Arquivo de: Gestão Hospitalar
Arquivo de: Gestão Hospitalar.
Arquivo de: Gestão Hospitalar.
Já anteriormente dei nota de que a ambulância da VMER em Beja está muito bonita, bem equipada, embora nem sempre operacional, não pelo preço dos combustíveis, mas por falta de médicos. (via Público)
Daí que a população esteja, através das várias associações culturais e recreativas representantes do povo e da região, concentrada em empreender (recorrendo aos últimos formados pelo IEFP em ‘empreendedorismo’) uma solução inovadora (recorrendo aos mais recentes especialistas em ‘inovação’ formados pelo IEFP e creditados pela Agência Nacional para a Qualificação) de fazer coincidir as aflições dos doentes com a disponibilidade dos médicos, das ARSses e demais poderes instalados e/ou em vias de instalação.
Caso não seja viável chegar a um entendimento entre as diversas partes diz-se que as autoridades competentes equacionam a instauração da figura de ‘médicos de substituição’ à semelhança do que se faz já com os professores, contando para isso que, rapidamente, a Agência Nacional para a Qualificação credite mais um curso rápido no IEFP para o efeito.
Enquanto as autoridades equacionam, os futuros doentes condescenderam em aguardar mais um mês pela equação, mas prometem uma marcha de luta e de luto caso a equação não se venha a encontrar.
Todos os hospitais e serviços centrais de saúde serão obrigados a ter um controlo electrónico de assiduidade até ao fim do ano. (via Agência Financeira)
Sempre considerei que se deveria controlar a assiduidade dos médicos nos hospitais públicos, mas esta medida agora anunciada sempre me colocou algumas reticências, nomeadamente, se um médico deve interromper um acto, cirúrgico que seja, para ir picar o ponto à hora de saída ou, caso não o faça como manda o bom-senso, as horas que permanece em serviço até terminar o acto médico deverão ou não ser automaticamente consideradas como extraordinárias?
Que deve haver controlo, parece ser consensual; agora este tipo de controlo não me parece ser o mais adequado para os profissionais de saúde.
O projecto Música nos Hospitais, que já atrás divulguei, será objecto de uma apresentado conjunta pela Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade (APMHIS) e pelo Serviço de Pediatria do Hospital Geral de Santo António, amanhã, 17 de Maio, às 11 horas, no Auditório Alexandre Moreira situado daquele hospital.

A APMHIS acredita que a presença de música em ambiente hospitalar e em instituições de idosos é um importante contributo para a humanização destes espaços, pois ao introduzir momentos de ruptura na rotina destas instituições constrói e proporciona um espaço sensível, facilitador da expressão das emoções e do diálogo, criando momentos de prazer e bem-estar (…).
Hoje, às 21:00, o canal Odisseia passará um documentário que inclui uma reportagem sobre o projecto Música nos Hospitais, inserido na série Odisseias: Eu Criança, dedicada a explorar o perfil de pessoas que todos os dias investem o seu tempo e esforço em melhorar carências à sua volta que ficaram desatendidas.
Os benefícios da arte e mais concretamente da música para a saúde estão longe de ser considerados prioritários pelos poderes, gestão hospitalar e técnicos de saúde, mas Victor Flusser, a partir do Centre de Formation de Musiciens Intervenants de l’Université Marc Bloch Strasbourg, vem desde há alguns anos a investir na formação de músicos para actuar nesses espaços, La Musique en Milieu de la Santé.
Por cá, apesar de não ser da sua responsabilidade, a Orquestra Metropolitana de Lisboa é parceira neste projecto de formação, disponibilizando o seu espaço para esta graduação profissional, estando já concluídos 2 cursos de Músicos nos Hospitais certificados pela Université Marc Bloch Strasbourg e formada uma associação: APMHIS - Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade.
Por razões que pouco interessam para aqui, acompanhei de perto este projecto e sua implementação em alguns (infelizmente muito poucos, ainda) serviços de pediatria e geriatria dos hospitais portugueses, sendo levado a divulgá-lo por acreditar que a música não é só entretenimento, nem prazer.
Recomendo vivamente este documentário sobre o que alguns músicos vêm fazendo já no nosso país - a bem da sáude e da música.
Depois de Correia Campos ter ontem anunciado que irá rescindir o protocolo com as Misericórdias, conforme parodiei aqui, ficou a nu, para quem dúvidas alimentasse, que os resultados de exploração apresentados pelos governos PSD/PP dos “hospitais s.a.” foram tudo menos transparentes, para mais não dizer. Este protocolo (um entre centenas) demonstra o enviesado rigor na afectação das despesas - os hospitais s.a. beneficiavam dos serviços previstos nesse protocolo e os respectivos custos eram afectados directamente ao Ministério da Saúde e não aos “hospitais s.a.”.
Isto era um logro, como muitos outros existirão, mas o que se impõe, a bem de uma correcta avaliação da gestão dessas unidades, seria uma auditoria independente e uma inspecção do Tribunal de Contas.
Não se trata de uma qualquer perseguição aos anteriores executivos, antes ter em mão painéis de gestão fiáveis para ajustar, sistematicamente, os processos com desvio ou, em caso de se apurar o insustentável, inverter definitivamente os objectivos e os métodos de gestão adoptados.
Correia de Campos suspende protocolo com as Misericórdias que previa o acolhimento de doentes que necessitam de cuidados hospitalares, mas não permanentes, alegando que «o Ministério não está disposto a manter protocolos que têm pagamentos sem a correspondente prestação de serviços», uma vez que «as camas contratualizadas foram negociadas, sendo pagas a 50 por cento, mesmo não estando ocupadas (…)» (ver notícia).
Ora o Senhor Padre Milícias diz que o Ministro não pode fazer isso e eu, francamente, perante tanta misericórdia, acho que este protocolo deveria entender-se aos doentes crónicos que necessitem de cuidados hospitalares permanentes.
Acho que o senhor Padre ficaria contente e o Estado também!
O desvendar dos meandros do que se chamava de gestão hospitalar s.a. ainda vai no adro…
A transformação da entidade jurídica dos hospitais s.a., anunciada no programa eleitoral do PS, de “sociedades anónimas” em “entidades públicas empresariais” é , como bem afirmou José Sócrates, um sinal de que este governo não tem intenção de os privatizar, nada mais.
Conforme noticia o JN, José Sócrates afirmou “Queremos que os hospitais-empresas continuem empresas, mas que continuem públicos e do sector público“, ou seja, por outras palavras, a pretensão será a de aperfeiçoar o sistema e os mecanismos de gestão dessas unidades de saúde.
Descartando-me do velho embuste de que gestão privada é melhor que a pública ou vice-versa (nunca tive pachorra para debater falsas questões), o que importa saber é se a gestão é boa ou má (utilizando as palavras do Rui MC Branco) e adequada ou não aos fins que se pretendem atingir.
Partindo do princípio de que este governo pretenderá incrementar o rigor e a transparência e atribuir os cargos de gestão a gestores, com imposição de missões e objectivos claros e precisos sob os quais se avalie o seu desempenho, deixando a medicina para os médicos e a enfermagem para os enfermeiros, é imperioso definir, criteriosamente a grande missão que deve presidir a essa boa gestão, que aliás está bem expressa na Constituição:
1 - acesso universal de todos os utentes;
2 - igualdade de atendimento e tratamento.
e, acrescento eu, em caso de impossibilidade pontual, ao abrigo do princípio de solidariedade que deve orientar os serviços sociais do Estado, dar preferência aos mais debilitados e financeiramente menos providos.
Tomado em consideração este espírito de missão, a gestão deve ser o mais exigente possível, evitando o desperdício de recursos, implementando um sistema de objectivos em cadeia hierárquica, o mais específicos e particulares possível, de modo a que todos, sem excepção, possam sentir que são essenciais ao cumprimento geral da missão a que se propõem e, com franqueza, não tentar gerir contra os técnicos de saúde, nomeadamente os médicos, antes chamando-os a participar activamente nessa mesma boa gestão pois serão eles que melhor conhecem os problemas miudinhos, as areias, que imperram a engrenagem.