Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Atingimos a fase de já não sermos ouvidos. Significa que as pessoas nos perderam o respeito, afirmou Manuela Ferreira Leite relativamente ao PSD (via Público)
Fala verdade, Manuela Ferreira Leite, de forma clara e inequívoca, embora sem enxergar a causa…
A pouca vergonha do enxovalho pessoal diário, ordinariamente baixo, com que os ‘barões’ e ‘notáveis’ do PSD fustigaram Luís Filipe Menezes desde que anunciou a sua candidatura à liderança, não deixa muita margem para se pedir respeito seja a quem for.
Para se ser respeitado é preciso dar-se ao respeito!

Manuela Ferreira Leite É interessante a veemência com que Manuela Ferreira Leite se insurge contra os epítetos de “barões” e de “notáveis” do PSD, classificando esses termos como “divisionistas”. O PSD é um partido interclassista, clama via Público.
Em tese, a tese é interessante, dando até ideia de que Manuela Ferreira Leite pretende posicionar-se numa candidatura que una todos os militantes, mas não foi a própria candidata que, aludindo à presidência de Luís Filipe Menezes, afirmou que o partido não é respeitado, da forma como foi em 34 anos de história? E que dizer de todos os seus “notáveis” e “barões” apoiantes que durante sete meses zurziram, sem dó nem intermitência, em todos os órgãos de comunicação social que dominam e minam, numa recém apelidada falange “populista” que tinha tomado conta do partido?
Não haverá “classes”, até poderá ser, mas uma casta que domina os órgãos de comunicação social, que raramente se expôs a votos e que está habituada a pôr e dispor no PSD, isso parece-me por demais evidente.
Manuela Ferreira Leite está no gozo do seu pleno direito de fazer campanha eleitoral embora, quando questionada sobre o que a distinguia de José Sócrates, só lhe tenha ocorrido dizer que não mentia. Acredito piamente que não minta - hoje ninguém mente, dizem-se “inverdades” - mas também não será através de míngua de linguagem demagógica que se distinguirá do actual Primeiro-Ministro.

Para mim, é totalmente insatisfatória a situação. É preciso o partido dedicar-se muito mais a pensar, a reflectir e a falar com o País.
(…)
Os meses de Janeiro a Março foram três meses perdidos, com disputas internas por razões menores”. “Espero que retomemos a linha que tinha sido pensada em Outubro e Novembro. (Ângelo Correia via Público)

Todas as sensibilidades do PSD poderão afirmar que as palavras de Ângelo Correia eram dirigidas aos adversários ou até, como Daniel Oliveira, entender que se tratará do primeiro sinal de debandada mas, cá para mim, Ângelo Correia falou na qualidade de presidente da mesa do congresso do PSD, ou seja, falou para todos os que pouco têm feito pelo partido e se têm envolvido em “disputas internas menores”, sendo que se há disputas há contendores de todas as partes envolvidas.
Se assim é, Ângelo Correia falou em nome do PSD para todos, dizendo tão-só, que assim não vale a pena! Enfie a carapuça quem quiser…