Henrique Granadeiro, hoje ao Jornal I, desmente-me categoricamente por no post anterior ter adiantado que, pelo facto de a administração da PT não se demitir em bloco após a intervenção da líder do PSD, de Cavaco Silva e, posteriormente, do governo, num negócio entre a PT e a TVI (empresas privadas, constituídas como sociedades anónimas e cotadas em bolsa), o período em que vivemos poderia ficar conhecido, daqui por umas décadas, como o dealbar da ‘Era da Vaselina’.
Não poderia ter sido mais errado no meu vaticínio e, como deveria ser norma nestes casos, há que apresentar, humildemente, desculpas ao ‘chairman’ da PT, bem como a toda a sua administração. Com efeito, Henrique Granadeiro afiança que a intervenção de partidos políticos, governos e, pelos vistos agora, a Presidência da República não são casos virgens, mas recorrentes e sistemáticos, estranhando o entrevistado não a intervenção estatal em negócios de empresas privadas, mas o alarido político que em torno do caso se fez.
Ora errei, e publicamente, aqui, me penitencio, por ter utilizado o termo ‘dealbar’ (não se trata de caso virgem, bem pelo contrário, ao que parece) e, pelo facto de ao não se estranhar tal procedimento, nem a administração da PT, nem os accionistas (mudos até ao momento), haverá largas dezenas de pessoas na gestão de empresas privadas e no mundo dos negócios que parecem ter ultrapassado uma fase iniciática de estranheza, indiciando ser-lhes a vaselina já perfeitamente dispensável.
Como se dizia, primeiro, estranha-se, depois…
Aproveito para lembrar o que toda a gente sabe, mas o stress do dia-a-dia poderá justificar que se presente não tenha, que o Estado Português foi constituído réu, por acusação da Comissão Europeia, que alega o incumprimento das leis europeias sobre livre circulação de capitais e liberdade de estabelecimento no espaço europeu sem fronteiras, em três processos onde detém as chamadas ‘golden share’ em empresas privadas, nomeadamente, a PT, a EDP e a GALP.
A administração da PT, através do seu Presidente, Henrique Granadeiro, vem afirmar que o envolvimento do Estado num processo negocial entre sociedades anónimas cotadas na bolsa, através de Cavaco Silva e de Sócrates, não passou de uma tempestade de Verão.
Tempos curiosos estes em que ninguém se importa já com nada a não ser com insinuações, insultos e falta de modos. Eu que estava à espera que a administração da PT, em acto de brio profissional, diante do impensável, se demitisse em bloco! Mas não…
Talvez, quem sabe, daqui por umas décadas estes tempos fiquem conhecidos como o dealbar da ‘Era da Vaselina’, ou da falta de vergonha!
Isto deve andar mesmo tudo ao mesmo!





















