Por ausência de decisão definitiva da Federação Portuguesa de Futebol que tem em mãos um recurso de Pinto da Costa que, a ser deferido, implica a anulação dos castigos aplicados ao F. C. do Porto, a UEFA entendeu aguardar por essa decisão e manter para 2007/2008 o F. C. Porto na ‘Champions’.
Tudo que estará para além disto, do carácter, afinal, não definitivo dos castigos aplicados ao F. C. do Porto, pouco entendo sobre todos os trâmites administrativo / disciplinares que têm envolvido este caso, abstendo-me, por isso, de emitir juízos que seriam, seguramente, infundados.
Não posso, contudo, estar ao lado dos portistas que se dão por satisfeitos com este desenlace, uma vez que sobre o F. C. do Porto pairarão, por mais uma época, as pressões mediaticamente exploradas de corrupção, ou tentativas, da porra do ’sistema’ e tudo o que a propósito se lembrarem para desmerecer, influenciando indirectamente arbitragens, todo e qualquer sucesso desportivo.
Gostaria de uma decisão final, fosse qual fosse, para colocar um ponto final sobre o assunto, para bem do F. C. do Porto e do futebol português.
1 - Parabéns ao Sporting por ter sido a melhor equipa em campo. Muito se poderá dizer (e direi, adiante) sobre circunstâncias criadas por Olegário Benquerença, mas ao entrar em jogo sem Bosingwa, com João Paulo, sem Tarik Sektioui nem Marek Chec, foi entregar o ‘ouro ao bandido’ desde o início. Ganhou quem foi mais equipa, mais consistente, sendo sempre agradável chegarmos ao fim de um jogo e vermos que o empenho e a competência se aliam ao resultado, pese embora o facto da justiça ser um conceito alheio ao jogo - lembremo-nos mais recentemente que se a justiça fizesse parte do jogo, mais concretamente do futebol, nem o F C Porto teria sido eliminado pelo Schalke 04 nem o Sporting pelo Glasgow Rangers.
2 - Dados os parabéns ao vencedor sem qualquer cinismo, a verdade é que desde que Olegário Benquerença exibiu o amarelo ao Paulo Assunção na primeira falta que cometeu, depois de 3 bem durinhas de Grimmy, senti o caminho que o árbitro traçara para a sua actuação naquele jogo. Consequências do ‘apito dourado’ ou do ‘apito final’? Não saberemos nunca a causa, mas a motivação desde cedo ficou à vista.
3 - Há anos que muitos falam da existência de corrupção no futebol, de um sistema montado de batota nos resultados corporizado nas pessoas de Valentim Loureiro e Pinto da Costa e que levaram o Ministério Público a montar uma perseguição, dir-se-ia, não à corrupção nem à batota, mas a essas duas pessoas, em particular a Pinto da Costa, que viria a consubstanciar-se nos processos ‘apito dourado’ e no ‘apito final’ protagonizado pela Liga de Clubes.
Desenganem-se, se é que alguém andava ao desengano, os que pensam que alguém está interessado em combater, generalizadamente, a corrupção no futebol! Não há interessados em acabar com a batota, mas sim em ser donos dela. Se assim não fora, os arautos anti-corrupção estariam mais uma vez a clamar por ela no fim do jogo de ontem e não a festejar. O que vi (para além do F C Porto nada jogar) foi o regresso àquela outra batota, a que assisti durante 19 anos, ou seja, desde que nasci até 1977.
Nem o ‘apito dourado’ nem o ‘apito final’ têm a ver com o fim da batota no futebol, mas tão-só com a passagem de mãos de quem detém poder para a fazer, sendo a satisfação patenteada no rosto do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, no fim do jogo de ontem um verdadeiro atentado à honestidade intelectual depois da arbitragem a que assistiu.
Desengane-se quem pensa que existe apenas um ataque pessoal a Pinto da Costa; o que existe é um ataque soez contra a superioridade desportiva do F C Porto nos últimos 30 anos, que terá de ser creditada ao seu presidente.
4 - Uma palavra de solidariedade para António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa, que recebeu com dignidade e elegância o vencedor da Taça de Portugal, o Sporting, pois será, muito certamente, apontado como mais um que cedeu à promiscuidade entre o futebol e a política pelos comentadores dos media que elaboram e gerem campanhas de interesses pessoais, partidários e políticos, mas que não são promíscuos…
Promiscuidade entre futebol e política só tem a ver, ao que parece, com quem abrir a porta ao F C Porto ou a Pinto da Costa…
“O Benfica vai pedir a certidão da decisão à Comissão Disciplinar da Liga e solicitar à Federação que a envie para a UEFA”, afirmou o porta-voz dos ‘encarnados’, Ricardo Maia, depois do jornal “A Bola” de hoje noticiar um possível afastamento dos ‘dragões’ da Liga dos Campeões em 2008/09. (via Expresso)
Ora assim é que é! Afinal não foi a pressa da Comissão Disciplinar da Liga, mas de quem espreita oportunidades pela secretaria.
Ou se calhar poderá não ser bem assim?
“Qualquer critério de admissão só será ponderado pela UEFA depois de recebida a lista de clubes da federação portuguesa. Cumprido esse requisito, poderemos então avaliar se o FC Porto tem ou não condições para se inscrever na Liga dos Campeões”. (via Público)
Espero que sejam decididas com rapidez, com eficácia, de maneira a que interfiram o menos possível na vida do desporto. O desporto tem de ter regras que têm de ser cumpridas. Quando não são, têm de ter os seus efeitos correspondentes. (Laurentino Dias via Portugal Diário)
Estou certo de que ao proferir estas palavras teria em mente (também) a aplicação das punições previstas para clubes que não pagam salários atempadamente. É que ainda agora, via Público, soubemos que apenas o Porto e o Benfica este dever cumprido!
O que conta e fica para a história é o resultado: 2 - 0!
Parabéns ao Sporting e aos sportinguistas.
A desautorização de Fernando Póvoas, o anúncio do prolongamento do contrato de Quaresma e colocá-lo a transmitir oralmente aos media que o Porto ensinou-me muita coisa e fez-me crescer (…) e (…) amo o Porto e estou contente por estar aqui (…), revela que o F. C. Porto geriu a comunicação no respeito pela identidade própria que foi construindo nos últimos anos, através de atitudes inequívocas que respondem, em simultâneo, a quem assobia Quaresma, aos media que tentaram desestabilizar o relação Quaresma / F. C. Porto e ao próprio jogador.
O facto de a qualidade da comunicação estar cada vez mais associada à oralidade do que às atitudes, provoca em muitos aprendizes de feiticeiros, ávidos de projecção mediática, a ânsia de dizer coisas, muitas e a ritmo assinalável. Por outro lado, os próprios media alimentam e amplificam, focados nas audiências, o insólito e o grotesco - a projecção, afinal, da frivolidade e do voyerismo em enlatados de entretenimento que caracterizam a sociedade que vivemos hoje.
Contudo, a gestão da comunicação institucional, não podendo marginalizar-se deste contexto, deve resguardar-se do aproveitamento e natural amplificação de factos menos positivos, através de um comportamento revelador de atitudes coerentes e eticamente comprometidos com a defesa da própria instituição.
É por tudo isto que mesmo será muito difícil o F C Porto manter este registo de qualidade, que Pinto da Costa construiu e inteligentemente preserva, quando chegar o dia em que for obrigado a encontrar alguém que o substitua.







