Via Improvisos ao Sul, tomei conhecimento que, finalmente, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo, mais conhecido por Conservatório de Beja, aderiu a alargar o seu projecto educativo à área do Jazz, tendo assegurado António Branco como dinamizador do projecto.
De momento pouco mais sei do que está no Improvisos ao Sul e no site do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, ou seja, a abertura de um curso de ‘Iniciação ao Jazz’ já a partir de Outubro.
É uma boa notícia para Beja, aproveitando para endereçar votos de sucesso ao António Branco, assim as condições que lhe proporcionarem permitam desenvolver o projecto que ele terá em mente.
Noto, contudo e com tristeza, que apesar de o Jazz entrar no projecto educativo do CRBA, o Cante Alentejano continua fora da única escola de ensino artístico especializado do Baixo Alentejo.
Festa do Cante
Começa já hoje a III Festa do Cante no Teatro Pax Julia que decorrerá durante todo o fim de semana.
Lá estarei sem falta (pena o ambiente não se prestar a uns copitos e uns caracóis). Este ano estará presente aquele que considero, de momento, o melhor grupo de Cante!!
Qual? Ora, ora, vão lá ouvir!!!
Não, não foi a Noite do Cante
foi dia, conforme estava anunciado, ou melhor, foi manhã!
Cante de manhã? De manhã? Antes de comer e beber a preceito? Assim…, sem apurar a voz, embargada ainda pela frescura matinal?
Lá foi o desfile, às 11 da matina, sem a luz da noite, sem a sedução de ouvir as vozes muito antes de vermos quem as emite como se do nada surgissem.
Não houve magia!
Bom, tentou fazer-se diferente. Tentou arregimentar-se muitos, 2500, diziam, todos juntos a cantar para o Guiness.
Não sei se entraram ou não para o Guiness, sei apenas que não houve Cante, nem de noite nem de dia, pois o Cante é coisa de vésperas e não de matinas e, que diacho, por que será que mesmo o que está bem sentem necessidade de inventar e criar e fazer ainda melhor e mais sei lá o quê?
Está bem, estou triste, sinto que perdi, mas quem perdeu mesmo foi o Cante Alentejano.
Enfim, pode ser que para o ano inventem, num assomo de criatividade, voltar a fazer como sempre foi!
A noite do Cante
Todos os anos as ruas de Beja são palco de uma das mais belas e genuínas manifestações de cultura popular - o desfile dos grupos de Cante.

Mesmo sem plateias nem pomposas tribunas o público acotovela-se, indiferente ao estatuto social de cada um, para “ouver” o espectáculo, comentando, criticando, comparando a qualidade da performance de cada grupo, sendo tema para vários dias de acesa cavaqueira, tal a rivalidade que os une num só canto - o Cante Alentejano.
O melhor espectáculo que o Alentejo de seu ancestral ventre oferece é esta noite de sedução, genuína, a mais arrebatada que Beja proporciona, bem para lá que o conseguido por qualquer banda comercial que por cá passe.

Esta nossa riqueza não precisa de ser inventada - ela existe, está entre nós e é ainda vivida nas tabernas deste Alentejo; basta um pouco de pão e um…, talvez mais, copo…
Pena que ainda não tenhamos conseguido que esta riqueza produza frutos, isto é, falta “vender” este produto sem paralelo mundial, no estrangeiro e mesmo no país, a quem não conhece nem nunca sentiu a carga emocional e afectiva que este evento proporciona.
“O Conservatório R. B. Alentejo” e a “MODA – Associação de Cante Alentejano” estabeleceram uma parceria para juntas defenderem e promoverem o Cante Alentejano.
O Conservatório disponibiliza o seu espaço para os ensaios dos Grupos Corais, proporcionando o seu aperfeiçoamento, com o intuito de afirmar o Cante como património cultural do Alentejo reconhecido na região e no País. (Diário do Alentejo)
Parabéns a quem teve a ideia e às 2 instituições pela parceria conseguida que poderá representar um 1º passo para concretização de um sonho - elevar o Cante a Património Mundial.
Arrefecimento destas Ideias
Com muita pena minha de quando em vez sou obrigado a esgalhar um cadito para ganhar uns carcanhóis…
Nunca nestas Ideias escrevi sobre o que faço na vida para ganhar dinheiro porque tenho alguma dificuldade em ser assertivo e perenptório, assunto que deixa os meus filhos aflitos quando questionados na escola sobre: - qual é a profissão do teu Pai? Ora, eu bem lhes digo: - olhai, dizei que o Papá é biscateiro, i.e., faz qualquer coisita que valha a pena para vos pagar os estudos, a roupa, o tacho, os brinquedos e, atingido o montante necessário, faço por não fazer nada, ou seja, faço o que me dá prazer independentemente de ganhar dinheiro com isso ou não.
Vem isto a propósito do arrefecimento temporário deste blogue por uma boa causa - a mistura final e masterização da gravação com o meu companheiro do Portal do Som, Luís Beco, de 20 modas do Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de S. Bento que entregamos hoje à fábrica para ser lançado antes do Natal.
O Portal do Som tem, felizmente, atravessado estes tempos de crise com relativa acalmia, mas são trabalhos como este do grupo coral de Vila Nova de S. Bento que me motivam e que me mostram que há muitos momentos na vida que valem bem a pena ser vividos.
A produção é nossa, onde procurámos respeitar ao máximo a naturalidade do Cante Alentejano e a edição será de autor, mas não tenho hoje dúvidas sobre o sucesso em termos de qualidade deste trabalho, modéstia à parte.
Vendas? Não sei, gostaria que se vendesse bem, mas não serão as ditas elites que gastarão um tostão na compra de um CD de bom Cante Alentejano precisamente porque o Cante, para além de ser música popular tradicional do nossso Alentejo, é sem dúvida alguma e cada vez mais “música alternativa”.
Em resumo, sinto-me feliz, pela rapaziada de Vila Nova e pelo Portal do Som.
Desculpem o desabafo.

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