Cheguei a esta gravação do ‘ACORDAI’ de Lopes-Graça, interpretada pelo Coral de Letras da U.P., dirigido por José Luís Borges Coelho, o grande divulgador da obra coral do compositor, através do José Barbieri que tem feito um trabalho notável no seu projecto ‘MEMORIAmedia‘, cujo objecto principal, transcrevo, é a recolha e difusão da literatura tradicional/ oral/ popular e de todas as formas de manifestação desta cultura – tradicionais e contemporâneas – enquanto parte do património imaterial, nacional e universal da humanidade, o qual convido a seguir atentamente.
No entretanto aqui fica a gravação colhida em Outubro de 2009, por ocasião do centenário do Café ‘Piolho’ no Porto.


Bom fim-de-semana.

GLOSAS será uma revista semestral da responsabilidade do ‘MPMP – Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa’, uma associação sem fins lucrativos, cujo objectivo primo é Dinamizar e Revitalizar o Património Musical Português. O lançamento da Glosas surge após o bem sucedido projecto ‘ATRIUM – Base de Dados de Compositores Portugueses’.
Aqui deixo a divulgação formal:

Glosas - capa da revistaPARTICIPE NA glosas, UMA REVISTA PELA MÚSICA PORTUGUESA

O mpmp, movimento patrimonial pela música portuguesa, uma recém-fundada associação sem fins lucrativos em prol da defesa e revitalização do património musical português, tem o prazer e a honra de o convidar a participar no projecto de uma revista semestral cujo primeiro número será lançado durante o corrente ano de 2010.

Se é compositor, musicólogo, instrumentista, melómano ou cidadão interessado, não hesite em enviar-nos informações e notícias relativas a concertos, conferências, edições discográficas, publicações diversas e outras actividades que se relacionem com a causa defendida pela associação.

Teremos o maior gosto em fazê-las publicar na revista, sempre que possível, na secção dedicada à actualidade da música, dirigida por Manuela Paraíso, bem como na agenda em-linha disponível em www.mpmp.pt e na nossa página facebook associada. Contacte-nos através do e-mail geral@mpmp.pt.

Fausto NevesFausto Neves e Joana Resende interpretam as Melodias Rústicas Portuguesas (3º caderno) para Piano a 4 mãos de Fernando Lopes-Graça no Centro Unesco do Porto, à Rua José Falcão n.º 100, pelas 18:30h, integrado na inauguração da exposição “A Revolução Republicana de 1910 na História da Luta do Povo Português”.
Por serem quem são os intérpretes, não tenho a mínima dúvida em recomendar esta apresentação, embora informe a quem interessar de que se trata de uma iniciativa do PCP.

Joana Resende

Programa do 3.º Caderno:

1. Canto do S. João; 2. Este ladrão novo…; 3. Deus te salve, ó Rosa; 4. S´nhora da Póvoa; 5. Oração de S. José; 6. Pastoril Transmontano; 7. A virgem se confessou; 8. Canção do berço; 9. Ó da Malva, ó da Malvinha!; 10. Martírios; 11. Maragato Son.

Esquecemos com facilidade o que não faz parte de nós, enquanto que dos sedimentos com os quais nos vamos sempre fazendo, nem que o pretendamos, nunca nos separamos. Frederico Serrano deu-me muito do que hoje também sou.


música de Ricardo Serrano dedicada a seu pai Frederico


Uma obra de Paulo Bastos, ‘NUMBERS’, de 1993, compositor e, enquanto professor de ‘Análise e Técnicas de Composição’, um dos principais responsáveis pela sensibilização de alunos para abraçarem estudos superiores de composição em Portugal.
Só audio:


Igreja de Guetim - 123 aniversário - concerto coro amigos de espinho
A Associação Cultural e Recreativa de Música Dó-Ré-Mi de Guetim promove, esta 6ª feira, às 21:30h, um concerto com o Coro Amigos de Espinho, dirigido por Fausto Neves, a propósito do 123º aniversário da Igreja Paroquial de Guetim. O programa do concerto englobará obras corais de cinco séculos.

Aproveito esta divulgação para enaltecer o trabalho que a ACRM Dó-Ré-Mi de Guetim tem realizado na freguesia, em especial, na sensibilização para as artes, em geral, e no ensino de música, muito particularmente.

Eurico Carrapatoso compôs, por encomenda da Casa da Música, Como peixe português na água tropical, obra que terá a sua estreia mundial amanhã, dia 9 de Maio, na Sala Suggia, às 18:00h, pela Orquestra Nacional do Porto dirigida por Roberto Tibiriçá, num concerto evocativo dos ‘Choros do Brasil’.


Eurico Carrapatoso - fotografia de Joao TunaConfiar a um compositor português uma obra que homenageasse a música popular brasileira é uma iniciativa arrojada, sendo com enorme expectativa que aguardo pelo resultado final conseguido por Eurico Carrapatoso, muito embora me sinta antecipadamente confortável por lhe conhecer as largas virtualidades que o seu cabedal cultural lhe proporciona. Aliás, o próprio compositor afirma que, quando tal empreendimento lhe foi proposto, vi claramente visto o lume vivo.
Eurico Carrapatoso adianta alguns detalhes sobre a sua educação em música brasileira:

(…) o Verão Quente de 1975 foi bem quente para mim e principalmente para os meus dedos: não sosseguei enquanto não tirei de ouvido um lp a solo de Baden Powell a fazer música sua e de Jobim. Aqui se ancora a fermentação lenta e inicial da minha matriz musical. Quando, bem mais tarde, comecei a estudar música teórica, então com 23 anos, já levava a escola poderosa de ouvido, firmada na bossa nova. A minha formação como compositor tem esta propedêutica tropical.

Confesso que a minha admiração por Eurico Carrapatoso é composta por uma amálgama de emoções que advêm, concomitantemente, do humor e elegância que a sua rectórica exala e se estende pela sua prosa poética, da profundidade e clarividência dos seus alicerces culturais, da sua música, claro, da sua única e muito própria mestria enquanto professor, ou seja, da integridade do seu Ser-se como Pessoa.
Como peixe português na água tropical desenvolve-se em três andamentos e um violoncelo cantor, deixando-vos aqui o texto que o próprio Eurico Carrapatoso escreveu a propósito.

O 1º andamento, Samba lento – Chaconne, parte de um conceito improvável, sobrepondo dois campos semânticos díspares: por um lado, o samba; por outro, o velho baixo ostinato cromático descendente barroco, sobre o qual a Dido tanto se lamentara no século xvii. Se, à partida, parece esta sobreposição impossível, de tão esdrúxula (qual gravura de Debret “Mulato com cabeleira empoada”), deu‑me uma boa dose de gozo esgrimir com este paradoxo, tentando levá‑lo à categoria daquilo que primeiro se estranha e depois se entranha.
O 2º andamento, Chorinho, é isso mesmo: evocativo, directo, assim simples, assim lírico, com uma que outra harmonia mais gotosa. Já o percurso sentimental deste chorinho não é assim tão simples, antes coisa assente na elipse da vida, fazendo lembrar as espirais de Escher que voltam misteriosamente ao mesmo sítio: é o meu pedaço de Mirandela que sinto em Coimbra; e é o meu pedaço de Coimbra que sinto em São Salvador da Bahia; e é o meu pedaço da Bahia de São Salvador que sinto em Belmonte.
O 3º andamento, bem menos evocativo do Brasil, é uma meditação elegíaca: dedico ao Jobim uma leitura pessoal do hino gregoriano Veni creator spiritus, ao qual regresso, filtrado pelo caleidoscópio das novas harmonias novecentistas, um caminho que Jobim trilhara tão firmemente com o seu esplêndido instinto, revelando ao mundo, tal como Debussys, Messiaens e companhia, um jardim de mui deliciosos frutos, embelezando‑o
com novas cores, perfumando‑o com novas fragrâncias.

Notas biográficas de Eurico Carrapatoso:

Eurico Carrapatoso nasceu em 1962 e é natural do distrito de Bragança.
É licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Iniciou os seus estudos musicais em 1985, tendo sido sucessivamente aluno de composição de José Luís Borges Coelho, Fernando Lapa, Cândido Lima e Constança Capdeville. Concluiu em 1993 o Curso Superior de Composição no Conservatório Nacional de Lisboa com Jorge Peixinho.
Foi assistente de História Económica e Social na Universidade Portucalense.
Leccionou na área da composição em várias instituições, nomeadamente na Escola Superior de Música de Lisboa e na Academia Nacional Superior de Orquestra. É desde 1989 professor de Composição na Academia de Amadores de Música e no Conservatório Nacional, sendo professor do quadro desta última instituição. Recebe regularmente encomendas das principais instituições culturais portuguesas e a sua música tem vindo a ser executada, editada e difundida desde 1987 não apenas na Europa bem como nos restantes continentes.
Ganhou as primeiras edições do Prémio de Composição Lopes Graça da Cidade de Tomar e do Prémio Francisco de Lacerda.
A sua música representou três vezes Portugal na Tribuna Internacional de Compositores da UNESCO, realizadas em Paris em 1998, 1999 e 2006, com “Cinco melodias em forma de Montemel” (para soprano, trompa e piano), “Deploração sobre a morte de Jorge Peixinho” (para grande orquestra) e “O meu poemário infantil” (para tenor e orquestra)
Em Maio de 2001 foi distinguido pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal com o Prémio da Identidade Nacional.
Foi condecorado pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique em 10 de Junho de 2004.

ps: fotografia de João Tuna

O Mediae Vox Ensemble apresenta-se no Mosteiro dos Jerónimos, na Sala do Capítulo, na próxima 6ª feira, 8 de Maio, às 21:30h, numa iniciativa de ‘O Movimento Viver e Vencer‘.

Mediae Vox Ensemble nos Jeronimos

Re-timbrar - a Partilha em EspinhoO Re-Timbrar, movimento dentro do qual se enquadram, não só o respeito pelos ritmos tradicionais portugueses, mas também a sua integração num contexto musical actual apresentam, este Sábado, às 22:00h, na Junta de Freguesia de Espinho a Partilha, uma performance audiovisual que tem como objectivo sensibilizar o público, divulgando o potencial rítmico e melódico dos instrumentos de percussão portugueses, inserindo-os na Música Nacional e do Mundo. Re-Timbrar é conduzido por Andrés “Pancho” Tarabbia e contando com artistas convidados ao longo do espectáculo, espera-se um público participativo!


Estarei por lá!


A ler, ver e ouvir a forma como, de lá, de Portsmouth, o Ricardo, sob o título ‘O Burburinho da Revolução‘, sente o 25 de Abril no seu ‘Peremela’. E lendo, e sentindo, e conhecendo-o, sentimos alcançar a sustentação emocional que o conduziu à composição do seu tema ‘a José Afonso‘ que volto a disponibilizar para vossa escuta.