Durante a campanha eleitoral houve silêncio absoluto sobre o BPP e a nacionalização do BPN. No entanto, Sócrates afiança agora que:
Jose Socrates

O que nós decidimos fazer na proposta de Orçamento do Estado, é assegurar os depósitos. Em segundo lugar, constituir um fundo para que todos os cidadãos portugueses que tinham o seu dinheiro aplicado no retorno absoluto possam recuperar até 250 mil euros. (via Expresso)

Há mais de 30 anos que nos dizem que vivemos numa democracia sob um regime de liberdade de funcionamento de mercados, havendo uma separação clara entre o domínio público e o privado. Nesta conformidade, e constatando que a esfera privada da economia tem sido (como deve ser) muito zelosa da sua liberdade e independência, não me conformo que os contribuintes tenham de suportar prejuízos pessoais de cidadãos que, no pleno gozo de sua liberdade individual, entenderam colocar as suas poupanças em instituições bancárias que faliram ou já deveriam ter falido, em especial, porque em Portugal existe a alternativa de um banco público.
ISTO NÃO É SÉRIO! A obrigação distributiva do Estado não tem de reparar as sórdidas distorções do funcionamento dos mercados, nem as gestões danosas! Isto nada tem a ver com liberalismo, nem com social-democracia nem com socialismo! A ter a ver com algum ‘ismo’ será o neoliberalismo, cujas políticas têm conduzido os Estados e os cidadãos a uma cada vez maior dependência da agiotagem do capital global!

Nos primeiros 11 meses do ano (de 2009), foram enviados de Portugal para offshores, 11,8 mil milhões de euros. (via DN)

Continuem a proteger os bancos, a saudinha do sistema financeiro, coitadinho, que devido à penúria dos seus dividendos até têm impostos reduzidos.
Tenham vergonha na cara, senhores mandantes, de cá dessa União Europeia afora!

Gabriela CanavilhasA experiência de Gabriela Canavilhas preenche quesitos que sempre defendi como essenciais para a escolha de um Ministro da Cultura: saber, saber fazer e especialização, ou vasta, relevante e bem sucedida experiência no domínio da gestão cultural, seja na esfera pública quanto na privada.

Apesar de desconhecer o pensamento da nova ministra sobre políticas culturais e da manifestação de desacordos no passado com eco neste blogue, parece-me apropriado aqui realçar o meu agrado pela sua escolha e o desejo das maiores felicidades.

A 9 de Junho pretérito, a propósito da solução do governo para o BPP, Cavaco Silva afirmou:

Não devo comentar decisões concretas do Governo em público, aquilo que eu tenho a dizer sobre decisões do Governo entendo que devo dizer em privado.

Ontem, a propósito de declarações de Mário Lino sobre o TGV, Cavaco comentou, dizendo tratar-se de:

(…) um caminho de bom senso.

Cavaco SilvaOra parece que, afinal, ele há dias de bom-senso, outros menos, outros mais um bocadito, variando consoante a conveniência ou o ‘mood’ do dia…
Urge, de facto, promover o bom-senso social e político neste país, mas não deveria ele, em nome do bom-senso, não variar em tanto, em 180º no caso, diria, e em tão curto espaço de tempo?
É que assim até fica a ideia, seguramente errónea, de que a pretensão seria dar um jeito a determinado partido e a particular líder!

Não será de todo estranho que o preço dos combustíveis são pelo consumidor aferidos através do gasóleo e da gasolina, sendo talvez por tal facto que o preço do gás de bilha para fins domésticos, utilizado hoje maioritariamente nas aldeias e pequenas vilas, escape aos olhos mediáticos e da Autoridade da Concorrência.
Em boa verdade, desde Agosto de 2008, quando o preço de uma bilha de gás atingiu os 20,20€ só na passada semana sofreu a primeira descida para 19,80€, depois de o petróleo ter baixado, desde então, cerca de 40%.
Esta situação é tão mais aviltante quanto são os mais desfavorecidos que hoje têm ainda de recorrer às bilhas de gás para uso doméstico, tornando assim as conclusões da Alta Autoridade para a Concorrência um manifesto disparate e desprezo pelas camadas sociais mais necessitadas. Transcrevo do DN a dimensão do dislate:

Em Portugal, para o período de 2004 a 2008, os preços médios antes de impostos no retalho tenderam a ajustar-se completamente às variações de preços de referência internacionais (Platts) com um desfasamento de quatro a cinco semanas no gasóleo e de cinco a seis semanas na gasolina IO95.

Financiar bancos e asfixiar pessoas endividadas pelo desconchavo dos banqueiros – eis a política dos neoliberais e dos social-democratas que governam os Estados da União Europeia!

(…) o BCE está a considerar aumentar a maturidade dos seus empréstimos aos bancos para além dos seis meses (…) (notícia)

Até agora muitas acções ficavam paradas em tribunal por falta de identificação dos bens penhoráveis. A partir de hoje é criada uma Lista Pública de Execução com o nome dos devedores. (notícia)

Esta gente quer fazer de nós parvos!

Chip em automoveis - violacao da privacidadeConselho de Ministros aprova chips nas matrículas dos automóveis em clara violação da privacidade dos cidadãos conforme alertou parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados.
No entanto, nesta notícia:

“O DEM apenas transmite um código e não qualquer elemento de identidade dos proprietários e/ou condutores. Por seu turno, os equipamentos de detecção electrónica de veículos são dotados de um alcance meramente local, não permitindo um acompanhamento permanente dos veículos em circulação”, esclarece o Conselho de Ministros.

The shit of the chip, that’s what it is!

Armando VaraPolíticos portugueses de sucesso, comparáveis aos que abrilhantam o escol deste nosso mundo civilizado, só Armando Vara, Pina Moura, Dias Loureiro ou  Jorge Coelho poderão almejar a assemelhar-se.
Isto é o ’sobe, sobe, balão sobe’, nas nossas barbas, sem rebuço nem tibiezas!

Armando Vara foi promovido na Caixa Geral de Depósitos (CGD) um mês e meio depois de ter abandonado os quadros do banco público para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Portugal (BCP).
O ex-administrador da CGD e ex-quadro da instituição, com a categoria de director, foi promovido ao escalão máximo de vencimento, ou seja, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma.
A promoção, do escalão 17 para o 18, foi decidida pelo conselho de administração a 27 de Fevereiro de 2008, já pela administração de Faria de Oliveira, que ascendeu ao cargo após a saída de Carlos Santos Ferreira e dos administradores Armando Vara e Vítor Manuel Lopes Fernandes para a administração do maior banco privado. (via Público)

Numa conferência do Semanário Económico Sócrates afirmou:

O Governo tem sido deixado sozinho nesta batalha (do processo de avaliação dos professores) apenas por ter defendido que quer um melhor sistema de ensino público para o país.
(…)
A avaliação dos professores é indispensável para a melhoria do sistema educativo em Portugal nos próximos anos. (via Portugal Diário)

Jose SocratesÉ natural que Sócrates e sua equipa se sintam sós nesta ‘batalha’ em que se empenharam. É que ninguém vê no modelo de avaliação dos professores que:
1 – se avaliem os professores pelo devem fazer – ensinar;
2 – se consiga avaliar professores sem avaliar, com a mesma exigência, os alunos, pois os resultados destes, em exames nacionais ou provas globais corrigidas cegamente, é que se deve, prioritariamente, aferir o desempenho do ensino e da aprendizagem;
3 – se possa melhorar a qualidade do ensino público!
O problema não é a incompreensão dos partidos e seus apaniguados, antes Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Jorge Pedreira e Valter Lemos querem ver o que mais ninguém vê, atestado pela sondagem que revelou que quase 75 por cento dos professores mudavam de profissão se tivessem alternativa!
Ninguém com um mínimo de sanidade coloca em causa a avaliação de desempenho de quem trabalha, mas também ninguém vê que este modelo sirva para avaliar professores.

O Ministério da Educação através do Conselho de Ministros aprovou o ’simplexissímo’ modelo de avaliação do desempenho dos professores e, simultaneamente, fez aprovar uma série de medidas para tentar chamar para o seu lado os professores titulares em fuga das escolas públicas ao dispensar da avaliação os que se encontrem em condições de pedir a reforma até 2011 e os docentes contratados em áreas profissionais, vocacionais e artísticas, não integradas em grupos de recrutamento.
Aproveita, ainda para aumentar em 50% o suplemento de ordenado dos Directores Executivos das Escolas e colocações por 5 anos para o próximo concurso de professores!
Eis o nacional ‘chico espertismo’!
O DN, através de Nuno Saraiva, sob o título ‘Governo aposta tudo na divisão dos professores’ vai mais longe:

O Governo aprovou ontem em Conselho de Ministros a redução do número de professores a avaliar. E prometeu ainda o número de quadros para a docência e subir o ordenado das novas chefias. O objectivo é dividir os professores, antes da greve marcada para 19 de Janeiro. José Sócrates não quer arriscar começar o ano de todas as eleições com nova contestação maciça dos professores
As medidas ontem aprovadas pelo Conselho de Ministros têm um objectivo político claro: dividir os professores e reduzir o número de adesões à greve de 19 de Janeiro. Ao DN, uma fonte governamental garantiu que se trata de “uma rearrumação do tabuleiro de xadrez”, em que se joga a batalha com os docentes.

Não há vergonha! É o vale tudo, de tudo, para atingir os fins! Que fins? A designação de modelo de avaliação uma vez que do seu conteúdo, da substância, já nada resta!