Arquivo de: Música
Arquivo de: Música.
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O Prelúdio Susana de Ricardo Serrano em video clip montado com uma sequência de imagens do músico da autoria de Gary Lam (sítios: próprio e youtube).
Via Improvisos ao Sul, tomei conhecimento que, finalmente, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo, mais conhecido por Conservatório de Beja, aderiu a alargar o seu projecto educativo à área do Jazz, tendo assegurado António Branco como dinamizador do projecto.
De momento pouco mais sei do que está no Improvisos ao Sul e no site do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, ou seja, a abertura de um curso de ‘Iniciação ao Jazz’ já a partir de Outubro.
É uma boa notícia para Beja, aproveitando para endereçar votos de sucesso ao António Branco, assim as condições que lhe proporcionarem permitam desenvolver o projecto que ele terá em mente.
Noto, contudo e com tristeza, que apesar de o Jazz entrar no projecto educativo do CRBA, o Cante Alentejano continua fora da única escola de ensino artístico especializado do Baixo Alentejo.
Poder-se-á pensar que as referências à música do Ricardo Serrano são já abusivas ou até indiciadoras de publicidade amigável. Burrifo-me.
A 9 de Maio passado o Ricardo disponibilizou o seu mais recente tema, ‘a José Afonso‘, no Peremela. Aqui fica, não pelo facto assumido de sermos amigos de longa data (mas também), mas porque sinto o Zeca, uma homenagem à sua música sem condescender com paternalismos ou colagens de suas canções. Sinto o Zeca Afonso, a sua música, a guitarra (mesmo em piano solo) e uma força… Da terra…, viva e vivida.
Obrigado, Ricardo.
A 4ª edição do ‘INJAZZ - Jazz em Português’, festival de jazz itinerante de projectos originais de músicos portugueses, organizado pela ‘Lado B - Produções Artísticas’, traz Maria João e Bernardo Sassetti ao Pax Julia - Teatro Municipal de Beja no próximo fim-de-semana.
Dos quatro projectos em cartaz no INJAZZ de 2008, ‘Zé Eduardo Unit’, LUME Big Band’, ‘Maria João 4tet’ e ‘Bernardo Sassetti piano solo’ saudamos a escolha destes dois últimos por parte de quem teve de escolher apenas dois para apresentar no Pax Julia.
Assim como na edição do ano passado lamentei não se ter optado por João Paulo Esteves da Silva e pelo Sexteto de Mário Barreiros em vez de Carlos Martins e Marta Hugon, não poderia deixar de manifestar a minha satisfação pela escolha deste ano.
No dia 16, sexta-feira, teremos então Maria João em quarteto, num projecto que será novidade, com uma formação que já há algum tempo não experimentava e.., sim, sem Mário Laginha.
Estou muito curioso.
A 17, Sábado, Bernardo Sassetti apresenta-se a solo com uma projecção multimedia associada de fotografias da autoria do músico.
Sassetti é Sassetti mas, ainda assim, estou com receio do piano que lhe colocarão à disposição numa sala com a volumetria do Pax Julia. Espero que seja um piano de concerto (cauda inteira), que nos ilumine acusticamente a alma sem amplificações absolutamente desnecessárias que desvirtuam, sem remissão, a sonoridade de um piano acústico por melhor que sejam as intenções e a competência de um técnico de som.
A ver vamos.
O Primavera Musical deste ano (link), o 14.º Festival Internacional de Música de Castelo Branco, produzido pela APSARA (link), com a direcção artística de Carlos Semedo e Guenrikh Elessine, inicia no próximo dia 29 de Abril e prolonga-se até 5 de Junho.
Carlos Semedo habituou-nos em edições anteriores a um assinalável registo de qualidade na programação e produção, traduzido este ano não só na programação (link), como na forma como se encontra harmoniosamente integrada. Sobre o mote Do Místico ao Mestiço poder-se-á assistir a 14 concertos, 5 sessões de cinema, um ensaio aberto e a uma Oficina de Construção de Instrumentos Musicais.
Não é fácil destacar nomes ou momentos mas, ainda assim, não resisto a chamar a atenção, por ordem cronológica, para o recital de Miguel Borges Coelho a inaugurar o festival, a 29 deste mês, o filme “O Grande Silêncio” de Phillip Gröning a 6 de Maio, o Mediae Vox Ensemble (link) a 7 do mesmo mês, ao Takács Quartet (link) a 14 e a Maria João, em quarteto, a 5 de Junho.
Parabéns à organização e a Castelo Branco que muito beneficiará, atendendo à qualidade do programação, pela promoção da cidade e da região.
Via JPT do Ma-schamba tomo conhecimento da programação do IV Festival Internacional de Música de Maputo. Mais um festival, dir-se-á, mas atentem na riqueza da programação lá consta.
Começo a crer, cada vez com mais convicção, que dos países ditos em desenvolvimento, nomeadamente dos lusófonos, poderão advir iniciativas que nos mostrem que a inovação, hoje tão, mas tão politicamente correcta, poderá estar, e bem, aliada à tradição, à cultura e à identidade.
Após tomar conhecimento da morte do seu amigo Johnny Hodges, Ben Webster, com Teddy Wilson ao piano, dá-nos esta interpretação de Old Folks:
Gonzalo Rubalcaba, ainda muito escondido pelos “puristas” do jazz que sempre desconfiam do apuro técnico dos músicos, é seguramente um dos pianistas mais inventivos e respeitadores da tradição “afro” do Jazz da actualidade, que junta esses predicados a uma técnica e sensibilidade raras.
Quem puder não perder, ele estará amanhã no Auditório de Espinho, e 3ª feira, dia 8, no Seixal, no Auditório Municipal.
Deixo dois registos vídeo em duo com Chick Corea absolutamente inadjectiváveis. São para ouvir…
Paul Robeson, esquecido? Acho que sim. Continuo a ouvir e a sentir o mesmo que da primeira vez que o escutei vai para 35 anos - a negritude , a cutura afro-americana, a sinceridade, a minha janela para o Jazz que viria a seguir.
Deixo-vos com Nobody Knows the Troubles I’ve Seen, Ol’ Man River, Deep River, Curly Headed Baby, Go Down Moses, Sometimes I Feel Like a Motherless Child, Shenandoah, Summertime e America’s Low Octave. Boa Páscoa!
Rumo a Espinho, hoje, para ouvir o Concerto de Páscoa no belíssimo auditório da cidade com a Orquestra Clássica de Espinho e o Coro dos Amigos da Academia de Música de Espinho a interpretarem a Sinfonia nº 104 em Ré M “Londres” de Haydn e a Gloria em ré M de Vivaldi. (ver programa completo)
Para além da Orquestra e do Coro dos Amigos de Espinho serão intérpretes solistas as soprano Margarida Reis e Cláudia Pereira Pinto, estando a direcção da orquestra entregue a Pedro Neves e a direcção do Coro a Fausto Neves.
Estreia hoje, 18 de Março, às 21:00h, o STABAT MATER de Eurico Carrapatoso para Barítono, Coro de Câmara e Ensemble, uma encomenda do Centro Cultural de Belém, para ser apresentado em contraponto com a obra de Boccherini que será executada, no Grande Auditório, no mesmo parte do concerto.
Serão intérpretes Armando Possante (barítono), o Coro Olisipo e a OrchestrUtópica, dirigido por Cesário Costa.
Entrevistado por Maria Ana Freitas, entrevista cuja leitura integral recomendo, transcrevo algumas palavras de Eurico Carrapatoso sobre este seu STABAT MATER:
(…) o meu tratamento do texto “Stabat Mater” é fundamentalmente silábico e homofónico, para que não se perca uma única gota que seja da sua essência, e para que a sua mensagem não sofra qualquer distúrbio no seu percurso entre o intérprete e o ouvinte. Mais a mais, quando este texto plangente assume tamanha actualidade na época que vivemos. Lembremo-nos, por exemplo, das mães dolorosas das milhares de crianças iraquianas mortas desde o início da bárbara ocupação militar em Março de 2003: os infames “danos colaterais”. O Ocidente globalizado digere bem os seus crimes com estes doces epítetos: “danos colaterais”. Mas a verdade é que os “danos colaterais” são, no fundo, uma matança dos inocentes que faz corar Herodes. E é a estas mães dolorosas do país onde nasceu a civilização ocidental que eu dedico o meu “Stabat Mater”, sempre com o timbre de Messiaen em pano de fundo: “tout ceci reste essai e balbutiement, si l’on songe à la grandeur écrasante du sujet.”
Breves notas biográficas de Eurico Carrapatoso:
Eurico Carrapatoso nasceu em 1962 e é natural do distrito de Bragança.
É licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Iniciou os seus estudos musicais em 1985, tendo sido sucessivamente aluno de composição de José Luís Borges Coelho, Fernando Lapa, Cândido Lima e Constança Capdeville. Concluiu em 1993 o Curso Superior de Composição no Conservatório Nacional de Lisboa com Jorge Peixinho.
Foi assistente de História Económica e Social na Universidade Portucalense.
Leccionou na área da composição em várias instituições, nomeadamente na Escola Superior de Música de Lisboa e na Academia Nacional Superior de Orquestra. É desde 1989 professor de Composição na Academia de Amadores de Música e no Conservatório Nacional, sendo professor do quadro desta última instituição. Recebe regularmente encomendas das principais instituições culturais portuguesas e a sua música tem vindo a ser executada, editada e difundida desde 1987 não apenas na Europa bem como nos restantes continentes.
Ganhou as primeiras edições do Prémio de Composição Lopes Graça da Cidade de Tomar e do Prémio Francisco de Lacerda.
A sua música representou três vezes Portugal na Tribuna Internacional de Compositores da UNESCO, realizadas em Paris em 1998, 1999 e 2006, com “Cinco melodias em forma de Montemel” (para soprano, trompa e piano), “Deploração sobre a morte de Jorge Peixinho” (para grande orquestra) e “O meu poemário infantil” (para tenor e orquestra)
Em Maio de 2001 foi distinguido pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal com o Prémio da Identidade Nacional.
Foi condecorado pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique em 10 de Junho de 2004.
ps: fotografia de João Tuna
O Mediae Vox Ensemble, especializado em polifonia medieval, dirigido por Filipa Taipina, tem já agendados para este ano bastantes concertos, indiciando a confirmação da sua qualidade.
Este mês apresenta-se no Porto, no dia 7 de Março pelas 21:30h na Igreja de S. João da Foz e inserido “Ciclo de Músicas Religiosas” em Santander, organizado pela Caja Cantabria, nos próximos dias 17 e 22 de Março, na Igreja de Sta. Lucía (21h) e Santuario de la Bien Aparecida (20h), respectivamente.
O Rui Dinis há anos que alimenta A Trompa, um blogue de referência sobre música portuguesa. Desta vez entendeu fazer um “quiz” entre os membros da rede editorial TubarãoEsquilo e hoje calhou-me a mim a edição.
Perguntas? Ei-las:
1. Artista preferido? 2. Grupo preferido? 3. Disco preferido? 4. Canção preferida? 5. Último disco que ouviu? 7. O melhor disco que ouviu em 2007? 8. Última descoberta? 9. Último concerto a que assistiu? Quando? 10. Artista ou Banda mais importante para a história da música em Portugal?
Respostas? Vão lá vê-las!
Madalena Sá e Costa, uma das mais insígnes discípulas de Guilhermina Suggia e neta do fundador do Conservatório de Música do Porto, Bernardo Moreira de Sá, lança um livro há muito prometido e aguardado - “Memórias e Recordações“.
O lançamento de “Memórias e Recordações” ocorrerá na Casa da Música, dia 24 de Fevereiro, às 19:00h, na sala 2, iniciativa enquadrada numa série de 6 concertos a decorrer de hoje a Domingo na Casa da Música em homenagem a Guilhermina Suggia.
Pode ser que o violoncelo “Montagnama” que Suggia legou ao Conservatório do Porto apareça, mais uma vez, de relance…
Não será demais relembrar o hercúleo trabalho de Virgílio Marques na constituição da Associação Guilhermina Suggia para que uma das melhores violoncelistas de sempre não fosse definitivamente apagada da nossa memória colectiva.
A OrchestrUtopica apresenta hoje, pelas 22:00 horas, no Centro Cultural de Belém Futuros 1.2, série de dois concertos de câmara dedicados em exclusivo à audição de obras da nova geração de compositores portugueses.
Será interpretado:
Bruno Soeiro | Prominent rising disillusionment | piano
Bruno Gabirro | Entre murmúrios e silêncios | quinteto de sopros
Hugo Ribeiro | Quatro personagens saídas de um conto | cl, pf, vl, vc
José Luís Ferreira | Existence 1.2 | fl, cl, pf, vc
Patrícia Sucena Almeida | Silens clamor | fl, cl, vl, vla, vc
Foi preciso esperar, dar tempo ao tempo, para ler uma crítica à ópera Das Märchen de Emmanuel Nunes. Pouco interessa se estou ou não de acordo; interessa sim que a crítica incide sobre a obra e estética simbólica e não sobre pessoas que ficaram até ao fim ou sobre o Sr. Pinamonti.
A ler, definitivamente, Beleza, pertinência, ética que a Teresa Cascudo escreveu no Contemporá/âneas.
O Ministério da Educação ultima uma Portaria para destruir a Educação Artística em Portugal, a única que funciona, a única que já produziu e produz resultados - as Escolas de Ensino Artístico Especializado, segundo informou o Prof. Wagner Diniz após reunião no Ministério da Educação!
Já o tentaram no ano transacto o que me motivou a escrever sobre: Relatório de Avaliação do Ensino Artístico Especializado (estudo encomendado a um Professor Doutor com Agregação em Ciências da Educação de seu nome Domingues Fernandes que fez o frete de obrar um estudo sem qualquer fundamento científico, uma vez que da sua equipa não constava ninguém ligado às artes e sua educação, nem trabalho de campo relevante efectuou); sobre o perigo de entender que se tratava de um ataque ao Conservatório Nacional quando há perto de 100 escolas de ensino especializado, englobando cerca de 30.000 alunos; o despautério que foi a realização da Conferência Nacional de Educação Artíistica, encenação para o que aí viria; coloquei à disposição de quem quisesse (ou queira) escrever, mesmo sob pseudónimo, sobre o que se adivinhava, o Educação Artística FORUM!
Basta! Não me atafulhem a caixa de correio! Não sou artista nem arte para professor tenho! Estou cansado de estar só, da cobardia de esperarem pelo incêndio em vez de o prevenirem! E estou incomodado … (desculpem o tom deste post).
Peço que se impliquem, todos em uníssono, no combate contra a destruição da Educação Artística de qualidade em Portugal pelo Ministério da Educação - música, dança e teatro. Se cada um de nós conseguir ver que afinal é disso que se trata e não do encerramento do Conservatório Nacional, poderá ser que ainda vamos a tempo.