Dez 222011
 

Jose Augusto MouraoEm tempos de comunicação galopante, tudo é feito para nos cortar o sopro. Querem fazer de cada um entre nós gente que apenas tem de escutar sinais, gente obediente e dócil, executores, falantes monossilábicos. Perfeitas criaturas domadas para comprar, rir e chorar ou bater palmas; cortam-nos o sopro para tentarem sujeitar-nos a fórmulas, slogans – e que nos tornemos animais bem domados para executar palavras vazias, desencarnadas, formatadas, ou telégrafos que transmitem os sinais recebidos. Para que a carne obscura e impura da linguagem seja banida para dar lugar a uma língua asséptica.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Dez 212011
 

Jose Augusto MouraoÉ na soleira que se cumpre a palavra, nesse intervalo do dizer e do dito. Esquecemos a condição do dizer cada vez que a nossa atenção incide unilateralmente sobre o dito. O dizer sugere uma respiração que se abre ao outro, um puro vocativo, sinceridade, proximidade, sendo por isso testemunho, exposição, sem evasão nem álibis.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Mai 052010
 

Passou recentemente mais um ‘Dia da Liberdade de Expressão’ com queixas de vários quadrantes. Hoje, são notícias que nos sobressaltam sobre o assunto – ‘Situação da liberdade de imprensa é “preocupante”‘ – devido ao relatório anual da organização Repórteres Sem Fronteiras que nos retira 14 posições no ‘ranking’ da liberdade de imprensa!
É, deveras, preocupante que, num país onde os media podem escrever e dizer de tudo com a maior impunidade, este assunto possa estar em agenda ou mereça referência noticiosa!
Não vivemos, felizmente, qualquer constrangimento à liberdade de expressão que não seja a da marginalização social por parte dos não enquadrados em clientelas partidárias! Podem-se sofrer consequências, mas não consegue calar quem medo delas não tem!
Gilles DeleuzeNão é a liberdade de expressão que está em risco, mas a resistência ao desvario da informação!
Lembremos o que já em 1990 dizia Deleuze no ‘Pourparlers’:

Nous ne souffrons pas d’incommunication, mais au contraire de toutes les forces qui nous obligent à nous exprimer quand nous n’avons pas grand chose à dire (…) Les forces de répression n’empêchent (plus) les gens de s’exprimer, elles les forcent à s’exprimer. Créer n’est pas communiquer, c’est résister.

Abr 102008
 

Decorrerá hoje no Museu da Electricidade em Lisboa, pelas 15:00, a 3ª edição de Conversas UNICER, que visão reflectir sobre a Comunicação Institucional e a Gestão Empresarial, sob o tema Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?, sendo transmitido on-line neste link.
Esta tarde o orador principal será Bruno Giussani, contando com António Granado, Eduardo Correia, Maria João Nogueira e Paulo Querido (gestor da rede TubarãoEsquilo) como oradores e interlocutores numa discussão sobre blogues, relações públicas, Internet social e empresas.

Jan 242008
 

Todos temos uma ideia do que transmitimos no nosso blogue, mas diverso é o que, para os outros, através dele, somos. Por vezes temos surpresas, outras, constatações, embora a maioria revele insuspeitadas novidades.
A técnica do critical friend revela resultados muito positivos em vários domínios, no da compreensão particularmente, de modo que, de quando em vez, dá-me para perguntar a leitores amigos: o que sentes do Ideias Soltas?
Hoje deu-me para transcrever uma resposta, em assumida narcisa atitude de afago do ego:

ui isso é complicado.
o que eu sinto, como? tu deves saber bem o que pretendes e como conseguir ser percebido!
bom eu acho que na linha do “chatinho profissional”, o ideias soltas é um sítio onde estão ideias que contrariam a voz e o senso comum e procuram ir além do que parece, nas coisas públicas
depois também tem coisas pessoais, que eu acho que só compreende bem que te conhece
e tudo com piada

Jan 232008
 

Ricardo QuaresmaA desautorização de Fernando Póvoas, o anúncio do prolongamento do contrato de Quaresma e colocá-lo a transmitir oralmente aos media que o Porto ensinou-me muita coisa e fez-me crescer (…) e (…) amo o Porto e estou contente por estar aqui (…), revela que o F. C. Porto geriu a comunicação no respeito pela identidade própria que foi construindo nos últimos anos, através de atitudes inequívocas que respondem, em simultâneo, a quem assobia Quaresma, aos media que tentaram desestabilizar o relação Quaresma / F. C. Porto e ao próprio jogador.
O facto de a qualidade da comunicação estar cada vez mais associada à oralidade do que às atitudes, provoca em muitos aprendizes de feiticeiros, ávidos de projecção mediática, a ânsia de dizer coisas, muitas e a ritmo assinalável. Por outro lado, os próprios media alimentam e amplificam, focados nas audiências, o insólito e o grotesco – a projecção, afinal, da frivolidade e do voyerismo em enlatados de entretenimento que caracterizam a sociedade que vivemos hoje.
Contudo, a gestão da comunicação institucional, não podendo marginalizar-se deste contexto, deve resguardar-se do aproveitamento e natural amplificação de factos menos positivos, através de um comportamento revelador de atitudes coerentes e eticamente comprometidos com a defesa da própria instituição.
É por tudo isto que mesmo será muito difícil o F C Porto manter este registo de qualidade, que Pinto da Costa construiu e inteligentemente preserva, quando chegar o dia em que for obrigado a encontrar alguém que o substitua.

Mar 222007
 

V Congresso SOPCOM A Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM) realiza o seu V Congresso, entre 6 e 8 de Setembro próximo, sob o tema Comunicação e Cidadania.
A organização será assegurada pela SOPCOM e pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, onde decorrerá o congresso, e as inscrições já estão abertas, decorrendo até 30 de Junho.
Para mais informações e/ou inscrições contactar directamente o sítio específico – SOPCOM.