Dedico esta interpretação de Paderewski da Valsa op. 64 no. 2 de Chopin, gravada em 1917 (só audio), a dois amigos que acabam de ser pais pela segunda vez.


Deixo-vos para o fim-de-semana a interpretação de Vladimir Sofronitsky da Polonaise op. 44 de Chopin, conhecida por “a Trágica”, só em audio.


Bom fim-de-semana.

Há uns dias a Teresa Cascudo desafiou-me a lançar uma votação sobre a melhor interpretação Grand Valse Brillante de Chopin. Eu poupo. Adianto, desde já, a minha panca, a de Alexander Brailowsky! Está aqui! Ouçam!
Hoje deixo o vídeo, só com audio, da Sonata para Piano No. 3 de Chopin, op. 58, a última do compositor, em 4 andamentos, tal como a No. 2, interpretada por.., sim, Alexander Brailowsky.


Alexander Brailowsky (1896-1976), nascido em Kiev, discípulo de Busoni, foi o primeiro pianista interpretar a obra integral de Chopin para piano, em Paris, 1924, tendo utilizado o piano Pleyel do próprio compositor.
Bom fim-de-semana.

A Teresa Cascudo apresentou-me a interpretação de Ivan Moravec da Mazurka op. 17 No. 4 de Chopin que coloquei de imediato em audio.
Dei hoje no Youtube com uma versão ao vivo de 2007. Aqui fica.


A ‘Grand Valse Brillante’ op. 18 de Chopin entregue às interpretações de Evgeny Kissin e de Lang Lang. Escolham…


 
Bom fim-de-semana.

Há belíssimas interpretações da Balada No. 2 de Chopin no Youtube que poderão seleccionar. Eu escolhi a de Krystian Zimerman por ser, globalmente, a que mais me toca, sem razão haver para a defender como a melhor.
Coloco, no entanto, a seguir uma outra de outro pianista aclamado, Ivo Pogorelich, capatada no decurso do ‘Concurso Chopin’ de 1980 para contar uma história engraçada acerca de uma atitude de Marta Argerich.



Marta AlgerichAs interpretações são bem diferentes, o que é natural, e ambas revelam talento, mas Pogorelich não ganhou o 1º. Prémio do ‘Concurso Chopin’ de 1980, nem poderia, pois para além do talento e da técnica é necessário uma interpretação consistente da peça na sua globalidade e respeitar o texto do compositor, coisa que Pogorelich não conseguiu (ou não quis). A sua interpretação sofre variações várias, como se procurasse uma perfeita para cada frase, comprometendo irremediavelmente a obra no seu conjunto.
Tudo isto não seria relevante não fora Marta Argerich, não se conformando que Pogorelich não vencesse o Concurso, tenha abandonado o júri do qual fazia parte.
Este episódio também nada teria de interessante não fora a polémica gerada ter-se constituído mais benéfica para o lançamento da carreira pianística de Pogorelich do que se tivesse obtido o almejado 1º. Prémio.
Recorde-se, a título de curiosidade que Krystian Zimerman obteve o 1º. Prémio do ‘Concurso Chopin’ em 1975.
Histórias que vidas fazem…


Fausto Neves apresenta-se hoje em recital, pelas 21:30h, no Auditório de Espinho com o seguinte programa:

Fausto NevesI Parte

 

DOMENICO SCARLATTI – Sonata “Pastorale” em Dó Maior

 

BEETHOVEN – Sonata op. 28 em Ré Maior (Pastoral)

 

- Allegro
- Andante
- Allegro Vivace (Scherzo)
- Allegro ma non troppo (Rondo)

 

CHOPIN – Primeiro Scherzo op. 20 em Si Menor

 

II Parte

 

LOPES-GRAÇA – Natais Portugueses (Primeiro Caderno)

 

I (Melodia de Proença-a-Nova – Beira Baixa)
II (Velha Melodia de Évora – Alentejo)
III (Melodia de Paul – Beira Baixa)
IV (Melodia de S.Miguel d’Acha – Beira Baixa)
V (Velha Melodia de Évora – Alentejo)
VI (Melodia de Rio de Onor – Trás-os-Montes)
VII (Melodia de Póvoa de Lanhoso – Minho)
VIII (Original)

 

OLIVIER MESSIAEN – Noël (de “Vingt Regards sûr l’Enfant-Jésus”)

Um recital de Fausto Neves, por cada vez mais raros, é sempre motivo de regozijo e uma (quase) obrigação para quem gosta de piano descolar-se para ouvir.

Afinal há uma versão da Polonaise em Lá b M. op. 53 de Chopin interpretada por Pollini, embora seja não seja em vídeo aqui a deixo para porque merece, sem o mínimo de dúvida, figurar entre a selecção anterior onde também a acrescentarei. Os meus agradecimentos ao Ricardo Serrano que a descobriu e me anunciou. Tudo indica que poderá haver mudança de preferências – é notável a força e a consistência que Pollini transmite!
Aqui fica:


A propósito de um diálogo sobre Chopin e pianistas preferidos que se iniciou no Art&manha, passou pela Teresa, pelo Paulo e pela Sónia, pelo Ricardo, pelo Heitor, pelo César Viana, não pelo Henrique mas sei que ouviu e leu, por um(a) anónimo(a) zangado(a) com a gente, pela minha tímida arrogância de confessar não ser sensível às Mazurkas até a Teresa me dar a conhecer o Moravec, aqui vos deixo a Heróica, a Polaca n.º 6 em Lá b M. op. 53, interpretada por mais famosos, mais ou menos famosos, ainda pouco famosos, para se deliciarem e, se quiserem ousar, elegerem as vossas preferências.
Seis interpretações diferentes dispostas por ordem alfabética do primeiro nome do intérprete: Artur Rubinstein, DongMin Lim, Elena Kuschnerova, Gyögy Czifra, Rafal Blechacz e Vladimir Horowitz. O último vídeo endereço àqueles que não pretendam a tão exaustiva maçada de ouvir interpretações da mesma peça, une petite nuance, um momento único, um exemplo do que querem fazer ao nosso ensino artístico – 10 marmelos a tocar a heróica ao mesmo tempo formados em piano pelo método Suzuki!
Bom fim de semana.

adenda: A interpretação de Pollini foi acrescentada a posteriori.
ps: as minhas desculpas aos fãs por não ter encontrado no YouTube versões de Lipatti, Michelangeli e Richter




Acredita, estimada Teresa, que andei estes dias todos às voltas para conseguir dizer mal desta interpretação do Ivan Moravec da Mazurca em La min. op. 17/4 de Chopin que me enviaste! Ele não toca o Chopin que eu defendo – um romântico não melado de arrebatadas paixões com contrastes bem marcados; ele toca isto muito lento, demasiadamente lento para uma Mazurca que se quer uma dança, num andamento e ambiente quase de nocturno; utiliza, diria, 5 f’s em vez de 3, bem, um não sei quantos defeitos tentei arranjar, mas a verdade é que esta interpretação é de uma consistência irrepreensível, onde cada nota, uma a uma e todas elas, são cantadas diversamente num contexto global muito coerente, dentro de uma profunda interioridade que será, necessariamente, a do próprio Moravec.
Nestas coisas da arte e da música, em particular, o que sentimos é bem mais importante do que o que racionalmente possamos ou não defender e a capacidade de sermos surpreendidos é característica que nunca devemos perder. Esta interpretação de Ivan Moravec é, talvez, a melhor que conheço desta obra, sendo que foi o primeiro intérprete que conseguiu que eu gostasse de uma Mazurca de Chopin!
O meu obrigado.

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