Há dias que andava às voltas para escrever sobre o uso da Golden Share na OPA sobre a VIVO. Miguel Portas deu-me uma grande ajuda. Diz o essencial, com verdade, e em muito menos linhas que eu gastaria.



Se pretenderem, desta vez, colar-me ao Bloco de Esquerda, estejam à vontade porque, colantes que outros me pretendem impingir consoante o que possa escrever, é hábito recorrente de quem só partidos vê ou, esclerosados pelo tempo, permanecem na dicotomia da guerra fria – esquerda / direita / volver!

O patriotismo, afinal, tem preço! Curioso é que há 3 anos ainda não tinha…
Mesmo sem Telefónica a votar, tudo indica que estes 73,9% significam que a Caixa Geral de Depósitos e seus parceiros terão ficado quase sós a rejeitar a venda da Vivo e , por outro lado, o núcleo duro de accionistas da PT desmantelou-se e, com ele, o cartel que votava ao lado do Estado de Sócrates.
Ficamos com a PT. Ficaremos com mais uma condenação no Tribunal de Justiça Europeu contra as ‘golden share’ e indemnização astronómica para pagar.
E ficamos, sim, bem cientes no que dá a brincadeira privatizar acima dos 49,9% as empresas estratégias do Estado, que rendem anualmente avultados rendimentos – PT, GALP, EDP, RTP, ANA…
O discurso neoliberal, público vs privado, não tem qualquer relevância ideológica! Tem relevância operativa para os interesses do capital de agiotagem, o qual, como se tem visto, desdenha os Estados e os cidadãos europeus.

Depois do envolvimento de há 3 anos de todos os sectores centralistas de Portugal contra a OPA da ‘SONAE.com’ sobre a PT (ver link), a vitória da Telefonica, fale-se verdade, só acontecerá se aqueles mesmos a pretenderem, relevando, o desenlace, o seu patriotismo!
Quanto ao demais, ‘é só fumaça’…

Depois de assumirem o desvio dos dinheiros comunitários da construção das linhas Lisboa / Porto e Porto / Vigo, parece as contas estão a ser feitas ao cêntimo para ver se, juntando as portagens nas SCUT do Grande Porto, serão suficientes para pagar a nova ponte em Lisboa.
Ah, sim, entretanto, muito naturalmente, claro está, e com toda a naturalidade, pois então, a Ascendi, concessionária da Mota-Engil e do BES, e a Euroscut Norte, da espanhola Cintra, preparam-se para entrar no capital da Via Verde já em Junho.
É evidente que nada disto será relevante se comparado com qualquer coisa assaz avassaladora que alguém encontrou lá para os lados de S. Bento…

Pensava ter dado por encerrado os comentários sobre o negócio entre a PT e a TVI (aqui, aqui e aqui), ou seja, sobre a vergonha da promiscuidade entre os políticos e as empresas privadas através das ‘golden share’, motivo que colocou o Estado Português como réu, acusado pela Comissão Europeia.
Não resisto, no entanto, a aconselhar a leitura de um texto de José Manuel Fonseca no ‘A Infelicidade ao Alcance de Todos‘ do qual deixo um excerto que não dispensa a leitura integral:

Se alguém estivesse efectivamente interessado num mercado livre e aberto já se teria manifestado contra as acções douradas que há por aí. E, elas existem em papel ou em espírito. Mais, nunca se observou alguém, no “arco da governação”, ser frontal e abertamente contra essas ‘golden shares’. Ou de outras cores, que não há míngua de ‘shares’ laranjas ou rosadas. Com ou sem verdade e políticas de verdade. Ninguém vai dizer nos olhos dos portugueses que vai acabar com essas manobras. Porque só se acabam com transparência. Mas até Setembro aposto dobrado contra singelo que ninguém em boa verdade virá aí dizer que acaba com a coisa. E promove a ética.

Henrique Granadeiro, hoje ao Jornal I, desmente-me categoricamente por no post anterior ter adiantado que, pelo facto de a administração da PT não se demitir em bloco após a intervenção da líder do PSD, de Cavaco Silva e, posteriormente, do governo, num negócio entre a PT e a TVI (empresas privadas, constituídas como sociedades anónimas e cotadas em bolsa), o período em que vivemos poderia ficar conhecido, daqui por umas décadas, como o dealbar da ‘Era da Vaselina’.
Henrique GranadeiroNão poderia ter sido mais errado no meu vaticínio e, como deveria ser norma nestes casos, há que apresentar, humildemente, desculpas ao ‘chairman’ da PT, bem como a toda a sua administração. Com efeito, Henrique Granadeiro afiança que a intervenção de partidos políticos, governos e, pelos vistos agora, a Presidência da República não são casos virgens, mas recorrentes e sistemáticos, estranhando o entrevistado não a intervenção estatal em negócios de empresas privadas, mas o alarido político que em torno do caso se fez.
Ora errei, e publicamente, aqui, me penitencio, por ter utilizado o termo ‘dealbar’ (não se trata de caso virgem, bem pelo contrário, ao que parece) e, pelo facto de ao não se estranhar tal procedimento, nem a administração da PT, nem os accionistas (mudos até ao momento), haverá largas dezenas de pessoas na gestão de empresas privadas e no mundo dos negócios que parecem ter ultrapassado uma fase iniciática de estranheza, indiciando ser-lhes a vaselina já perfeitamente dispensável.
Como se dizia, primeiro, estranha-se, depois…

Aproveito para lembrar o que toda a gente sabe, mas o stress do dia-a-dia poderá justificar que se presente não tenha, que o Estado Português foi constituído réu, por acusação da Comissão Europeia, que alega o incumprimento das leis europeias sobre livre circulação de capitais e liberdade de estabelecimento no espaço europeu sem fronteiras, em três processos onde detém as chamadas ‘golden share’ em empresas privadas, nomeadamente, a PT, a EDP e a GALP.

A administração da PT, através do seu Presidente, Henrique Granadeiro, vem afirmar que o envolvimento do Estado num processo negocial entre sociedades anónimas cotadas na bolsa, através de Cavaco Silva e de Sócrates, não passou de uma tempestade de Verão.
Tempos curiosos estes em que ninguém se importa já com nada a não ser com insinuações, insultos e falta de modos. Eu que estava à espera que a administração da PT, em acto de brio profissional, diante do impensável, se demitisse em bloco! Mas não…
Talvez, quem sabe, daqui por umas décadas estes tempos fiquem conhecidos como o dealbar da ‘Era da Vaselina’, ou da falta de vergonha!
Isto deve andar mesmo tudo ao mesmo!

Agora há quem diga que espera que a administração da PT cumpra; o PC afirma que Sócrates sabia, com toda a certeza, do negócio; Sócrates mete-se no negócio; Manuela Ferreira Leite para além de ter afirmado que Sócrates mentia, vem agora acusá-lo de ter travado o negócio para defender a sua imagem!
O país ensandeceu. Já há muito que dava indícios, mas as declarações incendiárias de Cavaco Silva atiçaram um fogo de proporções inauditas e de controlo duvidoso.
Eu, pessoalmente, também espero que a administração da PT cumpra. Cumpra consigo própria, demitindo-se em bloco, se vergonha na cara tiver, e mande todos estes políticos, comentadores e excelsos mestres e doutos catedráticos de economia, que nunca na vida vergaram a mola numa empresa privada nem ideia fazem do que é criar riqueza, diariamente, deambulando sempre por entre empresas públicas ou lavrando pareceres e sebentas, fazer o que nunca fizeram apesar de terem obrigação porque cursaram para isso – serem empreendedores e criarem riqueza para o país!

É absolutamente aviltante o facto de a banca estar a desvalorizar o valor da habitação, em especial, as dos clientes que têm crédito contraído. No último trimestre de 2008 foi de 6%; neste já vai em 5,8 por cento face ao período homólogo do ano passado.
Atendendo a que e existência das empresas avaliadoras, ditas independentes, depende, quase exclusivamente, dos bancos, poderemos dizer que estes, actuando em cartel, estão a financiar-se junto dos seus clientes mais desprotegidos, justamente aqueles que mais dificuldades estão a sentir para honrar os seus compromissos!
Por onde anda o governo e a Autoridade da Concorrência? Deverão os governos continuar a sustentar uma actividade que está a lesar os cidadãos com maiores dificuldades?

Sim , pois, a nacionalização do BPN, pois, estamos conversados, o caso BPP, pois, mas o BCP lá vai andando, andando com a CGD, e desde aquela OPA sobre a PT, em que o Comendador Berardo se imiscuiu para travar a SONAE salvando a face do governo, que parece boda duradoira. Ainda se lembram?
O BCP esse sim, lá vai andando, andando… Lembram-se, por acaso de um accionista que foi fundador do BPN e do BCP e de outros? A coisa cheira, cheira a mim, mas não se vê, ou não se quer enxergar! Tudo a bem dos depositantes, pois claro…

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