Manuela Ferreira Leite, apontada como a grande salvadora do PSD, foi a arma de arremesso nos baixos golpes desferidos contra Luís Filipe Meneses. Hoje, tomados os assentos na Assembleia da República, Manuela Ferreira Leite passa a prescindível e, caso não se importe de ir andando, não se intimide. A senhora, afinal, cumpriu o papel de que alguns senhores, que desprezam o real PSD e vitórias eleitorais, careciam – tomar assento. O próximo líder terá de os aturar, mesmo à revelia do PSD que nas autarquias tem trabalhado para as populações.
Vamos lá tentar adivinhar contra é que Manuela Ferreira Leite se manifestará hoje:
1 – o Pagamento Especial por Conta;
2 – o aumento do I.V.A. de 17 para 19%:
3 – a compra pela PT da rede fixa;
4 – grandes investimentos públicos que não sejam na região da Grande Lisboa.
Habilite-se, mas não acalente esperança de ganhar qualquer prémio. É o jogo pelo jogo!
Manuela Ferreira Leite, passadas três semanas, afirma que se o PSD chegar ao governo, já não rasga “todas as soluções” do PS “em termos de política económica e social.
Já antes tinha mandado às malvas a tal ‘política de verdade’; agora foi-se também a coerência e, temo eu, que terá ido, precisamente, na Educação.
É pena! Aquele rasgar, a eito, poderia criar muitos postos de trabalho na área da indústria de reciclagem e, quiçá, o seu produto faria baixar os preços dos manuais escolares.
Pensava ter dado por encerrado os comentários sobre o negócio entre a PT e a TVI (aqui, aqui e aqui), ou seja, sobre a vergonha da promiscuidade entre os políticos e as empresas privadas através das ‘golden share’, motivo que colocou o Estado Português como réu, acusado pela Comissão Europeia.
Não resisto, no entanto, a aconselhar a leitura de um texto de José Manuel Fonseca no ‘A Infelicidade ao Alcance de Todos‘ do qual deixo um excerto que não dispensa a leitura integral:
Se alguém estivesse efectivamente interessado num mercado livre e aberto já se teria manifestado contra as acções douradas que há por aí. E, elas existem em papel ou em espírito. Mais, nunca se observou alguém, no “arco da governação”, ser frontal e abertamente contra essas ‘golden shares’. Ou de outras cores, que não há míngua de ‘shares’ laranjas ou rosadas. Com ou sem verdade e políticas de verdade. Ninguém vai dizer nos olhos dos portugueses que vai acabar com essas manobras. Porque só se acabam com transparência. Mas até Setembro aposto dobrado contra singelo que ninguém em boa verdade virá aí dizer que acaba com a coisa. E promove a ética.
Bem preferível à ‘política da verdade’, Sra. Dra. Manuela Ferreira Leite, seria preferível, humildemente, iniciar pela ‘verdade na política’, ou seja, aos bocadinhos, para não ferir ninguém, ir criando hábitos de só falar verdade… e com modos, senão poderemos incorrer no risco de chegar ao ditado que diz: com a verdade me enganas!
Eu acredito que toda a gente se pode enganar, ter lapsos de memória, não sendo necessário recorrer à ‘arruça’ de, publicamente, chamar mentiroso a responsáveis do Estado. Repare que até a senhora se pode enganar como comprova a Resolução do Conselho de Ministros n.o 147/2002, donde transcrevo um excerto:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.o da Constituição,
o Conselho de Ministros resolve:
1 — Aprovar a minuta do contrato de compra e venda
da rede básica de telecomunicações e da rede de telex,
a celebrar entre o Estado Português e a PT Comunicações,
S. A.
2 — Aprovar a minuta do acordo modificativo do contrato
de concessão do serviço universal de telecomunicações,
a celebrar entre o Estado Português e a PT
Comunicações, S. A.
3 — Delegar na Ministra de Estado e das Finanças,
Dr.a Maria Manuela Dias Ferreira Leite, os poderes
para outorgar, em nome do Governo, o contrato de
compra e venda da rede básica de telecomunicações
e da rede de telex.
Henrique Granadeiro, hoje ao Jornal I, desmente-me categoricamente por no post anterior ter adiantado que, pelo facto de a administração da PT não se demitir em bloco após a intervenção da líder do PSD, de Cavaco Silva e, posteriormente, do governo, num negócio entre a PT e a TVI (empresas privadas, constituídas como sociedades anónimas e cotadas em bolsa), o período em que vivemos poderia ficar conhecido, daqui por umas décadas, como o dealbar da ‘Era da Vaselina’.
Não poderia ter sido mais errado no meu vaticínio e, como deveria ser norma nestes casos, há que apresentar, humildemente, desculpas ao ‘chairman’ da PT, bem como a toda a sua administração. Com efeito, Henrique Granadeiro afiança que a intervenção de partidos políticos, governos e, pelos vistos agora, a Presidência da República não são casos virgens, mas recorrentes e sistemáticos, estranhando o entrevistado não a intervenção estatal em negócios de empresas privadas, mas o alarido político que em torno do caso se fez.
Ora errei, e publicamente, aqui, me penitencio, por ter utilizado o termo ‘dealbar’ (não se trata de caso virgem, bem pelo contrário, ao que parece) e, pelo facto de ao não se estranhar tal procedimento, nem a administração da PT, nem os accionistas (mudos até ao momento), haverá largas dezenas de pessoas na gestão de empresas privadas e no mundo dos negócios que parecem ter ultrapassado uma fase iniciática de estranheza, indiciando ser-lhes a vaselina já perfeitamente dispensável.
Como se dizia, primeiro, estranha-se, depois…
Aproveito para lembrar o que toda a gente sabe, mas o stress do dia-a-dia poderá justificar que se presente não tenha, que o Estado Português foi constituído réu, por acusação da Comissão Europeia, que alega o incumprimento das leis europeias sobre livre circulação de capitais e liberdade de estabelecimento no espaço europeu sem fronteiras, em três processos onde detém as chamadas ‘golden share’ em empresas privadas, nomeadamente, a PT, a EDP e a GALP.
Agora há quem diga que espera que a administração da PT cumpra; o PC afirma que Sócrates sabia, com toda a certeza, do negócio; Sócrates mete-se no negócio; Manuela Ferreira Leite para além de ter afirmado que Sócrates mentia, vem agora acusá-lo de ter travado o negócio para defender a sua imagem!
O país ensandeceu. Já há muito que dava indícios, mas as declarações incendiárias de Cavaco Silva atiçaram um fogo de proporções inauditas e de controlo duvidoso.
Eu, pessoalmente, também espero que a administração da PT cumpra. Cumpra consigo própria, demitindo-se em bloco, se vergonha na cara tiver, e mande todos estes políticos, comentadores e excelsos mestres e doutos catedráticos de economia, que nunca na vida vergaram a mola numa empresa privada nem ideia fazem do que é criar riqueza, diariamente, deambulando sempre por entre empresas públicas ou lavrando pareceres e sebentas, fazer o que nunca fizeram apesar de terem obrigação porque cursaram para isso – serem empreendedores e criarem riqueza para o país!
Cavaco Silva entendeu ontem pronunciar-se, enquanto Presidente da República, sobre um hipotético negócio entre duas empresas constituídas como sociedades anónimas e ambas cotadas em bolsa, supervisionadas pela ‘ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social’ e pela ‘CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários’.
Que a Dra. Manuela Ferreira Leite tenha embarcado (ou alimentado) numa estratégia de suspeição geral sobre todos os opositores, que chega a rodar a arruaça, característica do PSD desde a forma como tratou o anterior líder, Luís Filipe Meneses, será assunto para os cidadãos resolverem no momento em que forem chamados a votar; agora que o Estado, através do Presidente da República, intervenha directamente em negociações entre empresas é algo de inaceitável num Estado de direito democrático, livre, membro da União Europeia, onde há instituições próprias, não para se interferirem sobre a liberdade negocial empresarial e ainda menos no sigilo que é necessário, mas para aquilatarem e regularem, a seu tempo, a legalidade de negócios realizados.
Cavaco Silva prestou um péssimo serviço ao país ao tomar uma atitude que não podia, não deveria por ser absolutamente contraditória com a democracia e liberdade do mundo ocidental em que vivemos, o qual renuncia ao intervencionismo estatal, atitude absolutamente imprópria, inoportuna e inaceitável em qualquer país do mundo dito livre.
Atitudes destas compreender-se-iam no Irão ou na Venezuela, mas em Portugal não estamos, nem deveremos estar disponíveis para pactuar nem aceitar (a liberdade e a democracia custou-nos muito), nem Cavaco Silva, aliás, tinha alguma vez denunciado tais intenções!
Neste conformidade, Senhor Presidente da República, a saída é só uma – a demissão – uma vez que a sua atitude abre gravíssimos precedentes anti-democráticos, coloca em causa a liberdade negocial e feriu, muito seriamente, a credibilidade de Portugal perante eventuais investidores, sejam eles nacionais ou estrangeiros.
Para não escrever outro textos sobre o assunto, não posso deixar de manifestar a minha profunda estupefacção pelo facto de José Sócrates anunciar que
Para evitar “qualquer suspeita” de intervenção do Governo na linha editorial da TVI, José Sócrates anunciou que o Executivo se vai opor ao negócio (via JN)
Se Sócrates não mantiver firmeza nas suas convicções e continuar a ter medo, pactuando, por cedência, com a estratégia de implementação de um clima de suspeição generalizado protagonizado pelo PSD e, pelos vistos, por outras entidades com responsabilidade acrescida, mais vale pedir, de imediato, a demissão, para ver se no PS ainda poderá surgir alguém que enfrente, sem medo, esta arruaça terceiro-mundista que se instalou no meio político, nos órgãos de comunicação social e nos comentadores de serviço!
A OCDE, através do seu secretário-geral, contradisse, categoricamente, o que Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva, este por via mais implícita do que explícita, vêm a transmitir aos portugueses numa feroz e muito pouco limpa pré-campanha eleitoral. Angel Gurria, afirmou, sem possibilidade de diversa interpretação, que as reformas da segurança social e a da administração pública e o controlo do défice, levadas a cabo por este governo, permitem que
Portugal esteja agora melhor preparado para responder à crise internacional do que no passado, e que tal se deve às reformas implementadas pelo Governo.
(…)
Portugal, no passado, sofria mais do que a média durante as crises internacionais, mas desta vez isso não está a acontecer. (via Público)
Há muito por onde criticar este governo, mas a estratégia montada para derrubar Sócrates, não suspeitando, embora parecendo até que por acordo, veiculada por Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, associações empresariais, alguns empresários e comentadores a eles afectos, entrou numa espiral de inverdades que carecem de fundamento político e ético, tão mais grave quanto é de ética política que dizem pretender falar e defender.
Façam oposição a Sócrates, à sua governação, mas peguem naquilo em que, de facto, não governou ou governou mal (não falta matéria, desde a educação, passando pela cultura, a falta de apoios específicos destinados à a classe média / baixa endividada e dizimada pela banca, pela ajuda a bancos, eu sei lá que mais…), senão correm o risco de, como agora aconteceu com a OCDE, de serem publicamente envergonhados.
Notícias do dia:
Portugal pode falir. O BPP também. Entretanto o Papa colocou-se no Facebook e Vital no Twitter.
Grande dia! Isto agora é que vai!!!





















