Nov 122012
 

Fatima - basilica novaNum momento em que alguns países, cuja maioria da população professa a religião católica apostólica romana, se encontram em situação de imposição de uma enorme austeridade, a qual, através de sucessivos agravamentos de impostos, redução de rendimentos e previsíveis cortes nas participações sociais desses mesmos Estados, conducente a um empobrecimento generalizado, afecta, muito especialmente, as pessoas mais fragilizadas, questiono-me se a Igreja Católica, na prossecução do seu princípio de solidariedade cristã para com os mais pobres, não poderia, à semelhança dos demais, pagar o imposto sobre o património imobiliário, no caso português, o IMI.
Seria, para tal efeito, necessário revisitar (ou refundar) a Concordata entre o Estado português e o Vaticano porque, convenhamos, se o maior proprietário do país – o Vaticano – pagasse IMI como todos os demais, talvez não fosse necessário os Estados avançarem com a refundação anunciada, de proceder a um corte de 4 mil milhões de euros nas suas prestações sociais junto dos desfavorecidos e ainda sobraria dinheiro.
Ele pensando há muita coisa que se poderia refundar e revisitar, em especial, junto de instituições cujo principal objecto, logo a seguir ao religioso, é o da solidariedade cristã e, no caso, um dos Estados mais ricos do mundo.

Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?
1 João 3:17-18

Out 282012
 

António Lobo Antunes em entrevista à Rádio Renascença (ler na íntegra).
Frases soltas do contexto:

Antonio Lobo Antunes(…) conseguimos viver sem tudo, mas não conseguimos viver sem esperança, nem sem futuro.

Não tenho muita vontade de olhar para ele [Portugal], com as maldades que estão a fazer às pessoas

Os portugueses não merecem o que lhes estão a fazer

Não entendo porquê tanta insensibilidade, tanta imaturidade, tanta crueldade e porquê tanta estupidez”.

A seguir ao 25 de Abril a Snu Abecassis, que era a fundadora da D. Quixote, convidou os dirigentes dos partidos, cada um deles, para escrever (o Cunhal, o Freitas do Amaral, o Mário Soares, o Sá Carneiro). Repare a diferença, como cabeças com maturidade, como amor ao país, com os dirigentes de agora… o Passos Coelho, mais este mais aquele. Não há comparação possível, não me merecem o menor respeito.

(ler entrevista na íntegra)

Dez 232011
 

O Natal foi-se transformando em mais uma freima de prazer obtido através dos excessos de consumo, mas permaneceu a necessidade de reunião, convívio e (re)abraçar laços familiares, mesmo para quem não celebra o nascimento de Jesus. E ficou, sendo até reforçado pelo referido consumismo, uma esbatida noção de solidariedade para com quem mais precisa, símbolo de uma caridade aprazada e perene, é certo, mas inspiradora a recordarmos que a maioria de nós tem, por Natal, o aconchego dos seus sem possibilidade de mais lhes dar que seu amor sem recursos extra para o celebrar.
Desejo a todos um Feliz Natal, juntos dos seus e que o momento sirva não para ser apenas solidário com quem mais precisa nesta quadra, mas para nos recordar de como é importante e necessário sê-lo sempre, porque sem os outros não somos.
Deixo-vos com palavras de José Augusto Mourão:

Jose Augusto MouraoO amor transforma o medo do outro em medo pelo outro, pela segurança a ponto de nos tornarmos inteiramente responsáveis pelo outro. É o amor que sustenta a esperança. O amor é o desejo que nos remete para a fonte de onde os rios correm e, como um corpo a caminho, nos reúne.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Feliz Natal

Dez 222011
 

Jose Augusto MouraoEm tempos de comunicação galopante, tudo é feito para nos cortar o sopro. Querem fazer de cada um entre nós gente que apenas tem de escutar sinais, gente obediente e dócil, executores, falantes monossilábicos. Perfeitas criaturas domadas para comprar, rir e chorar ou bater palmas; cortam-nos o sopro para tentarem sujeitar-nos a fórmulas, slogans – e que nos tornemos animais bem domados para executar palavras vazias, desencarnadas, formatadas, ou telégrafos que transmitem os sinais recebidos. Para que a carne obscura e impura da linguagem seja banida para dar lugar a uma língua asséptica.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Dez 212011
 

Jose Augusto MouraoÉ na soleira que se cumpre a palavra, nesse intervalo do dizer e do dito. Esquecemos a condição do dizer cada vez que a nossa atenção incide unilateralmente sobre o dito. O dizer sugere uma respiração que se abre ao outro, um puro vocativo, sinceridade, proximidade, sendo por isso testemunho, exposição, sem evasão nem álibis.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Jul 172011
 

Jose Augusto Mourao

Os verdadeiros trapaceiros nunca avançam mascarados. A visibilidade de «mostrar tudo» é hoje o seu reino. Os totalitarismos mostram o Tudo e dissimulam o Nada. O visível e o invisível são indissociavelmente os seus instrumentos. A gestão da imagem pode dizer uma coisa e o seu contrário. Não é o que se vê que é a fonte do que o visível faz entender.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Nov 102010
 

SCUTDepois do PS insistir nas portagens nas SCUT’s e em formas de pagamento ilegais, com a anuência do PSD por abstenção, adianto quais são as razões que me assistem para não ter pago nem vir a pagar.
Comecemos pela Constituição da República Portuguesa, concretamente pelos seus artigos 35.º, 26.º e 21.º. Cito com sublinhado meu:

- artigo 35.º 3.
3. A informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical, fé religiosa, vida privada e origem étnica, salvo mediante consentimento expresso do titular, autorização prevista por lei com garantias de não discriminação ou para processamento de dados estatísticos não individualmente identificáveis.

- artigo 26.º 1.
A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.

- artigo 21.º
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

As razões porque me escudo nestes pontos da Constituição prendem-se com os seguintes factos e consequentes decisões pessoais:

1 – Não pode o Estado obrigar-me a identificar-me para efectuar o pagamento de um serviço, como é obrigatório para a aquisição de um chip;
2 – Não pode o Estado obrigar-me a que eu tenha de ter uma conta bancária seja em que banco for, para adquirir o chip pré-pago;
3 – Não pode o Estado discriminar-me com 30 cêntimos de penalização pelo facto de eu optar pela modalidade de pagamento posterior;
4 – Não pode o Estado obrigar-me a privar-me da intimidade da minha vida privada e familiar ao identificar o lugar em que me encontro, dia e hora através do sistema de pagamento posterior, o qual fotografa o meu veículo;
5 – Mediante os pontos anteriores, tenho o direito a invocar e a colocar em prática o meu direito de resistência por me sentir ofendido nos meus direitos e liberdades, prescritas na Constituição da República Portuguesa, sendo que o acto de resistência será o de não pagar voluntariamente.

Nov 032010
 

A propósito de uma conferência de David Harvey, autor do “The Enigma of Capital”, no ‘London’s Royal Society for the Arts’, sob o tema ‘Capitalism Crises’ a ‘RSA – 21th century enlightenment‘ produziu um vídeo animado que nos poderá ajudar a compreender o momento de crise financeira do capitalismo que atravessamos.
nota: vídeo não aconselhável para quem se incomodar com a existência de pensadores marxistas.

David Harvey


O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo facto de ninguém a ver.
Mahatma Gandhi

Out 292010
 

Jorge Peixinho - composição de Guida Almeida (2007)Regresso ao programa Câmara Clara dedicado “Música Erudita Contemporânea” com os entrevistados Miguel Azguime e Isabel Soveral, pelo facto de alguns amigos no meu inacessível perfil do Facebook terem colocado pertinentes comentários, como o António Tilly, investigador do “INET-md – Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança“, coordenador executivo da recentíssima “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX“, e o Edward Luís Abreu, presidente do “MPMP – Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa“, o mais ambicioso projecto de divulgação dos compositores portugueses, ao qual estão associados o ATRIUM – base de dados de compositores portugueses e a revista “Glosas“, cujo número 2 sairá agora em Novembro.

Após esta demorada, mas necessária, introdução detenho-me sobre as críticas que ambos colocaram sobre o programa. Vejamos:

1 – António Tilly:
«nenhum dos presentes tem trabalho de investigação nesse domínio da “problemática da recepção” da “Música de Hoje”…. e isso é um assunto muito mais complexo do que o que transpareceu nessa conversa televisiva.»

É verdade, sim, que nenhum dos entrevistados tem trabalho de investigação no domínio da “problemática da recepção” da “Música Nova”. Nem eles nem ninguém que seja do meu conhecimento. Mas há um saber que estes entrevistados têm – a sua já longa experiência – a qual me parece ser tão válida como outras de colegas seus.

2 – António Tilly sobre os entrevistados:
«(…) continuam a dizer o mesmíssimo que ouviram aos outros (…)»

Também é verdade, porque disseram o mesmo que ouço desde que nasci e que ouvi a outros, mais antigos, o mesmo dizerem até ao dealbar do sec. XX, até onde a memória lhes permitia. Nada há de novo (salvaguardo, que eu conheça) sobre o problemas específicos da (permitam a utilização da expressão defendida por Dina Resende) “Música Erudita de Tradição Europeia”. Diria, até, estou de pleno acordo com o que Miguel Azguime e Isabel Soveral disseram no programa, vivemos uma “época de ouro” no que à criação diz respeito e, permita-me a veleidade, reitero o que venho dizendo sem estudo nem ciência que me ampare: nunca em nenhum outro momento da nossa história, tivemos tantos e tão bons músicos! E este aspecto, que parece de somenos, pelo facto de não ter sido objecto de investigação, poderá ter concluído o seu ciclo com as pseudo-reformas do Ensino Artístico que este governo vem produzindo em sucessivos Despachos, à boleia de um “Relatório de Avaliação do Ensino Artístico” que, como a seu tempo denunciei, carecia da validade cientifica.

3 – Edward Luiz Ayres d’Abreu:
«Este programa começa desde logo com uma falácia tremenda. Nós gostamos de repeti-la, porque o português gosta disto: “Somos mais conhecidos lá fora do que cá dentro”.

Também é verdade que o programa inicia com essa falácia, mas quem a emite? A jornalista, Paula Moura Pinheiro, não sendo, em momento algum corroborada por nenhum dos entrevistados. Bem pelo contrário, ambos referiram sempre os aspectos positivos de todo o grupo profissional, os compositores portugueses, sem destacar nem menosprezar nenhum, à excepção do Peixinho sobre quem o programa era também objecto.

4 – Edward Luiz Ayres d’Abreu:
«(..) é claro que se falarem de Emmanuel Nunes, ele é mais conhecido «nos …corredores do Ircam e do Conservatório de Paris» do que em Portugal. Mas Emmanuel Nunes & afins não são a música contemporânea portuguesa (são, no máximo, parte dela). E parte dela são, também, nomes como Luís Tinoco, Sérgio Azevedo, António Pinho Vargas… »

Pela parte dos entrevistados notei sempre, do princípio ao fim, o cuidado de sobre assuntos que a todos preocupam, ou deveriam preocupar, sem nunca menosprezar nenhum compositor, antes valorizando o valor de todos em conjunto. Até fui reouvir o programa a ver se me tinha escapado algo, mas não, tanto Azguime como Soveral nunca destacaram nenhum dos seus colegas de profissão pela negativa, sendo que Peixinho teve maior espaço e uma valoração especial compreensível pela temática do programa.

5 – Edward Luiz Ayres d’Abreu:
«O problema da música contemporânea não é português mas universal, e levanta muitas outras questões.»

Quase totalmente de acordo, com uma única excepção – há países ou cidades onde, devido à sua dimensão, se consegue fazer muito mais fora dos meandros dos instalados poderes, sejam eles os das multinacionais discográficas, sejam os das características ‘capelas’ profissionais que sempre tentam abafar quem a elas não se arrebanhou.

6 – António Tilly:
«Gostava é que o assunto não se ficasse pela necessária divulgação. Gostava mesmo que houvesse debate, que se iniciasse uma reflexão séria sobre o assuntos.»

Ora, caro António Tilly, haver debate…, eis o pomo da questão. É que o debate entre os músicos, compositores e intérpretes, nunca em Portugal foi possível, se não por breves momentos e pontuais. E é neste particular que a minha experiência de vida me mostrou que num meio onde se passa a vida a cultivar invejas mesquinhas, no diz-que-disse de mal dizer, o debate inter-pares é ou inviável ou infrutífero, condenado ao insucesso!
Imperiosas reflexões inter-pares, onde a voz de cada um valha e conta por si para se conseguir, para que sobre o que à profissão importa uma só voz se ouça é precisamente o que me move, uma vez que se tem revelado como o maior entrave a que a “música erudita de tradição europeia”, mormente a contemporânea, seja socialmente conhecida e reconhecida e não um nicho de vaidades de valor presumido.

7 – António Tilly:
«O Pinho Vargas tem dado um contributo precioso levantando algumas questões fundamentais.»

Com certeza! Quem nega essa evidência? O António Pinho Vargas, o Miguel Azguime, o Pedro Amaral, o Peter Rundel, o Christopher Bochmann, o João Pedro Oliveira, o Sérgio Azevedo, o Eurico Carrapatoso, a Isabel Soveral e…, e vós próprios e…, e não nos deteríamos tão cedo a enumerar, mas o que tem isso a ver com o programa em questão? Não vejo correspondência! A questão que se pretende colocar será a de que deveria ser o António Pinho Vargas a ser convidado? E para um programa que tinha por sub-temas os 25 anos do Miso Ensemble e os 70 de Jorge Peixinho? Não me pareceria razoável. Achariam sensato?
E, a propósito dos contributos para a divulgação dos compositores portugueses, não vos parece que à cabeça e distanciadamente de todos os demais, deveria estar o nome de Manuela Paraíso, seja através do seu programa “Na Outra Margem“, seja em diversos espaços na net? E o próprio Edward Luiz Ayres d’Abreu que tanto tem feito pela causa?

Estimados António Tilly e Edward Luiz Ayres d’Abreu
Somos poucos, muito poucos os que teimam em dar visibilidade à “Música Erudita de Tradição Europeia” para nos deixarmos levar por enredos muito ‘déjà vu’ de invejas e auto-promoções, em capelinhas erigidos. O Miguel Azguime e a Isabel Soveral foram e serão sempre, aqui ou no estrangeiro, digníssimos representantes da “Música Nova”, como outros seus pares, o que não podemos é desunir o que à partida é uno – a nossa música e os nossos compositores.

Out 082010
 

Frei Fernando Ventura, capuchinho nascido em Matosinhos, deu uma entrevista a Ana Lourenço no passado dia 2 na ‘Jornal das 9′ da SIC Notícias. São 17 minutos onde o entrevistado explana a sua visão do Portugal de hoje, da política à educação, da cultura ao exercício da cidadania, momento que exala um espírito livre, independente de poderes, mesmo da Igreja Católica, limpo, centrado nas pessoas que nos interpela à reflexão.

Frei Fernando Ventura

Se aqueles que, pelo facto de frade ser, sentem-se incomodados pela ligação que fazem à hierarquia da igreja, coloquem de lado o frei, e ouçam a pessoa, com mente limpa, Fernando Ventura.
Eu não comento, de momento, deixo-vos a entrevista, uma vez que subscrevo, praticamente, na íntegra.