Esta súbita torrente de casos investigados e em investigação, sobre os quais não me pronuncio embora compreenda a sua urgência e pertinência, com ou sem segredo de justiça, confundem-me os senhores da justiça quando o Sr. Procurador-Geral da República, ainda há 2 anos, afirmou que 60% dos recursos de investigação estavam dedicados ao caso do ‘apito dourado’!

Crise foi termo que abandonei por vergonha e respeito por mim, adoptando o de ‘Depressão Neoliberal’ para caracterizar as consequências que começamos a sentir devido às políticas neoliberais implementadas nas democracias ocidentais no início dos anos 80 do século passado.
Convicto estou de que seja que retoma for que possa, eventualmente, surgir, nada voltará a ser como dantes – ou enveredamos por um neoliberalismo ainda mais feroz, cavando a sul-americanização da União Europeia e dos EUA, ou cairemos na tentação de sobrepor uma estatização da economia que abafa a liberdade individual e a respectiva criatividade, seja económica, social ou cultural. Meio termo, temo que não haja coragem. Coragem para continuarmos a defender um modelo liberal assente em Estados sólidos na compensação e defesa dos que mais necessitam.
No entanto, entre ontem e hoje, surgem dois indicadores que adensam as minhas interrogações:

Vendas a retalho nos EUA caem inesperadamente pelo segundo mês consecutivo (Jornal de Negócios)

Vendas a retalho na China aumentaram 14,8 por cento em Abril (Público)

Não estaremos mesmo no advento de uma nova ordem mundial, com o pólo central a deslocar-se, tão camuflada quão vertiginosamente, para o Extremo Oriente, onde a aliança entre o capitalismo e as ditaduras será o novo paradigma?

Pimenta Machado absolvicaoA absolvição de Pimenta Machado (notícia), cujo nome foi pungente, reiteradamente e ad nauseum vilipendiado, durante mais de 6 anos, em todos os órgãos de comunicação social reforça minhas interrogações anteriores sobre o estabelecimento de prioridades da investigação judiciária em Portugal, se não mesmo, se conterá ou não alguma carga persecutória em relação a algumas pessoas e instituições investigadas.
Tanto crime que desconfiamos existir tão danoso para a generalidade da sociedade, como o da área financeira que parece agora investigar-se quase que por obrigação, reforça a minha preocupação sobre a política de investigação da Procuradoria-Geral da República, comprovada por mais esta absolvição de Pimenta Machado, a quem o Vitória de Guimarães muito, mas muito mesmo, deve e grato deveria estar.

Incluído no ‘Jornal das 22′ da RTP N o ‘Noites do Euro‘, conduzido por Carlos Daniel e com o comentador residente Luís Freitas Lobo e mais 2 convidados por sessão, é o único programa sobre o Euro 2008 que vou seguindo. O de ontem foi dos mais bem conseguidos devido à presença de Rui Costa, jogador até há bem pouco tempo, pessoa instruída, conhecedora do meio, dono de uma honestidade intelectual rara, revelando isenção, assertividade e sabedoria em todas as suas intervenções, contrastando com muitos outros convidados que por lá passaram.
Apostar em convidados deste gabarito é meio caminho para o sucesso do programa e é neste sentido que, se pouco me importa saber o motivo que norteou Scolari a ostracizar Vítor Baía, me questiono que razões haverá para o não convidarem para este programa, uma vez que, tal como Rui Costa, é um dos ex-jogadores da ‘geração de ouro’ que prima pela dignidade, isenção ética e dedicação à selecção nacional? Digo este porque me parece que Carlos Daniel tenta imprimir qualidade e rigor e não compreendo a ausência de Baía de todo e qualquer programa sobre o Euro 2008, seja neste canal ou noutro qualquer, muito menos num público, uma vez que, tal como Rui Costa foi, é uma mais-valia evidente.
Haverá algum acordo tácito (coisa que tenho dificuldade em admitir) ou será esquecimento?

Espero que sejam decididas com rapidez, com eficácia, de maneira a que interfiram o menos possível na vida do desporto. O desporto tem de ter regras que têm de ser cumpridas. Quando não são, têm de ter os seus efeitos correspondentes. (Laurentino Dias via Portugal Diário)

Estou certo de que ao proferir estas palavras teria em mente (também) a aplicação das punições previstas para clubes que não pagam salários atempadamente. É que ainda agora, via Público, soubemos que apenas o Porto e o Benfica este dever cumprido!

Ainda a propósito da ausência de integração dos princípios de proximidade e de solidariedade no processo de tomada de decisões na gestão do Serviço Nacional de Saúde, baseadas, unicamente, no conceito de que a concentração de prestação de serviços é via suficiente para assegurar uma maior eficiência de processos e uma maior eficácia de resultados, segue link para outro texto do Besugo cuja leitura é pertinente para a reflexão sobre esta problemática.

A propósito da actual gestão do Serviço Nacional de Saúde, que aposta na concentração de serviços sem preocupações sócio-antropológicas como a da proximidade proponho, para reflexão, a leitura deste post do Francisco José Viegas e este outro do Besugo onde o primeiro se inspira.
O acto de gerir serviços públicos essenciais aos cidadãos deve contar os princípios de rentabilidade e eficiência, sim, mas contextualizados com as identidades e culturas locais das comunidades. Gerir bem é gerir de forma rentável, garantir a eficiência de processos e a eficácia de resultados, mas sempre, sempre com o primo fundamento de servir. Servir, aliás, é uma atitude cada vez menos presente nas tomadas de decisão dos gestores da coisa pública. Este erro de apreciação, i.e., o desprezo pelo pulsar dos potenciais clientes, numa empresa privada seria fatal!

Ao que parece ontem a SIC Notícias interrompeu uma entrevista a Santana Lopes para emitir em directo a chegada de Mourinho à Portela. Santana Lopes considerou-se desrespeitado e abandonou o estúdio.
A atitude de Santana Lopes é perfeitamente compreensível e aceitável, mas o apoio que lhe foi dado por Pacheco Pereira, aduzindo que interromper uma entrevista política com um não-evento, sem notícia, nem conteúdo, merece esta resposta, se bem que política e culturalmente correcto, induz-me algumas interrogações, atendendo até ao que a Cristina Vieira escreveu no Contra Capa sobre a indignação de Pacheco Pereira em relação à quantidade de tempo de antena que os canais de televisão estão a dedicar ao futebol:

1 – Não fora o momento de eleições internas no PSD insurgir-se-ia Pacheco Pereira da mesma forma?

2 – o que levará Pacheco Pereira a considerar que uma entrevista a Santana Lopes é socialmente mais relevante que a chegada de um homem que é um dos mais bem sucedidos no mundo na sua profissão e leva o nome de Portugal onde o PSD todo inteiro nunca levará?

3 – se Pacheco Pereira gostasse de futebol ou do fenómeno percebesse alguma coisa reagiria da mesma forma?

4 – Em que é que as tramóias que se passam no PSD interessam ao país?

5 – Não será até benéfico que as notícias relativas aos vícios dos cadernos eleitorais do PSD sejam apenas transmitidas em horário de adultos de modo a evitar que os adolescentes adensam o descrédito a que já votam os partidos políticos?

Se estas provas não foram para classificar os alunos (como deveriam ter sido) nem foram para avaliar professores (como deveriam ter sido se as escolas tivessem gestores profissionais com objectivos atribuídos para a escola e os professores com objectivos atribuídos por aluno e por turma) será que alguém do Ministério da Educação me saberá explicar para que servem, afinal?

ps: sobre o assunto ver este post da Cristina Vieira no Contra Capa.

Não tenho acompanhado de perto o imbróglio da Câmara de Lisboa, mas ainda assim há interrogações que me assaltam:
1 – Por que será que, generalizadamente, Marques Mendes aparece agora como herói anti-corrupção se foi ele que nomeou para a sua lista os vereadores do PSD já constituídos arguidos?
2 – Por que será que Carmona Rodrigues aparece, generalizadamente, como o vilão se nem constituído arguido, até ao momento, foi?