Arquivo de: Opinion
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Ler na íntegra o desgosto ou a mui justa indignação do Henrique Silveira face ao alheamento ou desprezo da nossa suposta “intelligentia” face aos eventos musicais e, acrescento eu, à educação artística, onde a musical se inclui.
Deixo um excerto:
Portugal é um país onde a cultura musical é miserável e onde os tais opinion makers não dedicam o menor interesse à música. É natural assim que um recital de Schubert com dois dos mais excelsos intérpretes fique às moscas enquanto numa recôndita aldeia da Aústria (1800 habitantes) encha sistematicamente uma sala (Angelika Kauffmann Hall) com mais de seiscentos lugares, que se situa a mais de três horas de carro de Viena e de Salzburg, para a Schubertiade.
A Cristina Vieira no Contracapa pega no assunto do excerto do artigo de Pacheco Pereira (que atrás abordei) e abre portas ao que sinto que poderá estar por trás não só daquela passagem, como doutros ataques desferidos contra a blogosfera - uma campanha orquestrada e desesperada dos media tradicionais devido à drástica quebra de vendas e as virtualidades abertas pela Web 2.0 (vulgo Web Social), nomeadamente à criação de redes específicas e especializadas e seu inter-relacionamento digital.
O excerto em causa tem provocado alguma polémica, nomeadamente através do escritos de Fernando Venâncio, do José (aqui e aqui), da Zazie, do Paulo Querido e do Dragão, mas foram Paulo Querido e Fernando Câncio que me incitaram a procurar ler na íntegra o artigo de Pacheco Pereira.
Afinal, deduz-se, que o artigo tem por base a leitura de The Cult of the Amateur de Andrew Keen que não li mas, socorrendo-me da Wikipédia, dou conta de que este autor tenta alertar para os perigos da Web 2.0, identificado-a como um grande movimento utópico similar à sociedade comunista, pelo facto de todos, mesmo os que não receberam educação adequada, poderem usar a tecnologia digital para se tornarem realizadores cinematográficos, músicos e escritores autodidactas. No seu entender este processo empobrece a criatividade, democratiza os media e nivela por baixo tanto amadores como profissionais. Propõe ainda como solução que os media tradicionais elitistas se constituam como inimigos da Web 2.0.
Sendo sensível à preocupação que Pacheco Pereira tenta manifestar - o tal empobrecimento cultural - não me parece defensável a tese de Andrew Keen, muito menos num mundo que diz defender a liberdade individual e cujo poder se sustenta no sufrágio universal e no apelo a uma cidadania activa, seja de professores catedráticos, seja de analfabectos! Regular a liberdade para que a de cada qual não colida com a do próximo, parece-me evidente em lugares que prezam o Estado de Direito; agora limitar a liberdade de expressão (de opinião ou de criação) parece-me, isto sim, muito mais próprio de uma ditadura, comunista ou de qualquer outra adjectivação. ( leia-se a crítica sugeria por Paulo Querido de Lawrence Lessig no Lessig 2.0)
Se seguíssemos à letra a solução preconizada por estas profecias apocalípticas e pelo calar dos tais amadores autodidactas, nunca teríamos tido um Torga, um Eugénio de Andrade, um Fernando Namora, um Carlos Paredes, uma Amália…
Continuo, afinal, com a impressão primeira que formei, a de que está constituído um poderoso lobbie global que colocou em marcha uma campanha contra a rede da blogosfera, nomeadamente a proporcionada pela Web 2.0 (vulgo Social Web), por parte dos media tradicionais, desesperados que estão com a drástica redução das suas vendas, contando com o apoio dos comentadores contratados pelo facto de sentirem diluir o seu poder enquanto opinion makers, buscando sustentação teórica nas inusitadas opiniões escritas de Andrew Keen.
A apoiar o que defendo, vejo o que a Cristina adiantou sobre a campanha contra os blogues que o Estadão lançou há cerca de um mês, criada pela empresa Talent, onde se lê e passo a citar, todos os blogs, ou melhor, todo o conteúdo gerado por não profissionais, não presta. A tónica da campanha estava em duas ou três ideias: blogs limitam-se a copiar informação, blogs não são fidedignos (…).. A Resposta não tardou através de Cristiano Dias no blogue Brainstorm#9 onde se lê o óbvio: Obviamente, existe muito lixo na internet. Falando especificamente de blogs, dos milhares que aparecem todos os dias, poucos se aproveitam, é verdade. Mas a lei da sobrevivência é a mesma: apenas os com conteúdo relevante e/ou divertido permanecem. A tecnologia avança, mas isso não muda.
Assim sendo, para além do artigo do Dr. Pacheco Pereira não acrescentar novidade dentro deste estratagema, a sua motivação para o escrever deverá ter sido bem mais elaborada e alargada que a nobre defesa da cultura e de uma elite de qualidade que a lidere, como insinua, enquadrando-se, antes, num lobbie global que ataca os blogues por considerar ser a melhor defesa para travar a tendência de redução de vendas dos media tradicionais e a não diluição do poder de opinion makers dos comentadores lá instalados.
O termo adiantado pelo André Moura e Cunha no In Absentia o qual adoptámos e fizemos eco não foi acolhido com grande entusiasmo pela blogosfera. É natural, a maioria dos autores vivem em Lisboa.
Mas será este crescente e castrador centralismo uma paranóia? Julgo que não e, pelos vistos até de fora vêem o que muitos por cá não querem ver, nomeadamente o El Pais, que a propósito do facto, já consumado, de Vigo perder para Badajoz a sede da União Europeia para a cooperação hispanolusa coloca em subtítulo: Solbes cede ante el Gobierno portugués, interesado en no alentar el autonomismo de Oporto.
Do desenvolvimento do artigo deixo alguns excertos:
Vigo no será, finalmente, la sede del secretariado técnico de la Unión Europea (UE) que debe gestionar los programas de cooperación transfronteriza entre España y Portugal entre 2007 y 2013, incluidos los que pongan en marcha Galicia y la Región Norte de Portugal.
Badajoz se ocupará también de la parte de ese dinero que corresponde a las iniciativas conjuntas entre Galicia y la Región Norte de Portugal y que fuentes de la Xunta sitúan entre los 80 y los 90 millones para todo el período.
(…) la decisión de los Gobiernos de Lisboa y Madrid no ha pesado exclusivamente el interés de Extremadura. El deseo del Ejecutivo portugués, presidido por José Sócrates, de desincentivar cualquier posible aspiración autonomista por parte de la Región Norte ha terminado por inclinar la balance del lado contrario a los intereses de Galicia.
E porquê? Por aquilo que todos sabem, que seria benéfico para a nação, para Portugal, mas que o centralismo de Lisboa, com medo do inevitável, com a certeza de perda de protagonismo, vem desde a adesão à CEE a protelar, a boicotar, a tudo obstar para que tal seja possível - a criação de uma região Norte de Portugal e a Galiza. Sou eu que o digo? Sim, sou, mas também o mesmo artigo do El Pais:
De hecho, la Xunta (de Galicia) tenía mucho interés en hacerse cargo de la gestión de los fondos a través de un nuevo instrumento comunitario, una Agrupación Europea de Cooperación Transfronteriza (AECT), que permitiría a la Región Norte dotarse de un organismo con personaldad jurídica propia, algo de lo que carece en el sistema constitucional portugués. La AECT permitiría a ambos territorios, protagonistas desde hace años de la cooperación a lo largo de la frontera, superar el estrecho marco de la Comunidad de Trabajo, dentro la cual habían venido situando sus iniciativas. La AECT permitiría además, según fuentes de la Xunta, consolidar la relación con el Norte de Portugal cuando se acaben los fondos europeos de cooperación al salvar definitivamente las dificultades derivadas de la naturaleza centralizada del Estado portugués.
Haja decoro e assuma-se que o atraso de todas as Nuts de Portugal em relação à de Lisboa e Vale do Tejo se deve única e exclusivamente à reacção histérica de todos os governos centrais desde Cavaco Silva, para impedir que o Noroeste da península se constitua em região reconhecida pela União Europeia, desde as campanhas de ostracização aos políticos do Norte que pelo seu bom desempenho sobressaíram da mediocridade, concomitante ao apoio a políticos nortenhos seguidistas dos aparelhos partidários, passando pela ‘trasladação’ de quase todas as sedes de empresas financeiras para Lisboa, lembrando o ridículo de um referendo sobre uma regionalização de Portugal em talhões cujo único objectivo foi o de inviabilizar o óbvio, sem esquecer a tonta opção por um aeroporto em Lisboa em detrimento de um no Porto (que faria com que o Porto fosse, em definitivo, a capital dessa futura região em detrimento de Vigo, Santiago e Corunha), sublinhando os sucessivos boicotes a todas as tentativas de Belmiro de Azevedo de adquirir empresas a privatizar só pelo facto de manter a sua sede no Norte e não precisar do Estado para nada (incluindo este nada surpreendente resultado da OPA sobre a PT), até à anedota de açambarcar para Lisboa a administração da Metro do Porto!
De tudo o centralismo tem feito, mas para quê? Em benefício de quem? De quase ninguém, aparentemente, a não ser de um punhado de clientelas partidárias que vêm dominando em proveito próprio este país… com apreciável gáudio da boçalidade das populações anti-nortenhas que vão a reboque de sentimentos futebolísticos!
Estou fartíssimo das virgens moralistas que dominam os meios de comunicação social, blogosfera e governos!
O ministro disse alguma mentira? Disse algo que não seja uma vantagem competitiva para os investidores?
Esta saga que parece não ter fim, de ao poder só chegarem académicos e profissionais da política e do comentário, sem nunca terem experimentado o que é a vida empresarial nem dela ideia fazerem para lá do que vem nas sebentas e manuais, em estudos e artigos académico-paranormais e milhares de teses de mestrado e doutoramento que até agora para nada serviram nem se vislumbra que serventia venham a ter, tem conseguido os resultados que estão à vista de todos!
Querem mais do mesmo? Sirvam-se, estejam à vontade, mas não levem a mal não me apetecer tal petisco!
Que fastio!
A propósito do concerto que Murray Perahia deu anteontem na Casa da Música o HVA, no desNorte, escreve um texto que subscrevo na íntregra, pelo que escreve diz e pela elegância com que justamente se indigna!
A Casa da Música está a mudar, vai mudando, vai refazendo-se, vai esquecendo o que Alves Monteiro legou! (ver aqui, aqui e aqui)
Deixo um breve excerto do texto do HVA:
Não sei se tem a ver com o regresso do filho pródigo, mas sei que a programação já não tem o fulgor (leia-se qualidade) de tempos não muito distantes. Parece que está mais variada, dizem-me. Naquilo que me diz respeito, quem quiser variedade(s) que vá ao Rivoli.
no Público de hoje utilizando uma estratégia conhecida - um pé dentro e outro fora. (link Abrupto)
Nada de novo, afinal, é a sua estratégia pessoal de sempre, à qual deve o estatuto mediático que alcançou.
A coisa vende, não haja dúvida, foi decalcada da do outro Professor que veio explicar que sim, mas talvez nem por isso em relação ao mesmo assunto. Com uma pequena diferença, contudo, Marcelo Rebelo de Sousa disse o que vai fazer.
é a que faz a Helena Araújo no 2 Dedos de Conversa, sob o título Jogar a Feijões.
A AIDS Healthcare Foundation, fundação que luta contra a Sida, anunciou hoje ter apresentado uma queixa contra a farmacêutica Pfizer (…)
por entender que
O marketing enganador e ilegal que é feito para vender o Viagra, provocou um aumento da propagação das doenças sexualmente transmissíveis, entre as quais a Sida (Jornal de Notícias)
Afinal parece que a propagação do HIV, seguindo o raciocínio, tem a ver com o tesão. Ora se assim é, e não me custa a acreditar, parece-me muito mais preocupante que a AIDS Healthcare Foundation ainda não tenha apresentado uma queixa contra o Vaticano por continuar a propagandear o não-uso do preservativo!
Das duas, uma, ou um gajo capa-se, e prontos, que se lixe a taça, ou o problema nada tem a ver com o tesão, mas com a falta de protecção!
De fundamentalismo em fundamentalismo não me admiraria nada que as embalagens de viagra passassem a ter obrigatoriamente inscrito: O TESÃO MATA.
À primeira vista, numa lógica de auto-regulação do funcionamento do mercado, a existência de uma tabela que imponha preços máximos e mínimos por acto médico pode parecer um absurdo. Em teoria não poderia estar mais de acordo com o Adolfo Mesquita Nunes quando escreve no Arte da Fuga:
«(…) quem impõe coercivamente tabelas de preços escapa à questão da legitimidade, acomodando-se numa alegada e também confortável ideia de justiça social, protegendo o bolso de quem os paga e a qualidade do serviço prestado.»
Não colocando em questão legalidade da decisão da Autoridade da Concorrência, não entendo que a Tabela do Acto Médico seja um atentado contra a liberdade dos médicos, uma vez que ela foi discutida e aprovada pelos seus membros - os médicos.
No entanto, o principal problema reside na totemização da liberdade individual que o pensamento neo-liberal nos condicionou, fazendo-nos esquecer, por vezes, que a liberdade, para ser efectiva, necessita de regras, de comportamentos previsíveis, para que possa ser fruída.
A verdade é que a não existência uma tabela de referência dos actos médicos impede a implementação dos seguros de saúde, uma vez que não haverá actuário capaz de calcular, em função do risco e dos preços praticados, as garantias e sua amplitude, as excepções e o preço do produto a comercializar. Assim sendo, porque a reivindicação de uma tabela de actos médicos foi uma luta de anos por parte das seguradoras, a medida agora tomada só vem beneficiar as seguradoras que possuem instalações e técnicos de saúde próprias e avençados, colocando à Autoridade da Concorrência um outra problema para decidir - poderão as seguradores que vendem seguros de saúde obrigar, coercivamente, sob pena de o seguro ser nulo, os seus clientes a não poderem optar pelos médicos e estabelecimentos que entendem?
A liberdade precisa de regras, precisa acordos, precisa de consensos, para que ela possa ser fruída o máximo possível. A sua totemização é o princípio da sua ausência ou, se pretendermos, a liberdade de quem tem poder!
a insurgir-se contra a política exclusivamente fiduciária do BCE. Parece que a futura candidata presidencial do PS em França sabe, concretamente, por onde deve começar!
«Ségolène Royal, s’est exprimée, mercredi 17 janvier à Luxembourg, en faveur d’”un élargissement du statut de la BCE qui intègre très clairement, comme aux Etats-Unis et au Royaume-Uni, non seulement la maîtrise de l’inflation, mais aussi la croissance économique et le progrès social”. “Il ne s’agit pas de remettre en cause son indépendance, mais il s’agit de ne pas la laisser exercer une omnipotence” (…)» (Le Monde)
Ainda sobre o PU (utilizando a sigla da Jacky) há um aspecto que neste post não foquei, mas que não passou despercebido à Susana Serrano num comentário - as ESE’s! Transcrevo parte dele:
«É uma absoluta irresponsabilidade ministerial!
Durante os últimos 20 anos investiram nas ESEs, em cursos semi-especialistas, de má qualidade geral, para cobrir o 2º ciclo essencialmente e dar formação “mais credível? aos professores do 1º ciclo, deixando mais uma vez “as disciplinas artísticas, menores? de fora do currículo. É verdade, estas últimas, pagas a recibo verde agora e dadas como actividades extra-curriculares, estão na lei, no currículo do 1º ciclo há já muitos anos.Na realidade só o Inglês ainda não fazia parte do currículo do 1º ciclo, era só intenção.
Os resultados do investimento nas ESEs são também muito contraditórios e ainda não foram nem analisados, nem investigados e muito menos avaliados seriamente, assim como tudo neste ME que temos; como tal parte-se para outra mudança. Acho que a maioria das pessoas não acredita nisso e os sindicatos mais uma vez vão pegar no assunto pelo único lado que não deviam.» Susana Serrano
Com efeito, num momento em que toda a gente já sabe do logro que as Escolas Superiores de Educação (ESE’s) representaram para a diminuição da qualidade do ensino superior em Portugal (com honrosas excepções, claro), esta medida do Professor Único viria dar um novo fôlego ao incrementar as inscrições nessas instituições em detrimento das universitárias, sabendo nós que elas correm sério risco de desaparecer por falta de alunos, i.e., por desinteresse do mercado! (ver notícia do Público 11 de Julho de 2006)
Então, para além da medida ser má para a qualidade do ensino pelas razões adiantadas, ainda se acrescenta esta desconfiança (para não dizer suspeição) de favorecimento encapotado das ESE’s, para mais sabendo que o Secretário de Estado Valter Lemos foi um dos grandes impulsionadores destas instituições, tendo sido Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco desde 1996 e Presidente da Politécnica - Associação dos Institutos Politécnicos do Centro desde 2003, funções só deixou quando foi convidado para este governo!
«O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, reiterou hoje a disponibilidade de o Governo português colaborar com a Assembleia da República e o Parlamento Europeu no apuramento sobre voos da CIA com escalas em território nacional.»(Público - 11.01.2007 - 19h27)
«PS, PSD e CDS-PP rejeitaram hoje a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar para investigar responsabilidades do actual e anteriores Governos na alegada utilização do espaço aéreo nacional para actividades ilegais da CIA.»(Público 11.01.2007 - 20h44)
Alguém terá dito que era compadrio, mas acho que não, é cinismo, apanágio da política dos políticos. Mais fácil é insistir que Carlos Coelho e Ana Gomes querem protagonismo ou são doidinhos, mas a bem da nação, claro, dos políticos.
Tem a Lolita toda a razão, em Equívocos e manifestos, quando afirma que o que está em jogo em relação ao aborto é a questão de saúde pública!
No entanto, ao afirmar mais à frente que, sendo uma questão de saúde pública da mulher, o homem não é para o caso chamado, a pergunta a referendar não poderia ser a que é, nem a referendar deveria ir, pois só as mulheres deveriam poder pronunciar-se.
A Cristina Vieira no Contra Capa pegou no assunto que atrás abordei da cultura e sua gestão aludindo que, por considerar que a cultura é elitista se deveria enveredar pela progressividade de níveis de complexidade na programação e, coincidentemente com uma educação para a arte também progressiva.
Eu compreendo o que a Cristina pretende dizer e aceito que se se optar, exclusivamente, por programações de fruição mais complexa o carácter elitista adensar-se-á. Apesar de o assunto ser demasiadamente vasto e de difícil solução transcrevo para aqui o comentário que deixei no seu blogue embora só seja compreensível se antes lerem o seu texto.
1 - não há cultura elitista - cultura é cultura, é tudo o que nos deixaram;
2 - por deficiente educação o legado cultural cuja fruição requer bagagem prévia foi sendo “apropriado” por cada vez menos pessoas que formaram um grupo restricto e, por outro lado, esse mesmo grupo foi-se fechando e reivindicando a “sabedoria” de fruir só para eles (aqueles a que tu bem inseres na “elite” que referes;
3 - a única forma que encontro para devolver da sua fruição a todos é ela ser objecto de estudo na escola, desde tenra idade, onde as artes não sejam vistas como um apêndice, mas como imprescindíveis para a formação da identidade, tal como a língua e a matemática;
4 - como em qualquer outra área para lá das artes, devemos dar às crianças os clássicos originais, uma vez que elas não são burras e têm uma capacidade de assimilação muito superior a um adulta (como sabes melhor do que eu, a capacidade de assimilação ou de aprendizagem, se preferires, é das poucas coisas que vamos perdendo desde o dia em que nascemos);
5 - qualquer clássico original será sempre melhor do que um sucedâneo do mesmo, uma vez que tudo está datado e a criança deve enquadrar cada obra no seu tempo, para perceber a nossa evolução bem como para compreender, mais tarde, manifestações mais vanguardistas; começar por estas é que seria (e tem sido) um erro de palmatória;
6 - entretanto, para os adultos que não beneficiaram de uma educação deste tipo e que têm direito à fruição artística, pode-se perfeitamente (penso eu) encaminhá-los para manifestações menos complexas, embora sem ceder ao facilitismo e à falta de qualidade;
7 - tudo tem a ver com educação e com gestão cultural e, neste último particular aspecto, com uma gestão criteriosa do investimento e da receita em especial no que concerne aos equipamentos culturais - defendo que, sem nunca ceder na qualidade, deve-se incluir na programação manifestações artísticas mais comerciais de modo a que a receita de bilheteira consiga financiar outros projectos essenciais, mas fora do circuito comercial.
Esta última questão levar-nos-ia à mentalidade vigente (que escrevi noutro sítio) do divórcio entre os actores culturais e os “contabilistas” que saem das nossas escolas de economia. Enquanto não resolvermos esta tendência secular, enquanto os “contabilistas” não forem gestores para olhares para a cultura como um bem a investir e os actores culturais não admitirem que têm um produto para comercializar e rentabilizar, será muito difícil chegarmos a bom porto.
Desejo, sinceramente, que esta senhora consiga fazer o que tem defendido - justiça com a maior celeridade possível - doa a quem doer.
Ainda na campanha eleitoral que o levaria à presidência da Câmara do Porto Rui Rio prometeu, muito bem, impedir que o Parque da Cidade fosse perifericamente alvo de urbanizações de luxo.
Cumprida a promessa, Rui Rio abafa-o agora, muito mal, dentro de um circuito de alta velocidade (sigam o link para escutarem a barulheira do site da Câmara), pronto a receber já em 2007 uma prova do Campeonato do Mundo de Turismo!
Sobre o assunto ver Corrida para a Morte por Tiago Oliveira.
adenda: misteriosamente depois deste post retiraram a barulheira do site.
«Um euro demasiado forte teria um impacto negativo sobre a indústria exportadora europeia. Mas, por agora, a evolução cambial não parece preocupar o BCE. De resto, a expectativa nos mercados financeiros é de que o BCE deverá voltar a subir os juros pelo menos uma vez no primeiro trimestre do próximo ano.» (Público)
Ah, claro, pois, a expectativa dos mercados financeiros! Eu bem me parecia, é de ter em conta, relevante, diria até, determinante!
sai esta notícia no Público:
«A Junta Metropolitana do Porto considera “injusto e profundamente discriminatório” o relatório do Tribunal de Contas (TC) à gestão da empresa Metro do Porto, divulgado na semana passada.»
(…)
O documento, aprovado por 13 dos 14 presidentes de câmara da área metropolitana (Luís Filipe Menezes, autarca de Gaia, não compareceu) estranha que “das matérias abordadas no relatório final do TC, a par de pertinentes questões de carácter técnico, apareçam ilações e críticas de apreciação claramente política”.»
Desejo, sinceramente, que a Judite de Sousa não se perca com estas manobras de dispersão nem com as questiúnculas entre o Presidente da Câmara do Porto e a Ministra da Cultura, mas que confronte o entrevistado com base no que representava o Porto no contexto do Noroeste peninsular quando foi eleito e o que hoje representa.
A política monetária do BCE, ao manter e elevar o preço do euro, não desiste de defender os elevados rendimentos do capital agiota, borrifando-se para o desenvolvimento económico.
A contínua ameaça do aumento da inflação serve apenas para esconder a intenção de manter a zona euro como um paraíso para a agiotagem bolsista, colocando em causa, a médio prazo, a própria existência da moeda, conforme já escrevi várias vezes, para além de travar o crescimento e impiedosamente as exportações, facilitando, pois claro, a importação mais em conta…, de produtos e bens, para gáudio do consumo!
O endividamento das famílias que financie…, pois…, a tal classe média que sustenta esta democracia e que rapidamente tenderá a desaparecer completamente falida!
Curiosamente, a OCDE que sempre se opôs a tal política, surpreende agora com o seu súbito apoio!
Deixo um excerto de L’argent un peu plus cher dans la zone euro, escrito por Jean-Pierre Robin, no Figaro de ontem.
«(…)
Depuis lors, rien n’est venu démentir ce pronostic, en dépit du recul mécanique de l’inflation des prix à la consommation avec la baisse du pétrole et malgré le rebond du cours de l’euro. Le patron de la BCE, qui continue envers et contre tout de s’inquiéter « des risques pesant sur la stabilité des prix », vient de recevoir un renfort de poids en la personne de Jean-Philippe Cotis. L’économiste en chef de l’OCDE, souvent très critique à l’égard de la BCE, a viré sa cuti : « Si la reprise reste vigoureuse, il faudra peut-être relever les taux d’intérêt en 2008 également » (sic), a-t-il lâché la semaine dernière. Cela a conforté les analystes de marché qui considèrent que le mouvement de hausse des taux européens se poursuivra tout au long de 2007 pour franchir le cap des 4 %. Selon l’OCDE, le renchérissement du prix de l’argent n’est que le reflet des perspectives de croissance de la zone euro, qu’elle vient de relever à 2,6 % en 2006, 2,2 % en 2007 et 2,3 % en 2008.»
«“Um euro muito forte penalizará a competitividade da Zona Euro e será contrário aos desafios da economia europeia de 2007″, disse Howard Archer, da Global Insight.
No entender deste economista, as ameaças do próximo ano serão o abrandamento da economia mundial, a subida das taxas de juro, as medidas de políticas fiscais na Europa para reduzir os défices públicos, principalmente na Alemanha, e os preços elevados do petróleo.» (Público)
Há descobertas da pólvora todos os dias, conforme vai calhando a quem mais jeito der!
Louco tenho sido eu para escrever coisas como esta…