Tudo parece indicar que agora ando virado para revelar as minhas paixões, desta vez, Liszt, no caso Funérailles, que faz parte das Harmonies Poétiques et Religieuses, abaixo interpretadas por Krystian Zimerman (a minha interpretação favorita).
Esta peça de elevadíssimo grau de dificuldade, tanto técnica como interpretativa, revela uma densidade emocional intensíssima, tendo sido estreada pelo próprio Liszt no funeral de Chopin que faleceu em 17 de Outubro de 1949. Daí o facto de ser também conhecida como “Outubro 1949″. No entanto, anos mais tarde, Liszt esclareceu que apesar do facto ele tinha-se inspirado em 3 amigos seus executados pelos Habsburgos, durante a “revolução húngara de 1848″. Aqui fica a interpretação de Zimerman (só audio).


Bom fim-de-semana.

György Czifra interpreta a ‘Valsa Impromptu’ de Liszt. Adequada a quem é sensível ao romantismo sem condescendências lamechas de mau gosto. Bom fim-de-semana.

É por estas e por outras que não consigo delimitar com regulada precisão a diferença entre entretenimento, arte e cultura, embora na sua presença seja mais fácil colocar o devido rótulo!


excerto da Rapsódia Húngara n. 2 de Liszt a 4 mãos por Victor Borge e convidado

Há obras que pela sua exigência técnica foram muitas vezes abordadas quase de forma circense, ou seja, vazias de conteúdo onde o intérprete dava lugar ao exibicionismo da sua técnica, como aconteceu, por exemplo, com diversos pianistas na abordagem à versão de Listz para piano de La Campanella de Paganini originalmente composta para violino.
No entanto, felizmente, há monstros que conseguem agarrar com naturalidade a tecnicidade da obra e com ela e através dela fazer música! É o que faz neste vídeo Evgeny Kissin. Curvemo-nos…, diante da arte…, da arte de quem domina a técnica e a coloca ao seu serviço… e ao nosso.