O ‘FANTASPORTO – Festival Internacional de Cinema do Porto‘ arranca a sério amanhã com a sua XXX edição e decorrerá até ao dia 7 de Março, nas duas salas do Teatro Rivoli.
FantasportoSerão exibidos 401 filmes, dos quais 40 nas secções oficiais competitivas – Cinema Fantástico, Semana dos Realizadores, Curtas de Cinema Fantástico e Orient Express – a par de outras inicativas que relacionem o cinema com demais manifestações artísticas, sempre sob a orientação de Mário Dorminsky.
Apesar de o ‘Fantas’ não necessitar de mais publicidade aqui fica o link para a programação – siga – e para aderir aos fãs no Facebook – pimba.

Alexandre BurmesterAlexandre Burmester apresentou no ‘A Baixa do Porto’ um ‘Mapa Sensorial do Porto’ concebido pelo próprio no sentido de melhor perceber a cidade no que ao seu planeamento urbanístico concerne. Texto de leitura integral obrigatória para quem pretender conhecer o pensamento do arquitecto, embora deixe aqui, atrevidamente, pela sua relevância criativa, um breve excerto:

Perceber é conhecer através dos sentidos. Perceber o espaço em que vivemos faz-nos compreender a melhor forma de nele intervir. Qualquer espaço contém uma percepção que é única para cada um de nós. Uma cidade, como espaço público, poderá ter uma percepção colectiva. O Mapa Sensorial que apresento corresponde à minha visão da cidade, mas sustenta-se numa leitura de comportamento colectivo espacial, que se traduz pela importância e valorização do comportamento da população, e de onde resulta a forma como a usamos e vivemos.

Alice Valente expõe, de 11 a 27 de Novembro, 13 a 18 das 63 obras já realizadas do projecto «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, no Largo do Picadeiro, 10 – 1º, ao Chiado.
Deixo o texto de apresentação da autora:

CORPOtraçoCORPO é um projecto multidisciplinar, que teve início em 2003 e que articula poesia e pintura, assinadas pela mesma artista.

Alice Valente-CORPOtraçoCORPO no Centro Nacional de Cultura- A poesia surge na conceptual relação da importância da palavra com o pictórico, presente no título das obras e a corresponder a cada obra em seu título, um poema com o mesmo título.

- A pintura é compreendida com 9 obras em díptico para cada uma das 9 cores, com o formato de 81×130cm, apresentadas na verticalidade ou na horizontalidade.

Até ao momento foram já apresentadas 63 obras, nas 7 das 9 cores: 1ª Cor (traço) Vermelho; 2ª Cor (traço) Castanho-terra; 3ª e 4ª Cor (traço) Água-azul-céu; 5ª e 6ª Cor (traço) Laranja-lima e 7ª Cor (traço) Verde-oliva. Seguir-se-à a 8ª Cor (traço) Verde e a Cor-de-pele encerrará o ciclo das nove cores.

Após as séries de exposições, está previsto uma exposição final com a presença de todas as obras, aquando do lançamento do LIVRO com o mesmo nome do projecto, contendo 81 poemas e ilustrado com as 81 obras, em que a cada obra em seu título irá corresponder um poema com o mesmo título.

Mais informações sobre a exposição e a autora em:
Ali_se;
Alice Valente Alves;
Centro Nacional de Cultura no e-cultura;
Facebook.

Os diversos modos como a arte se manifesta e nos sensibiliza encerra dimensões, sensitivas, emocionais, compreensivas que o conhecimento científico, tal como é entendido hoje, dificilmente, per se, conseguirá conhecer e menos ainda explicar, por mais simples e naturais que sejam.
Reparem na estupefacção dos neuro-cientistas diante da simplicidade da natureza humana exibida na performance interactiva entre Bobby McFerrin e o público presente no “World Science Festival” sob o tema “Notes & Neurons: In Search of the Common Chorus”. Estupefacção que se estenderia, creio seguramente, à maioria dos teóricos das Ciências da Educação que nunca se dedicaram à criação artística nem ao seu ESPECÍFICO ensino.


Via Alice Valente, no Ali_se, tomei conhecimento da ‘OKUPAÇÃO DO CORETO’ do Jardim da Estrela que ocorrerá amanhã, Sábado, durante 8 horas, entre as 16:00 e as 24:00h, por artes e letras.
Espera-se de tudo. Vejam os okupantes:

OKUPAÇÃO do CORETO - participantes

A trama é de tal desaforo que os okupantes não hesitaram em colocar página no Facebook com programa e tudo, apelando a que os incautos apareçam para assistir e participar em tamanha folia!

OKUPAÇÃO do CORETO do Jardim da Estrela
Vão lá espreitar!

Pina Bausch, expoente máximo da criatividade na dança pós-moderna (com toda a controvérsia que esta etiqueta revele), é bem conhecida e reconhecida entre nós, em especial depois da EXPO 98, mas foi nos anos 70, depois de assumir a direcção artística da ‘Wuppertal Opera Ballet’, que iniciou um caminho particular, próprio, nomeadamente em 1975, através de uma coreografia da ‘Sagração da Primavera’ de Igor Stravinsky. Reparem no excerto…

O rumo que Pina Bausch procurou e seguiu resume-se na citação retirada Stanford Presidential Lectures in the Humanities and Arts:

For her the individual’s experience is the critical component and is expressed in bodily terms, thus creating a new type of body language. By doing this, the role of the body is redefined from one in which it disappears into the function of creation and is objectified, as is typical in ballet and most dance, to one in which it becomes the subject of the performance. Each dancer’s body tells its own story based on what it has experienced.

No excerto do vídeo coreografia da ‘Sagração da Primavera’ comprova já esse tendência, tendo Pina Bausch fundando a trama emocional em torno da própria experiência individual de cada bailarino. Partindo da celebração da fertilidade de Stravinsky, leva os bailarinos a dançar até à exaustão em acto de ’sacrifício de morte’ para que, tal como no reino animal, as fêmeas pudessem escolher qual o ‘escolhido’, ou melhor, qual o que ‘tem melhores genes para acasalar’.
É neste contexto, na expressão emocional individual de cada bailarino, que a sua afirmação de que as minhas peças desenvolvem-se de dentro para fora ganha todo o sentido.

Pina Bausch – Não estou interessada em como as pessoas se movem, mas o que as move.

Pina Bausch

Rui Horta (via DN)- Se hoje estamos com uma linguagem de dança emancipada, com um discurso de autor e uma teatralidade em perfeita unidade com o corpo devemos à Pina Bausch.

Valter Hugo MaeValter Hugo Mãe é o convidado de hoje da 2ª sessão dos encontros DERIVAS – PARA QUE SERVEM A ARTE E O CONHECIMENTO EM GERAL?! que decorrerá às 21:30h no Centro de Estudos Regianos, em Vila do Conde, no âmbito do programa de actividades pedagógicas da Circular Derivas Artísticas.
Concebido e orientado por Magda Henriques o DERIVAS ARTÍSTICAS | PROGRAMA DE ACTIVIDADES PEDAGÓGICAS acredita

na capacidade transformadora da arte e na possibilidade desta, como afirma George Steiner, “comprometer a nossa humanidade, tornar-nos menos capazes de seguir o nosso caminho como se nada fosse”, revela-se necessário que a experiência da arte possa representar uma opção, daí a necessidade de criar meios que permitam essa aproximação e que constituam essa experiência como uma possibilidade de escolha. “Derivas Artísticas” tem, assim, como um dos seus objectivos prioritários criar e disponibilizar instrumentos que concorram para o exercício da escolha.

Life love Art of Celebrati - Dellamarie Parrilli
Life love Art of Celebrati – Dellamarie Parrilli

Há dias o Rui Curado Silva insurgia-se, muito acertadamente, com desconhecimento do método científico. Seguindo as suas palavras, cito:

(…) o desconhecimento do método científico é assustador, as recentes discussões na blogosfera sobre ciência revelam uma ignorância profunda do assunto. E o pior é quando este desconhecimento vem da parte de cientistas (das ciências sociais e humanas às ciências exactas).

Não deixei de corroborar esta sua impressão nos comentários do Klepsydra, uma vez que em nome da ciência e do método científico, se têm produzido os mais hilariantes estudos, nomeadamente no domínio das ciências sociais e humanas que melhor domino. Então estudos ‘encomendados’ por governos principescamente remunerados estamos, de facto, prenhos.
Crencas Religioes e Poderes - dos Individuos as SociabilidadesMas pretendia cruzar, precisamente a assertividade do Rui com o texto da Alice Valente Alves, Crenças e poder – do dever em não devir, fruto de uma comunicação produzida na ‘11.ª Mesa-Redonda De Primavera – Crenças, Religiões E Poderes‘ da FLUP, cujas comunicações foram reunida em livro a apresentar hoje no Porto, na Livraria Leitura ao Centro Comercial Cidade do Porto, pelas 18:30h, sob o título CRENÇAS, RELIGIÕES E PODERES – dos Indivíduos às Sociabilidades, em especial, quando afirma, também com toda a propriedade:

É comum à tradição da Filosofia que sempre por demasiado associada ao teológico e ao científico, comodamente fechar os olhos e deixar-se tornar irredutível ao sensível e ao conceptual. E apesar da Filosofia se ter associado nas suas formalidades mais à Ciência do que à Artes é depois e sempre nas Artes que encontra a Razão e a Verdade fundamental para justificar a existência do Devir. (ler texto na íntegra em formato pdf)

Aparentemente parecem dois excertos contraditórios. Aparentemente… É que o que em em nome da ciência se tem produzido, como científico, e claro, incontestável por com o científico se adornar. Então no que à percepção e expressão artísticas concerne é de uma pungente redução positivista que enclausura as artes num positivismo analítico incapaz de compreender (é disso que a ciência deve tratar – compreender) o acto criativo e a forma como a criatividade se emancipa de uma identidade (ou cultura, se preferirem) pessoal, colectiva e sempre em (re)construção.
No fundo, tanto o Rui Curado e Silva como a Alice Valente Alves, por caminhos diferentes, indignam-se pelo mesmo motivo – o cientismo, um constructo pseudo-científico que nos invade e pretende amordaçar, ao impor verdades absolutas e incontáveis.