Portugal vs Alemanha - até os comemos!!!
A partir de hoje acabaram-se os jogos a feijões e soa a hora de, independentemente de gostarmos ou não de Scolari, de estarmos de acordo ou não com os 23 seleccionados, de apostarmos ou não no mesmo 11 inicial, juntarmo-nos, em uníssono, contra os ‘boches’.
Apesar das palavras de Scolari sobre o 11 inicial ele surpreender-me-á se não incluir Meira ou Bruno Alves, atendendo à sua tendência no que concerne à segurança defensiva.
Mas não é isso que importa, entrem os 11 que Scolari escolher com o incondicional apoio dos preteridos para iniciarmos, com o pé direito, o ‘nosso campeonato’. Em praticamente todos as posições do terreno temos mais qualidade do que os alemães e, por isso, toca a confiar (os jogadores e nós, os apoiantes) de que somos capazes de vencer a força com a nossa arte de bem tratar a bola.
FORÇA PORTUGAL QU’ INTÉ OS COMEMOS
Arquivo de 'Portugal'
No único país que referendou o Tratado de Lisboa, engendrado pelos elitistas de uma Europa politicamente unida (que não existe como se estamos a assistir nesta sua absoluta incapacidade de responder às indignações de quem sofre na carne a inviabilidade do prover o seu sustento), os cidadãos disseram NÃO, sendo que a maioria nem sequer foi votar, provavelmente, porque não saberia do que trata o Tratado.
Todos os governantes desta União Europeia que se furtaram a ouvir os cidadãos não se envergonham com isto (são superiores a estas minudências), mas ainda assim parece-me que seria curial pedir pedir responsabilidade a quem prejudicou imenso a imagem de de Lisboa e de Portugal - a colagem do nome de Lisboa e de Portugal a este fracasso, onde a palavra ‘NÃO’ esteve sempre ligada a Lisboa e a Portugal, terá gerado, naturalmente, danos incalculáveis na imagem do país.
Sobre o Acordo Ortográfico, Isabel Pires de Lima afirma que
(…) se imporia “uma revisão do Acordo que atentasse à urgente necessidade de uma descrição linguística das variantes africanas do Português”, em particular nos casos de Angola e Moçambique. Deste modo, frisa, o Acordo não se limitaria a ser “o que, na prática, é, um acordo entre o Brasil e Portugal”, transformando-se num “efectivo ‘acordo’ entre pares”.
(…)
“a expansão internacional de uma língua não se faz nem por facilitações ortográficas bebidas em critérios fonéticos em detrimento de critérios etimológicos nem por unificações ortográficas estabelecidas por decreto (…), mas sim pelos conteúdos que for capaz de veicular (através da literatura, da música,enfim, da cultura). (Público)
Não sendo especialista sinto uma lógica irrefutável nestes argumentos de Isabel Pires de Lima em relação ao Acordo Ortográfico…, mas também ao ambiente que se está a instalar no PS.
Há fumadores que estão a ser alvo de processos disciplinares conducentes ao despedimento, no âmbito da Lei do Tabaco, que começa a ser usada como «instrumento» para dispensar funcionários indesejados. (Portugal Diário)
Era inevitável! Não tardará que a inclusão da pergunta se é ou não fumador nos formulários de candidatura a um posto de trabalho.
Para quem tinha dúvidas sobre a discriminação social que a fundamentalista lei do tabaco acarretaria, pode agora estar certo de que isto é apenas o princípio do despautério.
Via Portugal Diário tomo conhecimento que a REPRIEVE prova o que todos parecem saber, mas que as autoridades do Estado teimam em fazer esquecer - mais de 700 presos passaram por Portugal com destino a centros de tortura que os Estados Unidos mantêm fora do seu território.
Em tempos Luís Amado negou sucessivas vezes tal facto e apelidou Ana Gomes de tudo.
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Atendendo às pretensões do Ministério da Educação de destruir a mais profícua prática de Educação Artística em Portugal, a que é proporcionada por cerca de 100 escolas, públicas e privadas, de ensino artístico especializado, tentei elaborar um texto para uma petição, dirigida ao Sr. Presidente da República e ao Sr. Primeiro-Ministro, onde todos os interessados se possam rever (pais, alunos, professores e cidadãos) - a intransigente defesa da Educação Artística, pública e privada.
A primeira medida no campo da inovação não tardou:
Entre os países da zona euro, nenhum, excepto Portugal, arrisca inscrever uma taxa de crescimento do PIB em 2008 superior à de 2007. (via Público)
Ora nem mais. Prontidão na acção é o que distingue!
Primeiro ler, depois mastigar bem e depois digerir…
Digerir?
Não acredito. A Senhora Ministra da Educação está muito bem alicerçada junto de José Sócrates e mais ainda de Cavaco Silva, que estão muito preocupados com os índices de “sucesso” escolar (leia-se passagens mais fáceis do que as administrativas do tempo do PREC), do que na aquisição de saberes e competências, nomeadamente na literacia em ciências, matemática e leitura, que é do que trata o PISA - Programme for International Student Assessment.
Esta ideia de aferir o conhecimento dos alunos de 15 anos veio causar um grande desarranjo nestes nossos líderes: só três países se saem pior que Portugal - Grécia, Turquia e México; 25 % contra uma média da OCDE de 19,3% têm um conhecimento científico muito limitado; apenas 3,1% dos alunos portugueses atingem os níveis 5 e 6 (numa escala de 1 a 6) contra a média de 9% da OCDE, sendo que só 0,1% atingem o nível máximo; no do custo por estudante, verifica-se, por exemplo, que a Eslováquia gasta menos de metade (do básico ao secundário) e os seus alunos têm desempenhos bem superiores aos colegas portugueses.
Depois de todas as pseudo-reformas que este governo tem levado a cabo através da senhora Ministra Lurdes Rodrigues, os resultados mostram bem o caminho - admitir a incompetência, o erro nas políticas de gestão escolar e cultural, enfim, assumir que erraram e entregar o assunto a quem saiba fazer melhor, em especial no que à organização, à gestão escolar e à aprendizagem diz respeito!
É absolutamente caricato ter encetado uma campanha cega contra o estatuto social dos professores quando, afinal, tudo o que está a montante é que não funciona, ou seja, o próprio Ministério da Educação! Para cúmulo, para entendermos melhor o resultado dessa campanha difamatória contra o professor podemos ainda ler, para nossa vergonha, a inevitável, apesar de ingénua, arrogância da ignorância:
Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico. Em toda a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área, apesar de apenas dominarem as competências mais simples.
A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente o que é ensinado nas aulas, demonstrando uma atitude bem mais confiante do que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking. Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior - Grécia, Turquia e México.
(via RTP)
Ler na íntegra o desgosto ou a mui justa indignação do Henrique Silveira face ao alheamento ou desprezo da nossa suposta “intelligentia” face aos eventos musicais e, acrescento eu, à educação artística, onde a musical se inclui.
Deixo um excerto:
Portugal é um país onde a cultura musical é miserável e onde os tais opinion makers não dedicam o menor interesse à música. É natural assim que um recital de Schubert com dois dos mais excelsos intérpretes fique às moscas enquanto numa recôndita aldeia da Aústria (1800 habitantes) encha sistematicamente uma sala (Angelika Kauffmann Hall) com mais de seiscentos lugares, que se situa a mais de três horas de carro de Viena e de Salzburg, para a Schubertiade.
Aprovado o Tratado Europeu pelos senhores que teimam em, sozinhos, construir uma Europa melhor para todos, não nos espanta que Cavaco Silva seja contra o referendo, nem que Sócrates mande às malvas mais uma promessa eleitoral ao preferir a ratificação parlamentar. Inusitado é Luís Filipe Menezes, que ganhou a liderança do PSD através do plebiscito universal do seu partido, contra a vontade do aparelho e da ‘malta’ dos congressos, fazendo até questão de o sublinhar, apostar agora numa posição alinhada com esses mesmos notáveis, optando pela ratificação. Até compreendo a sua jogada de antecipação em relação a Sócrates, mas estou farto de compreender jogos de poder sempre em prejuízo da democracia.
O problema das elites europeias é que de facto não o são! Em democracia, da elite deveriam fazer parte aqueles que os cidadãos reconhecem e suas opiniões seguem; hoje, a intitulada elite, tem apenas por sustentação os media e tem pavor, desdém em alguns casos, da vontade popular expressa.
Uma elite elitista é, em democracia, a absoluta negação da sua condição de elite, uma vez que esvazia a substância do conceito, ao purgá-lo da condição de ouvir e cumprir a vontade dos cidadãos.
Uma elite é indispensável; absolutamente desaconselháveis são os elitistas porque, ao desprezarem a vontade dos cidadãos, negam a essência da democracia, sendo perniciosos para a subsistência do próprio regime.
Tratar de saber o que fazer diante do que aconteceu parece não ser nada connosco. Afinal foi só tentativa, afinal o sérvio até insultou antes; afinal o sérvio afastou-o antes com uma pancada na mão; afinal é tudo boa gente; afinal, olhem, afinal até que se não fossem os malvados dos canais de televisão até não se tinha passado nada e é por isso que, em conformidade, nada deveremos fazer se não aguardar, humildemente e bem à portuguesa, que a UEFA decida por nós, em vez de obrigar o Dr. Madaíl a essa maçada e, afinal, amanhã já a UEFA dirá o que a Federação Portuguesa de Futebol deverá fazer!
Decidir por nós tem sido o timbre deste país desde que entramos para a CEE! Não sabemos de outra maneira.
À falta de um qualquer Sebastião ou ditador que por nós decida, a gente delega tudo à Europa e aceita e procede em conformidade, só que já não é a bem da nação…
O meu maior receio, infelizmente, concretizou-se: o Sr. Madaíl, como tem sido sempre seu hábito, não tomou posição nem iniciativa em relação à agressão de Scolari, deixando-se antecipar pela UEFA. Esta manda instaurar um inquérito e só depois é que Madaíl vem a reboque anunciar que a F.P.F fará o mesmo.
Enquanto que a atitude de Scolari poderá, com um pouco de esforço, entender-se fruto de uma momentânea exaltação, a espera de Madaíl envergonha o Portugal, em geral, e o futebol português, em particular e, por outro lado, abre caminho a um período de instabilidade na selecção nacional, num momento em que o apuramento se encontra difícil de atingir!
Para colocar a cereja em cima do bolo só faltaria Gilberto Madaíl apresentar a sua demissão para paralisar a selecção! A ver vamos…
É perfeitamente compreensível que Scolari afirme que não tocou num só cabelo de Dragutinovic, pois todos devem fruir do direito de preparar o melhor que puderem a sua defesa.
No entanto, não poderá Gilberto Madaíl cair no ridículo de, através da Federação Portuguesa de Futebol, pactuar com esta atitude pública de arruaça!
O Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, logo no final do jogo condenou, e muito bem, o que se passou após o jogo entre as Selecções de Futebol de Portugal e da Sérvia e entende que a Federação tem de tirar consequências (…) (via Bola), sendo que, nesta conformidade, muito mal andaremos se a F.P.F. não despedir, com justa causa, Scolari, antes que a UEFA e a FIFA tomem posição, e exigir-lhe uma indemnização, consentânea com os ganhos do actual seleccionador, pelos danos causados à imagem da Selecção Nacional, do futebol português e de Portugal, em geral.
Iberismo e Globalização
Em comentário a esta entrada, Miro, do Galsatia, deixa um texto que reproduzo pela reflexão a que nos obriga, com o meu agradecimento.
de Miro
Primeiro, eu a priori não tenho nada contra as doutrinas iberistas, que acho muito lógicas, e coincido contigo e com Saramago em que a união ibérica é um processo em curso. Também não me oponho ao processo globalizador, per se.
O que eu questiono é a natureza desses processos tal e como eles estão a acontecer e, particularmente, a discrepância entre a natureza “real”? desses processos e a propaganda que deles se faz ou, noutras palavras, os esquemas interpretativos que são fornecidos aos cidadãos para a interpretação dessas realidades.
Muito resumidamente acho que, embora o processo da globalização tenha muitas faces e algumas ao meu ver muito positivas, a força dominante está a ser, com grande diferença, a acumulação de capital e a expansão de mercados. Uma força que opera de costas viradas aos cidadãos/consumidores e ao planeta/matéria prima. Uma forca que, não só e antidemocrática na sua mesma essência, senão que está, como cabalo de Átila, produzindo uma involução democrática lá por onde passa. Cada vez vemos como os centros de decisão vão ficando mais longe dos cidadãos, como as conquistas sociais, para mim insuficientes, dos séculos XIX e XX estão a ser progressivamente erodidas em favor da acumulação de capitais e como as liberdades fundamentais ficam cada vez mais minguadas.
Então o que eu digo é que esse processo, assim descrito, é tudo o contrario do que eu quereria. Eu preferiria uma globalização em quanto união livre de cidadãos livres e conscientes que levam as rédeas da sua existência individual e colectiva. O que temos é, pela contra, um processo que se está a cozer longe da vista dos cidadãos, que é contrário aos interesses da imensa maioria desses cidadãos, em quando seres humanos livres e incluso em quanto seres vivos, e ao que nos vemos abocados irremissivelmente queiramo-lo ou não.
Pois eu, como qualquer um que ama a sua liberdade, que ama o ar que respira e a água que bebe, tenho-me que opor. Tenho que tentar, embora por vezes frustrado por uma paralisante sensação de impotência, reconduzir esse processo por onde a mim me interessa.
No contexto ibérico, acho quase uma ofensa para a inteligência, o facto de que a absorção da economia portuguesa por parte da espanhola se disfarce de união fraternal entre povos. Máxime sendo galego.
Não penso que se possa reduzir tudo a termos da dialéctica globalização versus nacionalismo. O nacionalismo não é mais do que um dos refúgios nos que a gente está a procurar protecção face a um mundo de incertezas. Sendo o outro grande refúgio a religião. De facto, tu falas de crise dos nacionalismos ibéricos e eu o que vejo é um ressurgir dos nacionalismos ibéricos e, nomeadamente, do espanhol. De facto, estou a ver um ressurgir dos nacionalismos europeus e um ressurgir das religiões e da superstição em geral. Mas não quereria sair muito do tema.
O nacionalismo, particularmente o nacionalismo de Estado, é também um mecanismo ideológico para o controlo da plebe. Mas no que diz dos nacionalismo regionais, muitas vezes também surgem de conflitos de interesses objectivos e acho que esse é o caso do galego, que nem tem uma burguesia que o respalde, e já sabemos que o nacionalismo é um vício burguês e portanto muito imitado pelos de abaixo.
Já para rematar, no contexto dos nacionalismos “regionais”? ibéricos, dá-se uma circunstancia muito engraçada, porque é a própria existência duma entidade supra-estatal como é a UE a que faz com que o Estado Espanhol se torne relativamente supérfluo desde um certo ponto de vista.
Um abraço,
Miro
Edelmiro Momán, reputado químico galego, responde a Saramago melhor, em calhando, que muitos portugueses, em artigo sob o título Santo Saramago Naïf: uma visão galega, tocando na progressiva conquista de Portugal através do capital e do controlo dos meios de comunicação! Deixo breve excerto:
(…) a profecia saramaguiana corresponde com exactidão matemática com os planos que a Espanha tem para a República Portuguesa. Sim, a acumulação de capital, planificada desde bem antes, dos oitenta e noventa está a servir agora para que as caravelas madrilenas se lancem na reconquista das antigas colónias e outros territórios, próximos e distantes. E Portugal, bom, nos delírios néo-imperiais da direita espanhola, Portugal foi sempre um erro. Uma aberração. Portugal, simplesmente, não tinha direito a existir. Portugal, quantas vezes levamos escutado esse mantra maçador do espanholismo, es el brazo que le arrancaron a España, e a Espanha, graças ao avances cirúrgicos das ultimas décadas, tem toda a intenção de se fazer reimplantar o seu braço. Já o esta a fazer. A penetração, leva razão Saramago, do capital espanhol em Portugal semelha já imparável e, na estratégia espanhola, resulta fulcral o controlo dos meios de comunicação.
Edelmiro Momán no Portal Galego da Língua
Grato estou ao ZedTee através de quem cheguei ao artigo.
O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre as coroas de Portugal e de Castela, e que definia a partilha do Novo Mundo entre os dois reinos, e cujo original português se encontra no Arquivo Geral das ?ndias, em Sevilha, estando o castelhano na Torre do Tombo, foi um dos inscritos no registo Memória do Mundo da Unesco, representando Portugal e Espanha.
Portugal está ainda representado com o Corpo Cronológico – uma colecção que reúne mais de 80 mil documentos em papel e pergaminho datados dos séculos XV e XVI, existente na Torre do Tombo, em Lisboa. (título e notícia do Público)
Porra, tivemos sorte pelo facto da UNESCo não colocar estas maravilhas a votos!
Apesar de já me ter manifestado (sei lá quantas vezes) favoravelmente à regionalização de Portugal, votei contra no referendo anterior porque o que defendo é, tão-só e apenas, que o poder central assuma as regiões há muito inscritas e aceites na União Europeia (Norte, Centro, área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e Algarve, no continente, mais as já assumidas Madeira e Açores) e não esquartejar o país em talhões como o que foi a referendar.
O que me preocupa, contudo, é notar que muitos amigos que habitam em Lisboa mostram algum desconforto sempre que o tema da regionalização é abordado: ou por não compreenderem a sua prioridade, ou por não aceitarem os factos estatísticos, nomeadamente o de que todas as regiões do país estão em franca recessão com excepção de Lisboa e Madeira, mostrando mesmo alguns sinais de desnorte como se pavor sentissem.
A princípio ainda pensei que poderia ser devido a uma defesa intransigente de Lisboa, o não querer abrir mão de nada, o medo que a capital de Portugal se esvaziasse mas, de facto, ponderada esta reacção, sou levado a crer que não há maldade nenhuma neste seu pavor epidérmico. Há, isso sim, uma clara rejeição ao discurso de alguns patetas que defendem a regionalização, seja ela qual for, com o único intuito de prejudicar Lisboa e, por outro lado, terem como dado adquirido o que a comunicação social foi passando ao longo de décadas - que o poder autárquico é uma fonte de corrupção e que é por isso que eles não quererão estar sob o controlo do poder central.
Em relação ao primeiro óbice é evidente que há que ter muita cautela com os patetas, repito, que pretendem com a regionalização dividir a Nação. A regionalização só deve ser feita se a Nação Portuguesa (toda ela sem excepções) dela tirar proveito e sair beneficiada. É que, contrariamente ao que recentemente ouvi através de um aderente a um recém-constituído movimento pela regionalização, de que o país está tombando para estibordo (numa alusão clara sobre a clivagem entre litoral e interior), a verdade é que já há muito ultrapassámos esse estádio - hoje, a clivagem ou assimetria é entre Lisboa e sua área metropolitana e todas as restantes regiões, sendo absurdo que uma das regiões que há bem pouco tempo todos reconheciam como a mais empreendedora do país seja agora a 3ª região mais pobre da União Europeia - a do Norte! (ver quadro neste post)
Assim sendo e tudo indicando o agravamento desta tendência, fácil será compreender que a muito breve prazo a região de Lisboa e sua área metropolitana virá a ser a mais prejudicada, pois não conseguirá acolher nem proporcionar qualidade de vida mínima aos milhares de portugueses que todos os anos para lá emigram na vã esperança de conseguirem trabalho e uma vida melhor. A Área Metropolitana de Lisboa deveria ser a principal interessada em que as restantes regiões se desenvolvessem para travar o surto de imigração que está a sofrer e que colocará, inevitavelmente, em sério risco os seus actuais habitantes!
Relativamente à opinião massivamente transmitida pelos media e mimeticamente assimilada pelos cidadãos, de que o poder autárquico é generalizadamente corrupto, lamento discordar em absoluto! Não nego que possa haver corrupção e tráfico de influências no poder autárquico, mas por que terá de ser de intensidade e índole diferentes das que conhecemos no poder central? Será que a Câmara de Lisboa é modelar em relação às restantes? Muito longe disso, basta ver a anarquia da construção só ultrapassada, talvez, pela destruição urbanística do Algarve! E, se todos sabem quem poderá ser corrupto, por que será que os partidos políticos do poder, todos eles centralistas, não expulsam esses indivíduos das suas fileiras? Por último, sobre este assunto, só quem não conhece o país de lés-a-lés é que não vê que, mesmo com admissível corrupção, mesmo com a construção anárquica antes da instauração dos PDM’s, as autarquias fizeram muito mais pela qualidade de vida dos seus munícipes do que qualquer governo do pós 25 de Abril! Denegrir o trabalho de muitos excelentes autarcas que tivemos é, para lá de não querer ver o que de melhor se fez em Portugal nos últimos 30 anos, mesmo tendo presente, repito, os focos de corrupção e tráfico de influências!
Há uma outra tendência de opinião, esta sim, que obriga a reflectir: se a regionalização não poderá ser perniciosa para o país pelo facto de não haver já nas regiões gente capaz de tomar conta dos seus destinos e, por outro lado que tipo de regionalização.
Confesso não ser capaz de ter uma opinião firme neste domínio, é um risco, sim, um risco a levar em conta se haverá nas regiões massa crítica mínima para levar por diante o projecto. No entanto, mesmo tomando em consideração esse perigo, defendo que, pelo facto de muitas regiões se escudarem no poder central para justificar o seu mau desempenho, deveríamos arriscar a que as populações, através do seu voto, castigassem quem com o poder e as ferramentas necessárias não conseguiu fazer evoluir a região.
Quanto ao modelo, não tenho qualquer dúvida: fazer a regionalização sem providenciar que o poder será eleito por voto secreto e universal onde qualquer cidadão possa apresentar-se a plebiscito será sempre muito mau, pois regionalização não haveria - os aparelhos partidários continuariam a dominar e a fomentar clientelas ainda mais vastas. Ora se há ponto que é imperioso evitar é que as futuras regiões se tornem em mais um antro de poder da mediocridade que grassa nas clientelas dos aparelhos partidários.
Lisboetização e João Jardim
É fácil, barato e dá.., vende, não escandaliza, será poético ou pitoresco, o destino, talvez, ou o fado, sim, é isso, o fado…
Ninguém se escandaliza com isto

mas riem, fazem jacota, reduzem ao ridículo a atitude de João Jardim sem cuidar sequer de saber se haverá ou não razões para que alguém se indigne contra o polvo do centralismo.
Não precisarei de dizer que não sou fã de Jardim, mas mais ridículo que esse governante eleito serão aqueles também eleitos e todos que com eles se acomodam que reduziram o país a Lisboa, alheando-se ou escarnecendo daqueles que, não prestando vassalagem ao poder central, porventura sobressaem ou mostram serviço!
Há dias fiz referência a um excelente texto do André Moura e Cunha a este propósito, mas o que melhor ilustra esta nova boçalidade centralista é o desdém e contundente ostracização que os aparelhos partidários, os meios de comunicação, blogues e quase todos quantos em Lisboa se sustentam, devotam a quem, por outras paragens, prestou serviço às populações sem cuidar de ir ao beija-mão - Narciso Miranda, Luís Filipe Meneses, Abílio Fernandes, Fernando Gomes e outros. Estes senhores nunca foram condenados em processos judiciais que decorressem da sua actividade política, mas sobre eles fazem recair, continuada e despudoradamente, um manto de suspeição absolutamente serôdio!
Olhem para o que esse quadro quer dizer, olhem para os investimentos do Estado em benefício de Lisboa (basta OTA e TGV, não se percam em mais contas), olhem para o que têm permitido que aconteça a este país!
Não tem havido haverá consequências para além da publicação destas vergonhas, mas não esperem vassalagem nem acomodação para sempre das gentes que têm, boçalmente, prejudicado ou permitido.
Eu não me sinto representado por nenhum governo central! É tempo de acordarmos o país para a discriminação a que estão votadas todas as regiões fora da área metropolitana de Lisboa!
Por fim, aqui desaguarei, desta vez e recorrentemente, até que um dia, para sempre.

Caminha






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