Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

A Academia de Sta. Cecília acaba de comemorar o seu 40º ano de actividade, coincidindo com a comemoração dos 40 anos de ensino artístico integrado. Está de parabéns a Academia de Sta. Cecília, a sua fundadora Vera Franco Nogueira e a principal responsável, esquecida pela própria Academia, pela ideia, pela planificação, pela organização e pelos meses que gastou nos passos perdidos dos ministérios lutando pelo óbvio, Sra. D. Gilberta Paiva, insigne professora do Conservatório Nacional de Lisboa e ainda fundadora da Academia de Música de Vila da Feira, ainda viva, residindo em casa de sua filha em Leça da Palmeira. Retomo este assunto, não só para dar os parabéns à única escola de ensino artístico integrado do país (mesmo 40 anos depois), mas também por considerar que a ideia de prolongar o tempo lectivo dos alunos do actual Ministério da Educação poderá ser desenvolvida por conceitos como o de ensino artístico, articulado e integrado.
Poucos pais conhecem que desde 2003 que os seus filhos podem beneficiar, sem custos, de ensino artístico em regime de articulação com a escola de ensino regular, conforme o estipulado na Portaria 1550/2002 de 16 de Dezembro, seja no domínio da música seja no campo da dança.
Com efeito, existem em Portugal 3 formas de frequentar o Ensino Artístico vocacional nas áreas da música e da dança: integrado, articulado e supletivo. Este último é, infelizmente, o mais vulgarizado - inscrição e frequência em escolas comumente chamadas de Conservatórios, não beneficiando de nenhuma articulação com o ensino regular, sem em termos de plano curricular nem tão pouco de adequação de horários. O primeiro - integrado - já falamos, só existe na Academia de Sta. Cecília. O articulado, é um regime de transição entre os outros, onde as escolas regulares e as artísticas são obrigadas a articular-se para que os alunos que pretendem possam beneficiar da conjugação harmoniosa dos dois cursos. (sigam este link onde encontrarão todas as informações sobre o que estou para aqui a debitar)
Ora, sendo o ensino artístico articulado gratuito, mesmo nas escolas de ensino vocacional artístico privadas, parece-me que seria muito boa ideia que o Ministério da Educação aproveitasse para fazer uma campanha de sensibilização junto dos pais e dos alunos para proporcionar uma base muito mais alargada de passagem de conhecimento bem como, e especialmente, estimular a sensibilidade dos mais jovens à fruição da arte contribuindo, decisivamente, para a formação de novos públicos (não é do que se fala?)!
Esta solução está pronta a andar, evitaria as eventuais aberrações que sempre ocorrem quando se tenta inventar actividades extra-curriculares para preencher essas horas extra, e os principais beneficiados seriam os alunos e os pais!