Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Não desisto de pugnar por uma política gestão cultural global do Estado. Os princípios orientadores, as regras de apoio às artes, a tipologia dos apoios, o controlo, a avaliação dos resultados são fundamentais para se delinearem estratégias, programar temporadas e espaços de programação regular.
Sem isto nada é endendível, parecendo que todos os financiamentos são de ocasião para mais não dizer.
Sobre este assunto recomendo vivamente a leitura de O grande teatro da metrópole, pelo Tiago Bartolomeu Costa, em O Melhor Anjo, onde analisa a nova programação do Teatro Nacional D. Maria II.

Nos Todos Tres

Nós Todos Três, um musical para crianças e jovens produzido pelo Arte Pública - Artes Performativas de Beja, foi estreado em 1999 no Centro Cultural de Belém como peça teatral e simultaneamente em livro com cd da música.
O sucesso não foi mais esquecido (talvez ainda hoje seja a produção mais conhecida do Arte Pública, juntamente com Camões é um poeta Rap) sendo a sua reposição destinada a escolas e ao público em geral, no Pax Julia, natural e desejada.
Sei que as músicas e as letras mantêm-se (da autoria da Gisela), mas que os arranjos, do Luís Beco, e as gravações foram refeitos, pelo que estou muito curioso em conhecer o que poderá haver de novo.Nos Todos Tres
É que, o tal livro com o CD foi a prenda que mais ofereci a crianças nos últimos 7 anos obtendo, junto delas e dos familiares adultos, uma adesão unânime, epidérmica, diria - após tanto anos os meus filhos não abdicam da sua permanência no lote dos cd’s que estão no carro.
Com muita pena não pude estar na estreia desta reposição, mas este fim-de-semana não faltarei, aconselhando-a a todos que possam a dar lá um salto.

Ficha Técnica:
Texto e Canções: Gi Cañamero; Actores: Ana Alves, António Guerreiro, Daniela Madanelo, Fernanda Paulo, Hugo Pereira, Lia Cruz, Paulo Duarte e Paulo Carrilho; Cenografia: João Calvário; Sonoplastia: Arranjos instrumental Luís Beco; Desenho de Luz: Ivan Castro; Direcção Vocal: Isabel Moreira; Direcção de Cena: Paulo Duarte; Construção de Cenários: Ivan Castro, João Calvário, Sérgio Sobral; Pintura: António Carvalho; Maquinista: Sérgio Sobral; Costureira: Venesina Sanina; Encenação: Gi Cañamero; Direcção de Produção: Raúl Bule.

ps: imagens sacadas dos blogues Alcameh e Uma Cigarra na Paisagem.

Tenho por hábito desligar o aparelho quando começo a ouvir o diz que disse, ou seja, as intriguinhas do costume. Vem isto a propósito do que várias pessoas andam a dizer sobre o futuro do Teatro Pax Julia!
Parem com a intrigalhada! Está já delineado e escrito pelos responsáveis como será o Pax Julia a partir de Setembro.
Sob o sub-título “uma cena mais vasta do que apenas um palco” lê-se no Boletim Informativo do Município de Beja de Julho de 2006, não assinado, mas certamente da responsabilidade do senhor Vereador da Cultura, no caso em acumulação com a função da Presidência da Câmara, Sr. Dr. Francisco Santos, o seguinte:

«Mas mais do que aquilo que aconteceu (…) interessa o rumo que o Pax Julia vai percorrer no futuro próximo. Pretende-se que este equipamento venha a desempenhar um papel importante no que respeita à formação cultural - e não apenas nos termos em que assistir a espectáculos pode ser considerado como um acto formativo.
(…)
Na nova visão estratégica que pretendemos desenvolver nos anos próximos, a actividade cultural será articulada com o ensino, as novas tecnologias, a informação, o desenvolvimento económico e as empresas. Não podemos considerar que a cultura são os espectáculos e que o Teatro Municipal é apenas o contentor onde estes se concretizam

Por outro lado, pode ler-se na Rádio Voz da Planície uma afirmação do actual Director/Programador do Pax Julia, Sr. Dr. José Filipe Murteira que corrobora, sem qualquer margem para dúvidas, as palavras do Sr. Presidente:

«a nova programação vai manter as mesmas características.»

Não há pachorra para tanta intrigalhada! Como vêem está tudo concertado e assente sobre o futuro do Pax Julia!

Estimado A.A. (resposta a comentário)

É fácil, com frases feitas, é demasiadamente fácil.
Peço que leia com atenção o que escrevi, livre de defuntas ideologias como as de querer mais ou menos Estado.
Defendo um Estado forte, exigente, regulador, fiscalizador, mas nunca centralizador e muito menos determinante no que ao acto criativo diz respeito.
O que defendo é, como disse, a centralização de esforços na escola e provo, em estudo já realizado, que o Estado gastará menos, controlará melhor o investimento e produzirá, a médio prazo, muito melhores resultados.
Some, por favor e se tempo tiver, quanto despendeu em 2005 o Estado no programa de itinerâncias, no programa de difusão cultural, no programa de formação de novos públicos, no programa de Arte em Rede, nas 74 salas de espectáculos distribuídas pelo país, em orquestras sinfónicas, nos teatros Nacionais e no Serviço Público de audiovisual, sente-se, veja o resultado, e diga-me como é que se pode gastar tanto dinheiro com tão pouco proveito!
Trata-se de uma necessária e urgente reforma administrativa que coloque todos estes recursos em missões e objectivos comuns e não desconcertada e avulsamente como tem sido.

nota final: Mercado distorcido?
Será preciso um modelo ideal para ver o que está à vista de qualquer pessoa de bom senso?

1 - será que alguém desconhece que a PT impede o funcionamento normal do mercado em desfavor dos consumidores?

2 - será que não é visível aos olhos de todos que a concentração da banca privada coloca os seus clientes como seus reféns?

Não são precisos mais exemplos, pois não? Não necessitamos de modelos ideais nem de frases feitas. Necessitamos, sim, de alocar muito seguramente os nossos parcos recursos e rentabilizá-los!
E, para esta receita, são também dispensáveis discursos de esquerdas e de direitas, necessitamos, isso sim, de gente com bom senso e coragem.

No A Arte da Fuga o Adolfo Mesquita Nunes e o António Costa Amaral colocam duas questões pertinentes:

1- «No seguimento do que escreveu,

No entanto, o Estado deve ter missões e objectivos específicos na educação, na formação de públicos e na redução das assimetrias [culturais?] Lisboa/Porto e o resto do país

Desafio a responder à pergunta “Porquê?”. Porque é que se entende que uma visão centralizadora e paga com o dinheiro de todos nós é melhor do que aquilo que a sociedade é capaz de produzir espontaneamente?»;

2 - que papel deve o Estado representar na cultura?

1 - Exactamente porque entendo que o Estado deve, progressivamente, desvincular-se da tentação de tutelar a criação artística e centrar-se na sua vocação - a de regulador e de incentivador da fruição das artes.
Só que regular é estar atento e intervir quando o mercado provoca distorções, como por exemplo, a assimetria Lisboa/Porto e o resto do país
Incentivar a formação de novos públicos não é gastar milhares de milhões de euros, como aconteceu nos últimos 30 anos, em programas de subsídios aos criadores e às salas de espectáculos sem qualquer resultado (o público decresceu assustadoramente).

1 e 2 - Defendo, sinceramente, que o Estado, no seu papel de incentivador da fruição das artes, deve centrar os seus esforços na escola, proporcionando o ensino artístico curricular, como o faz noutras áreas do conhecimento.
Nesta perspectiva, consideraria muito positivo que o Estado desse trabalho (não subsídios) aos criadores através de encomendas que enriquecessem, de forma integrada, esses planos curriculares, seja ao nível de produções audiovisuais, teatrais, literárias, musicais, plásticas ou multidisciplinares.
Ensinar e criar um habitat cultural na escola é o melhor, mais eficaz e mais produtivo meio de, simultaneamente, educar, formar novos públicos, dar trabalho aos artistas e esquivar-se da subsídio-dependência.
Só que para isto, como tenho defendido, é necessária uma política de Gestão Cultural do Estado integrada e transversal a várias tutelas.

O Adolfo Mesquita Nunes na Arte da Fuga entendeu que as novas orientações do Ministério da Cultura não «pretendem liberalizar o sistema, tornando-o mais ágil e independente, mas tão só pretende racionalizar os custos na atribuição de subsídios. Uma vez mais, o que determina a reforma é a necessidade de poupar dinheiro e não tanto a de tentar uma via alternativa de desenvolvimento.»
Mas, estimado AMN, o que é que impede um artista de criar em total liberdade e colocar no mercado o seu trabalho dentro do mais rigoroso conceito liberal?
Nada! Rigorosamente, nada! Faça-o e não dê contas ao Estado!
No entanto, se se candidatar e for contemplado com um subsídio do Estado para criar é porque está disposto a cumprir as regras do mandante - cumprir com o que lhe foi pedido!
Trata-se de um contrato comercial, para todos os efeitos, obrigando, como tal, a que as partes cumpram o estipulado.
O que andou (e anda) muito mal há muitos anos é o Estado não controlar o que subsidia, não saber porque é que o faz, não avaliar a relação custos/benefícios e não obrigar os subsidiados a rigorosos métodos de gestão e prestação de contas!

Passo a reproduzir o comentário que deixei na caixa do Arte da Fuga.

Estimados
Estou do lado dos que consideram que ao Estado não compete balizar a liberdade dos criadores. Mas o Estado não impede que os artistas criem na maior das liberdades!
O problema é que os criadores querem criar à conta do Estado e sem prestar contas!
Esta é que é a questão!
No entanto, o Estado deve ter missões e objectivos específicos na educação, na formação de públicos e na redução das assimetrias Lisboa/Porto e o resto do país, sendo que, para cumprir estes desígnios, não me incomoda nada que o Estado encomende trabalho específico a artistas de variadas artes e ofícios, desde que estipule o que pretende, controle os processos e avalie e premeie os resultados - na perspectiva do lucro (porque não?) e do benefício.
Que está esgotado o modelo de um ministério dito da cultura para distribuir subsídios a troco de não se sabe bem o quê, parece pacífico, mas o salto a dar, que incomoda muita gente, é o de articular transversalmente as tutelas da Cultura, da Educação e do Audiovisual numa política de Gestão Cultural única, agilizada e ao serviço dos contribuintes.
Neste sentido, não me parece que não querer pactuar com espectáculos que ficam ao Estado a 300 euros por assistente (ressalvando excepções sempre necessárias) e exigir o controlo da gestão dos projectos subsidiados seja motivo para acusar alguém de apenas ter uma visão economicista ou de querer reduzir a despesa!
Ouve-se há muito tempo dizer que a cultura não é para dar lucro, mas permitam-me duas perguntas:
- há algum artista que não pretenda vender o seu trabalho?
- e se o quer vender porque será que acha que o Estado tem obrigação de comprá-lo?

Anteontem, por ocasião da entrega do Grande Prémio da A.P.E. pelas mãos do Presidente da República, Francisco José Viegas reafirmou o que há muito vem defendendo para o ensino do português nas escolas:

«ensinar mais literatura nas escolas»” porque é “impossível estudar português ou valorizar a língua portuguesa sem valorizar a literatura portuguesa“» (JN de ontem)

Alargando este conceito à globalidade do ensino, derivamos para a necessidade do ensino curricular da cultura, em todas as suas formas de expressão (ética, musical, dramática, plástica ou corporal), como plataforma indispensável para a compreensão, pela contextualização, do conhecimento transmitido e assimilado.
Ousar dar este pequeno passo significaria um salto enorme em termos do sucesso escolar no que há construção de identidades e à criatividade profícua dizem respeito.
Quando falo sobre a necessidade de uma «Educação em Cultura» é isto mesmo que pretendo dizer.

Na sequência da entrada anterior proponho ao Ministério da Educação que adopte a mais que comprovada estratégia do “Head & Shoulders” - 2 em 1!
Despeçam os professores, ocupem os meninos em atelieres, workshops e os mais diversos e variados enriquecimetos extra curriculares em regime de atêèles e dêem-lhes os diplomas na idade indicada.
Mas atenção, não dispensem os atêèles porque os pais não têm ninguém em casa para tomar conta deles nem para lhes dar de comer.
Assim, não duvido que a avaliação dos pais seria brilhante e o sucesso escolar, ena pá, um verdadeiro sucesso! UAAAUUU!!!
A U.E. aplaudiria unissonanimemente de pé e o Sr. Presidente da República, Sra. Ministra, com tanto corte na despesa do Estado, até era capaz de se intrometer na actividade governativa e vir publicamente dizer:
- deixem a Sra. Ministra trabalhar!

Nasci e vivo em Corroios com os meus pais que trabalham em Lisboa.
Olhem tou podre. Ontem a prof de historia chamou-me mal educada só pq lhe disse que n deitava fora a chiclet que tinha acadabo de por a boca!!! Mas que e que ela quer??? Então eu não posso ouvila e ver aqueles slaides manhosos dumas fotografias muito velhas que um tal Fan Ike tirou a mais de 400 anos?? A cota é passada!!
Bem n intereça ela que se enxa de pulgas q n tou p/ aturala. O resto do dia até que foi bué de fixe. No fim das aulas fomos ao Fórum Almada ver os chavalos. havia lá um que era podre…. depois vim para casa para ripar mais uns tops para o meu mp3 e quando abri o msn já la estavam as minhas amigas. Foi giro porque apareceu uma anónima que n concegui-mos saber quem era, mas tivemos a falar sobre o que iria acontecer hoje nos Morangos com Açúcar e e claro que todas estávamos de aquordo que aquilo que aqule chavalo fez a namorada n se faz. Comigo dava-lhe corda e depois mandava-o andar.
Bué de giro foi o link que a tal anónima nos mandou com música dos Da Wheasel que devia ser de um museu bué de bom!!! Tinha lá muitos quadros nas paredes e n querem saber que um deles ela igual ao da fotografia manhosa que a cota de historia mostrou na aula?!!!
Afinal o nome dele é Van Eyck e nasceu na Flandres que é como se chamava antigamente a Holanda e foi um dos melhores pintores do sec. XV. o gajo era bué de bom. Pintou quadros com gente bué de gira com roupas bem fixes. Eram de mais as cores da roupa de antigamente.
Um dia se existe mesmo aquele museu quero la ir velo!!! E bem melhor que aturar aqueles cotas todos da escola!!! DDD!!!
Bom agora xau, vou ver os Morangos com Açúcar!

Boa, aconteceu mesmo aquilo que tinha-mos dito!!! O chavalo foi envergonhado!!!
Quando os meus pais chegarão a noite n disse nada sobre a cota mas mostrei-lhes o link da tal anónima. O meu pai disse que era giro mas que n tinha tempo para aquilo e perguntou-me se eu tinha estudado p/ o teste.
Fogo, so pensam nisso os cotas. La fui para o quarto ler alguma coisa so p/ eles se calarem. E que agora anda toda gente a falar de educação, todos contra os profs e as escolas. Mas que e que queriam fazer com aqueles cotas todos a falarem de coisas sem interesse e so se calam se a gente adormecer mesmo?!!!!

Bem ou mal ficcionado deixo algumas interrogações:

1 - há algum problema com a Sandra Vanessa?
2 - se há, os professores são responsáveis por ele?
3 - se há, em que é que revisão da carreira docente contribui para o resolver?
4 - se há, o problema será de educação, de cultura, de gestão cultural, social ou de tudo um pouco?

Tinha prometido que hoje escreveria sobre a revisão da carreira docente, mas saiu-me isto…

Decorreu na semana passada, conforme aqui divulguei, a Conferência Mundial sobre Educação Artística no CCB, organizada pela UNESCO.
Foram 4 dias a ouvir especialistas oriundos de todo o mundo, com a possiblidade de todos participarem nos vários workshops que ocorreram sobre cada tema.
Curioso foi constatar que, apesar de muitos participantes, sobraram os dedos de uma mão para contar a presença de directores de Escolas de Ensino Artístico vocacional, públicas, privadas e cooperativas, de outra mão para directores pedagógicos das mesmas e professores, bem, professores não se conseguiu contabilizar!
E eu até acho que têm razão! Para quê irem perder 3 preciosos dias naquilo, logo num país que, apesar de sempre queixoso de falta de condições, consegue produzir Eusébios, Carlos Lopes, Rosas Motas, Fernandas Ribeiro, Figos, Marizas, Camanés, Mísias, Sisas Vieiras e Soutos Moura, Soutinhos e Távoras e etc., etc., etc.!
Nós sozinhos somos mais artistas que eles todos juntos e mais outros tantos…

No próximo mês de Março, entre os dias 6 e 9, realizar-se-á, em Lisboa, no CCB, a Conferência Mundial sobre Educação Artística, patrocinada pela UNESCO e pelo Governo de Portugal sob o tema “Desenvolver capacidades criativas para o sec. XXI“, com o apoio da International Society for Education throught Art, da International Society for Music Education, do Ministério da Educação e da International Education.

Este evento, para mais realizando-se em Portugal, é de extrema actualiade, fruto de várias conferências preparatórias realizadas nos 5 continentes, esperando que contribua para centrar a educação na busca de identidade(s) e técnicas que incentivem o desejo de participar activamente na construção da sociedade global que vivemos.
Deixo o texto de apresentação do programa cujo link podem seguir clicando na imagem:

«A Conferência reunirá unicamente representantes dos Ministérios da Educação e/ou da Cultura, assim como peritos, profissionais e investigadores, que serão convidados a participar a título pessoal. A Conferência será dedicada à Educação Artística e em especial ao ensino das práticas artísticas (artes plásticas, “performances”, dança, música, teatro, ateliers de escrita e de poesia) destinados a crianças e adolescentes em idade escolar. Entre os resultados esperados, prevê-se que a Conferência permita alcançar um entendimento geral sobre o que se pode definir como uma educação de qualidade e que nela se enfatize especialmente a importância da criatividade no ensino das artes, como mecanismo fundamental na melhora das capacidades de aprendizagem das crianças e dos adolescentes e em especial aqueles que vêm de meios desfavorecidos. Uma declaração final deverá sublinhar a importância da educação artística como sujeito de estudo, assim como a incidência das disciplinas artísticas podem ter sobre o desenvolvimento intelectual e pessoal da criança e do adolescente e sobre o seu comportamento social.»