Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

José Sócrates, ao assumir a ratificação do Tratado de Lisboa em detrimento do referendo, juntou-se a outros políticos que colocam a utopia de uma união política da Europa acima do primo conceito de uma “Europa dos Cidadãos” que nos foi sendo vendida durante décadas, com especial enfoque nos tempos de Jacques Delors.
Essa ideia de uma Europa dos Cidadãos está moribunda, erguendo-se agora uma Europa de políticos para políticos sustentada na ideia de que o que fazem é para o bem dos cidadãos. E esta é a questão ética. E de responsabilidade!
Responsabilidade perante os cidadãos? Não, de todo; perante o escasso escol elitista dos políticos do bloco central europeu. Essa responsabilidade corporativa impõe uma ética (sim, ética, claro) de estreita colaboração e consenso elitista (em prol dos cidadãos), mesmo que colida com aquela outra ética de cumprir os programas eleitorais sufragados pelos cidadãos ou aquela outra da soberania popular agora em rota de colisão com a soberania, não já nacional, mas europeia.
Sócrates, Cavaco Silva e companheiros europeus não tomaram uma opção ética, antes optaram por uma ética - aquela que reemerge das brumas dos utopistas de novecentos de que tem de haver elites charneira que indiquem aos cidadãos o que é melhor para eles. Só que estas bem intencionadas utopias levaram-nos até Hitler, Lenine, Estaline, Franco, Mussulini e Salazar, os tais que nunca precisaram de auscultar a opinião dos cidadãos para saberem, de seguro saber, o que era melhor para eles.
Adeus Europa dos cidadãos! Adeus democracia?

Ler na íntegra o desgosto ou a mui justa indignação do Henrique Silveira face ao alheamento ou desprezo da nossa suposta “intelligentia” face aos eventos musicais e, acrescento eu, à educação artística, onde a musical se inclui.

Deixo um excerto:
Portugal é um país onde a cultura musical é miserável e onde os tais opinion makers não dedicam o menor interesse à música. É natural assim que um recital de Schubert com dois dos mais excelsos intérpretes fique às moscas enquanto numa recôndita aldeia da Aústria (1800 habitantes) encha sistematicamente uma sala (Angelika Kauffmann Hall) com mais de seiscentos lugares, que se situa a mais de três horas de carro de Viena e de Salzburg, para a Schubertiade.