Arquivo de: Conservatório Nacional
Arquivo de: Conservatório Nacional.
Arquivo de: Conservatório Nacional.
Amanhã, às 15:00 h, ocorrerá uma Manifestação / Concerto pela defesa do Ensino Especializado da Música frente à Assembleia da República.
É motivo de regozijo pessoal, enquanto cidadão, constatar a evolução para uma posição cada vez mais concertada e abrangente na defesa do essencial que alguns pretendem destruir - a Educação Artística, em todas as suas vertentes, pública, particular e cooperativa.
Deixo o programa e para mais informações ver blogue Salvem os Conservatórios.
Abertura
Hino Nacional – Prof. Rui Pinheiro
Silêncio (dirigido pelo maestro Victorino d’almeida)
Discurso de Pais – Crianças à frente
Acordai!
Silêncio
Discurso de Professores
Silêncio
Piano I
Hino Nacional – João Morais (Sopros)
Grande Silêncio
Discurso de outras escolas
Piano II
Acordai! – Maestro Vitorino d’ Almeida
Silêncio
Piano III
18.00 – Hino | Encerramento
O tom conciliador da senhora Ministra da Educação que evoquei no post anterior não durou sequer 24 horas! Agora lemos no “Portugal Diário” (aqui e aqui):
- A ministra da Educação acusou esta terça-feira o Conservatório de Lisboa de «arrogância»
(…) a contestação de alunos, pais e professores da Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, reflecte «uma resistência muito profunda à mudança» e também a «arrogância» de quem pensa que o trabalho que está a desenvolver «está muito bem feito»
1 - Arrogância, minha senhora? Arrogância de alunos, pais e professores? Assim todos, pimba, aí vai tudo de uma só assentada?
- «A história e a memória não justificam o trabalho que fazemos hoje. Temos que fazer o nosso trabalho e não viver do trabalho que os outros fizeram no passado»
2 - A história e memória não justificam o trabalho que fazemos hoje e é exactamente por isso, senhora Ministra, que devemos tentar compreender por que é que nunca jamais em tempo algum houve tantos e tão bons músicos em Portugal como hoje!
- Maria de Lurdes Rodrigues lembrou que o regime supletivo é «excepcional» e que é preciso fazer prevalecer o regime normal de funcionamento (…)
3 - O que é o “regime normal” de funcionamento, minha Senhora? Fui correr toda a legislação e documentos do seu Ministério e não encontrei essa terminologia em lado algum. O que pretende V. Ex.ª ao certo dizer?
- Sublinhou que a mudança proposta «não é radical» e, em jeito de recado ao Conservatório de Lisboa, referiu que «as reformas não se fazem na rua mas sim no gabinete».
4 - as reformas fazem-se no gabinete? Pois com certeza, Senhora Ministra, e se possível sem consultar os especialistas em cada matéria. Isso todos sabemos!
- «Houve um sinal crítico de que tínhamos debilidades no sistema de ensino artístico na área da música quando foi necessário recrutar professores para o 1º ciclo. Não havia professores em número suficiente. Isso significa que o nosso país falhou na componente de formação de profissionais para o ensino. Falhámos na formação de professores na área da música», afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.
5 - Não havia professores para o enriquecimento curricular no 1º ciclo? Não sabia que V. Ex.ª acumulava as funções de Ministra da Educação com as de Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior! Assim sendo tudo ganha sentido, a “refundação” que pretende é certificar os alunos que concluem o ensino complementar numa escola de ensino artístico especializado com uma licenciatura em Ensino de Música! Não tinha atingido…, peço desculpa.
Não há novidade! A estratégia é conhecida e denuncia-a, Ex.ª Senhora Ministra da Educação. Enxovalhar publicamente professores e instituições de ensino parece ser o timbre que deixará do seu mandato! Já assim foi (e é) com os professores do Ensino Regular (ou genérico, como agora se diz).
Ao que isto chegou!
A Ministra da Educação fez saber que anulava a reunião que tinha agendada com a Escola de Música do Conservatório Nacional alegando falta de condições de trabalho.
Pois é Senhora Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, não há mesmo condições para continuarmos a ter de aceitar semelhante arsenal de atrocidades, soberba e inverdades.
Assuma as suas responsabilidades, minha senhora!
Entretanto o programa da concentração frente ao Conservatório Nacional continua conforme o anunciado.
Não encontro adjectivo para qualificar a quantidade de inverdades feitas notícia que o Ministério da Educação, seus serviços e acolitadas pessoas passam para a comunicação social sobre o Ensino Artístico Especializado. Veja-se: uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, …, etc…, etc…
Já pedi à Senhora Ministra (ver atrás) para assumir a responsabilidade das suas pretensões. Já informei que o que está em causa não é, tão-só, o fim do regime supletivo e do 1º ciclo, mas tudo o que está inscrito num Relatório de Avaliação do Ensino Artístico Especializado cujo teor é bem mais vasto e danoso que o anunciado e que carece de validade científica conforme está escrito na petição que elaborei. Resta alertar, mais uma vez, o Senhor Presidente da República e o Senhor Primeiro-Ministro sobre a sucessão de dislates que o Ministério da Educação está a emanar - uma vergonha!
No final da reunião, o director do Conservatório Nacional, Wagner Diniz, apontou como positiva a garantia dada pela tutela de que quaisquer que sejam as orientações para o ensino artístico haverá sempre um período de transição. (Público)
Assim não, Prof. Wagner Diniz! Assim não vale mesmo a pena!
Coloco aqui o texto da uma petição Defesa do Ensino Artístico em Portugal para lerem, LEREM, LEREM!
Ex.º Senhor
Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva
Ex.º Senhor
Primeiro-Ministro de Portugal
Engenheiro José Sócrates
Nós, abaixo assinados, vimos, por este meio, sensibilizar Vs. Exs., enquanto representantes máximos de Portugal, para travarem, dentro do estrito respeito pela Vossas superiores competências, a pretensão do Ministério da Educação de alterar o Sistema Educativo Português, no que à Educação Artística diz respeito, nomeadamente ao Ensino Artístico Especializado, pelo facto de se basearem no relatório final de Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, que carece, por falta de rigor metodológico, de validada científica, seja por não englobar, na equipa que o elaborou nenhum artista ou professor de qualquer arte, nem ter realizado o trabalho de campo que se exigia como fundamento junto das cerca de 100 Escolas de Ensino Especializado de música, dança e teatro, públicas e privadas, reconhecidas e financiadas pelo próprio Ministério da Educação.
Considerando que entre as recomendações dos participantes da Conferência Mundial de Educação Artística promovida pela UNESCO, ocorrida em Lisboa de 6 a 9 de Março de 2006, podemos ler:
- Reconhecer o valor das práticas e projectos de sucesso na área da Educação Artística, desenvolvidos a nível local e culturalmente pertinentes. Reconhecer que os projectos futuros devem reproduzir as práticas de sucesso até agora aplicadas;
- Dar prioridade à necessidade de uma melhor compreensão e de um reconhecimento mais profundo por parte do público das contribuições essenciais dadas pela Educação Artística aos indivíduos e à sociedade;
- Traduzir a crescente compreensão da importância da Educação Artística na alocação de recursos suficientes de modo a traduzir os princípios em acção, criar um reconhecimento acrescido dos benefícios das artes e da criatividade para todos e apoiar a concretização de uma nova visão das artes e da aprendizagem;
- Estimular o desenvolvimento de estratégias de aplicação e de controlo com vista a garantir a qualidade da Educação Artística;
- Dar à Educação Artística um lugar central e permanente no currículo educativo, financiando-a adequadamente e dotando-a de professores competentes e de qualidade;
- Conceber políticas de investigação nacional e regional no domínio da Educação Artística, tendo em conta as especificidades das culturas ancestrais e dos grupos de populações vulneráveis;
- Garantir uma continuidade que vá mais longe do que os programas governamentais nas políticas públicas dos Estados sobre Educação Artística;
- Integrar as artes no currículo escolar e na educação informal;
- Tornar a Educação Artística disponível dentro e fora das escolas a todos os indivíduos, independentemente das suas aptidões, necessidades e condição social, física, mental ou situação geográfica.
Parece-nos que:
1 – Sem prejuízo da validade de outras formas de educação artística, as Escolas de Ensino Especializado representam, no seu todo, o projecto de sucesso mais bem conseguido em Portugal na área da Educação Artística, seja qualitativa seja quantitativamente;
2 – A retirada do financiamento prevista pelo Ministério da Educação ao ensino especializado no 1º ciclo às Escolas de Ensino Especializado é uma inadmissível medida socialmente discriminatória, que contribui para a não inclusão social, e que reduzirá drasticamente a qualidade da Educação Artística;
3 – a extinção prevista do regime supletivo pelo Ministério da Educação e a adopção do regime integrado não promove, de imediato, a almejada interacção de saberes e conhecimento pelo facto de, nem Pais, nem docentes de outras áreas de saber, nem alunos estarem preparados para valorizar a Educação Artística como tão fundamental para a formação de identidades nem para o desenvolvimento da Pessoa, exigindo-se por isso a manutenção do regime supletivo e uma aposta no regime articulado como preparação para um futuro regime integrado pleno de convicção e adesão social.
Nesta conformidade, vimos solicitar a V. Exs. para travarem qualquer alteração ao Ensino Artístico Especializado sem um prévio, mas cientificamente válido e profundo, estudo da Educação Artística em Portugal, elaborado por uma equipa com relevante experiência na área específica, que corresponda e dê resposta aos quesitos acima mencionados transcritos e internacionalmente aceites.
Atentamente
De V. Exs.
os abaixo assinados
PEDIDO de DIVULGAÇÃO:
DIA 11 – 2ª FEIRA – 10 HORAS DA MANHÃ (concentração às 09.45)
Far-se-á uma concentração em defesa desta casa e do ensino especializado da música por ocasião da visita da Comissão Ministerial encarregue da sua “refundação” – ou seja – da redução do ensino público à sua ínfima expressão. Será entregue pelas Comissões de Pais e Professores, a esta Comissão, um manifesto que consubstancia o essencial das nossas posições.
Seguidamente terá lugar, no Salão Nobre, um concerto dos alunos das Iniciações – Orquestra e Coros e outros grupos de câmara.
Tragam as vossas T-shirts do Conservatório, crachás, cartazes, etc, o que considerem permitir a expressão da vossa indignação e pesar.
Ao longo da manhã será organizado um cordão humano em torno do quarteirão – precisamos de 500 pessoas – possamos estar 1000!
Por volta das 11h30 terá lugar uma Reunião de Professores onde serão analisadas novas tomadas de posição.
Os professores da EMCN
Há duas petições a correr on line que concorrem para um objectivo comum - a defesa do Ensino Artístico Especializado. Concorrem, mas são complementares.
Se está preocupado com a pretensão do Ministério da Educação em destruir o Ensino Artístico não deve hesitar em assinar qualquer uma delas ou, tal como muitos de nós fizeram, assine as duas:
Se tiver tempo para ler os textos que as fundamentam (o que aconselho vivamente a quem pretende assinar seja o que for) constatará que ambas são verdadeiras, sendo que o que difere é a estratégia e não a substância: a primeira decorre da legítima preocupação da Escola de Música do Conservatório Nacional e a segunda da também legítima preocupação de que as alterações previstas no Relatório de Avaliação do Ensino Artístico, no qual o Ministério pretende fundar a referida destruição, são muito mais vastas do que as agora anunciadas e afectam todas as Escolas de Ensino Artístico Especializado do país, nas várias artes que leccionam (música, dança e teatro), sejam públicas, privadas e cooperativas, que prestam análogo serviço e por isso são financiadas pelo Estado, uma vez que os seus planos de estudos estão validados pelos Conservatórios públicos aos quais estão adstrictas.
O que importa é que nos agreguemos (e tudo indica que estamos a conseguir) em torno de um objectivo comum - NÃO PERMITIR A DESTRUIÇÃO DO ENSINO ARTÍSTICO ESPECIALIZADO.
O Ministério da Educação ultima uma Portaria para destruir a Educação Artística em Portugal, a única que funciona, a única que já produziu e produz resultados - as Escolas de Ensino Artístico Especializado, segundo informou o Prof. Wagner Diniz após reunião no Ministério da Educação!
Já o tentaram no ano transacto o que me motivou a escrever sobre: Relatório de Avaliação do Ensino Artístico Especializado (estudo encomendado a um Professor Doutor com Agregação em Ciências da Educação de seu nome Domingues Fernandes que fez o frete de obrar um estudo sem qualquer fundamento científico, uma vez que da sua equipa não constava ninguém ligado às artes e sua educação, nem trabalho de campo relevante efectuou); sobre o perigo de entender que se tratava de um ataque ao Conservatório Nacional quando há perto de 100 escolas de ensino especializado, englobando cerca de 30.000 alunos; o despautério que foi a realização da Conferência Nacional de Educação Artíistica, encenação para o que aí viria; coloquei à disposição de quem quisesse (ou queira) escrever, mesmo sob pseudónimo, sobre o que se adivinhava, o Educação Artística FORUM!
Basta! Não me atafulhem a caixa de correio! Não sou artista nem arte para professor tenho! Estou cansado de estar só, da cobardia de esperarem pelo incêndio em vez de o prevenirem! E estou incomodado … (desculpem o tom deste post).
Peço que se impliquem, todos em uníssono, no combate contra a destruição da Educação Artística de qualidade em Portugal pelo Ministério da Educação - música, dança e teatro. Se cada um de nós conseguir ver que afinal é disso que se trata e não do encerramento do Conservatório Nacional, poderá ser que ainda vamos a tempo.
A Associação Guilhermina Suggia e a Escola de Música do Conservatório Nacional convidam para assistir/participar na conferência com música Gaudí, Suggia e a Música, amanhã, dia 11, pelas 19:00h, no salão nobre do Conservatório Nacional.
Serão conferencistas Teresa Cascudo e Ana Maria Férrin e os momentos musicais serão assegurados pelo organista José Carlos Araújo, por Paulo Gaio Lima em violoncelo e Paulo Pacheco no piano.
Eu não sei há quantos anos o Virgílio Marques, do Guilhermina Suggia, alerta para a degradação do salão do Conservatório Nacional (agora diz escola de música não sei quantas, mas eu já não tenho idade para fixar essas modernices), até que agora corre mesmo uma petição online para ver se é desta que conseguimos que o Ministério da Educação ou o IPPAR (também não sei se ainda se chama assim…) mandam proceder ao seu restauro.
Toca a assinar a Petição, se não vos for politicamente penoso, porque se trata de uma das mais belas e acusticamente adequadas salas para recitais ou música de câmara do país, conforme já há mais de 3 anos aqui alertei para um texto também do Virgílio Marques que reponho:
Note-se que SUGGIA, toca pela primeira vez em Lisboa, no Salão Nobre do Conservatório Nacional, uma das salas com melhor acústica, com os tectos pintados por José Malhoa, e que desde, creio os anos 20 ou 30 do sec XX, não tem qualquer reparação. Chove lá dentro. As paredes estão a cair, o balcão está já escorado há anos para evitar a sua queda. Há neste momento uma campanha de sensibilização para que o Ministério da Educação proceda ao restauro duma das salas mais próprias para música de câmara.
Virgílio Marques
O bailarino português Telmo Moreira conquistou o prémio de Melhor Bailarino europeu, no escalão sénior, no concurso Youth American Grand Prix, realizado em Nova Iorque entre 27 e 30 de Abril. (via Público)
Actualmente Telmo Moreira frequenta o 6º ano da Escola de Dança do Conservatório Nacional, mas ensino artístico interessa para quê se o Ministério da Educação, à boleia de um muito mal amanhado estudo, se prepara para desmantelar o pouco que existe?
Não retomarei este assunto que já abordei. Apenas transcrevo um comentário do Virgílio Marques no blogue que mantém com a Catarina de divulgação de Guilhermina Suggia.
Note-se que SUGGIA, toca pela primeira vez em Lisboa, no Salão Nobre do Conservatório Nacional, uma das salas com melhor acústica, com os tectos pintados por José Malhoa, e que desde, creio os anos 20 ou 30 do sec XX, não tem qualquer reparação. Chove lá dentro. As paredes estão a cair, o balcão está já escorado há anos para evitar a sua queda. Há neste momento uma campanha de sensibilização para que o Ministério da Educação proceda ao restauro duma das salas mais próprias para música de câmara.
Virgílio Marques