Pouco, muito pouco mesmo, retive, no que à nossa politicazinha concerne, neste Agosto de 2008. Sócrates descansou recatadamente e Manuela Ferreira Leite, também recatadamente, primou pelo silêncio, silêncio que vai mantendo enquanto Cavaco Silva vai, em si, incorporando, dia após dia, a liderança da oposição…, com Manuela Ferreira Leite a secretariar.
Não, não é o silêncio da presidente do PSD que me preocupa, antes o espaço que concede ao protagonismo de Cavaco Silva que desde que foi à Madeira idolatrar Jardim; mais o mesmo não foi, ou melhor, foi-se… a tal de cooperação institucional que apregoou durante a sua campanha.
A Cavaco Silva não lhe basta ser o Presidente de todos os portugueses, necessita de espaço para ser, simultaneamente, o que lhe está no sangue - o Primeiro-Ministro de todos os portugueses. Mas Primeiro-Ministro e Presidente. E Manuela Ferreira Leite tenta preparar o que sobejar do PSD para apoiar essa pretensão.
Os tratados internacionais nunca deveriam ser objecto de referendo e tivemos agora a prova disso. Cavaco Silva em Portugal Diário.
Serão precisos comentários? Definitivamente a construção da União Europeia (que não existe a não ser para defender os interesses do capital sem rosto) caminha, já não sem ter em conta a opinião dos cidadãos, mas tratando-os como despidos de inteligência e, se possível, descartáveis.
Os cidadãos, para esta Europa dos elitistas, são extra-numerários - se não existissem, melhor.
Falta só o Sr. Mugabe ou o Sr. Musharraf tomar conta disto. Pelos menos esses não enganam a não ser quem quiser ser enganado!
É aviltante. Ética, honradez e democracia são conceitos com conotação negativa para quem pretender uma carreira política. Mais grave, talvez, será ninguém se indignar quando ouve estas coisas!
Não sei se é por uma questão de hábito ou panca minha, dá-me ideia de que Cavaco Silva está, como Presidente da República, cada vez mais interventivo junto dos media, em especial, desde que foi à Madeira, assemelhando-se cada vez mais com Mário Soares, nomeadamente no segundo mandato.
Ele não há dia que não tenha coisas para dizer! Enquanto Primeiro-Ministro, quando tinha responsabilidades governativas, era bem mais contido, ou será que se sentiria melhor nesta função do que naquela a que se candidatou e foi eleito?
Luís Filipe Menezes, disse hoje esperar que o seu sucessor “não seja um estorvo” para uma correcta relação entre o Presidente da República, Cavaco Silva, e as instituições do Estado. (via Público)
Ora aí está o melhor argumento para a candidatura de Manuela Ferreira Leite - garantia de que não será um estorvo para Cavaco Silva.
À boleia da “descoberta” das virtudes da regionalização e da autonomia, o elogio de Cavaco Silva a Alberto João Jardim, e não tanto à autonomia regional, parece ter aberto a primeira fractura entre o Presidente e José Sócrates.
A abertura do caminho para a regionalização na próxima legislatura (ver texto anterior), acarinhado com 25 anos de atraso pelos dois governantes, não previa uma extemporânea, e inusitada, homenagem presidencial ao dirigente da Madeira.
Sócrates esteve bem: foi aos Açores fazer a apologia da autonomia e possível regionalização sem abdicar da distinção entre economia e ética, ou por outras palavras, entre desenvolvimento e democracia.
Será que ainda iremos ver Cavaco Silva a elogiar os dirigentes chineses pelo crescimento económico que a China tem conseguido incrementar e manter?
Primeiro foi Jaime Gama, agora Cavaco Silva, a cantar as virtudes do desenvolvimento madeirense e as virtualidades da autonomia.
Confesso que, assim de repente, estes novos cantares de musas obscurecidas, deixou-me perplexo mas, passados estes dias, assaltou-me a ideia de que se trata de preparar os cidadãos para uma regionalização que sempre se recusou e agora parece todos acreditarem que ela tudo resolverá.
O PS, ganhando as Legislativas de 2009, avançará com toda a certeza para a Regionalização e Cavaco, apercebe-se agora que, para além de estar de acordo, assume-se como “educador” das consciências mais avessas à ideia (ver Regionalização - incompreensão e pavor).
A ver vamos…, a ver vamos o que é que essa regionalização trará sobre o que importa - a descentralização da decisão e a autonomia financeira.
A vida assim é outra coisa! Saber que há gente que sabe quais são os meus interesses, os dos outros e os de todos em conjunto dá-me uma segurança…, uma tranquilidade…uma paz de espírito…
Para mim, o importante é o interesse nacional e interesse nacional aconselha a que o Tratado de Lisboa seja aprovado por 27 Estados membros (Cavaco Silva no Público)
Adoro a Europa que não conheço!
José Sócrates, ao assumir a ratificação do Tratado de Lisboa em detrimento do referendo, juntou-se a outros políticos que colocam a utopia de uma união política da Europa acima do primo conceito de uma “Europa dos Cidadãos” que nos foi sendo vendida durante décadas, com especial enfoque nos tempos de Jacques Delors.
Essa ideia de uma Europa dos Cidadãos está moribunda, erguendo-se agora uma Europa de políticos para políticos sustentada na ideia de que o que fazem é para o bem dos cidadãos. E esta é a questão ética. E de responsabilidade!
Responsabilidade perante os cidadãos? Não, de todo; perante o escasso escol elitista dos políticos do bloco central europeu. Essa responsabilidade corporativa impõe uma ética (sim, ética, claro) de estreita colaboração e consenso elitista (em prol dos cidadãos), mesmo que colida com aquela outra ética de cumprir os programas eleitorais sufragados pelos cidadãos ou aquela outra da soberania popular agora em rota de colisão com a soberania, não já nacional, mas europeia.
Sócrates, Cavaco Silva e companheiros europeus não tomaram uma opção ética, antes optaram por uma ética - aquela que reemerge das brumas dos utopistas de novecentos de que tem de haver elites charneira que indiquem aos cidadãos o que é melhor para eles. Só que estas bem intencionadas utopias levaram-nos até Hitler, Lenine, Estaline, Franco, Mussulini e Salazar, os tais que nunca precisaram de auscultar a opinião dos cidadãos para saberem, de seguro saber, o que era melhor para eles.
Adeus Europa dos cidadãos! Adeus democracia?
Primeiro ler, depois mastigar bem e depois digerir…
Digerir?
Não acredito. A Senhora Ministra da Educação está muito bem alicerçada junto de José Sócrates e mais ainda de Cavaco Silva, que estão muito preocupados com os índices de “sucesso” escolar (leia-se passagens mais fáceis do que as administrativas do tempo do PREC), do que na aquisição de saberes e competências, nomeadamente na literacia em ciências, matemática e leitura, que é do que trata o PISA - Programme for International Student Assessment.
Esta ideia de aferir o conhecimento dos alunos de 15 anos veio causar um grande desarranjo nestes nossos líderes: só três países se saem pior que Portugal - Grécia, Turquia e México; 25 % contra uma média da OCDE de 19,3% têm um conhecimento científico muito limitado; apenas 3,1% dos alunos portugueses atingem os níveis 5 e 6 (numa escala de 1 a 6) contra a média de 9% da OCDE, sendo que só 0,1% atingem o nível máximo; no do custo por estudante, verifica-se, por exemplo, que a Eslováquia gasta menos de metade (do básico ao secundário) e os seus alunos têm desempenhos bem superiores aos colegas portugueses.
Depois de todas as pseudo-reformas que este governo tem levado a cabo através da senhora Ministra Lurdes Rodrigues, os resultados mostram bem o caminho - admitir a incompetência, o erro nas políticas de gestão escolar e cultural, enfim, assumir que erraram e entregar o assunto a quem saiba fazer melhor, em especial no que à organização, à gestão escolar e à aprendizagem diz respeito!
É absolutamente caricato ter encetado uma campanha cega contra o estatuto social dos professores quando, afinal, tudo o que está a montante é que não funciona, ou seja, o próprio Ministério da Educação! Para cúmulo, para entendermos melhor o resultado dessa campanha difamatória contra o professor podemos ainda ler, para nossa vergonha, a inevitável, apesar de ingénua, arrogância da ignorância:
Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico. Em toda a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área, apesar de apenas dominarem as competências mais simples.
A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente o que é ensinado nas aulas, demonstrando uma atitude bem mais confiante do que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking. Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior - Grécia, Turquia e México.
(via RTP)
Aprovado o Tratado Europeu pelos senhores que teimam em, sozinhos, construir uma Europa melhor para todos, não nos espanta que Cavaco Silva seja contra o referendo, nem que Sócrates mande às malvas mais uma promessa eleitoral ao preferir a ratificação parlamentar. Inusitado é Luís Filipe Menezes, que ganhou a liderança do PSD através do plebiscito universal do seu partido, contra a vontade do aparelho e da ‘malta’ dos congressos, fazendo até questão de o sublinhar, apostar agora numa posição alinhada com esses mesmos notáveis, optando pela ratificação. Até compreendo a sua jogada de antecipação em relação a Sócrates, mas estou farto de compreender jogos de poder sempre em prejuízo da democracia.
O problema das elites europeias é que de facto não o são! Em democracia, da elite deveriam fazer parte aqueles que os cidadãos reconhecem e suas opiniões seguem; hoje, a intitulada elite, tem apenas por sustentação os media e tem pavor, desdém em alguns casos, da vontade popular expressa.
Uma elite elitista é, em democracia, a absoluta negação da sua condição de elite, uma vez que esvazia a substância do conceito, ao purgá-lo da condição de ouvir e cumprir a vontade dos cidadãos.
Uma elite é indispensável; absolutamente desaconselháveis são os elitistas porque, ao desprezarem a vontade dos cidadãos, negam a essência da democracia, sendo perniciosos para a subsistência do próprio regime.
“Inaceitável é a atitude de resignação perante o mau desempenho da economia portuguesa”.
Entrando nos aspectos directos da evolução da economia, Cavaco Silva defendeu que o país não se podia conformar perante “uma retoma mínima”?, como a que se verifica em Portugal. “Precisamos de regressar à convergência real com os parceiros europeus”?. (via Público)
Este não é o Prof.º Cavaco Silva que conhecíamos. O que terá mudado? A meu ver nada, a não ser o papel de Presidente da República ser diverso do de Primeiro-Ministro ou, talvez, convém não esquecer, que ele gosta de sublinhar que enquanto foi Primeiro-Ministro a nossa economia convergia com a CEE.
Sem esquecer que nesses idos tempos chovia dinheiro de uma Europa só a 15, dinheiro esse que não foi aplicado na modernização de Portugal para além da rede viária, nem que Cavaco Silva sempre foi muito conservador no enfoque da contenção das despesas em detrimento do investimento, convém salientar que esta sua indignação, nas funções que ora ocupa, é sinónimo de coragem e de boa pressão sobre o governo.
(…) durante uma conferência de imprensa (…) Cavaco diria a uma jornalista estrangeira que nem as eleições que entretanto ocorram em alguns países membros deverão impedir que no tratado seja aprovado, assinado e ratificado. (via Diário de Notícias)
Aprovado, assinado e ratificado! E rapidinho que o parecer, através de voto secreto e universal, dos cidadãos é um preciosismo descartável para estes democratas fazedores de uma Europa, se calhar, só para eles!
Gosto de gente assim, decidida e sem dúvidas, que critica a abstenção dos cidadãos ao mesmo tempo que a torna obrigatória!
insustentável e inaceitável é o crescimento económico assente na destruição social. (Cavaco Silva citado no Diário de Notícias)
Nem mais! Então destruição social sem crescimento nem saberia como adjectivar!
A Presidência da República enviou ontem uma queixa ao Conselho de Administração da RTP, por considerar “incompreensível que a transmissão daquelas cerimónias haja sido interrompida, contrariando uma prática há muito estabelecida e sem que quaisquer razões de programação o justificassem”. (via Diário de Notícias)
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o conselho de administração da RTP afirma ter apresentado «as devidas desculpas» à Casa Civil do Presidente Cavaco Silva, que, adianta, foi «esclarecida sobre o ocorrido» com a transmissão das comemorações oficiais do dia de Portugal, Camões e Comunidades.
A parte não emitida das comemorações, que este ano decorreram em Setúbal, será transmitida no domingo, 17 de Junho, à mesma hora. (via Agência Financeira)
Ainda há pouco tempo o governo foi chamado e acusado de tudo, e bem, por tentar manipular os serviços noticiosos da RTP, e agora, nada? Nadinha mesmo? É natural comó Compal ou será antes comó Melhoral que nem faz bem nem faz mal?
do Público:
O Presidente da República, Cavaco Silva, considera que a moeda única, instituída pelo Tratado de Maastricht há precisamente 15 anos, “continua a ser decisiva” para projectar o desenvolvimento de Portugal “para os níveis médios europeus”.
(…)
O Presidente recorda que foi em Maastricht que “se forjou a União Económica e Monetária, materializada na moeda única que é hoje, indiscutivelmente, um dos maiores sucessos da construção europeia”.
Por acaso não acho que seja comédia; acho que o senhor está mesmo convicto! Ele habituou-nos assim…
ps: sobre o assunto ver estas entradas.
“Tal como no passado considero a regionalização um erro” afirmou ontem Mário Soares em Beja (ver notícia), não diferindo em nada da opinião, por omissão, de Cavaco Silva que meteu na gaveta a Lei da Regionalização que o seu governo aprovou e que, até à data, nada mais acrescentou.
A eleição de um destes senhores assegura, firmemente, a continuidade do maior óbice ao desenvolvimento de Portugal - não é do regresso ao passado que se trata, mas da permanência estéril que eles próprios impuserem e conduziram.
A justificação é sempre a mesma, “iria criar uma nova classe de políticos, com tendência natural para se expandir e retirar poderes ao poder central e às autarquias“. Mas que poder têm hoje as autarquias, principais motores do desenvolvimento do país após o 25 de Abril (com muitos erros, atropelos e corrupção à mistura) se o Estado, ilegalmente, as estrangula financeiramente ao não aplicar a Lei das Finanças Locais (desde Cavaco a Sócrates, passando por Guterres e Barroso)?
Não fazer a regionalização ou tentar esquartejar o país aos retalhos é um crime que hipoteca o futuro das gerações vindouras - sabe-se que é o caminho, mas há que estudá-lo e dotá-lo de mecanismos que imponham objectivos precisos e controlo bem justo.
Afinal, o que são já as CCDR’s? Para a Europa são regiões, para nós são instrumentos dos aparelhos partidários que se servem para as nomeações clientelares de cada executivo. Transformem-nas em governos regionais universalmente sufragados!

Mapa retirado da Assembly of European Regions criada em 1985
Será isto difícil? Muito, acreditem, para os instalados no atoleiro do poder central concêntrico e para a clientela que os e a si sustenta!
Excerto retirado do programa da ARE para 2005:
«Lisbon Strategy – Regions as drivers for competitiveness
The 2005 progress review of the EU’s Lisbon Strategy provides an opportunity for the regions to demonstrate that they are key players in improving the competitiveness of Europe. We will also aim to ensure that the EU financial perspectives for 2007-2013 provide the necessary resources for regional development through the successful continuation of cohesion policy. Furthermore, the AER will work to ensure that new EU legislation is not harmful to the competitiveness of the regions. For example, we will work to ensure that new EU legislation on regional airports does not hinder the ability of these airports to contribute to the successful development of the regions.
Um dos principais objectivos da AER inscrito na missão a que se propõe desde 1985 é:
«The AER promotes subsidiarity and regional democracy and enables the regions to form the essential link between the European Union and the citizens.»
Por outras palavras, e a direito, o poder central advoga e defende a regionalização externa para daí poder colher mais subsídios, mas impede-a internamente para que as candidaturas, sua aprovação e distribuição passem, sempre, pelo crivo dos seus burocratas nomeados politicamente e magnanimemente instalados em Lisboa!
É esta situação que Soares e Cavaco criaram e pretendem manter…, a bem da nação, pois então?!
POSTS















