Por razões que a decência desconhece, o jornal i entendeu fazer da divulgação do nome e emprego do autor do blogue ‘O Jumento’, o qual sempre se preservou através do anonimato, em manchete de 1ª página, cometendo um atentado à liberdade individual e à privacidade, pilares de qualquer democracia digna desse nome. (ver imagem)
Carlos SantosAo que parece, lendo os esclarecimentos de o Jumento, as opiniões de Eduardo Pitta, de Tomás Vasques, de Carlos José Teixeira, de Jacinto Bettencourt, autor do mesmo blogue de PPM, de Gabriel Silva, de Valupi e outros que podem ser consultados via ‘Da Literatura‘, Carlos Santos, professor da Católica do Porto que recentemente arranjou coluna no jornal i, autor de blogues que repentinamente se esfumaram, terá sido o bufo e Paulo Pinto Mascarenhas o chibo de jornalista travestido.
Por suspeita de fuga de informação o autor de ‘O Jumento’ foi alvo de investigações do DIAP e da Interpol, mas o caso foi há muito arquivado, não se compreendendo agora, de todo, o interesse da divulgação em causa a não ser a leviandade e a maledicência.
Paulo Pinto MascarenhasPaulo Pinto Mascarenhas ainda tenta defender-se no blogue ‘31 da Aramada’, afirmando hoje que

A súbita glorificação do anonimato (…) é um sintoma claro do estado paroquial a que alguma blogosfera política chegou.

Mas a vida prega partidas a este tipo de gentinha, pois em 11 de Setembro de 2008, o mesmo declarava em coluna no Jornal de Negócios:

Tentar reduzir os blogues a uma fonte de calúnias, difamação, boatos e teorias da conspiração, sobre o manto do anonimato, é algo que exibe uma ignorância em estado puro. Ou má-fé.

Pois, na ignorância não acredito; a má-fé é pouco para descrever o que agora, indecentemente, fez.
Se da esquerda à direita não nos livrarmos, através da denúncia, dos bufos e chibos de serviço, seremos nós os responsáveis pelo poder que usufruem ao abrigo de libertinagens que sobrepõem, despudoradamente e sem respeito, à observação dos mais elementares direitos dos cidadãos.

Incomoda-me, sim, o despudor da exploração mediática do sofrimento humano; da pronta chegada dos abutres da putrefacção humana, enquanto a da ajuda humanitária se preparava. Incomoda-me, sim, o espectáculo da dança do número de vítimas, mas em especial a ausência da necessidade de procurar reportar motivos, mesmo que ténues, de esperança. Incomoda-me, sim…
Mas ontem, no meio desse exultar da morte, comovi-me, não pelo que via, mas por ouvir a quantidade de países onde instituições e voluntários rumaram ao Haiti para ajudar. Vi ontem uma equipa de protecção civil de Miami a resgatar pessoas com vida dos escombros ao fim de 5 dias e rejubilarem por isso, por salvar uma, uma e cada vida, e cada um.
O mundo poderia ser assim. E seria. Seria se os interesses que dominam o mundo não se sobrepusessem à natural fraternidade e solidariedade humana.
E é também no meio deste género de atitudes que me lembro de Maria de Lurdes Pintasilgo! E de Kofi Annan!
Sim, se nós quiséssemos poderíamos ser mais humanos, ser mais daquilo de que a natureza nos fez, mais fraternos. Ser mais como os outros demais bichos, fraternos, afinal.

Opiniões e ‘opinistas’ não faltaram antes, durante e após os últimos actos eleitorais, deambulando sobre a fragmentação da composição da Assembleia da República e sobre a deslocação de votantes do PCP para o PS em Lisboa. Mas falar da indecência do desavergonhado centralismo dos partidos do bloco central e suas artimanhas parece assunto desinteressante para a nata que acede aos meios de comunicação social.
Tentemos enxergar para lá do que nos querem enfiar goela abaixo…
Sobre o resultado das legislativas:
Não é verdade que o PS e o PSD poderão continuar a aplicar em Portugal toda e qualquer orientação emanada pelos poderes mandantes instalados na União Europeia? Alguém se acreditará que estes dois partidos deixem de estar em pleno acordo para nos infligir o mais pequeno ‘espirro’ vindo de Bruxelas e seus mandantes da OCDE, central dos interesses do capital sem rosto? Não, pois não?

Sobre as Autárquicas a sem vergonha é descarada!
- Ingenuamente os votantes do PC acorrem a colocar o seu voto no PS em Lisboa em nome de uma ideia de esquerda que só na cabeça deles pode ainda existir, enquanto que em Beja o PSD esfumou-se para derrubar o PC, dando a vitória ao PS. É interessante ver o quadro:

Beja Eleições Autárquicas resultados 2009

Das últimas autárquicas para agora o PSD perde mais de 2.000, ou seja, 69,4% de votos. Poder-se-ia dizer que os eleitores castigaram o PSD por alguma medida que tenha tomado, mas como explicar perda idêntica das legislativas para as autárquicas, i.e., 15 dias? Confiram, por favor:

Beja - Eleições Legislativas 2009

A única explicação é a junção de forças do Bloco Central para derrubar o PC, como se estivesse em causa a implantação de uma revolução bolchevista pela planície. Não, senhores do PC, a ideia de esquerda que têm e que vos levou a votar PS em Lisboa só existe na vossa cabeça. O PS, esse, sabe que lida melhor com pessoas da sua família política – os ‘yes men’ de Bruxelas! A esquerda que eles clamam é estritamente comunicação de propaganda eleitoral.

Mas o medo das pessoas que não controlam não se queda por aqui. Em Matosinhos o candidato do PS mais não fez que denegrir a obra que Narciso Miranda ergueu em nome do PS, um dos melhores autarcas deste país de sempre. Narciso Miranda deveria ser, junto com muito poucos mais, autarca exemplo do PS. Mas não. Não porque não presta vénia ao poder central, nem ao público nem ao do seu próprio partido. Narciso perdeu e o candidato do PS, vencendo com maioria relativa, pasme-se, acaba de anunciar um ‘entendimento político’ com o PSD, atribuindo um pelouro ao social-democrata Guilherme Aguiar, arredando o natural aliado Narciso Miranda!

Matosinhos - Eleições Autárquicas 2009

Em boa verdade trata-se é de medo, sim do medo dos centralistas com assento, acesso ou conivência de interesses com o poder central que, pela via partidária, afastam os militantes que fizerem obra pelas populações e por elas e através delas atingiram uma notoriedade que os ensombra e assombra!

Mais exemplos? Como entender a desvalorização (pelo PSD e pelos órgãos de comunicação social) da esmagadora vitória de Luís Filipe Meneses (mais cerca de 15.000 votos que em 2005), com uma obra autárquica notável, e de Fernando Moita Flores que quase duplicou a sua votação?

Se de asfixia democrática se pode falar, este manto obscurantista dos poderes centrais dos partidos do arco de poder, o qual se estende e distende pelos órgãos do comunicação social, é paradigma. Paradigma de vergonha dos sem vergonha na cara!

Sócrates saiu-se mais uma vez bem da entrevista na RTP1 conduzida por Judite de Sousa e José Alberto Carvalho. É natural: por um lado Sócrates tem provas dadas nestas andanças e, por outro, as perguntas não poderiam ter sido mais óbvias. Sócrates preparou-se, concentrou-se e teve até tempo para dar uma de ‘luva branca’ a Cavaco Silva.
Os jornalistas não conseguem mesmo sair do ‘mainstream’ que eles próprios criam no dia-a-dia e por isso ficámos sem saber o que pensa o Primeiro-Ministro de assuntos tão prementes como os meandros da nacionalização do BPN, os avales ao BPP e que pensará sobre o papel do ‘lobbie’ da indústria farmacêutica na querela entre médicos e farmacêuticos com profundos reflexos na bolsa dos cidadãos.
Curiosamente as dezenas de comentadores e políticos de outros partidos, que prontamente reagiram, ficaram-se, também eles, pelo Freeport, pelos investimentos públicos e pelas relações com Cavaco Silva! Políticos e comentadores ficaram satisfeitos, ora dizendo mal, ora bem, mas satisfeitos, sim, porque lhes foi dado espaço e tempo de antena para dizerem coisas.
Sobre gestão pública, nada! O ‘mainstream’ de sempre, para bem do espectáculo mediático e gáudio de seus artistas de entretenimento!

Sem adiantar motivos o JN noticia que Fernanda Câncio deixou de ser comentadora do programa ‘A Torto e a Direito’, exibido na TVI24.
Em tempos evitei abordar um muito soez comentário a propósito de um convite a Fernanda Câncio dirigido pela RTP2. Agora, sobre esta saída do ‘A Torto e a Direito‘, francamente, não me espanta. Espantou-me, sim, foi Constança Cunha e Sá tê-la convidado e mais ainda Fernanda Câncio ter aceite…, ter aceite a defesa do PS (sentada à esquerda da entrevistadora) num programa de comentário político / partidário!

A ler o que o José P. Teixeira escreveu no ‘Ma-schamba’ sob o título ‘Puxar o pé para a chinela‘ onde anuncia uma moda na blogosfera, já evidente aliás, que se traduzirá pela “industrialização bloguista”.

O descrédito que os políticos filiados em partidos e independentes na dependência dos mesmos atingiu não é novidade para quem insiste na ética associada à política. No entanto, os jornalistas, em geral (uma vez que haverá sempre excepções, tal como nos políticos), parecem teimar em trilhar o mesmo caminho – o da falta de rigor, do desrespeito pela verdade e o da manipulação dos cidadãos através de descontextualizações grosseiras de declarações prestadas.
Há poucos dias, a propósito das estimativas do Banco de Portugal, os títulos das notícias, invariavelmente, cuspiam qualquer coisa do género “Cavaco Silva – as previsões não podiam ser mais negativas”.
É verdade que Cavaco Silva proferiu tal afirmação, mas também acrescentou, na mesma declaração, que “dificilmente poderiam ser melhores” uma vez que “nós dependemos muito dos mercados internacionais e as exportações caíram 14 por cento”. Ainda no mesmo contexto adiantou que “o que pode surpreender um pouco” é a “queda tão acentuada que se verificou no investimento, de 15 por cento”.
Lidas assim as declarações de Cavaco Silva, tal qual as proferiu, o seu sentido contraria o que os media tentaram grosseiramente transmitir através dos seus títulos.
É triste ver como, de forma tão soez, o jornalismo português se vai descredibilizando sem o menor respeito pela verdade e pela ética profissional, e logo num momento que atacam vorazmente a falta de ética na justiça e no política!
Espelho meu…

O Primeiro de Janeiro Anunciada a interrupção da edição durante o mês de Agosto para remodelação, comprarei hoje aquele que sinto ser o último número de “O Primeiro de Janeiro”, o jornal lá de casa, a de meus pais, aquele que, desde que de mim memória tenho, sempre era colocado na soleira da porta pelo jornaleiro, antes da leiteira e depois da padeira.
Nada é eterno, mas nada morre enquanto a nossa memória vida der. A morte não está ligada apenas ao desaparecimento físico, mas ao apagamento da memória individual e colectiva. Assim é para mim, com as pessoas e com as coisas, sem necessidade de me socorrer de qualquer aculturação religiosa. Tudo está vivo desde que os vivos guardem memória, ou seja, atribuam relevante significância para a sua existência.
O Primeiro de Janeiro está ligado, sem dúvida alguma, à história da cidade do Porto, sendo importante, independentemente do que vier a acontecer, que as entidades competentes zelem pela conservação do seu acervo.

Incluído no ‘Jornal das 22′ da RTP N o ‘Noites do Euro‘, conduzido por Carlos Daniel e com o comentador residente Luís Freitas Lobo e mais 2 convidados por sessão, é o único programa sobre o Euro 2008 que vou seguindo. O de ontem foi dos mais bem conseguidos devido à presença de Rui Costa, jogador até há bem pouco tempo, pessoa instruída, conhecedora do meio, dono de uma honestidade intelectual rara, revelando isenção, assertividade e sabedoria em todas as suas intervenções, contrastando com muitos outros convidados que por lá passaram.
Apostar em convidados deste gabarito é meio caminho para o sucesso do programa e é neste sentido que, se pouco me importa saber o motivo que norteou Scolari a ostracizar Vítor Baía, me questiono que razões haverá para o não convidarem para este programa, uma vez que, tal como Rui Costa, é um dos ex-jogadores da ‘geração de ouro’ que prima pela dignidade, isenção ética e dedicação à selecção nacional? Digo este porque me parece que Carlos Daniel tenta imprimir qualidade e rigor e não compreendo a ausência de Baía de todo e qualquer programa sobre o Euro 2008, seja neste canal ou noutro qualquer, muito menos num público, uma vez que, tal como Rui Costa foi, é uma mais-valia evidente.
Haverá algum acordo tácito (coisa que tenho dificuldade em admitir) ou será esquecimento?

Esta porra é notícia? (via Público)
O que é que nós temos a ver se Sócrates, Pinho e sei lá quem mais fumaram num avião?
Não há forma de nos livrarmos das virgens rameiras!