Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Museu do Relogio - Guimaraes 1143O Museu do Relógio, em Serpa, coloca hoje à venda a sua 14ª criação em edição limitada e numerada (apenas 143 exemplares) - Guimarães 1143:

- caixa canelada em aço de 41mm;
- Mecânico Corda Manual;
- Mecanismo à vista;
- Vidros de Safira;
- Garantia personalizada.

Veja no site do Museu do Relógio como encomendar por email, pagar por transferência bancária e receber o artefacto em mão.

FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressao IdericaArranca hoje, no Porto, e durará até 8 de Junho a XXXI edição do ‘FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica‘.
Nascido em 1977 pela mão da ‘Companhia Seiva Trupe’, o FITEI tornou-se um festival de referência mundial do teatro de língua portuguesa e castelhana.
Este ano haverá 24 espectáculos produzidos por 15 companhias em vários espaços da cidade, desde o Teatro Nacional de São João, a Serralves, passando pela Casa da Música e pela Avenida dos Aliados, incluindo ao ar livre, com grupos oriundos de Portugal, Espanha e Brasil. (ver programa)
Saliente-se que a ‘Xunta de Galicia -Consellaría de Cultura e Deporte’ e o ‘Instituto Galego das Artes Escênicas e Musicais’, escolheram o FITEI para a apresentação em Portugal do Plano Galego das Artes Cénicas, um documento que visa promover a difusão social, reforçar a estabilidade das empresas, fomentar a criatividade e promover a protecção exterior do sector cultural na Galiza, cruzando as dimensões social, artística e económica das artes do espectáculo.

Workshop de Interpretação de Fotografia - imagem de Alice Valente Decorrerá hoje no Auditório da Parada da Universidade da Beira Interior um muito interessante workshop de interpretação de fotografia, organizado Núcleo de Alunos de Filosofia da UBI (SEXTO EMPIRICO), com a participação de Alice Valente Alves e o Frederico Lopes.
Para mais informações ver post da Alice Valente no Ali_se onde encontrarão todos os pormenores.

O Ministério da Educação ultima uma Portaria para destruir a Educação Artística em Portugal, a única que funciona, a única que já produziu e produz resultados - as Escolas de Ensino Artístico Especializado, segundo informou o Prof. Wagner Diniz após reunião no Ministério da Educação!
Já o tentaram no ano transacto o que me motivou a escrever sobre: Relatório de Avaliação do Ensino Artístico Especializado (estudo encomendado a um Professor Doutor com Agregação em Ciências da Educação de seu nome Domingues Fernandes que fez o frete de obrar um estudo sem qualquer fundamento científico, uma vez que da sua equipa não constava ninguém ligado às artes e sua educação, nem trabalho de campo relevante efectuou); sobre o perigo de entender que se tratava de um ataque ao Conservatório Nacional quando há perto de 100 escolas de ensino especializado, englobando cerca de 30.000 alunos; o despautério que foi a realização da Conferência Nacional de Educação Artíistica, encenação para o que aí viria; coloquei à disposição de quem quisesse (ou queira) escrever, mesmo sob pseudónimo, sobre o que se adivinhava, o Educação Artística FORUM!

Basta! Não me atafulhem a caixa de correio! Não sou artista nem arte para professor tenho! Estou cansado de estar só, da cobardia de esperarem pelo incêndio em vez de o prevenirem! E estou incomodado … (desculpem o tom deste post).

Peço que se impliquem, todos em uníssono, no combate contra a destruição da Educação Artística de qualidade em Portugal pelo Ministério da Educação - música, dança e teatro. Se cada um de nós conseguir ver que afinal é disso que se trata e não do encerramento do Conservatório Nacional, poderá ser que ainda vamos a tempo.


LEIAM e se estiverem de acordo ASSINEM e DIVULGUEM!

Jackon PollockAntes de qualquer consideração sobre a estreia da ópera Das Märchen de Emmanuel Nunes, sossegue quem me possa ler, porque não será ainda desta vez que ousarei aventurar-me pelo caminho do imediatismo crítico. Primeiro porque não possuo a necessária bagagem para o ser, por outro lado, a arte moderna impõe (-me) uma necessária distanciação temporal que permita viajar pelos caminhos da incerteza da reflexão. Três citações, antes de mais, sobre o modernismo do qual Nunes é ainda filho adoptante:
A Arte não se apresenta pelo que é óbvio. Arte vai para além das fronteiras de tudo o que é óbvio. Por sua vez, tudo o que é óbvio jamais está inserido no que é Arte e por isso, esta só conseguir assomar-se nas margens das impositivas regras e amarras do que lhe é óbvio.(…)
E uma obra de arte estima-se enquanto arte se o óbvio não se verificar. A partir do momento em que o óbvio transpareça numa obra de arte, imediatamente a peça que tida de obra deixará de o ser e reduz-se assim a uma qualquer situação de não-comunicação
.
[Alice Valente em Ali_se (link)]

O modernismo ganha toda a sua amplitude com o abalar do espaço da representação clássica (…). Os artistas não param de destruir as formas e sintaxes instituídas, insurgem-se violentamente contra a ordem oficial e o academismo: o ódio à tradição e raiva de renovação total.
O modernismo não se contenta com produzir variações estilísticas e temas inéditos, quer romper a continuidade que nos liga ao passado, instituir obras absolutamente novas.
O dispositivo modernista que se incarnou de modo exemplar nas vanguardas encontra-se hoje exausto, tal é a sua condição desde há meio século. As vanguardas não param de girar no vazio, incapazes de inovação artística maior. A negação perdeu o seu valor criador, os artistas mais não fazem do que reproduzir e plagiar as grandes descobertas do primeiro terço do século (XX).
Como falar acerca de obras cujas construções insólitas, abstractas ou deslocadas, dissonantes ou minimais, que provocam o escândalo, confundem a evidência da comunicação, desordenam a ordem reconhecível da continuidade espaço-temporal e levam por isso o espectador a receber menos emocionalmente a obra do que a interrogá-la de modo crítico?

[Lipovetsky]


Toda a arte moderna, devido às suas preocupações experimentais, baseia-se no efeito de distanciação e provoca espanto, suspeição ou recusa, interrogação sobre as finalidades da obra e da própria arte!

[Brecht]

Presente o citado, é com alguma perplexidade que leio as críticas a Das Märchen, sem aguardarem, prudentemente, em si, pelas interrogações que o que viram e ouviram poderá suscitar, uma vez que a arte moderna (não ainda a pós-moderna) não está construída para nos tocar sensitiva-emocionalmente, embora o possa fazer, mas sim para questionar e reflectir! Que crítica é esta que tem uma ânsia de dizer antes de deixar a obra exalar todo o intrincado simbólico de referências e interrogações?
Ultrapassa-me, de todo, este imediatismo, esta social necessidade de no dia seguinte ter de ter, porque é de bom tom ter, que dizer, qual comentador desportivo, seja para dizer bem ou nem por isso ou mais ou menos!
Constato, contudo, duas ideias constantes, não ingénuas, em quase todas as leituras que corri - a desertificação da sala após o intervalo e a referência ao facto de a encomenda ter sido efectuada por Pinamonti (anterior director do S. Carlos). As neblosas, sim, fantasmas erguidos quais penadas almas, sobre certas colegiadas “bem-pensantes” cabeças pairam! Ah, Pereira Leal, o que a tua anunciada aposentação anda por Lisboa a arrebatar de enredos em putativas consciências!

Qual é o mais duro dos críticos? O amador malogrado.
[Goethe]

De meu deixo uma nota: o S. Carlos não está (nunca esteve) talhado para as “aventuras” da modernidade. Esses “devaneios” há muito estão comprometidos com a Gulbenkian e seu público específico.

CINANIMA 2007Inicia hoje, prolongando-se até Domingo, a 31.ª edição do CINANIMA - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho (link), um dos mais conceituados festivais de cinema de animação europeus, parceiro do Cartoon d’Or, organizado pela Cooperativa Cultural Nascente em parceria com a Câmara de Espinho.
A concurso estão mais de 800 candidatos divididos pelas categorias:
A - Curtas Metragens (até 15 minutos);
B - Médias Metragens (mais de 15 minutos e até 50 minutos);
C - Longas Metragens (mais de 50 minutos);
D - Primeiro Filme ou Filme de Fim de Estudos;
E - Séries ou Filmes de Animação para Televisão.

A edição deste ano oferece ainda a possibilidade de frequentar 2 workshops: um sobre ILUSTRAÇÃO - “Expressão & Criatividade”, orientado pelo professor e ilustrador João Caetano; outro sobre ANIMAÇÃO “Animação com Flash”, orientado pelo professor Nuno Cardoso.

ps: para mais detalhes consulte o programa

A Associação Guilhermina Suggia e a Escola de Música do Conservatório Nacional convidam para assistir/participar na conferência com música Gaudí, Suggia e a Música, amanhã, dia 11, pelas 19:00h, no salão nobre do Conservatório Nacional.
Serão conferencistas Teresa Cascudo e Ana Maria Férrin e os momentos musicais serão assegurados pelo organista José Carlos Araújo, por Paulo Gaio Lima em violoncelo e Paulo Pacheco no piano.

Assombrado post da Alice Valente (mais um…), no Ali_se, sob o título A inteligência e a “indústria cultural” onde aborda, com uma lógica irrepreensível, a redução da arte e da cultura ao entretenimento operada pelas indústrias culturais. Um dos melhores textos sobre o assunto que alguma vez li! Sem mais!
Excerto:
E sem mais contrários e já por tão doentiamente deformados, a ter sempre de cumprir-se deveres em que dever e até quando, aqui estamos nós, prontos para as tais de ditas «lutas» no «salve-se quem puder», só, obstinada e unicamente pelas vias de uma vontade cega de se esganarmos uns aos outros, já sem desejos, sem valores e sem aspirações futuras, por cada vez mais caoticamente apartados do que é a verdadeira Cultura.

Paulo Fontesad majoorem Dei gloriam, exposição de Ecoarte de Paulo Fontes, decorre na Livraria Vício das Letras, na Feira, mais concretamente no n.º 59 da Rua Dr. José Correia de Sá.

Segundo o autor trata-se de uma exposição de Ecoarte, já que todas as obras expostas foram construídas aproveitando materiais que poderiam ir parar ao lixo ou à reciclagem.
Para mais informações vejam, por favor o sítio de Paulo Fontes, deixando aqui um poema seu que ilustra o que sente e motiva para o acto criativo.

Para a humanidade cega que caminha em direcção ao precipício…
Recolham lixo ou arte, a minha arte é feita de lixo,
Do nosso lixo faço a minha arte…
A luz que atravessa telas, objectos, tinta….
Flúi da natureza que há em mim, selvagem…
Da selva que criámos e que devora a natureza e os seus recursos.

Em memória da memorável ante-estreia da encenação de La Féria de Jesus Cristo Superstar no Rivoli não queria deixar passar este elevado momento sem ofertar à selecta clientela deste blogue algo de apropriado e inesquecível.
Aqui vos deixo o meu singelo tributo, uma montagenzita com as imagens constantes no sítio da Câmara do Porto com uma música que me pareceu adequada às personagens, à circunstância e ao mui cultural e performativo ambiente.

ps: Como seria devido gostaria de divulgar o(s) autor(es) das fotografias, mas depois de muito procurar no sítio da Câmara do Porto não encontrei as devidas referências.

Em tempos que se avizinham muito negros para o ensino artístico em Portugal, deixo um excerto de um texto de Fanny Abramovich sobre o que é o Teatro na Educação, retirado do sítio da WOOZ.

Mistério! Dúvida! Inquietação! Afinal de contas, o que é esta matéria nova, repentinamente incluída na programação escolar, com o nome mutável de teatro, artes cênicas, improvisação teatral, expressão dramática?(…)
O “mistério” está na visão estereotipada de que teatro na educação é espetáculo. É claro que nenhum professor sente-se em condições de dirigir uma peça. Se não é montar algo, é, ludicamente, possibilitar que os alunos se expressem, fazer com que eles inventem a sua “história” e encontrem a melhor forma de mostrá-la a seus amigos (não precisa de platéia especial). Onde? Na descoberta do próprio espaço que a escola oferece (não precisa de nenhum palco). Sem material? Claro, com o material que os alunos descobrem na própria escola, nas imediações, trazem de casa. Quando? Sempre, porque toda atividade que é um jogo não tem data prévia para acontecer. E eu, o que faço? Olho o jogo espontâneo e o enriqueço, possibilitando outras alternativas, sem me preocupar em dar o meu enfoque. Pouco misterioso, não é? É só olhar as crianças na hora do recreio, na rua, para ver que elas estão sempre “brincando de teatro”. (…)

Shakespeare - a tragedia de Julio CesarDeixo uma sugestão e recomendação: revisitemos os clássicos, aprendamos com eles, divulguêmo-los porque eles, per si, demonstram, qual mágico espelho, a abjecção que os políticos deste governo preparam relativamente ao ensino artístico em Portugal.
As artes são tão necessárias para a educação e formação da identidade da Pessoa como as demais áreas do saber e do sentir, sendo que não será com enriquecimentos curriculares opcionais que algo se conseguirá, mas com a sua integração curricular.

A Tragédia de Júlio César - W. Shakespeare
uma co-produção São Luiz- Tetro Municipal / Teatro da Cornucópia

sinopse:
A Roma antiga do século I a.c. reinventada por Shakespeare. A vida política nas mãos de heróis de tragédia que são grandes como gigantes e humanos como nós.
A tragédia de Shakespeare fala de tirania, da cegueira do povo, das sangrentas lutas pelo poder, de vida privada e responsabilidade pública, de paz e de guerra, fala de política e da imensa tensão entre política e moral. Com estas peripécias de uma Roma antiga fantasiada pelo princípio do século XVII, devolve aos espectadores de hoje os jogos políticos de sempre, mas desenha uma visão do Homem e do poder político com valores que o nosso tempo já esqueceu.

Ficha artística:
Tradução: José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra
Encenação: Luis Miguel Cintra
Cenário e Figurinos: Cristina Reis
Desenho de luz: Daniel Worm dAssumpção
Música original: Vasco Mendonça
Interpretação: André Silva, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Edgar Morais, Filipe Costa,
Hugo Tourita, Ivo Alexandre, Joaquim Horta, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto,
Luis Miguel Cintra, Luís Lucas, Martim Pedroso, Pedro Lamas, Nuno Lopes, Nuno Gil,
Pedro Lacerda, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Tiago Matias, Teresa Sobral, Tónan Quito e
Vítor de Andrade
Músicos: Gonçalo Marques (trompete), Marco Santos (percussão), Nuno Costa
(guitarra)

Há dias a Alice escreveu um texto que tinha o propósito de demonstrar a clivagem entre o valor da arte e o preço do dinheiro, sob o título Apreçar a Vida.
A questão é pertinente não por considerar que a arte não tem preço, mas porque incide sobre o equilíbrio e o rumo que o dinheiro emprestou à vida. É que tudo tem preço, tudo nós apreçamos consoante o valor que sentimos, valor esse que se traduz no que estamos dispostos a dar em troca por determinado bem.
A troca, a partilha, foi talvez um dos primeiros elos sociais que tornou o humano um ser social - troca por troca, troca por por solidariedade, troca por amor, troca por necessidade, troca porque é na partilha que todos nos trocamos. Até um dia…
Um dia em que precisamos de representar o que precisamos e não temos um bem disponível para o valor da troca - a moeda - que de mão em mão, de alforge em alforge, se tornou um dos mais belos símbolos da partilha, da construção do homem social. Até um dia…
Um dia em que a moeda emprestou a sua significância prima de instrumento de partilha e de troca através de quem iniciou o seu armazenamento, a sua acumulação, o monopólio da sua cunhagem, a voracidade de ao instrumento atribuir um valor intrínseco, exterior à partilha e instrumento de poder.
A moeda, o dinheiro passou a ter um valor, de instrumento travestiu-se em objecto e em diverso instrumento, de poder, não de partilha, uma independência de significância que a afastou da troca, do Ser social.
A moeda continua a correr em desvario de bolso em bolso, agora sem estar nem passar pelo bolso, mas partilha já não significa nem medida de apreço já ilustra.
O dinheiro tem um preço que do apreço nada significa, perdeu-se no seu prórprio preço, desgarrada do valor do apreço.
O apreço daqueles que pretendem que este mundo continue a partilhar continua inalterável, mas carecemos de um instrumento cuja significância volte a ser o amor com que se partilha um valor que se sente, ou seja, pegando nas palavras da T-Regina, pagarmos o preço do apreço, enlaçadas nos laços dos afectos, sem tectos nos regaços (…)

São estas duas mulheres que estão a definir (termo generalista mas provocatório) os modelos de programação de dois espaços numa cidade de tribos urbanas

A ler e reler o que o Tiago Bartolomeu Costa escreveu sobre Sasha Waltz.

Aí está o n.º 2 da Obscena - Revista de Artes Performativas! É seguir o link para imagem para ler e bem-haja a quem continua a teimar em editar este oásis! Para assinar basta ir so site e inscrever-se no email.

Obscena - revista de artes performativas

Sasha Waltz & Guests

Imperdível, mas só para quem já tem bilhete, Sasha Waltz & Guests apresenta hoje a sua coreografia de Dido & Aeneas.
Sacha Waltz apresenta uma coreografia baseada na conhecida ópera de Henry Purcell, partindo da sua linguagem natural, a dança, faz uma ponte, diria, uma simbiose com a palavra e o canto, numa atitude criativa bem contemporânea, mas respeitadora da tradição de exigência e técnica europeias.

o La Femme d’à Coté que passou ontem na 2:!

La Femme d'à Coté

Revê-lo-ei hoje, com calma, com o mesmo prazer de sempre e lembrando a cumplicidade - Fanny Ardant, Dépardieu e Truffaut!
Ah.., acho que não cansarei nunca!

Alice Valente AlvesA Alice Valente Alves habituou-nos a fundir a poesia com a ‘imagem’ na sua arte: na fotografia, na pintura e, agora, no desenho.
Uma das temáticas que mais aborda é a do acto de criar, sendo que defende (e disso está convicta) que tudo parte de uma imagem, de uma imagem que a assalta como percepção do que na vida vai sentindo.
Ora, se tudo é imagem, Alice, como é que todas crias, transformas e fundes com a poesia, a arte, não da imagem, mas a de abrir as fronteiras do paradoxo de imagens e sensações que nos outros despertarás?

As coisas passam-se em uma empresa - a Caronte & Filhos - fundada pelo velho Caronte, que começou com a barca a meter água mas acabou por investir bem as moedinhas que os mortos traziam. E quantos não chegavam às ilhas perdidas do além, navios a abarrotar (enviados daqui desta Terra por tantas causas em massa)!…
Foi lá que se encontraram personagens que vão assistir e participar em uma encenação de uma nova versão da história de Inês de Castro já não centrada em Inês mas polarizada entre D. Pedro, o seu Eunuco, D. Afonso Madeira, e Inês.
Este é o meu trailer da peça de Armando Nascimento Rosa em cena no Teatro Garcia Resende em Évora até ao próximo dia 9 de Fevereiro.
O eunuco!?? Ora essa!
Mas está lá em Fernão Lopes. Quem for ver a peça há-de ouvi-lo a ler a passagem. Mas quem não acreditar leia o passo na versão electrónica da Crónica de D. Pedro: link para Project Gutenberg.

Armando Senra Martins

Aí está a Obscena - Revista de Artes Performativas, para já em formato PDF, editada pelo Tiago Bartolomeu Costa.

Obscena - revista de artes performativas

Vamos ler, vamos ver ao que vem, mas registo com muito agrado o que é dito no seu editorial:

(…)
Muitos queixam-se da falta de debate público mas contribuem para esse marasmo com inércia e silêncio. O trabalho de muitos criadores acusa falta de memória e muitos críticos demitem-se de o denunciar.
Alguns criadores reclamam, em conversas meio circunstanciais, uma crítica mais exigente, mas esperam que esta não “se vire”? contra eles. (…)

Felicidades para o arrojado projecto. Existia a lacuna, existe gente que fala da sua necessidade, vamos ver até onde chegará o desejo de a ler!

ps: para assinar deve ir ao sítio da revista.

Via Rui Rebelo do Anacruses tomei conhecimento que Medeia de Eurípedes está em cena no Chapitô de Quinta a Domingo, pelas 22:00h, até 25 de Fevereiro, encenada por John Mowat, numa co-produção entre a Companhia Chapitô e a Companhia de Paulo Ribeiro, que tenta uma recriação onde a interpretação do texto e da dança se fundam harmoniosamente numa intervenção performativa.

Medeia-Chapitô

intérpretes:
Leonor Keil
Jorge Cruz
José Carlos Garcia
Marta Cerqueira

Cumprindo o óbvio, evitar a disseminação de pequenas Companhias de Teatro que dificilmente sobrevivem, 11 Companhias associam-se para “desenvolver a actividade artística e intervir nas questões relacionadas com o trabalho cultural vocacionado para o público infanto-juvenil” - Associação Portuguesa de Teatro para a Infância e Juventude - ATINJ. (ver Público)
A ATINJ prevê estatutariamente a adesão do novos associados, não se bloquando no grupo dos 11 fundadores.
Em várias ocasiões alertei para a necessidade de as instituições ligadas às artes performativas se associarem em projectos comuns com a finalidade de conseguirem uma maior penetração da sua divulgação e, por outro lado, congregarem os financiamentos e receitas de forma harmoniosa, evitando a disseminação dos investimentos e despesas.
É um primeiro passo, é certo, mas poderá abrir o caminho para outro tipo de associações que assegurem uma dimensão mínima para que os projectos possam ir por diante e com noutro patamar de profissionalismo.
No caso concreto, saliento também o objecto, o de focar o trabalho em prol da infância e juventude, o único caminho sério para a prossecução do desenvolvimento de novos públicos.
Parabéns à ATINJ.

Obscena

O Tiago Bartolomeu Costa anunciou o lançamento (talvez para o final de Janeiro) da 1ª revista online em formato pdf sobre artes performativas, onde haverá informação, análise e crítica.
A revista será gratuita, mas será prudente inscrever-me-nos desde já na maillinglist no seu site próprio.

Arte Pública

arte pública

apresenta:

Eric Satie

Gymnopédies

Gnosiennes

Franz Liszt

Consolação

POEMAS de

David-Mourão Ferreira, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa

CANÇÃO PORTUGUESA

José Luís Tinoco, Ary dos Santos, Fernando Tordo, Jerónimo Bragança, Nóbrega e Sousa

___________________________________________________________________

piano Angelo Martino voz Isabel Moreira baixo José Manhita diseurs Luís Proença, Gisela Cañamero, Paulo Duarte vídeo Rafael Del Rio som Luís Beco luz Ivan Castro produção Raul Bule

Beja

Pousada de S. Francisco

22 Dezembro 22.00h

entrada livre

Devia à Cristina Vieira e ao Rui Rebelo uma posição sobre a troca de opiniões que deixaram nesta entrada. A Cristina ia exasperando com a demora, mas entendi esperar pela confirmação oficial(?) da concessão do Rivoli à Bastidores/Produções La Feria.
Confesso que valeu a pena esperar não pelo anúncio público do Presidente da Câmara antes de o apresentar à assembleia municipal, mas pelas reacções. Um espanto!
Uns calaram-se, vergados, talvez por considerarem que, pelo facto de La Feria ser uma garantia de bilheteira, será uma gloriosa vitória política de Rui Rio, enquanto outros, os do regabofe, toca a deitar abaixo La Feria por ser o diabo feito gente.
Rapidamente, porque nisto de posts não convém gastar muita tinta, La Feria merece-me a consideração que devo a quem faz, e com qualidade (não é pouco, não) e adianto que não tenho dúvida de que o produtor/encenador ancalçará êxitos de bilheteira nem dificuldade em admitir uma vitória “política” de Rui Rio.
Certo estou é de que, num momento em que se fala tanto em promiscuidade, em compadrios, em tráfico de influências, abrir um concurso de concessão para o Rivoli onde se exige que o concessionado produza quatro grandes produções anuais para a sala grande e mais quatro para a sala é, no mínimo, muito, mas muitíssimo insuspeito…
Certo estou que uma sala de espectáculos como a do Rivoli apresentar na sala principal 4 espectáculos num ano é ridículo! Imagine-se o que para aí não se diria quanta folha de jornal não se gastaria se a Casa da Música, o CCB, Serralves, S. Luiz, para só citar alguns, fizessem 4 produções/ano! Cairia ao Carmo e a Trindade!
Certo estou de que esta vitória da politiquinha é uma derrota pesada para a cultura e um grave precedente para a gestão das cerca de 70 salas de espectáculo em Portugal, pois permite que as pessoas continuem a não querer saber que a formação de públicos não passa por estes equipamentos, mas pela escola, onde o ensino artístico continua a ser considerado como enriquecimento extra-curricular no 1º ciclo!
O negócio da cultura depende da sua compra, i.e., da vontade de a fruir, e após tantos anos a esbanjar dinheiro na oferta sem qualquer resultado (para mim, peço desculpa se firo alguém, existe um evidente excesso de eventos culturais em Portugal) ainda não aprenderam ou não querem saber que (vou repetir alguém) será através da fruição dos clássicos, da literatura, do teatro, das artes plásticas, da música desde tenra idade, que poderemos almejar a que daqui a uns 20 anos haja público interessado em manifestações culturais, clássicas e experimentais, e que as sustente.
Bem pode argumentar a Cristina que demora e que no entretanto o La Feria chama gente ao teatro. Bem pode ser…, o que não há é dinheiro para tudo nem a “palhaçada” prevista para a sala pequena colmata esta tontice!
4 produções/ano no Rivoli é uma ousadia que só uma pessoa invulgar poderá atingir! Não é o meu caso…, nem me habituo a comer de tudo e a calar, mesmo quando me esfregam nas ventas concursos, como direi, “enfeitiçados”…, talvez!

Bernardo Sasseti

No S. Luiz, Bernardo Sassetti apresenta um espectáculo “multidisciplinar” a não perder, definitivamente.

será o entrevistado de hoje do Grande Plano, entre as 18 e as 19 horas, na Rádio Voz da Planície com emissão online.
Pedro Vasconcelos é fundador e director artístico do Coro de Câmara de Beja, que comemora este ano os seus 25 anos de existência, e há 22 anos responsável pela Semana de Música para o Natal de Beja.
Uma aposta audaz da Ana Elias de Freitas a não perder.