Visão de Kevin Spacey sobre a pretensão dos conservadores nos EUA pretenderem cortar nas artes e na cultura, mesmo aliando o conceito de “entertainment” como aliam, mas, simultaneamente, a visão económica que releva.

A Senhora Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, apresenta-se hoje na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República para falar sobre o projecto de fusão do Teatro Nacional D. Maria II e o Teatro Nacional São João no OPART, E.P.E. que gere já o Teatro Nacional de São Carlos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Companhia Nacional de Bailado.
Tarefa hercúlia, esta da Ministra, que tentará convencer os deputados de que o projecto é possível com um só administrador, talvez em modo de ‘simplex’, uma vez que é com quem conta, de momento, o OPART, após a demissão dos restantes administradores.
Com a tenacidade que se lhe reconhece tudo pode ser possível…
Ou não. Pode a Senhora Ministra lembrar-se de centralizar apenas os processos administrativos através, por exemplo, de uma central de compras, mantendo a descentralização da decisão em administrações próprias para cada instituição, com o intuito de preservar a proximidade entre processos de decisão e gestão e a comunidade e públicos específicos.
A ver vamos…, entre a tenacidade e o bom-senso.
A 6ª edição do Festival Dias de Música Electroacústica‘ decorrerá de 27 a 29 de Dezembro, na Casa das Artes / Conservatório de Música de Seia, 3 dias plenos de eventos com obras, criadores e pessoas interessados em promover a criação cultural desta área da música portuguesa, sua programação, divulgação e o lugar na gestão cultural pública e privada.
Inserido neste Festival ocorrerá o ‘I Encontro de Programadores Culturais: Programação da Música Erudita Contemporânea na Região Centro‘.
O Festival Dias de Música Electroacústica #6 tem a direcção artística de Jaime Reis e como produtores Ricardo Andrade, Ricardo Ventura, Gustavo Martins, Catarina Andrade e Hugo Passeira.
Casa das Artes – Conservatório de Música de Seia
DIA 27
15h-16h30 – sessão 1 – Ministério da Cultura (António Pedro Pita)
coffee break
17h – mini concerto electroacústica – Diogo Alvim, Tiago Nunes, Francisco Pessanha
18h-19h – sessão 2 – Direcção Musical (Pedro Pinto Figueiredo, André Granjo)
21h – concerto – Eva Zöllner
Acordeão e música electroacústica – “chasing breath…. accordion & electronics” – Eva Zöllner, acordeão; Peças de: Rodrigo Sigal; Antti Saario; Maximilian Marcoll; Daniel Quaranta: João Pedro Oliveira
DIA 28
10h30-11h30 – sessão 3 – Meios de Comunicação Social (Carlo Patrão, Américo Rodrigues, Cristina Fernandes)
coffee break
12h-13h – sessão 4 – Centros de Investigação (Salwa Castelo Branco)
15h-16h30 – sessão 5 – Ensino (Salwa Castelo Branco, João Pedro Oliveira, Pedro Figueiredo)
coffee break
17h-mini concerto electroacústica – João Pedro Oliveira
18h-19h – sessão 6 – Teatros (Américo Rodrigues, Mickael de Oliveira)
21h – concerto – Erik Drescher (flautista) + Anete Colacioppo (actriz)
Programa: Fabbrica degli incantesimi / Fábrica de Feitiços (integral da obra para flauta de Sciarrino) – Samuel Beckett e Salvatore Sciarrino
DIA 29
10h30-11h30 – sessão 7 – Câmaras Municipais (Graça Silva, Mário Jorge Branquinho)
coffee break
12h-13h – sessão 8 – Festivais (José Carlos Sousa, Jaime Reis, João Paulo Janeiro)
15h-16h30 – sessão 9 – Fundações / Programação / Gestão Cultural (Carlos Araújo Alves, Francisco Pessanha)
coffee break
17h-mini concerto electroacústica – José Carlos Sousa
18h-19h – sessão 10 – Grupos Musicais especializados em Música Erudita Contemporânea (Lisbon Ensemble 20/21- Pedro Figueiredo, GMCL – José Machado, Jorge Machado, Francisco Monteiro, Quarteto de Clarinetes de Lisboa – Luís Gomes, Síntese e Acord’ensemble – Helena Neves)
21h – concerto – GMCL – Grupo de Música Contemporânea de Lisboa
Programa:
Jorge Peixinho, Madureira, Ivan Moody, Clotilde Rosa, Bochmann
Maestro: João Paulo Santos
A DiFundART – divulgação de Artistas e Eventos® é uma marca registada em meu nome pessoal, com a finalidade de prestação de serviços junto de artistas, promotores de eventos e instituições, com a missão de acolher artistas e promotores de eventos para, de acordo com as pretensões de cada um, propor estratégias de divulgação no ciberespaço, executá-las e controlar, em tempo útil, a fidelidade aos objectivos concertados.
A necessidade que senti de criar a DiFundART prende-se com o ‘feedback’ que me foi chegando de várias pessoas se interrogarem sobre em que áreas da gestão cultural faço incidir a minha actividade profissional. Ora, sendo esta uma delas, separo assim, pública e visivelmente, o diário pessoal que considero ser este Ideias Soltas, dos interesses profissionais de uma das minhas actividades.
Neste contexto, a marca DifundART identificará, sempre, alguns dos meus interesses enquanto profissional na área da gestão cultural, enquanto que o Ideias Soltas permanecerá fiel ao princípio que desde o seu início adoptei – um diário pessoal onde escrevo e divulgo o que me apetece, quando me apetece, emitindo opiniões, reflectindo e criticando sempre em meu nome pessoal, enquanto cidadão.
Manuela Paraíso dedicou o seu programa ‘Na Outra Margem‘ desta semana da ‘Rádio Europa fm‘ – 90.4 fm – à Gestão Cultural, com a presença de Miguel Lobo Antunes, Carlos Semedo e o autor destas Ideias Soltas.
O programa passou às 18:00h da passada 4ª feira, como habitualmente, estando já disponível as duas partes de ‘podcast’ onde pode ser ouvido na íntegra no ‘Pop-o matic’ do ‘Na Outra Margem’ (link directo).
Deixo, contudo, aqui o registo desses dois podcasts para quem pretender ouvir e/ou fazer download.
Importa aqui referir que Manuela Paraíso dedica grande parte da sua vida a divulgar a música portuguesa erudita de tradição europeia, seus compositores e intérpretes, seja através do seu programa ‘Na Outra Margem’, único nos seus propósitos em Portugal, e do ‘Blogue‘ com o mesmo nome, seja através do ‘JL – Jornal de Letras’, onde é colaboradora, assim como da Glosas – Revista pela Música Portuguesa‘ que pertence ao MPMP – Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa’.
Manuela Paraíso colabora ainda no ‘ATRIUM‘, uma base de dados online sobre compositores portugueses, é autora de um outro blogue, ‘Portuguese Music‘, onde a divulgação é feita em língua inglesa, e colaboradora activa da Associação António Fragoso.
De Despacho em Despacho o Sistema de Ensino Artístico Especializado tem vindo a ser despachado pelas pardas iminências, ora da Agência Nacional para a Qualidade, ora do Ministério da Educação, sempre sob a batuta do inefável senhor Professor Doutor e Secretário de Estado Valter Lemos.
O estival Despacho deste ano, o n.º 12522/2010, publicado ontem com a assinatura da Senhora Ministra da Educação, motivado pelo quadro do actual contexto de contenção orçamental e de redução da despesa pública, o qual produz efeitos a partir de amanhã, dirige-se aos «cursos de iniciação e dos cursos básico e secundário em regime articulado, integrado e supletivo, ministrados por estabelecimentos de ensino especializado da música da rede do ensino particular e cooperativo», ou seja, a cerca de 92% das escolas do sistema, e despacha, muito rapidamente o seguinte:
2 – O valor da comparticipação financeira a conceder a cada entidade proprietária (…) não pode exceder o valor efectivamente financiado ao abrigo do contrato de patrocínio celebrado, no ano lectivo de 2009 -2010 (…)
Despacho n.º 12522/2010
Ora, assim de pronto:
1 – se alguém investiu, ou pediu empréstimo para investir numa escola de ensino especializado em qualquer ponto deste país para leccionar a partir do próximo ano, esteja descansado porque poderá sempre contar com o apoio moral da família diante da falência de seu nado-morto;
2 – se alguma dessas escolas se lembrou de andar a trabalhar no duro com escolas do ensino genérico em protocolos de articulação, já com centenas de alunos inscritos e horários acordados, não se preocupe pois poderá sempre dizer aos pais que vão levar música em vez aprenderem, evitando assim aos alunos incómodos e trabalheiras desnecessárias;
3 – se, porventura, para além de terem protocolos de articulação assinados e matrículas aceites, já tinham professores contratados para o aumento de alunos, aí terão de despender algum dinheiro em telefonemas para informar os contratados de que os contratos terão efeito junto do Instituto de Emprego e Formação Profissional.
Tanta, mas tanta merda com o aumento de alunos, com o completo desvario que foi a anulação do sistema de avaliação das escolas de ensino artístico especializado, com a destruição do último sistema de ensino público de qualidade, por que escancararam as portas a alunos que não têm nenhum interesse especial em aprender?
Com o dinheiro que estão a gastar a ensinar meninos que não querem aprender poderiam, respeitando o quadro do actual contexto de contenção orçamental e de redução da despesa pública, deixar que aqueles que têm interesse, trabalham e compreendem o que é aprender, se mantivessem num sistema cuja qualidade dos serviços prestados correspondia às suas necessidades de aprendizagem!
Mas isto sou eu que digo em jeito de desabafo de uma pessoa que não tem nada a ver com o assunto, até porque, de certeza absoluta, não tardará de que centenas de professores e directores envolvidos aparecerão para exprimir publicamente o seu repúdio muito mais assertivamente que eu.
ps:
1- despachando os despachos Estivais da destruição do Sistema de Ensino Artístico Especializado – Despacho n.º 17932/2008, Portaria n.º 691/2009 e Despacho n.º 12522/2010;
2 – notícia Expresso.
Com sobriedade e sem detalhes que alimentam tablóides, Pedro Mexia anuncia, com a elegância que o caracteriza, a cessação, a seu pedido, da sua função de sub-director da Cinemateca Portuguesa.
Não conheço as razões da sua decisão, mas reconheço a ética e a verticalidade com que Pedro Mexia tem pautado a sua vida profissional e pública e sei que a Cinemateca fica a perder. E muito!
Tento muita vezes segurar-me quando leio Francisco José Viegas no Origem das Espécies para não transformar este canto num rol de citações. Mas esta não resisto e aqui a deixo, não substituindo a leitura integral do texto:
O que é preciso discutir, realmente, é o que se vai ensinar na escola. E para isso é preciso questionar seriamente uma geração de burocratas das ciências pedagógicas que, durante os últimos trinta anos, torturaram professores e alunos com as suas ideias de «engenharia escolar e social», os seus manuais deficientes, as ideias feitas, as vulgaridades e erros nos manuais de Português, História ou — ah, sim — até Matemática.
Francisco José Viegas em A Origem das Espécies.
E, acrescento, eu, criar os mecanismos para que essa demanda se efective e controle.
A experiência de Gabriela Canavilhas preenche quesitos que sempre defendi como essenciais para a escolha de um Ministro da Cultura: saber, saber fazer e especialização, ou vasta, relevante e bem sucedida experiência no domínio da gestão cultural, seja na esfera pública quanto na privada.
Apesar de desconhecer o pensamento da nova ministra sobre políticas culturais e da manifestação de desacordos no passado com eco neste blogue, parece-me apropriado aqui realçar o meu agrado pela sua escolha e o desejo das maiores felicidades.
Sobre o ensino artístico reproduzo outro comentário, desta vez de Alice Valente, colocado no post Ensino Superior de Artes em Portugal – estudo.
autor do texto que se segue: Alice Valente
Vivemos momentos insólitos, apesar de não muito diferentes do que sempre as artes se têm afirmado: resistentes em prol da vida e da arte de ser vida e vivida.
“Temos de aceitar!” “Temos de respeitar!” e “Temos de aceitar sempre!” o que nos ditam por quem manda, mesmo que estejam enganados! Sempre assim foi, mas agora um pouco pior!
Pois, mas nestas áreas do que é artístico, vai ser difícil impor uma ordem, uma escola, um discurso, um modelo… As artes respiram por elas próprias. Embora no caso da música e entre outras artes, haja uma necessidade de aprendizagem técnica que por sua vez se transforma por si mesmo em descoberta e estímulo ao importantíssimo desenvolvimento das capacidades intelectuais de quem as pratica. As artes na generalidade têm um espaço muito próprio (o que escrevi, aqui):
Ou seja agora e relativamente às Artes, aos Artistas e ao que é Artístico, querem usá-los e pô-los numa qualquer margem, atirando-os da borda-fora, é isso? Ou então querem vir roubar conceitos e estares a obrigarem que sejamos “coisas” ou objectos vendáveis e compráveis como se estas áreas, alguma vez se poderiam tornar mercantilizáveis ou convertidas em meras indústrias culturais, é isso? Talvez estejam enganados, é que este é um mar imenso e pode ficar bravo, assim como o mar verdadeiro que se agita em maré-alta, é imprevisível e pode ser muito perigoso, para os que pensam que tudo dominam sem respeito para com a Vida…
Não vejo que isso possa ser tido em consideração pelos responsáveis e técnicos de estudos e relatórios sobre o que possa ser a prática do Ensino das Artes.
Ainda bem que escolheram o talentoso maestro Borges Coelho e parece que aprenderam alguma coisa com o que se passou na Conferência de 2007.
(E sobre isso, escrevi isto):
(…) Não esqueçamos que a verdadeira Cultura e a verdadeira Educação são pois do domínio público…
E não esqueçamos também que para formar e desenvolver capacidades e talentos é preciso que os professores sejam talentosos!
E no dia do encerramento felizmente que foi convidado alguém ligado às Artes, o maestro José Luís Borges Coelho e que eloquentemente nas suas sublimes e sentidas palavras, fez questão de revelar relativamente à Conferência e de como tem sido tratada a Educação Artística, que o “rei vai nú”, desmascarando toda aquela palhaçada, fazendo que toda a plateia se levantasse mais do que uma vez a aplaudi-o e a mostrar que ainda é possível acreditar nas Artes e no que é Artístico, mas pelos que fazem Obra, no Saber-Fazer e não por todos aqueles que pensam que os talentos se fazem de invencionices, a dizer que basta de conversa, basta de teorizações de altíssimo gabarito, basta de declarações eloquentes destinadas a recomendar o que foi recomendado e de quererem mostrar que agora descobriram o tesouro ou a pólvora da Educação Artística, mas o Ensino do Artístico já existe e é ensinado nas Escolas de Música e não só, tem sido é muito negligenciado pelos ministérios e pelos governos. Agora temos que nos comprometer é com a erradicação da pobreza e é com essa realidade que a Educação se terá de confrontar e que ninguém deliberadamente seja posto de fora…
Mas não será que, estes nomes unicamente poderão estar a servir de isco para enganar e posteriormente, os “grandes” espertalhões das ciências da educação e os do económico-político e em seus ministérios de educação e cultura, fazerem como muito bem entenderem?
Alice Valente