Arquivo de: Músicos Portugueses
Arquivo de: Músicos Portugueses.
Arquivo de: Músicos Portugueses.
O Prelúdio Susana de Ricardo Serrano em video clip montado com uma sequência de imagens do músico da autoria de Gary Lam (sítios: próprio e youtube).
A propósito dos 30 anos de carreira de António Rosado, Teresa Cascudo edita no seu blogue, Contemporá/âneas, uma das mais intimistas entrevistas que li ou ouvi do entrevistado.
A ler e reler, em especial, a referência, sem tibiezas, a Gilberta Paiva, mais um dos nossos génios que os sucessivos ‘geniais’ grupos que dominam as artes pretenderam (e pretendem) safar da história.
Poder-se-á pensar que as referências à música do Ricardo Serrano são já abusivas ou até indiciadoras de publicidade amigável. Burrifo-me.
A 9 de Maio passado o Ricardo disponibilizou o seu mais recente tema, ‘a José Afonso‘, no Peremela. Aqui fica, não pelo facto assumido de sermos amigos de longa data (mas também), mas porque sinto o Zeca, uma homenagem à sua música sem condescender com paternalismos ou colagens de suas canções. Sinto o Zeca Afonso, a sua música, a guitarra (mesmo em piano solo) e uma força… Da terra…, viva e vivida.
Obrigado, Ricardo.
A 4ª edição do ‘INJAZZ - Jazz em Português’, festival de jazz itinerante de projectos originais de músicos portugueses, organizado pela ‘Lado B - Produções Artísticas’, traz Maria João e Bernardo Sassetti ao Pax Julia - Teatro Municipal de Beja no próximo fim-de-semana.
Dos quatro projectos em cartaz no INJAZZ de 2008, ‘Zé Eduardo Unit’, LUME Big Band’, ‘Maria João 4tet’ e ‘Bernardo Sassetti piano solo’ saudamos a escolha destes dois últimos por parte de quem teve de escolher apenas dois para apresentar no Pax Julia.
Assim como na edição do ano passado lamentei não se ter optado por João Paulo Esteves da Silva e pelo Sexteto de Mário Barreiros em vez de Carlos Martins e Marta Hugon, não poderia deixar de manifestar a minha satisfação pela escolha deste ano.
No dia 16, sexta-feira, teremos então Maria João em quarteto, num projecto que será novidade, com uma formação que já há algum tempo não experimentava e.., sim, sem Mário Laginha.
Estou muito curioso.
A 17, Sábado, Bernardo Sassetti apresenta-se a solo com uma projecção multimedia associada de fotografias da autoria do músico.
Sassetti é Sassetti mas, ainda assim, estou com receio do piano que lhe colocarão à disposição numa sala com a volumetria do Pax Julia. Espero que seja um piano de concerto (cauda inteira), que nos ilumine acusticamente a alma sem amplificações absolutamente desnecessárias que desvirtuam, sem remissão, a sonoridade de um piano acústico por melhor que sejam as intenções e a competência de um técnico de som.
A ver vamos.
Rumo a Espinho, hoje, para ouvir o Concerto de Páscoa no belíssimo auditório da cidade com a Orquestra Clássica de Espinho e o Coro dos Amigos da Academia de Música de Espinho a interpretarem a Sinfonia nº 104 em Ré M “Londres” de Haydn e a Gloria em ré M de Vivaldi. (ver programa completo)
Para além da Orquestra e do Coro dos Amigos de Espinho serão intérpretes solistas as soprano Margarida Reis e Cláudia Pereira Pinto, estando a direcção da orquestra entregue a Pedro Neves e a direcção do Coro a Fausto Neves.
Estreia hoje, 18 de Março, às 21:00h, o STABAT MATER de Eurico Carrapatoso para Barítono, Coro de Câmara e Ensemble, uma encomenda do Centro Cultural de Belém, para ser apresentado em contraponto com a obra de Boccherini que será executada, no Grande Auditório, no mesmo parte do concerto.
Serão intérpretes Armando Possante (barítono), o Coro Olisipo e a OrchestrUtópica, dirigido por Cesário Costa.
Entrevistado por Maria Ana Freitas, entrevista cuja leitura integral recomendo, transcrevo algumas palavras de Eurico Carrapatoso sobre este seu STABAT MATER:
(…) o meu tratamento do texto “Stabat Mater” é fundamentalmente silábico e homofónico, para que não se perca uma única gota que seja da sua essência, e para que a sua mensagem não sofra qualquer distúrbio no seu percurso entre o intérprete e o ouvinte. Mais a mais, quando este texto plangente assume tamanha actualidade na época que vivemos. Lembremo-nos, por exemplo, das mães dolorosas das milhares de crianças iraquianas mortas desde o início da bárbara ocupação militar em Março de 2003: os infames “danos colaterais”. O Ocidente globalizado digere bem os seus crimes com estes doces epítetos: “danos colaterais”. Mas a verdade é que os “danos colaterais” são, no fundo, uma matança dos inocentes que faz corar Herodes. E é a estas mães dolorosas do país onde nasceu a civilização ocidental que eu dedico o meu “Stabat Mater”, sempre com o timbre de Messiaen em pano de fundo: “tout ceci reste essai e balbutiement, si l’on songe à la grandeur écrasante du sujet.”
Breves notas biográficas de Eurico Carrapatoso:
Eurico Carrapatoso nasceu em 1962 e é natural do distrito de Bragança.
É licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Iniciou os seus estudos musicais em 1985, tendo sido sucessivamente aluno de composição de José Luís Borges Coelho, Fernando Lapa, Cândido Lima e Constança Capdeville. Concluiu em 1993 o Curso Superior de Composição no Conservatório Nacional de Lisboa com Jorge Peixinho.
Foi assistente de História Económica e Social na Universidade Portucalense.
Leccionou na área da composição em várias instituições, nomeadamente na Escola Superior de Música de Lisboa e na Academia Nacional Superior de Orquestra. É desde 1989 professor de Composição na Academia de Amadores de Música e no Conservatório Nacional, sendo professor do quadro desta última instituição. Recebe regularmente encomendas das principais instituições culturais portuguesas e a sua música tem vindo a ser executada, editada e difundida desde 1987 não apenas na Europa bem como nos restantes continentes.
Ganhou as primeiras edições do Prémio de Composição Lopes Graça da Cidade de Tomar e do Prémio Francisco de Lacerda.
A sua música representou três vezes Portugal na Tribuna Internacional de Compositores da UNESCO, realizadas em Paris em 1998, 1999 e 2006, com “Cinco melodias em forma de Montemel” (para soprano, trompa e piano), “Deploração sobre a morte de Jorge Peixinho” (para grande orquestra) e “O meu poemário infantil” (para tenor e orquestra)
Em Maio de 2001 foi distinguido pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal com o Prémio da Identidade Nacional.
Foi condecorado pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique em 10 de Junho de 2004.
ps: fotografia de João Tuna
O Mediae Vox Ensemble, especializado em polifonia medieval, dirigido por Filipa Taipina, tem já agendados para este ano bastantes concertos, indiciando a confirmação da sua qualidade.
Este mês apresenta-se no Porto, no dia 7 de Março pelas 21:30h na Igreja de S. João da Foz e inserido “Ciclo de Músicas Religiosas” em Santander, organizado pela Caja Cantabria, nos próximos dias 17 e 22 de Março, na Igreja de Sta. Lucía (21h) e Santuario de la Bien Aparecida (20h), respectivamente.
O Rui Dinis há anos que alimenta A Trompa, um blogue de referência sobre música portuguesa. Desta vez entendeu fazer um “quiz” entre os membros da rede editorial TubarãoEsquilo e hoje calhou-me a mim a edição.
Perguntas? Ei-las:
1. Artista preferido? 2. Grupo preferido? 3. Disco preferido? 4. Canção preferida? 5. Último disco que ouviu? 7. O melhor disco que ouviu em 2007? 8. Última descoberta? 9. Último concerto a que assistiu? Quando? 10. Artista ou Banda mais importante para a história da música em Portugal?
Respostas? Vão lá vê-las!
Madalena Sá e Costa, uma das mais insígnes discípulas de Guilhermina Suggia e neta do fundador do Conservatório de Música do Porto, Bernardo Moreira de Sá, lança um livro há muito prometido e aguardado - “Memórias e Recordações“.
O lançamento de “Memórias e Recordações” ocorrerá na Casa da Música, dia 24 de Fevereiro, às 19:00h, na sala 2, iniciativa enquadrada numa série de 6 concertos a decorrer de hoje a Domingo na Casa da Música em homenagem a Guilhermina Suggia.
Pode ser que o violoncelo “Montagnama” que Suggia legou ao Conservatório do Porto apareça, mais uma vez, de relance…
Não será demais relembrar o hercúleo trabalho de Virgílio Marques na constituição da Associação Guilhermina Suggia para que uma das melhores violoncelistas de sempre não fosse definitivamente apagada da nossa memória colectiva.
A OrchestrUtopica apresenta hoje, pelas 22:00 horas, no Centro Cultural de Belém Futuros 1.2, série de dois concertos de câmara dedicados em exclusivo à audição de obras da nova geração de compositores portugueses.
Será interpretado:
Bruno Soeiro | Prominent rising disillusionment | piano
Bruno Gabirro | Entre murmúrios e silêncios | quinteto de sopros
Hugo Ribeiro | Quatro personagens saídas de um conto | cl, pf, vl, vc
José Luís Ferreira | Existence 1.2 | fl, cl, pf, vc
Patrícia Sucena Almeida | Silens clamor | fl, cl, vl, vla, vc
Marco Pereira, um dos nossos jovens violoncelistas mais promissores, aluno de Paulo Gaio Lima na AMEC e depois, como bolseiro, na Escuela Superior de Música Reina Sofía, em Madrid, apresenta-se hoje em concerto no Auditório 2 da Gulbenkian, incluído no ciclo Jovens Músicos, às 19:00h, com Ofelia Montalván ao piano.
Ludwig van Beethoven - Sonata para Violoncelo e Piano Nº 5, em Ré maior, op.102 nº 2
Luís de Freitas Branco - Sonata para Violoncelo e Piano.
Olivier Messiaen - Louange à l’Eternité de Jésus (do Quatuor pour la fin du temps)
Sergei Rachmaninov - Sonata para Violoncelo e Piano em Sol menor, op.
Das Märchen, a primeira ópera de Emmanuel Nunes, é hoje estreada no Teatro Nacional de São Carlos, às 16:30h. Encomenda conjunta do Teatro Nacional de São Carlos, Fundação Calouste Gulbenkian e Casa da Música no contexto de uma co-produção sem precedentes com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Casa da Música e o Ircam-Centre Pompidou (Paris), tem a direcção musical assegurada por de Peter Rundel, a encenação por Karoline Gruber, a coreografia por Amanda Miller e realização Informática Musical por Erica Daubresse elaborada no IRCAM, uma conjugação que indicia uma qualidade elevada na representação cénica / músical da ópera que hoje assistiremos, com libreto de Emmanuel Nunes baseado no conto homónimo de Goethe (disponibilizo PDF com descrição, ficha técnica e sinopse).
De parabéns está o Ministério da Cultura pelo arrojo (ideia que teimosamente tenho vindo a defender da gestão implicada dos meios audiovisuais do Estado, da cultura e da educação) de transmitir, via RTP e PT Multimedia, em directo em 14 teatros do País e Ilhas, cumprindo, assim o desígnio que enforma o conceito de Rede Nacional de Teatros.
Pena tenho que o Ministério da Educação não se tenha aliado a esta iniciativa, assegurando a transmissão em todas as escolas do país, englobado, quiçá, no aberrante conceito de enriquecimento curricular!
Bom fim-de-semana.
ps: imagem gentilmente sacada do Miso Music.
Estou ansioso por deitar a mão ao CD dos A Imagem da Melancolia, com o título A Arte da Usurpação, com o seguinte alinhamento:
La Ragione (pavana e saltarello) P. Hessen
La Morte della Ragione Anon
Batalha P. Arauxo
Tiento A. Cabezon
Canção A. Carreira
Daphne Anon
Almaine A. Holborne
The Fairie Round A. Holborne
Pavane, Galliarde, Basse Dance, Branle Simple, Branle Double, Branle Gay, Tourdion P. Attaignant
Fantasia Super Io Son Ferito Lasso S. Sheidt
Paduana, Allemade, Courante, Balletto, Sarabande J. Rosenmüller
Canzona Sopra la Bassa Fiaminga G. Frescobaldi
Sonatella A. Bertali
Os A Imagem da Melancolia é um “consort de flautas” que se dedica à música antiga, composto por: Inês Moz Caldas, Marco Magalhães, Paulo Gonzales, Pedro Castro e Pedro Sousa Silva. Lembrem-me hoje deles por estarem, neste momento, a actuar na Casa da Música, em concerto inserido no festival “À Volta do Barroco”.
Bom, há que aguardar…
O Paulo Bastos teve a gentileza de me enviar o resumo da conferência que proferirá na 2ª feira, às 14 horas, na Escola Superior de Música de Lisboa, sob o título A teoria das notas atractivas - Elementos metodológicos e aplicação analítica nas Seis Peças, op. 19 de Arnold Schöenberg. Aqui ficam:
A Teoria das Notas Atractivas – metodologia analítica em fase de experimentação – assenta nos ideais e fundamentos harmónicos que Edmond Costère começou a apresentar no início dos anos cinquenta, os quais se regiam pela natureza dos próprios sons, sendo que as “leis de atracção” entre uma determinada altura e as suas frequências próximas revelavam que a harmonia era o campo essencial e vital de toda a construção musical.
Paulo Bastos
Na próxima 2ª feira, dia 14, ocorrerão três interessantes conferências abertas ao público no salão da Escola Superior de Música de Lisboa, incluídas na iniciativa “Ciclo de Conferências”, proferidas por 3 compositores: Paulo Bastos, Sérgio Azevedo e Carlos Marecos.
11 horas: Carlos Marecos
Interacção entre estruturas intervalares e estruturas espectrais - Reflexões e Exemplos Musicais;
14 horas: Paulo Bastos (blogue Tónica Dominante)
A teoria das notas atractivas - Elementos metodológicos e aplicação analítica nas Seis Peças, op. 19 de Arnold Schoenberg;
16 horas: Sérgio Azevedo (blogue Tonalatonal)
Léos Janacék: a música dos últimos anos, 1915-1928.
Fausto Neves apresenta-se hoje em recital, pelas 21:30h, no Auditório de Espinho com o seguinte programa:
I Parte
DOMENICO SCARLATTI - Sonata “Pastorale” em Dó Maior
BEETHOVEN - Sonata op. 28 em Ré Maior (Pastoral)
- Allegro
- Andante
- Allegro Vivace (Scherzo)
- Allegro ma non troppo (Rondo)
CHOPIN - Primeiro Scherzo op. 20 em Si Menor
II Parte
LOPES-GRAÇA - Natais Portugueses (Primeiro Caderno)
I (Melodia de Proença-a-Nova – Beira Baixa)
II (Velha Melodia de Évora – Alentejo)
III (Melodia de Paul – Beira Baixa)
IV (Melodia de S.Miguel d’Acha – Beira Baixa)
V (Velha Melodia de Évora – Alentejo)
VI (Melodia de Rio de Onor – Trás-os-Montes)
VII (Melodia de Póvoa de Lanhoso – Minho)
VIII (Original)
OLIVIER MESSIAEN - Noël (de “Vingt Regards sûr l’Enfant-Jésus”)
Um recital de Fausto Neves, por cada vez mais raros, é sempre motivo de regozijo e uma (quase) obrigação para quem gosta de piano descolar-se para ouvir.
Ler as impressões da Gisela Cañamero sobre a Oratória Fátima sinal de esperança para a Humanidade de António Cartageno, encomenda do Santuário de Fátima e estreada a 11 de Novembro na Igreja da Santíssima Trindade em Fátima.
No Domingo passado, dia 18, foi apresentada em Beja e são dessa récita as impressões que Gisela Cañamero escreveu.
ps: ver a este propósito entrevista de António Cartageno à Agência Eclesia.
Amanhã, por encomenda da Gulbenkian, será estreada a obra Paradeisoi de Isabel Soveral, no ciclo Nova Música Portuguesa, como atrás divulguei.
Nascida no Porto, Isabel Soveral (catálogo) estudou no Conservatório Nacional com os compositores Jorge Peixinho e Joly Braga Santos. Sob a orientação de Daria Semegen e Bulent Arel fez o mestrado e doutorou-se em composição na Universidade Estadual de Nova Iorque em Stony Brook, como bolseira das Fundações Calouste Gulbenkian, Luso Americana e Fulbright.
Desde 1995 é professora de Composição, Teoria e Análise Musical no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro.
Notas sobre Paradeisoi gentilmente cedidas pela compositora:
«Paradeisoi é o nome grego dado aos jardins antigos persas que tiveram o seu auge na dinastia Aqueménida (559-330 ac). Os jardins persas são sempre rodeados por muros, tendo, normalmente, entradas simples que nunca se situam no eixo central da composição. A palavra persa para estes jardins é pairi-daeza (espaço fechado), termo que foi adoptado pela mitologia cristã na descrição do jardim de Éden ou paraíso na terra. Estes jardins têm, por vezes, elementos de surpresa, como, por exemplo, entradas labirínticas. Na construção destes jardins, que também eram chamados de jardins formais, existia a preocupação de combinar os elementos considerados como principais: água, sol, vento, frutos e pássaros.
Os jardins persas procuravam retratar o universo; nesta representação, com o microcosmo em comunicação com o macrocosmo, encontramos diferentes formas de expressão que correspondem a desejos íntimos e profundos deste povo, tais como uma árvore que brota a água que nasce de dentro de uma montanha. Na construção destes espaços, a preocupação formal é muito importante, conjugando a simplicidade estética com o rigor técnico. Na elaboração dos diferentes parâmetros formais é dada muita importância à relação entre luz e sombra, bem como, à articulação entre o sentido estático e o sentido de movimento.
Todas estas questões formais foram consideradas primordiais na elaboração do tecido musical desta obra que, como num paradeisoi, procura a harmonia resultante do diálogo arquitectura versus natureza, espaço aberto versus espaço fechado, material versus espiritual.
Isabel Soveral
A propósito do concerto de amanhã, na Gulbenkian, incluído no ciclo Nova Música Portuguesa que atrás divulguei, será executado o Concerto para dois Pianos e Orquestra de Sérgio Azevedo.
Nasce em Coimbra, Sérgio Azevedo (link), em 1968, sendo, além de compositor (link), professor da Escola Superior de Música de Lisboa e membro da direcção da Academia de Amadores de Música, instituições onde estudou. Efectuou seminários com Emmanuel Nunes. Tristan Murail, Philippe Manoury, Jorge Peixinho, Gilbert Amy, Robert Sherlaw-Johnson, Louis Andries-en, Luca Francesconi e Mary Finstereres.
Notas sobre o Concerto para dois Pianos e Orquestra gentilmente enviadas pelo compositor:
«O Concerto para Dois Pianos foi composto entre 1999 e 2003. Se o Quinteto de Clarinete (1996) provou ser um ponto de viragem na minha música, Atlas’ Journey (1998) foi sem dúvida a culminação desse ponto de viragem. Tanto o Concerto para Dois Pianos e Atlas’ Journey são, sem dúvida, os pontos culminantes desse período, no qual comecei uma aproximação mais sistemática a técnicas de composição baseadas em grupos de tons inteiros, harmonia espectral, heterofonia, campos harmónicos e um cuidado extremo com certos efeitos peculiares de produção do som. As ideias poéticas e formais são agora completamente baseadas na análise de pinturas tais como a série das Catedrais de Monet, os desenhos impossíveis e enigmáticos de Escher, as pinturas surrealistas e contraditórias de Magritte, estruturas topológicas, fractais, séries numéricas, o mundo de escritores como Gombrowicz, Kafka, Mann, Borges e Musil, o cinema mudo dos primeiros 30 anos do século XX (particularmente os filmes de Murnau, Lang, Wiener, Dreyer e Chaplin), a ideia de caos, a nova física e as novas teorias matemáticas e cosmológicas, tempo e relógios, labirintos, mitos e estranhos mecanismos, a música louca e funcional dos “cartoons” e marionetas, as velhas teorias de ritmo e acentuação, o folclore da Europa Central, as novas teorias da percepção e da psicologia auditivas, e ainda a música de compositores como Stravinsky, Prokofief, Ligeti, Lindberg, Adams, Francesconi, Maxwell-Davies, Berio ou Birtwistle, entre outros. Todas estas variadas influências e ideias são tornadas coerentes pela análise dos seus pontos comuns. O uso de software especialmente desenhado para a edição musical foi também importante para mim, uma vez que posso agora facilmente analisar, por exemplo, mudanças extremas de tempo, ou cortar camadas e secções e combiná-las de novo num contexto completamente diverso. O Concerto para Dois Pianos, juntamente com Atlas’ Journey, aponta pois para uma nova direcção estilística. Quis escrever uma peça extremamente brilhante e luminosa, rápida e virtuosística, como Petruska, na qual o humorístico e catastrófico mundo das marionetas estivesse presente. Porém, se em Atlas’ Journey existe uma espécie de “história” por detrás da música, mesmo se não invectivando a música, no Concerto esta “história” não existe de todo. Pela primeira vez (sem contar com as obras tonais do meu catálogo), compus uma peça dividida em vários andamentos, uma fórmula que faz mais sentido para mim agora do que fazia há uns anos atrás, talvez uma consequência da nova claridade e direccionalidade harmónica da própria música. No Concerto, tal como já em Atlas’ Journey, utilizo algumas citações “falsas” de outras peças, a maior parte escondida na estrutura profunda da obra, ou contendo tantas características comuns com a minha própria música, que raramente se “ouvem”. Tais citações servem unicamente propósitos simbólicos e poéticos pessoais, não tendo pois outro papel estrutural que não o de enfatizar alguns momentos da obra. A única citação real que é possível perceber claramente pode ser ouvida no primeiro andamento, uma espécie de rapsódia de sabor húngaro, cheia de ideias diferentes e um pouco caótica na sua construção. A fanfarra que serve como “sinal” inicial partilha algum humor com a bizarra música de “levantar de cortina” que se pode ouvir no início da ópera Le Grand Macabre de Ligeti. Também é evidente alguma música rápida, em atmosfera de tocata, que provém em linha directa de obras como os 2º e 3º Concertos para Piano de Prokofiev, ou do Concerto para Piano de Ligeti. Mas as única verdadeiras citações são de Ligeti (10 Peças para Quinteto de Sopros) e de Nielsen, da 6ª Sinfonia. No terceiro andamento, só para cordas e harpa, é o Adagietto da 5ª Sinfonia de Mahler que serve de elemento desconstrutivo, numa quase-citação em que é apenas sugerido o ambiente harmónico dessa obra.»
Sérgio Azevedo