Nos primeiros 11 meses do ano (de 2009), foram enviados de Portugal para offshores, 11,8 mil milhões de euros. (via DN)
Continuem a proteger os bancos, a saudinha do sistema financeiro, coitadinho, que devido à penúria dos seus dividendos até têm impostos reduzidos.
Tenham vergonha na cara, senhores mandantes, de cá dessa União Europeia afora!
Faria de Oliveira já admitiu hoje serão os contribuintes que pagarão pela nacionalização do BPN, muito embora só no final do processo de privatização será possível apurar os seus custos (fonte), uma vez que só no início do processo é que o BPN tinha condições para prestar garantias (fonte), sendo que até há cerca de 8 dias as assistências de liquidez ascendiam a 4,2 mil milhões de euros.
Se a reprivatização será ainda mais cara que a nacionalização é cousa que parece ainda ninguém saber, ou querer saber…, mas, é claro, tudo em nome da defesa do sistema bancário e do funcionamento do mercado, não o apregoado livre livre, porque nesse, ‘hélas’, há empresas que vão à falência!
É comum, mesmo entre a corrente neoliberal que nos conduziu à libertinagem da agiotagem, ouvir que os Estados devem defender as instituições financeiras (bancos e seguradoras) e os desempregados que o colapso daquelas empresas provocou. No entanto, sabendo o que se sabe hoje (e sempre se desconfiou), é no mínimo estranho continuar a não se ouvir uma palavra sobre a defesa e o apoio que se deveria dar aos que trabalham, mas cujo sistema bancário suga os rendimentos até ao tutano!
É lamentável que, em nome da defesa do mercado, os Estados tenham canalizado avultadíssimas quantidades de dinheiro proveniente dos contribuintes para salvar bancos cuja ruinosa gestão fez desmoronar a economia de mercado, enquanto que os milhões de vítimas da União Europeia, as quais, apesar de ainda terem emprego, não sejam objecto de protecção dos Estados, sendo que são a esmagadora maioria dos que mais sofreram, sofrem e ainda sofrerão com a sofreguidão do sistema bancário. Destes milhões de vítimas não se fala, preferindo-se designar toda esta vergonha por crédito malparado!
Num momento em que em Portugal parece ter-se tornado moda falar do endividamento de país, parece-se esquecer-se a grande parte desse endividamento se deve aos privados (crédito malparado continua a crescer 300.000.000 de euros por mês, segundo notícia do DN), sejam eles empresas ou cidadãos que estão aprisionados aos juros e, em especial, aos ’spreads’ que o sistema bancário, sem qualquer controlo nem regulação, os fustiga sem rebuço nem piedade.
Pensava ter dado por encerrado os comentários sobre o negócio entre a PT e a TVI (aqui, aqui e aqui), ou seja, sobre a vergonha da promiscuidade entre os políticos e as empresas privadas através das ‘golden share’, motivo que colocou o Estado Português como réu, acusado pela Comissão Europeia.
Não resisto, no entanto, a aconselhar a leitura de um texto de José Manuel Fonseca no ‘A Infelicidade ao Alcance de Todos‘ do qual deixo um excerto que não dispensa a leitura integral:
Se alguém estivesse efectivamente interessado num mercado livre e aberto já se teria manifestado contra as acções douradas que há por aí. E, elas existem em papel ou em espírito. Mais, nunca se observou alguém, no “arco da governação”, ser frontal e abertamente contra essas ‘golden shares’. Ou de outras cores, que não há míngua de ‘shares’ laranjas ou rosadas. Com ou sem verdade e políticas de verdade. Ninguém vai dizer nos olhos dos portugueses que vai acabar com essas manobras. Porque só se acabam com transparência. Mas até Setembro aposto dobrado contra singelo que ninguém em boa verdade virá aí dizer que acaba com a coisa. E promove a ética.
A administração da PT, através do seu Presidente, Henrique Granadeiro, vem afirmar que o envolvimento do Estado num processo negocial entre sociedades anónimas cotadas na bolsa, através de Cavaco Silva e de Sócrates, não passou de uma tempestade de Verão.
Tempos curiosos estes em que ninguém se importa já com nada a não ser com insinuações, insultos e falta de modos. Eu que estava à espera que a administração da PT, em acto de brio profissional, diante do impensável, se demitisse em bloco! Mas não…
Talvez, quem sabe, daqui por umas décadas estes tempos fiquem conhecidos como o dealbar da ‘Era da Vaselina’, ou da falta de vergonha!
Isto deve andar mesmo tudo ao mesmo!
Não será de todo estranho que o preço dos combustíveis são pelo consumidor aferidos através do gasóleo e da gasolina, sendo talvez por tal facto que o preço do gás de bilha para fins domésticos, utilizado hoje maioritariamente nas aldeias e pequenas vilas, escape aos olhos mediáticos e da Autoridade da Concorrência.
Em boa verdade, desde Agosto de 2008, quando o preço de uma bilha de gás atingiu os 20,20€ só na passada semana sofreu a primeira descida para 19,80€, depois de o petróleo ter baixado, desde então, cerca de 40%.
Esta situação é tão mais aviltante quanto são os mais desfavorecidos que hoje têm ainda de recorrer às bilhas de gás para uso doméstico, tornando assim as conclusões da Alta Autoridade para a Concorrência um manifesto disparate e desprezo pelas camadas sociais mais necessitadas. Transcrevo do DN a dimensão do dislate:
Os títulos dos media são muitos e variados sobre a mensagem que Cavaco Silva deixou hoje aos desempregados do Distrito de Braga:
deixo-vos a minha solidariedade, o que é pouco, mas não tenho mais para dar.
Parece pouco? Pois a mim parece-me muito. Muito mais do que esperaria de Cavaco Silva ou de qualquer outro político ou economista – a humildade de reconhecer que não sabe, não tem solução, mas que está ao lado deles.
Estou surpreendido? Mais do que isso. Estou rendido!
O que mais me tem incomodado neste início de depressão é a facilidade com que políticos e especialistas ou especialistas políticos apontam causas, afirmam conhecer a dimensão, têm previsões e curandeiras soluções, seja através do anúncio de medidas para combater o que chamam de “crise”, sejam as chuvas críticas sobre medidas tomadas e o anúncio de que deveriam ser, antes, outras.
A única verdade que retirei, ou melhor, confirmei é a do logro, de cientificidade investido, que os economistas incorriam, sem pudor, ao fazerem futurologia através do tratamento estatístico das continuidades. Denunciaram os planos quinquenais de Estaline sem curar de reconhecer que o que os distanciava deles não era a intenção, mas tão-só o prazo.
Das descontinuidades a ferramenta estatística de nada serve para ajudar a compreender. De rigorosamente nada.
Ao dizer o que disse hoje, Cavaco Silva deu uma lição de humildade a todos aqueles que ainda tempo não tiveram para olhar para o cosmos e reconhecer que o conhecimento humano não representará mais do que um grão de areia diante da magnitude do que ainda não compreendemos, e que será da assunção dessa humildade que as interrogações nos sobressaltam que surge a motivação para busca da compreensão, do conhecimento científico.
“Chapeau”, Presidente Cavaco Silva, mas…
não sabendo, pois não é obrigado a saber o que se não conhece, não permita que a nossa ignorância se constitua em motivo para não exigir muita prudência na sustentação de entidades bancárias, com e sem produtos tóxicos, uma vez que deverão os Estados preparar-se para assegurar, na medida do possível, os que mais irão sofrer com o que ainda estará para vir. E isso sem pensar em neoliberalismos nem socialismos, mas sim nas pessoas.
Os arautos do absolutamente livre funcionamento dos mercados, os neo-liberiais de hoje, que não liberais à moda antiga como gosta, justamente, Francisco José Viegas de se demarcar, uma vez que estes aprenderam com Keynes após a depressão de 29, desaparecem sempre em momentos de crise económica e/ou financeira, ousando mesmo demandar dos Estados obrigações que em tempos de abastança recusam, chegando mesmo ao ponto de quase defenderem a abolição do seu papel de regulador. (ver notícia do Público que anuncia que o FMI pede intervenção pública mais radical no mercado)
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A primeira medida no campo da inovação não tardou:
Entre os países da zona euro, nenhum, excepto Portugal, arrisca inscrever uma taxa de crescimento do PIB em 2008 superior à de 2007. (via Público)
Ora nem mais. Prontidão na acção é o que distingue!
O desemprego continua a ser a maior preocupação que devemos ter e que deve merecer a nossa mais cuidada atenção
(…)
O desemprego deve ser um objectivo nacional
(…)
tentar minorá-la o mais depressa possível
Teixeira dos Santos ao Público
Também estou muito preocupado e solidário com a pungente preocupação de Teixeira dos Santos – olha-se para o Orçamento de Estado para 2008 e logo ao mais leigo à vista ressalta essa preocupação, esse objectivo nacional, a tentativa de minorar o mais depressa possível…





















