Arquivo de: Gestão Escolar
Arquivo de: Gestão Escolar.
Arquivo de: Gestão Escolar.

Parco tem sido o tempo para escrever como gostaria sobre este psico-processo da avaliação de professores (ler excelente texto da Alice Valente). O método e a metodologia eram inegociáveis para Maria de Lurdes Rodrigues; os sindicatos, sem qualquer vergonha, desconfiados de já que não representarem os professores, assinaram em Abril um acordo com o Ministério onde apenas adiavam o problema sem o resolver, sabendo, por tal, que o inexequível método faria retornar os professores às ruas.
Entretanto, diante do impasse criado pela Sra. Ministra e pelos sindicatos, logo aparecem sugestões de reactivação do diálogo entre eles após duras palavras entre eles: uma comissão de sábios; sentem-se novamente à mesa e reflictam; simplifiquemos a burocracia da avaliação, mas esta mantém-se e o método também. Porreiro! Como é que não nos lembramos disto antes?
Mas que se passa? Passa-se que o diabo das estruturas democráticas deixaram de controlar as pessoas, no caso os professores, e eles, os das democracias bem estruturadinhas assustam-se com estas demonstrações de cidadania activa - os professores emanciaparam-se do Ministério e dos sindicatos! Os professores, avaliadores e avaliados, sabem que esta avaliação não serve o ensino nem a aprendizagem dos alunos, quanto mais não seja porque deixaram de ter tempo para ensinar.
Mas cuidem-se senhores professores que a avaliação é essencial para melhorar a aprendizagem dos alunos. Não esta, eu sei, que apenas serve para enquadrar progressões de carreira, mas uma que reflicta os que ensinam e o que os alunos aprendem! Sim, a avaliação de professores só faz sentido se estreitamente ligada à progressão dos resultados dos alunos, em exames nacionais e provas globais! Mas, hélas, A Dra. Maria de Lurdes Rodrigues, apesar de apregoar que a avaliação em curso serve para beneficiar os alunos, em mais uma tentativa de virar os pais contra os professores, sabe bem (espero) que não pode haver uma correcta e séria avaliação dos professores pela simples razão que tem vindo a anular a avaliação dos alunos!
Então, se nas palavras da Senhora Ministra e dos cientistas da Faculdade de Psicologia de Lisboa e dos pediatras e dos pedo-psiquiatras não faz sentido reter (reter quer hoje dizer chumbar) alunos no mesmo ano, também não faz sentido reter os professores em avaliações sobre a aprendizagem dos alunos! Façam antes uma eleição, ou referendo, se preferirem, sobre quem deve progredir, anualmente, na carreira docente e poupem-nos a esta palhaçada!
Apareceu a notícia no Público de que a polícia terá carregado sobre os alunos da Escola C+S de Alfragide, tendo ferido, pelo menos, um.
Isto está a tornar-se absolutamente insustentável: a Sra. Ministra da Educação tratou de, pública e recorrentemente, desautorizar professores e escolas; ontem surge Mariano Gago, o Ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, a desautorizar os gestores das universidades em vez de assumir que as tornou financeiramente insustentáveis; por fim, quem mandou a polícia para a Escola C+S de Alfragide mais não fez do que contribuir para que nos habituemos, também, a desautorizar as forças policiais!
De desautorização em desautorização chegaremos a um ponto em que, não merecendo já os governos que lhes concedamos autoridade, eles próprios se encarregam de a esvaziar de todas as instituições sociais, aquelas que, afinal, ainda sentimos que poderíamos recorrer em caso de necessidade.
Um comentário atrás da Nilza sobre avaliação de professores, uma boa amiga de longa data, conseguiu despertar-me para a sensação de que alguns dos que ainda se dão à pachorra de ler o que para aqui extravaso poderão pensar que sou contra a avaliação de desempenho. Quem assim entende creia que não é essa a minha opinião, aliás, anteriormente e bastas vezes manifestada (ver aqui ou aqui, por exemplo). Considero a auto-avaliação e a avaliação por outrem instrumentos indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer profissão, pelo facto de permitir reflectir sobre o que se fez para interrogar e testar estratégias que permitam melhorar o desempenho de cada qual.
Não vejo que a profissão de professor encerro alguma particularidade que desvirtue esse princípio, bem pelo contrário, mas sei, estou certo, que também como em qualquer outra actividade o desempenho se avalia através da produtividade que, no caso do professor é a aprendizagem dos alunos.
Sendo a aprendizagem dos alunos o objectivo primo do professor, é através da particular inter-relação entre cada aluno e cada professor que tudo pode ser ser melhorado ou não.
É exactamente por este facto que considero o actual modelo de avaliação imposto uma autêntica aberração burocrática, muito embora como não consiga entender que a reivindicação dos professores tenha incidido na negação de qualquer sistema de avaliação e não na exigência, junto do Ministério da Educação, na implementação de um sistema de avaliação centrado na aprendizagem dos seus alunos, sem outros quesitos laterais e colaterais que em nada interferem no foco da sua profissão - fazer com que os alunos aprendem e gostem de aprender.
Por isso, trago para aqui um excerto do comentário da Nilza pela pertinência que revela em relação a aspectos positivos de uma correcta avaliação de professores.
(…) reajo, tentando mostrar um outro lado da questão do estado actual da educação, da escola, dos professores… Esta reacção não é carregada de teoria mas apenas pretende compartilhar convosco um episódio recentemente vivido a propósito de avaliação dos professores.
Um dia destes fui visitada por uma amiga professora do ensino básico e a conversa foi inevitavelmente para o “tempo que se está a perder com o processo de avaliação … as energias que isso tira para o efectivo trabalho docente com os alunos…Deixei-a desabafar e depois pedi-lhe que me falasse de tarefas concretas que têm que fazer nesse processo e aí, confesso, que a conversa me interessou bem mais… e então, começou a falar das ditas “matrizes” que agora têm que fazer sempre que dão um teste de avaliação…e foi confessando que afinal 1º fizeram (a minha amiga e os colegas que leccionam a mesma disciplina na escola) o teste e só depois a matriz… e que SÓ AÍ se aperceberam que o teste nem tinha sido muito bem construído…que havia questões que tinham sido colocadas e que didacticamente não tinham feio muito sentido e que ao discutirem as resposta esperada dos alunos até se aperceberam que eventualmente havia um conteúdo científico que não estava a ser completamente bem dado … ao discutirmos isto fomos então falando DOS alunos que fizeram o teste, dos conteúdo leccionados a ESSES alunos, das dificuldades de aprendizagem DESSES alunos e das suas eventuais causas…
As matrizes associadas aos testes não são assunto novo (lembro-me de já ter aprendido isso nos anos 70 quando na Faculdade tirava o meu curso para ser professora de Física) mas se agora os professores se sentem “obrigados” a fazer e se isso os leva a pensar mais nos seus alunos… bem-haja o processo de avaliação dos professores!!!
Sei que não se pode generalizar a partir de um caso…mas se se criticam tanto as estatísticas (estou a ser um pouco irónica!!!) porque não partilhar convosco este caso.
Um abraço para todos,
Nilza
Ora bolas! Eu a escrever que agora os pais davam mais no focinho aos professores devido ao enxovalho social que este Ministério da Educação tem publicamente exposto esta profissão (ele é que os professores não trabalham; ele é que os professores não querem ser avaliados…), a propósito da demissão em bloco do Conselho directivo da Escola de Santa Maria em Beja, eis, senão quando, o Sr. Doutor José Verdasca, director regional de educação do Alentejo, de pronto apontou os responsáveis pelas agressões ocorridas - os jornalistas!
(…) a culpa das agressões e insultos que se têm verificado na Escola EBI de Santa Maria é dos jornalistas, segundo as palavras do director Regional de Educação do Alentejo, no final da reunião que se realizou ontem à tarde no Governo Civil e que juntou para além de Manuel Monge e José Verdasca (…) via Rádio Voz da Planície
Afinal isto é como a crise financeira, um problemazito de regulação empolado pelos media. Assim é que é director Verdasca, preto no branco… sujo!
É o que pretende dizer Albino Almeida ao Procurador-Geral da República a propósito dos maus-tratos infligidos por professores a alunos. Vai ser dia 18, segundo o Público.
E vídeo para o Youtube, não há? Sugiro, então:
Pressinto uma generosa janela de oportunidade para jovens cineastas em ambiente escolar, isto é, se se aplicarem em tecnologia e inovação.
Até pode ser que Francisco José Viegas tenha razão sobre as consequências do Director Executivo da Escola quando diz que
Daqui a alguns anos as escolas estarão excelentemente geridas (até coloco essa hipótese), mas sem nada para ensinar.
mas, apesar disso poder vir a acontecer, sinto-me obrigado a tirar o chapéu a Sócrates por esta medida, já que sem ela, isso sim, mesmo que as escolas tenham muito para ensinar não o conseguiriam fazer por total ausência de métodos de colocação de objectivos, de acompanhamento de resultados e avaliação de professores e alunos.
O que me parece essencial é que esta medida seja acompanhada pela colocação de objectivos precisos e mensuráveis a nível de resultados a cada Director Executivo e que este os distribua professor a professor, classe a classe, aluno a aluno e aí, sim, aí não haverá mais escusas possíveis para o incumprimento e incompetência no ensino e na aprendizagem, sem prejuízo do que atrás já referi, nomeadamente sobre os exames nacionais e as provas globais.
Esta mudança, aliás, só faz sentido se a gestão incidir, precisamente, sobre a gestão de recursos humanos para que as avaliações não continuem a ser feitas com base na produção de papelada para não sei quantos gabinetes e grupos de estudos apensos ao Ministério da Educação, mas sim na progressão dos níveis de assimilação dos alunos e, consequentemente, na competência de cada professor e de cada escola.
José Sócrates ‘tira mais um coelho da cartola’, mais um para tentar safar a latente incompetência do Ministério da Educação - o Director Executivo da Escola.
O Primeiro-Ministro acordou (ou acordaram-no) para um problema que urgia há muito tempo resolver - a reminiscência do PREC dos Conselhos Executivos das escolas eleitos pelos professores. Fê-lo em pleno Parlamento quando toda a oposição se preparava para atacar o governo (mas que oposição que nem pegou nos resultados do PISA 2006 que incomodavam, esses sim, Sócrates, antes bradando com assuntos que nada interessavam). Fê-lo e fê-lo bem, no melhor momento (para ele, entenda-se) porque já ninguém reconhece competência nem autoridade a esta equipa do Ministério da Educação.
Através de sucessivo e ininterrupto frenesim legislativo, o Ministério da Educação tem atirado para as escolas, de trambolhão em trambolhão, medidas e contra-medidas que nada mais têm conseguido do que desmantelar a estrutura existente sem tratar de a substituir por outra, provocando um caos confrangedor.
O sistema educativo está paralisado, seja por agredirem ostensiva e publicamente o estatuto social do professor, seja por avançarem com avaliações de professores sem antes os avisarem nem informarem sobre o que seriam avaliados, seja pela perfeita aberração do concurso para “Professor Titular”, onde contavam os anos de serviço, as directorias de turma, as actividades escolares, mas não curarem saber se os visados tinham ou não sido bons professores durante o período de serviço, se tinham ou não sido bons directores de turma, se tinham dado boas aulas de estudo acompanhado ou não, ignorando o que faziam nas áreas de projecto, enfim, um inusitado rol de impropérios que não lembraria a pessoas com um mínimo de bom-senso, culminando com uma avaliação dos professores sem previamente lhes colocarem objectivos precisos e mensuráveis, avaliação essa a cargo das tais reminiscências do PREC - os Conselhos Directivos.
Já em tempos escrevi (aqui e aqui) que não acredito na eficácia da avaliação dos professores nem na autonomia das escolas nem na melhoria da aprendizagem sem alterar 4 pontos essenciais no que à gestão administrativa, escolar e cultural diz respeito, os quais volto a insistir:
1 - a inscrição do dever de educar no quadro da responsabilidade civil objectiva da paternidade;
2 - o fim dos conselhos directivos eleitos e a contratação de directores por concurso público;
3 - exames nacionais a todas as disciplinas em todos os final de ciclo e provas globais internas nos anos intercalares a todas as disciplinas, corrigidas cegamente, em todas as escolas;
4 - avaliar o desempenho dos professores com base em objectivos muito concretos e mensuráveis por classe e aluno.
Parabéns a José Sócrates pela ousadia de tratar do 2º ponto, mas convém alguma segurança: num momento que se fala de competências, não me parece de todo aconselhável que a função de director executivo de uma escola seja desempenhada por professores, a não ser que estejam qualificados academicamente para para o efeito!
Nem os gestores deverão ser professores de português, nem estes gestores exclusivos de escolas!
Seria até de evitar que antigos membros de conselhos executivos desempenhem a função de director executivo para evitar situações de compadrio ou perpetuação no poder.
José Sócrates escolheu a Educação e a Saúde para o debate mensal no Parlamento. Dá-me ideia que vai ser um ver se te avias de números, de números de todos e de tudo a que número se possa reduzir, e número que não estiver a preceito, como os do PISA 2006, é evidente que o discurso será o de que é preciso dar tempo para que em conveniente número se possam tornar. Não nos dos PISA 2006, não,! Nos convenientes, nos tais que defenderá que o tempo, a seu tempo (20 anos, diz) colocará a preceito.
José Sócrates já vai dizendo que a luta é pelas qualificações - sucedâneo da expressão “sucesso escolar”, ou seja, passagens e diplomas - e evita o que verdadeiramente está em causa: a aquisição de saberes e competências específicas e culturais para a vivência num mundo globalizado com uma identidade adequada.
Insiste ainda o Primeiro-Ministro que defende mudanças “passo a passo”, em alternativa às grandes reformas do sector (Público), mas que quererá isto dizer se a sua Ministra da Educação levou a cabo não grandes reformas, mas uma autêntica revolução, conseguindo destruir o pouco que havia, nomeadamente, o estatuto social dos professores e, consequentemente, a sua autoridade, reduzindo-os simples burocratas administrativos que, com anacrónicas mangas de alpaca, tratam de papelada, ficando sem tempo, o tal que é preciso dar tempo, para tratarem dos alunos?
Repare-se na leitura distorcida que o Ministério da Educação faz dos resultados do PISA 2006 no seu próprio site:
Na literacia em ciências, Portugal apresenta um valor de 474, em comparação com 459 em 2000 e 468 em 2003.
Já na literacia em leitura, o valor de 2006 (472) é superior ao de 2000 (470), mas inferior ao de 2003 (478).
Por fim, na literacia em matemática, os 466 pontos de média verificados agora repetem o valor de 2003, continuando acima de 2000, quando o desempenho médio dos alunos portugueses foi de 459.
(Portal da Educação)
Não há vergonha! É o ultrage, a manipulação dos resultados, o sacudir da água do capote!
Sejam sérios e não tenham vergonha de admitir a incompetência, o erro nas políticas de gestão escolar e cultural, enfim, assumir que estavam enganados e entregar o assunto a quem saiba fazer melhor, em especial, no que à organização, à gestão escolar e à aprendizagem diz respeito!

A propósito desta imagem que recebi por email lembrei-me do ‘Fan Ike’ da Sandra Vanessa!
Primeiro ler, depois mastigar bem e depois digerir…
Digerir?
Não acredito. A Senhora Ministra da Educação está muito bem alicerçada junto de José Sócrates e mais ainda de Cavaco Silva, que estão muito preocupados com os índices de “sucesso” escolar (leia-se passagens mais fáceis do que as administrativas do tempo do PREC), do que na aquisição de saberes e competências, nomeadamente na literacia em ciências, matemática e leitura, que é do que trata o PISA - Programme for International Student Assessment.
Esta ideia de aferir o conhecimento dos alunos de 15 anos veio causar um grande desarranjo nestes nossos líderes: só três países se saem pior que Portugal - Grécia, Turquia e México; 25 % contra uma média da OCDE de 19,3% têm um conhecimento científico muito limitado; apenas 3,1% dos alunos portugueses atingem os níveis 5 e 6 (numa escala de 1 a 6) contra a média de 9% da OCDE, sendo que só 0,1% atingem o nível máximo; no do custo por estudante, verifica-se, por exemplo, que a Eslováquia gasta menos de metade (do básico ao secundário) e os seus alunos têm desempenhos bem superiores aos colegas portugueses.
Depois de todas as pseudo-reformas que este governo tem levado a cabo através da senhora Ministra Lurdes Rodrigues, os resultados mostram bem o caminho - admitir a incompetência, o erro nas políticas de gestão escolar e cultural, enfim, assumir que erraram e entregar o assunto a quem saiba fazer melhor, em especial no que à organização, à gestão escolar e à aprendizagem diz respeito!
É absolutamente caricato ter encetado uma campanha cega contra o estatuto social dos professores quando, afinal, tudo o que está a montante é que não funciona, ou seja, o próprio Ministério da Educação! Para cúmulo, para entendermos melhor o resultado dessa campanha difamatória contra o professor podemos ainda ler, para nossa vergonha, a inevitável, apesar de ingénua, arrogância da ignorância:
Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico. Em toda a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área, apesar de apenas dominarem as competências mais simples.
A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente o que é ensinado nas aulas, demonstrando uma atitude bem mais confiante do que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking. Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior - Grécia, Turquia e México.
(via RTP)
Este país em Agosto anda sempre muito depressa! É de louvar o trabalho estival, em especial, aquele que um gajo só dá conta quando nele tropeçar, no caso quando nos apercebermos que os nossos filhos vão para a escola enriquecer em vez de aprender!
Não é que o Sr. ex-Presidente dos Institutos Politécnicos e actual Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, parece querer que todos os alunos sejam enriquecidos em vez de ensinados, trocando professores experientes por técnicos de enriquecimento avençados a 12 meses e directamente dependentes da superior boa-vontade dos Conselhos directivos?
A ideia até nem parece má, pôr os filhos na escola a enriquecer e, quem sabe, daqui a uns anos eles até já nascerão a ganhar para casa!!!
Vamos ler…
Escolas podem começar a contratar directamente professores a partir de 17 de Setembro. Esta medida serve para assegurar a substituição temporária de docentes, o recrutamento de formadores para as áreas técnicas e profissionais e ainda a contratação de professores para projectos especiais de enriquecimento curricular e de combate ao insucesso escolar.
Segundo a portaria, que aguarda ainda publicação em Diário da República, os estabelecimentos de ensino podem começar a 17 de Setembro a contratação directa, caso seja necessário, de professores dos grupos de recrutamento de Electrotecnia, Ciências Agro-Pecuárias e Música.
De acordo com o documento, assinado pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a 20 de Agosto, as contratações cíclicas mantém-se até 8 de Outubro para nove grupos de recrutamento, entre os quais Francês, Alemão, Espanhol, Geografia e Informática. (via Público)
Os projectos de Educação para a Saúde, que incluem a educação sexual obrigatória, vão ser desenvolvidos em cada escola do 2º e 3º ciclos por um professor coordenador nomeado pelos conselhos executivos (…) (Portugal Diário)
Vou informar-me se o meu currículo sexual dá para meter uma cunha às Câmaras e aos Conselhos Executivos tal como aconteceu com os professores do enriquecimento curricular do 1º ciclo.
Tomem as gotas, pá, da-se!
O Governo manifestamente encravou em matéria de política educativa e um dos sinais é a gestão das escolas, onde não há evolução no modelo”, disse o dirigente democrata-cristão, que defende um modelo de “escolas capazes de desenvolver o seu próprio projecto educativo e a sua autonomia (Ribeiro e Castro via Público)
Às vezes fico com a impressão de que os blogues servem para alguma coisa. Mas é muito pouco às vezes…
Ontem no “Diga lá Excelência”, Marçal Grilo mostrou estar em sintonia com a Ministra da Educação, em especial no que concerne à revisão do estatuto da carreira docente e à autonomia das escolas, o que não é para admirar já que mantém-se coerente com o que sempre defendeu.
No entanto, Marçal Grilo sabe que não há reforma de gabinete que resulte se ela for feita contra os seus executores, os professores, no caso. Sabe e defendeu mais uma vez a Ministra aduzindo a deficiente comunicação…Ao Domingo à noite a coisa ainda vai, mas à 2ª feira, dasss meu, não há pachorra. Nem para o Dr. Marçal Grilo nem para a Sra. Ministra!
Como é que estes senhores, com os quais até simpatizo, acham possível a autonomia das escolas enquanto não alterarem a sua forma de gestão? Como é que estes senhores, bem intencionados, repito, acreditam que a avaliação dos professores vai funcionar se irão ser avaliados pelos colegas que elegeram e irão eleger?
Estará tudo doido varrido ou será mesmo que ainda estarão toldados pelo “bom selvagem” de Rousseau?
Entre S. Tomás e Rousseau, o homem é intrinsecamente mau ou intrinsecamente bom, vai um mundo de acasos onde o bem e o mal, o bom e o mau, se mesclam em ininterruptas reacções aos mais diversos estímulos e, portanto, não há sistema que funcione se não houver condições objectivas para que ele seja implementado, controlado e avaliado.
Eu gostaria de ter ouvido que antes de qualquer genial reforma educativa haveria que implementar 4 condições essenciais para que, sejam elas quais foram, poderem ser aplicadas e avaliadas:
1 – os pais devem ser civilmente responsáveis pela educação dos seus filhos, devendo este dever estar no Código Civil formalmente inscrito no conceito de paternidade e com penas aplicáveis;
2 – acabar com os conselhos directivos eleitos (resquícios do PREC) e contratar, por concursos público, directores aos quais estejam atribuídos objectivos específicos e quantificáveis para a escola em causa tendo, para o efeito, autonomia para contratar quem bem entenderem para a direcção pedagógica que deverá fazer parte de um conselho composto por representantes eleitos dos professores, dos pais e da comunidade;
3 – exames nacionais nos 4º, 6º, 9º e 12º anos a todas as disciplinas e, anualmente, provas globais internas a todas as disciplinas, corrigidas cegamente;
4 – cada professor deve ter objectivos particulares por classe a cumprir, acordados entre ele e o director, perante os quais, e apenas por eles, deverá ser avaliado anualmente, contribuindo, assim, para o cumprimento dos objectivos gerais do director, i.e., da escola.
Depois desta merda implementada então, porra, façam lá as geniais reformas vindas da cadeia de comando, pois já existirão condições locais para que elas possam ser implementadas e quem as poderá executar – professores, pais e alunos.
Não há pachorra! Comecem o edifício pelos alicerces!!!