Petrushka de Stravinsky em versão para piano é que vos proponho para ouvir. Grigory Sokolov? Emil Gilels? Escutem…

   
Bom fim-de-semana

Pina Bausch, expoente máximo da criatividade na dança pós-moderna (com toda a controvérsia que esta etiqueta revele), é bem conhecida e reconhecida entre nós, em especial depois da EXPO 98, mas foi nos anos 70, depois de assumir a direcção artística da ‘Wuppertal Opera Ballet’, que iniciou um caminho particular, próprio, nomeadamente em 1975, através de uma coreografia da ‘Sagração da Primavera’ de Igor Stravinsky. Reparem no excerto…

O rumo que Pina Bausch procurou e seguiu resume-se na citação retirada Stanford Presidential Lectures in the Humanities and Arts:

For her the individual’s experience is the critical component and is expressed in bodily terms, thus creating a new type of body language. By doing this, the role of the body is redefined from one in which it disappears into the function of creation and is objectified, as is typical in ballet and most dance, to one in which it becomes the subject of the performance. Each dancer’s body tells its own story based on what it has experienced.

No excerto do vídeo coreografia da ‘Sagração da Primavera’ comprova já esse tendência, tendo Pina Bausch fundando a trama emocional em torno da própria experiência individual de cada bailarino. Partindo da celebração da fertilidade de Stravinsky, leva os bailarinos a dançar até à exaustão em acto de ’sacrifício de morte’ para que, tal como no reino animal, as fêmeas pudessem escolher qual o ‘escolhido’, ou melhor, qual o que ‘tem melhores genes para acasalar’.
É neste contexto, na expressão emocional individual de cada bailarino, que a sua afirmação de que as minhas peças desenvolvem-se de dentro para fora ganha todo o sentido.