Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Ernestina Pinheiro, fundadora da Academia de Música do Centro Cultural de Beja que mais tarde, em 1993, estaria na origem do actual Conservatório Regional do Baixo Alentejo, do qual foi a primeira directora pedagógica, deixou-nos esta madrugada.
Beja, e o Alentejo em geral, ficam devedores à Senhora D. Ernestina e seu marido, Henriques Pinheiro, de um exemplo de vidas dedicadas à cultura e à educação artística em momentos bem mais áridos que os de hoje, à custa de grande labor, tenacidade, seriedade e integridade, sem nunca terem aceitado recorrer a expedientes de tráfico de influências, cujo preço é sempre incalculável, embora de pagamento obrigatório e prolongado.
Fecha-se, definitivamente com o seu desaparecimento, um ciclo para o Ensino da Música, nomeadamente para o Conservatório Regional do Baixo Alentejo, pelo que construiu e pelo que em legado nos deixou.
Bem haja Senhora D. Ernestina.

Via Improvisos ao Sul, tomei conhecimento que, finalmente, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo, mais conhecido por Conservatório de Beja, aderiu a alargar o seu projecto educativo à área do Jazz, tendo assegurado António Branco como dinamizador do projecto.
De momento pouco mais sei do que está no Improvisos ao Sul e no site do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, ou seja, a abertura de um curso de ‘Iniciação ao Jazz’ já a partir de Outubro.
É uma boa notícia para Beja, aproveitando para endereçar votos de sucesso ao António Branco, assim as condições que lhe proporcionarem permitam desenvolver o projecto que ele terá em mente.
Noto, contudo e com tristeza, que apesar de o Jazz entrar no projecto educativo do CRBA, o Cante Alentejano continua fora da única escola de ensino artístico especializado do Baixo Alentejo.

VMER Bejaanteriormente dei nota de que a ambulância da VMER em Beja está muito bonita, bem equipada, embora nem sempre operacional, não pelo preço dos combustíveis, mas por falta de médicos. (via Público)
Daí que a população esteja, através das várias associações culturais e recreativas representantes do povo e da região, concentrada em empreender (recorrendo aos últimos formados pelo IEFP em ‘empreendedorismo’) uma solução inovadora (recorrendo aos mais recentes especialistas em ‘inovação’ formados pelo IEFP e creditados pela Agência Nacional para a Qualificação) de fazer coincidir as aflições dos doentes com a disponibilidade dos médicos, das ARSses e demais poderes instalados e/ou em vias de instalação.
Caso não seja viável chegar a um entendimento entre as diversas partes diz-se que as autoridades competentes equacionam a instauração da figura de ‘médicos de substituição’ à semelhança do que se faz já com os professores, contando para isso que, rapidamente, a Agência Nacional para a Qualificação credite mais um curso rápido no IEFP para o efeito.
Enquanto as autoridades equacionam, os futuros doentes condescenderam em aguardar mais um mês pela equação, mas prometem uma marcha de luta e de luto caso a equação não se venha a encontrar.

INJAZZ - jazz em portuguesA 4ª edição do ‘INJAZZ - Jazz em Português’, festival de jazz itinerante de projectos originais de músicos portugueses, organizado pela ‘Lado B - Produções Artísticas’, traz Maria João e Bernardo Sassetti ao Pax Julia - Teatro Municipal de Beja no próximo fim-de-semana.

Dos quatro projectos em cartaz no INJAZZ de 2008, ‘Zé Eduardo Unit’, LUME Big Band’, ‘Maria João 4tet’ e ‘Bernardo Sassetti piano solo’ saudamos a escolha destes dois últimos por parte de quem teve de escolher apenas dois para apresentar no Pax Julia.Maria João Assim como na edição do ano passado lamentei não se ter optado por João Paulo Esteves da Silva e pelo Sexteto de Mário Barreiros em vez de Carlos Martins e Marta Hugon, não poderia deixar de manifestar a minha satisfação pela escolha deste ano.

No dia 16, sexta-feira, teremos então Maria João em quarteto, num projecto que será novidade, com uma formação que já há algum tempo não experimentava e.., sim, sem Mário Laginha.
Estou muito curioso.

Bernardo SassettiA 17, Sábado, Bernardo Sassetti apresenta-se a solo com uma projecção multimedia associada de fotografias da autoria do músico.
Sassetti é Sassetti mas, ainda assim, estou com receio do piano que lhe colocarão à disposição numa sala com a volumetria do Pax Julia. Espero que seja um piano de concerto (cauda inteira), que nos ilumine acusticamente a alma sem amplificações absolutamente desnecessárias que desvirtuam, sem remissão, a sonoridade de um piano acústico por melhor que sejam as intenções e a competência de um técnico de som.
A ver vamos.

Em Beja, lentamente, que a coisa não se quer breve nem súbita, o sofrimento, ah, sim, o ir vendo, tudo, lentamente, a desaparecer, até pessoas, sim, uma a uma, mas muitas, estas sim, em debandada, mas lentamente, ou melhor, sem se dar conta de repente…
Desta vez vez foi a Continue a ler »

Eduardo Gageiro expõe no Museu Regional de Beja “Fé - olhares sobre o sagrado“, conjunto de fotografias feitas para o livro “Manifestações Religiosas de todo o Mundo” de José Matoso.
A exposição decorrerá de 6 de Março a 27 de Abril, sendo a entrada gratuita.

Ler as impressões da Gisela Cañamero sobre a Oratória Fátima sinal de esperança para a Humanidade de António Cartageno, encomenda do Santuário de Fátima e estreada a 11 de Novembro na Igreja da Santíssima Trindade em Fátima.
No Domingo passado, dia 18, foi apresentada em Beja e são dessa récita as impressões que Gisela Cañamero escreveu.

ps: ver a este propósito entrevista de António Cartageno à Agência Eclesia.

Palavras Andarilhas - Biblioteca de BejaA IX edição de Palavras Andarilhas promovido pela Biblioteca Municipal de Beja e pela Associação de Defesa do Património de Beja arranca já no próximo dia 17 e decorrerá até 22 de Setembro.
O Palavras Andarilhas é um Encontro/Festival de Contadores de histórias ou, como a organização gosta de designar, um Encontro de Aprendizes do Contar.
Este ano abrem-se outras portas de Beja - a Praça da República, a Igreja da Misericórdia e A Casa - e mais eventos:
- Festival da Narração Oral;
- Estafeta de Contos;
- Feira do Livro e da Leitura;
- Oficinas (oficinas de narração e oficinas sobre mediação leitora);
- Momentos Musicais.

O programa completo pode ser descarregado a partir do sítio da Câmara de Beja (LINK directo).

Ora isto é que é importante! Veja-se um excerto da notícia da Rádio Voz da Planície:

Luís Pita Ameixa e Marcos Perestrello, deputados do PS eleitos por Beja, visitaram ontem Alqueva, reuniram com Castro e Brito e anunciaram que o Governo vai investir no Alentejo 960 milhões de euros, na construção do sistema de irrigação de Alqueva.

Esta boa nova deve ser enquadrada naquilo que o Francisco Nunes, muito ajuizadamente, sob o título Paradigma, escreveu:

Na Planície os planos brilhantes sucedem-se. Têm em comum uma coisa: o Glamour. Um aeroporto, uma plataforma chinesa para atulhar a Europa de bugigangas com taxas mais favoráveis, um hollywood europeu…
Por estas bandas já ninguém quer saber da agricultura… os estrangeiros que a façam!…

Hoje e amanhã o Jazz em Português, único festival de música itinerante em Portugal, passa por Beja, pelo Pax Julia, com Marta Hugon e Carlos Martins Quarteto, respectivamente, pelas 21:30 horas.

Jazz em portugues-in Jazz

Hoje:
Voz: Marta Hugon
Piano: Filipe Melo
Contrabaixo: Bernardo Moreira
Bateria: André Sousa Machado

Amanhã:
Saxofones: Carlos Martins
Guitarra: André Fernandes
Contrabaixo: Nelson Cascais
Bateria: Bruno Pedroso

A Associação para a Defesa do Património de Beja organiza um ciclo de workshops subordinados ao tema Percursos no Desenvolvimento, a ocorrerem na Pousada de S. Francisco, em Beja, entre Março e Julho.
A ADPB exorta os baixo-alentejanos a inscreverem-se para o email abaixo e participarem activamente neste ciclo. De todas as conferências que abaixo divulgo destaco a de Augusto Mateus, pessoa, geralmente, atenta, isenta da pressão de aparelhos partidários e incisiva na observação e reflexão.

Baixo Alentejo - percursos no desenvolvimento

O Conservatório Regional do Baixo Alentejo inaugurou há pouco o seu sítio na internet. (clicar na imagem)

Conservatório Regional do Baixo Alentejo

A página está um pouco pesada no arranque (em flash com muitas imagens), mas depois de avançarmos encontramos uma informação vasta e precisa da instituição.
Parabéns ao CRBA e votos de que esta abertura corresponda a um novo ciclo onde novos patamares se impõe desbravar.

O Beja Digital sorveu até ao momento cinco milhões e cento e vinte e quatro mil euros. As contas estão feitas pelo Francisco Nunes, aqui, que seguia o Kicker, daqui. Para que serviu, ora…, bem.., vejam o tal portal…, foi choque queima miolos!!!

Pax Julia - Jazz na Cefetaria

Amanhã, dia 3, pelas 22:00h, poderemos ouvir o Quarteto de Manuel Ferraz na cafetaria do Cine-Teatro Pax Julia, a propósito do lançamento do livro JAZZ em PORTUGAL (1920 - 1956) de Hélder Martins que contará com a presença do autor e do Zé Duarte.
Para mais detalhes ver o que o António Branco escreveu no Improvisos ao Sul.

O Arte Pública promove 2 acções de formação, em sonoplastia e luminotecnia, que decorreram no Cine Teatro Pax Julia a partir do dia 2 deste mês.
Para mais informações clique nas imagens e se estiver interessado em inscrever-se pode utilizar o email do Arte Pública - artepublica@gmail.com ou o telefone - 964781436.

Sonoplastia —— Luminotecnia

Pela primeira vez em palco? (Rádio Voz da Planície)
Não estou certo, mas dá-me ideia de que já os vi várias vezes, mas posso estar enganado.., a idade não perdoa!
Bom o que interessa é que os alunos do Conservatório Regional do Baixo Alentejo apresentam-se hoje em 2 espectáculos, pelas 18 e pelas 21:30h, no Cine-Teatro Pax Julia mas, esperem…, lá no sítio do Teatro também nada consta sobre esta programação.
Resumindo e concluindo, hoje não bebo mais…, mas vou lá, assim me ajudem as pernas!

A propósito da missão futura do PAX JULIA, o Presidente da Câmara de Beja, na qualidade de vereador da cultura, afirma, no último Boletim Informativo do Município, deste mês de Julho, o seguinte:

«Todo este conjunto de ideias norteador das suas funções enquanto equipamento cultural virá a ser incluído numa Carta Cultural do Concelho. Este documento, cuja elaboração se vai iniciar, não só definirá o âmbito da acção dos espaços culturais, como procurará inventariar os agentes e produtores culturais, e traçar um diagnóstico dos hábitos culturais dos habitantes do concelho. Semelhantes dados, e a futura existência de um Conselho Municipal de Cultura, permitirão à Autarquia ter, com maior detalhe, uma visão clara para este sector da sua actividade (…)»

Eu não sei quais serão os resultados práticos da elaboração desta Carta Cultural nem como serão transpostos os seus resultados para a gestão cultural do município, mas estou, como se depreenderá pelo que aqui enunciei, receptivo à iniciativa, embora tenha sempre alguma relutância quando vejo a tendência de só procurar instituições e/ou associações em detrimento da pessoa, das pessoas que têm o seu espaço de intervenção fora do âmbito de qualquer organização. Resumindo, aguardarei com reservada esperança.
Contudo, depois de a Gisela Cañamero, a pretexto de manifestar a sua preocupação por ainda não ter sido recebida pelo Presidente, criticar o fim da BEJALTERNATIVA e do Além Rock, seguida, mais tarde, pelo Nikonman, não posso deixar de me solidarizar com os responsáveis que tiveram a coragem para o fazer.
Ainda nas últimas eleições autárquicas um candidato insurgia-se pelo escândalo, nas suas palavras, que eram os gastos da Câmara de Beja na cultura - 20%, ainda segundo as suas palavras! Só que a percentagem não está correcta! Não acredito que tenha sido o próprio candidato a consultar o orçamento, tendo talvez pedido a um seu qualquer assessor!
Peguem nas contas de 2005, por favor, e somem os gastos para abrir o PAX JULIA, os gastos com a BEJALTERNATIVA, o Além Rock, a Casa da Cultura, a Biblioteca Municipal, os Museus, os subsídios a entidades, as Galerias de Arte, o BEJARTE e os vencimentos mais os pagamentos a prestadores de serviços afectos a estas instituições e vejam o número a que chegam!
Assustador, não? Tão pouco com tanto dinheiro despendido!
Como crítico deste género de eventos à custa de dinheiros públicos que marca educativa não deixam á eu atempadamente me manifestei, por serem autênticos sorvedores financeiros, que se aprimoraram sempre em anos de eleições, estranhando, por isso, que a Gisela, que desenvolve um trabalho ímpar junto de quem mais dele precisa - as crianças, as escolas e o palco - tenha juntado, num mesmo pacote e pretexto, a sua muito louvável luta pela cultura não massificada com manifestações, culturais com certeza, mas inseridas e arregimentadas no mainstream do circuito comercial!
A Gisela tem, por mérito próprio, toda a razão em exigir ser recebida pela Câmara Municipal na pessoa do seu Presidente, mas não, no meu modesto parecer, juntar alhos com bogalhos num saco muito mal acondicionado, a bem da cultura, entenda-se e, em especial, da sua sustentabilidade futura!

Tenho por hábito desligar o aparelho quando começo a ouvir o diz que disse, ou seja, as intriguinhas do costume. Vem isto a propósito do que várias pessoas andam a dizer sobre o futuro do Teatro Pax Julia!
Parem com a intrigalhada! Está já delineado e escrito pelos responsáveis como será o Pax Julia a partir de Setembro.
Sob o sub-título “uma cena mais vasta do que apenas um palco” lê-se no Boletim Informativo do Município de Beja de Julho de 2006, não assinado, mas certamente da responsabilidade do senhor Vereador da Cultura, no caso em acumulação com a função da Presidência da Câmara, Sr. Dr. Francisco Santos, o seguinte:

«Mas mais do que aquilo que aconteceu (…) interessa o rumo que o Pax Julia vai percorrer no futuro próximo. Pretende-se que este equipamento venha a desempenhar um papel importante no que respeita à formação cultural - e não apenas nos termos em que assistir a espectáculos pode ser considerado como um acto formativo.
(…)
Na nova visão estratégica que pretendemos desenvolver nos anos próximos, a actividade cultural será articulada com o ensino, as novas tecnologias, a informação, o desenvolvimento económico e as empresas. Não podemos considerar que a cultura são os espectáculos e que o Teatro Municipal é apenas o contentor onde estes se concretizam

Por outro lado, pode ler-se na Rádio Voz da Planície uma afirmação do actual Director/Programador do Pax Julia, Sr. Dr. José Filipe Murteira que corrobora, sem qualquer margem para dúvidas, as palavras do Sr. Presidente:

«a nova programação vai manter as mesmas características.»

Não há pachorra para tanta intrigalhada! Como vêem está tudo concertado e assente sobre o futuro do Pax Julia!

Começa já hoje a III Festa do Cante no Teatro Pax Julia que decorrerá durante todo o fim de semana.
Lá estarei sem falta (pena o ambiente não se prestar a uns copitos e uns caracóis). Este ano estará presente aquele que considero, de momento, o melhor grupo de Cante!!
Qual? Ora, ora, vão lá ouvir!!!

é o espectáculo de final de ano lectivo das classes de Música do Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Decorrerá em plena Praça da República, em Beja, às 21:30h, prevendo-se a repetição do êxito alcançado nos anos anteriores.

É o espectáculo de fim de ano lectivo das classes de dança do Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Amanhã, Sábado, às 21:30h, no Teatro PAX JULIA, em Beja.

O texto que escrevi a propósito do 1º aniversário do PAX Julia foi alvo de algumas interpretações que me parecem completamente descontextualizadas. Por isso transfiro para post um texto que lá coloquei a propósito de um comentário do Nikonman, que vai muito mais além de uma resposta. Passo a transcrever.

O respeito que me merecem todas as pessoas impede-me, precisamente, de individualizar o assunto que tratei (recordo mais uma vez, gestão, no caso, cultural).
Mais adianto que, muito seguramente, apresentar alguns espectáculos, nas condições existentes, terá sido quase um milagre e que a maioria das pessoas que trabalham no PAX JULIA deverão ter tido muitos e muitos dias em que pouco dormiram ou comeram.
Exactamente por isso enderecei os parabéns, sinceros, a todos os envolvidos - Câmara, funcionários e prestadores de serviços.
Por outro lado, não falei dos espectáculos apresentados, nem da sua qualidade nem da sua quantidade, pois a programação deve ser, do meu ponto de vista, o reflexo de uma missão e objectivos previamente delineados, os quais desconheço.
Por último, quando afirmei que existia «equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção», está perfeitamente implícito (sem individualizar a questão) o desajustamento funcional! Termos uma pessoa mais do que qualificada para executar determinado tipo de funções a fazer outras é mais um caso de ausência de gestão, para não dizer de má fé.
Se quiserem pegar nas minhas palavras para entender um insulto, façam-no, estão no seu direito, mas não foi isso que escrevi nem foi essa (quem me conhece, sabe) a minha intenção.
A minha intenção é clara (peço o favor de lerem com atenção, com mente aberta e sem emprenharem pelos ouvidos) - trabalhar para que daqui a uns tempos não tenhamos de constituir movimentos, manifestações e abaixo-assinados para que o PAX JULIA possa continuar a desenvolver um papel relevante para o Distrito de Beja.

Quanto a uma empresa municipal para «evitar que a veleidade privada se exiba e fique municipalmente controlada» não sei que dizer, (aliás já escrevi bastas vezes sobre o assunto aqui no Ideias Soltas muito antes do PAX JULIA abrir), mas não sei de que tenha mais receio, se das veleidades privadas se das públicas.
Há muito a pensar antes de dar esse passo:

1 - tem Beja uma dimensão crítica que permita o desenvolvimento do projecto em condições de progressivo auto-financiamento?
2 - se tem quais as prioridades que deve privilegiar?
3 - se não tem o que deve fazer?
3.1 - dar prioridade à formação de públicos?
3.2 - investir mais no Serviço Educativo ou manter o investimento quase exclusivo na oferta de espectáculos?
3.3 - envolver na sua gestão a parceria com outras Câmaras do Baixo Alentejo?
3.4 - envolver na sua gestão a parceria com entidades privadas?
4 - que responsabilidade deve ter na promoção dos artistas e instituições culturais da região?
4.1 - há conhecimento dos valores que cá residem?
4.2 - depois de os conhecer e seriar, têm valor para actuar no PAX JULIA?
4.3 - deve e pode o PAX Julia promover os valores regionais pelo país afora, aproveitando a estrutura de rede em que está inserido e, se sim, qual a percentagem do orçamento que deve ser afecto a esse objectivo?
5 - que papel deve desempenhar a iniciativa privada no Pax Julia?
6 - se se considerar que deve desempenhar, que objectivos traçar e de que forma a implementar?
6.1 - entregar o espaço à iniciativa privada?
6.2 - manter o estado actual e decidir pontualmente?
6.3 - constituir mais uma estrutura camarária que defina universalmente quais os critérios, condições e meios de controlo para a sua prossecução?
6.4 - definir a missão, objectivos e formato e entregar contratualmente a gestão a uma entidade privada que o faça, a quem se possa assacar responsabilidades?
7 - obtidas as respostas às questões anteriores, qual a equipa de gestão mais adequada e qual o perfil de cada elemento?
8 - elaborar o plano, onde está, entre outras coisas, incluído um modelo de programação, para cumprir a missão e objectivos traçados.

As respostas a estas e outras questões deverão ser prévias a qualquer decisão, pois sem elas, sem se estabelecer, com rigor, o que se pretende, como se avalia e quais as formas de controlo, tudo poderá não passar de iniciativas meramente especulativas.

Completa-se hoje, dia 17, 1 ano desde que o Pax Julia reabriu as suas portas.
O Pax Julia é um recinto cultural de programação regular (utilizando a designação do Programa Operacional de Cultura (POC) que pagou a sua reconstrução e sustentou, em grande parte, a sua programação, até agora, pois termina precisamente este ano de 2006), incluído no contexto de Arte em Rede do Ministério da Cultura, juntamente com outros 62 recintos.
Não sei se será hora de balanço pois a sua gestão não é diferenciada, estando a ser gerido directamente pela Câmara Municipal de Beja, através de uma equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção), a qual, entre muitas outras responsabilidades, tem a seu cargo a gestão deste espaço.
Já seria muito bom sabermos qual a missão, objectivos e metas particulares a que o Pax Julia se propôs inicialmente, por um lado e, por outro, a sua concretização bem como saber se cumpriu as metas impostas pelo POC que o sustenta.
Não pretendendo ser pessimista - aliás o modelo de gestão (ou a sua falta) do Pax Julia é idêntica ao da maioria dos recintos apoiados - sempre adianto que muito me preocupa saber que o Ministério da Cultura financia actualmente o grosso da manutenção e programação de 74 recintos culturais (incluíndo os nacionais) e que, concluído que está o Programa Operacional de Cultura, como é que eles sobreviverão.
Vivemos num país onde está na moda dizer que queremos menos Estado e simultaneamente exigir mais do Estado, ou seja, uma prática oposta ao discurso, mas a verdade é que, em tempo de balanço, o que os directores destes espaços invariavelmente lançam é a quantidade de espectáculos exibidos e, por vezes, a taxa de ocupação das salas, sem curar de tocar no pomo da questão: o que é que fizeram no sentido do auto-financiamento destes preciosos espaços, de forma a assegurar o seu futuro?
Convenhamos que (nem será necessário recorrer ao bom senso, basta à honestidade intelectual) o Estado não pode sustentar 74 espaços de programação regular! Porquê? Primeiro porque esta política inviabiliza a empresarialização da cultura (o aparecimento de empreendedores, de produtores e agentes culturais - condição essencial para a constituição de uma indústria cultural) e, em segundo lugar, porque o Estado não tem mesmo capacidade financeira para o fazer (as prioridades e o orçamento estão muito longe deste desiderato).
Regressando ao POC e lendo um dos seus principais objectivos,

«(…) estruturadas sob a forma de circuitos de programação, co-produção e divulgação das artes do espectáculo e visuais, demonstrando que com o projecto se obtêm efectivamente ganhos de eficiência que contribuam para as condições de sustentabilidade dos recintos culturais envolvidos e para a melhoria da oferta cultural nas regiões mais desfavorecidas do território nacional.»

facilmente e sem grandes contas constatamos que, tirando honrosas excepções de Câmaras que entregaram a gestão destes espaços a pessoas ou entidades externas com conhecimento e a quem possam ser assacadas responsabilidades, não se vislumbram quaisquer iniciativas conducentes à sustentabilidade! Mais grave, ainda, é saber que os detentores dos espaços pensam mesmo que o Estado tem obrigação de, per si, os sustentar!
Não sou pessimista, mas estou muito preocupado com o futuro destes espaços, preocupação essa que já vem desde a aventura de os restaurar e/ou construir (basta correr o que por aqui escrevi sobre gestão cultural e sobre o Pax Julia).
Muito mais penoso do que não ter é ter de encerrar o que com muita dificuldade e com dinheiros públicos se ergueu, por manifesto desinteresse pelas mais básicas regras de gestão!
Apesar das minhas preocupações, endereço à Câmara Municipal, aos seus funcionários que, entre outras responsabilidades, têm a de fazer com que o Pax Julia funcione, bem como à equipa de prestadores de serviços (em especial técnicos) que faz com que possa acontecer, os meus parabéns e o desejo, muito sincero, de este dia seja o primeiro de muitos aniversários do PAX JULIA.
Hoje, às 21:30h, poderemos assistir a:

ficha técnica:

Direcção: Domingos Oliveira e Priscilla Rozenbaum
Director Assistente: Eduardo Wotzik
Adaptação: Leonor Xavier
Guarda-roupa: José António Tenente
Desenho de Luz: Marinel Matos
Intérpretes: Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano e Maria Henrique

Hoje, às 21.30h, na Sala do Capítulo da Pousada de S. Francisco, em Beja, o Arte Pública - Artes Performativas de Beja apresenta a sua mais recente intervenção performativa, The Sonata’s Project, homenageando Mozart, a propósito dos 250 anos passados desde o seu nascimento.

«The Sonata’s Project aborda e cruza universos sonoros e musicais, aparentemente distintos entre si, tais como a musica clássica e a improvisação jazzística.» Gisela Cañamero

ficha técnica:

piano: Angelo Martino
voz: Gi Cañamero

foi dia, conforme estava anunciado, ou melhor, foi manhã!
Cante de manhã? De manhã? Antes de comer e beber a preceito? Assim…, sem apurar a voz, embargada ainda pela frescura matinal?
Lá foi o desfile, às 11 da matina, sem a luz da noite, sem a sedução de ouvir as vozes muito antes de vermos quem as emite como se do nada surgissem.
Não houve magia!
Bom, tentou fazer-se diferente. Tentou arregimentar-se muitos, 2500, diziam, todos juntos a cantar para o Guiness.
Não sei se entraram ou não para o Guiness, sei apenas que não houve Cante, nem de noite nem de dia, pois o Cante é coisa de vésperas e não de matinas e, que diacho, por que será que mesmo o que está bem sentem necessidade de inventar e criar e fazer ainda melhor e mais sei lá o quê?
Está bem, estou triste, sinto que perdi, mas quem perdeu mesmo foi o Cante Alentejano.
Enfim, pode ser que para o ano inventem, num assomo de criatividade, voltar a fazer como sempre foi!

Todos os anos as ruas de Beja são palco de uma das mais belas e genuínas manifestações de cultura popular - o desfile dos grupos de Cante.

Mesmo sem plateias nem pomposas tribunas o público acotovela-se, indiferente ao estatuto social de cada um, para “ouver” o espectáculo, comentando, criticando, comparando a qualidade da performance de cada grupo, sendo tema para vários dias de acesa cavaqueira, tal a rivalidade que os une num só canto - o Cante Alentejano.
O melhor espectáculo que o Alentejo de seu ancestral ventre oferece é esta noite de sedução, genuína, a mais arrebatada que Beja proporciona, bem para lá que o conseguido por qualquer banda comercial que por cá passe.

Esta nossa riqueza não precisa de ser inventada - ela existe, está entre nós e é ainda vivida nas tabernas deste Alentejo; basta um pouco de pão e um…, talvez mais, copo…
Pena que ainda não tenhamos conseguido que esta riqueza produza frutos, isto é, falta “vender” este produto sem paralelo mundial, no estrangeiro e mesmo no país, a quem não conhece nem nunca sentiu a carga emocional e afectiva que este evento proporciona.

em cena na Sala Estúdio do Teatro Pax Julia, em Beja, desde ontem e até dia 20, sempre às 22:00h.

«… uma performance que nos prepara para o exercício do ouvido, e, através deste sentido, da percepção e/ou necessidade da transcêndencia do universo meramente material e físico - explorando, no entanto, a fisicalidade do corpo: um corpo que, simultaneamente, encerra e é transmutador de imagens, linguagens, crenças e ideias.»
(texto de Gisela Camañero)

ficha técnica:

espaço cénico: Gisela Camañero;
performers: Gi Camañero e Francesca Bertozzi;
Piano: Angelo Martino;
Música: Liszt, sonata em si menor;
Vídeo/Imagem: Rafael del Rio;
Vídeo/Edição: Marco Manaia;
Sonoplastia: Luís Beco;
Luminotecnia: Ivan Castro;
produção: Arte Pública - artes performativas de Beja

No passado dia 10 de Março a TVBeja iniciou a sua emissão online em regime experimental, pretendo, segundo as palavras de Miguel Correia da Campo dos Media, empresa responsável pelo projecto, divulgar e cobrir noticiosamente o que vai ocorrendo pelo distrito onde se sedia.
Votos de bom sucesso é o que endereço.

Ontem, no programa “Grande Plano” da Rádio Voz da Planície, fomos brindados com uma excelente entrevista de cerca de 1 hora a José Filipe Guerreiro, Director do Conselho Executivo do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, conduzida por Ana de Freitas.
Tratou-se de uma entrevista pessoal embora tenha havido oportunidade para o ouvir sobre o que pensa sobre o futuro da instituição que gere, sobre o legado de Ernestina e Henriques Pinheiro, a semente e o motor do que hoje esta instituição representa no e para o Alentejo.
Do muito que foi dito gostaria de destacar alguns pontos que me parecem de capital importância:

1 – as qualidades que José Filipe Guerreiro enunciou de Henriques Pinheiro, as quais afirmou ser admirador e fiel seguidor: a integridade de carácter; a tenacidade na prossecução de objectivos; a teoria do acaso (que Henriques Pinheiro defendia como filosofia de vida) que aplicada à gestão traduz-se na aplicação do princípio do “avanço – erro – reformulação”; por último e talvez mais importante, a necessidade imperiosa de formar equipas de pessoas competentes, quiçá a característica que mais frutos rendeu na obra de Henriques Pinheiro.

De facto, uma das áreas onde os teóricos da gestão mais têm investido nos últimos anos é, precisamente, na constituição, dinâmica, animação, manutenção e renovação de equipas, onde os níveis de competência e desempenho individuais sejam sempre muito elevados, reconhecidos e premiados na prossecução de missões e objectivos comuns.
Longe vão os tempos em que se advogava a igualdade cega de tratamento dos elementos de cada equipa independentemente do seu desempenho, pois os resultados verificados indicaram sempre a desmotivação dos mais capazes e empenhados, nivelando o desempenho colectivo por padrões manifestamente medíocres em relação ao potencial do grupo em causa.
Se repararmos nas empresas inseridas em áreas mais competitivas como a química, a financeira e energética, por exemplo, facilmente constatamos que entre as melhores encontramos equipas formadas por especialistas altamente conceituados e premiados pelo seu mérito pessoal na prossecução, evidentemente, dos objectivos colectivos das empresas.
Talvez por ter sido médico hospitalar de profissão ou por dote nato, o Dr. Pinheiro soube chamar a Beja e constituir uma equipa vencedora, desde logo ao convidar, em 1996, José Filipe Guerreiro para integrar a direcção da então Academia de Música do Centro Cultural de Beja, seguindo-se-lhe outras pessoas de capital importância para se atingir, em apenas 10 anos, o que hoje é o Conservatório Regional do Baixo Alentejo.

2 – a forma como José Filipe Guerreiro posicionou o C.R.B.A., como uma Escola de Artes virada para o exterior e não mais tão-só um convencional Conservatório de música dita clássica, revela uma inteligência estratégica imprescindível para que a instituição consiga, por um lado, prestar serviços mais abrangentes e mais de acordo com as necessidades da população (redefine por completo o mercado alvo, obrigando a uma segmentação segura e a formas de distribuição distintas) e, por outro, aumentar, através da diversificação da oferta, a receita de modo a que o C.R.B.A. possa, cada vez mais, aproximar-se de um seu objectivo fundamental – a independência financeira – que o proteja de eventuais pressões partidárias ou meramente clientelares, muito vulgares e descaradas por estas e, se calhar, outras paragens.

Porque o texto já vai longo, apesar de muito mais ter dito de relevante José Filipe Guerreiro, permito-me destacar estes dois pontos, para mim de extrema relevância ou talvez por ser mais sensível à área de gestão em que navego, pontos estes que me fizeram renovar a esperança no futuro desta Escola de Artes, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Aguardamos, com expectativa justificada, que José Filipe Guerreiro tenha condições e consiga colocar em prática os tão lúcidos princípios que enunciou.

ps: link para breve súmula do currículo de José Filipe Guerreiro

Decorrerá hoje, pelas 17:00 horas, a mais que merecida homenagem a Ernestina Pinheiro, professora de piano em Beja durante mais de 40 anos, fundadora da Academia de Música de Beja, fundadora do Centro Cultural de Beja, fundadora do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, enquadrada numa programção variada levada a cabo por esta última instituição.
O programa da homenagem desconhecemos quase por completo e, consultados o Diário do Alentejo e a Rádio Voz da Planície, o destaque é dado a uma performance institulada “Peças Soltas” a ocorrer no Pax Julia, à noite, sem desvendar de que se trata, quem toca, quem dança, o que será tocado e dançado, quem serão os coreógrafos (se é que os há), encenadores (em caso disso), de que consta, afinal.
Num dia em que homenageia a Sra. D. Ernestina Pinheiro, apenas e só como antiga Directora Pedagógica, experiência que ela própria afirma não ter sido muito gratificante, seria mais do que apropriado fazer desse momento o ponto alto do dia, senão mesmo, o único.
A Sra. D. Ernestina Pinheiro e seu marido, o Sr. Dr. Henriques Pinheiro, formaram uma dupla sem paralelo no panorama cultural da região, à custa de grande labor, tenacidade, seriedade e integridade, sem nunca terem aceitado recorrer a expedientes de tráfico de influências, cujo preço é sempre incalculável, embora de pagamento obrigatório e prolongado.
Bem hajam Sra. D. Ernestina e Dr. Pinheiro!