo endereço àqueles que não pretendam a tão exaustiva maçada de ouvir interpretações da mesma peça, une petite nuance, um momento único, um exemplo do que querem fazer ao nosso ensino artístico - 10 marmelos a tocar a heróica ao mesmo tempo formados em piano pelo método Suzuki!
Bom fim de semana.

adenda: A interpretação de Pollini foi acrescentada a posteriori.
ps: as minhas desculpas aos fãs por não ter encontrado no YouTube versões de Lipatti, Michelangeli e Richter

A propósito de alguns comentários colocados no youtube sobre a paródia que fiz a propósito da ante-esteria da encenação de La Féria no Rivoli, gostaria de lembrar alguns factos e partilhar algumas memórias sobre o Jesus Christ Superstar de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice.

Jesus Christ Superstar começou por ser apenas um LP, editado em 1970. Só depois de encenado, primeiro em 1971 no “Mark Hellinger Theatre” em Nova Iorque e dpois no “Palace Theatre” de Londres, em 1972, é que se tornou no espectáculo que hoje conhecemos e recebeu a designação de Opera Rock, tendo passado para filme só em 1973 já com outro elenco.
É curioso saber que John Lennon pretendia o papel de Jesus, mas os autores entenderam não lho entregar por terem receio que a sua presença abafasse o todo da peça. Consta que os nomes de Mick Jagger e David Cassidy também foram equacionados, mas a escolha recaiu sobre Ian Gillan, o vocalista dos Deep Purple.
E foi com um Jesus moreno de longos e ondulados cabelos pretos (Ian Gillan) que eu tive a sorte de assistir levado pelos meus Pais sem saber ao que que ia, em Agosto de 1972 em Londres, tendo comprado o respectivo LP.
Nessa altura o elenco era o seguinte:
Murray Head - Judas; Ian Gillan - Jesus; Yvonne Elliman - Maria Madalena; Victor Brox - Caifás; Brian Keith - Anás; John Gustafson - Simão Zelotes; Barry Dennen - Pilatos; Paul Davis - Pedro; Mike d’Abo - Herodes.

Em memória da memorável ante-estreia da encenação de La Féria de Jesus Cristo Superstar no Rivoli não queria deixar passar este elevado momento sem ofertar à selecta clientela deste blogue algo de apropriado e inesquecível.
Aqui vos deixo o meu singelo tributo, uma montagenzita com as imagens constantes no sítio da Câmara do Porto com uma música que me pareceu adequada às personagens, à circunstância e ao mui cultural e performativo ambiente.

ps: Como seria devido gostaria de divulgar o(s) autor(es) das fotografias, mas depois de muito procurar no sítio da Câmara do Porto não encontrei as devidas referências.

É suposto um gajo agradecer prendas para mais quando se trata de bálsamos para a alma. Obrigado Susana e permite que aqui exiba a prenda por ser um dos meus filmes preferidos.

As Time Goes By de Herman Hupfeld, tema que se celebrizou pela voz de Billie Holiday e eternizou-se no filme Casablanca, aqui com Dexter Gordon, Herbie Hancock, John Mclaughlin, Ron Carter e Billy Higgins no filme Round Midnight de Bertrand Tavernier de 1986.

Quando um gajo anda por aqui há um certo tempo desabitua-se de felicitar os aniversários dos blogues amigos. Contudo, dois há que nunca esqueço por terem sido os responsáveis por esta torrente de asneirada que por aqui venho jorrando: o desta Senhora e o deste Professor - 4 anos!!!
Para a menina, mais requintada, claro, dedico esta versão do Joe Cocker de 1969 do tema dos Beetles:


Para ele, mais solto e desempoeirado, deixo esta, também pelo Joe Cocker, do mesmo tema:

Um grande abraço para ambos!

É por estas e por outras que não consigo delimitar com regulada precisão a diferença entre entretenimento, arte e cultura, embora na sua presença seja mais fácil colocar o devido rótulo!


excerto da Rapsódia Húngara n. 2 de Liszt a 4 mãos por Victor Borge e convidado

Parece que a imperiosa necessidade do ensino artístico não consegue, definitivamente, mobilizar as pessoas para defender a sua inclusão generalizada na educação, que artística deveria também ser e não embrulhada numa confusão chamada de enriquecimento curricular.
Sinto-me cansado de bater no ceguinho (desajustada expressão porque até um cego consegue ver), farto de Ministros e Secretários de Estado que pretendem varrer o pouco que há, entristecido com artistas e agentes culturais que apenas pensam nos subsídios estatais para dar espectáculos, mesmo que público não tenham; enjoado com programadores que vão despejando o que lhes dá na real gana, com maior ou menor qualidade, sem cuidarem do fundamental - o investimento na educação artística (a par dos demais saberes, é claro) é o único caminho seguro para a formação de novos públicos, uma vez que um público conhecedor é o retorno garantido para que cada vez mais espectáculos possam acontecer.
O conhecimento não faz com que as pessoas sejam melhores que outras nem as torna mais felizes! Trata-se de uma questão de Ser, de sermos mais plenos.
Para quem ainda não assimilou a premência da educação artística em contexto curricular desde a infância deixo um vídeo de Bobby McFerrin, captado em Leipzig, sem necessidade de comentários nem legendas! Para quem quiser continuar a não querer entender ou a fazer ouvidos de mercador, olhem, foda-se!

Bobby McFerrin e Público - Bach-Gounod, Avé Maria

ps: Este texto foi inspirado num comentário que a Alice Valente deixou num post atrás, num email que a Filipa Taipina me enviou onde estava o vídeo, os quais alicerçam a tese que venho defendendo Educação em Cultura.
Muito obrigado às duas pela inspiração, desobrigando-as, claro, do f*** que me saiu.

Apesar de Oleta Adams andar algo desaparecida continua a ser uma das minhas vozes preferidas, em especial nesta interpretação editada em Two Rooms: A Tribute to Elton John & Bernie Taupin, de 1991.