Esta súbita torrente de casos investigados e em investigação, sobre os quais não me pronuncio embora compreenda a sua urgência e pertinência, com ou sem segredo de justiça, confundem-me os senhores da justiça quando o Sr. Procurador-Geral da República, ainda há 2 anos, afirmou que 60% dos recursos de investigação estavam dedicados ao caso do ‘apito dourado’!
O nosso senhor Procurador-Geral da República terá afirmado (via RTP):
(Pinto Monteiro) Considerou ter o “apito dourado” mudado muita coisa, e “nada voltará a ser como dantes”: “O mundo do futebol sabe que, agora, pode ser investigado. Podem não ser condenados, mas sabem que serão investigados” e, eventualmente, julgados, concluiu o PGR.
Sou uma pessoa de fé, mas crer que as escutas ao Sr. Luís Filipe Vieira, cuja destruição foi anunciada pela Procuradoria-Geral da República, irão renascer das cinzas está muito para lá do bálsamo que ao espírito a fé me propicia.
Mas, quem já viu um porco andar de bicicleta…
Mesquita Machado, após denunciar, alto e bom som, que o Braga foi ‘roubado’ nos jogos contra o Benfica e o Porto, demitiu-se de presidente da assembleia geral da Federação Portuguesa de Futebol, tendo a TSF reproduzido que:
Mesquita Machado mostrou-se esperançado de que a sua renúncia à presidência da Mesa da Assembleia-geral da Federação Portuguesa de Futebol «sirva para uma reflexão profunda no futebol».
Ora, a “profunda reflexão” parece feita e o destino traçado – a Procuradoria-Geral da República acaba de anunciar a sua intenção de abrir novo inquérito acerca de um processo de alegado enriquecimento ilícito do presidente da Câmara de Braga. (via DN).
Justiça ‘à la carte’? Não sabemos, mas reforça as interrogações que atrás deixei sobre o estabelecimento de prioridades de investigação dos serviços coordenados por Pinto Monteiro, bem como a desconfiança sobre o carácter persecutório das mesmas, salientando agora a atenção com que a Procuradoria-Geral da República segue quem denuncia o ’status quo’ ditado pela Federação Portuguesa de Futebol e pela Liga de Clubes.
A absolvição de Pimenta Machado (notícia), cujo nome foi pungente, reiteradamente e ad nauseum vilipendiado, durante mais de 6 anos, em todos os órgãos de comunicação social reforça minhas interrogações anteriores sobre o estabelecimento de prioridades da investigação judiciária em Portugal, se não mesmo, se conterá ou não alguma carga persecutória em relação a algumas pessoas e instituições investigadas.
Tanto crime que desconfiamos existir tão danoso para a generalidade da sociedade, como o da área financeira que parece agora investigar-se quase que por obrigação, reforça a minha preocupação sobre a política de investigação da Procuradoria-Geral da República, comprovada por mais esta absolvição de Pimenta Machado, a quem o Vitória de Guimarães muito, mas muito mesmo, deve e grato deveria estar.
Maria José Morgado ordenou a investigação às fugas de informação relativas ao caso Freeport, nomeando duas procuradores experientes para o efeito. (via TSF)
Ficámos ainda a saber que a origem desta diligência parte de uma queixa apresentada por Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, não me espantando nada que esta iniciativa seja fruto da reunião que teve com Cavaco Silva (ver atrás).
Estranho, muito sinceramente, que seja Maria José Morgado a coordenar a investigação das violações do segredo de justiça uma vez que foi ela própria que no caso Apito Dourado enviou, indevida e inconstitucionalmente, gravações de algumas escutas telefónicas para a Liga Portuguesa de Clubes, dando origem ao Apito Final.
Segundo o Expresso Hermínio Loureiro terá levado à consideração do PGR, Pinto Monteiro, o teor do comentários posteriores ao jogo Benfica x Braga relativamente à arbitragem, conforme pedido do Benfica, no sentido de saber se haveria motivo para averiguação, uma vez que ficou “arrepiado” com o teor das declarações dos responsáveis bracarenses, sobretudo as que foram proferidas por Mesquita Machado, presidente da Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Futebol.
E a arbitragem do Sr. Paulo Baptista, Dr. Hermínio Loureiro? Não o arrepiou? Não encontra aí motivos para investigação da Procuradoria-Geral da República?
Preparar-se-á mais um caso de justiça à portuguesa?
Segundo o Sr. Procurador-Geral da República, em todas as televisões em canal aberto há cerca de 3 meses, a arbitragem portuguesa melhorou imenso só pelo facto de existirem os processos relativos ao ‘apito dourado’ (estas declarações foram proferidas aquando da 1ª sessão em tribunal deste processo).
A corroborar tão evidente e insofismável evidência o DN dá-nos hoje conta de que Pedro Henriques ficou este ano classificado entre os 10 piores árbitros, enquanto Olegário Benquerença foi um dos melhores.
Segundo ainda o mesmo jornal, o jogo mais polémico de Pedro Henriques aconteceu à sexta jornada (clássico Benfica–Sporting, no Estádio da Luz). Os dois clubes queixaram-se da equipa de arbitragem e entre os casos mais falados estão uma mão de Katsouranis na grande área e uma pretensa falta para penálti de João Moutinho, que Pedro Henriques não assinalou.
Não sei que efeito terão provocado as queixas dos dois clubes, mas o certo é que Pedro Henriques desapareceu, praticamente, da Liga Bwin desde esse jogo. Atendendo às mãos não assinaladas, e bem em caso de bola na mão e não mão na bola, neste campeonato de Europa, das quais ninguém convictamente reclamou, entre nós a fobia de assinalar livre directo e exibir cartão amarelo a qualquer bola que vá à mão em equipas que não os três grandes, parece ter pegado de estaca e fazer escola…, à portuguesa, pois claro.
(…) são crimes como os da noite do Porto que geram insegurança nos cidadãos. (Pinto Monteiro via Público)
Eloquente no sentido figurativo, é claro, de .. expressivo, de… persuasivo…
Justiça, sim, justiça para todos…, de noite…, no Porto…
1 – Parabéns ao Sporting por ter sido a melhor equipa em campo. Muito se poderá dizer (e direi, adiante) sobre circunstâncias criadas por Olegário Benquerença, mas ao entrar em jogo sem Bosingwa, com João Paulo, sem Tarik Sektioui nem Marek Chec, foi entregar o ‘ouro ao bandido’ desde o início. Ganhou quem foi mais equipa, mais consistente, sendo sempre agradável chegarmos ao fim de um jogo e vermos que o empenho e a competência se aliam ao resultado, pese embora o facto da justiça ser um conceito alheio ao jogo – lembremo-nos mais recentemente que se a justiça fizesse parte do jogo, mais concretamente do futebol, nem o F C Porto teria sido eliminado pelo Schalke 04 nem o Sporting pelo Glasgow Rangers.
2 – Dados os parabéns ao vencedor sem qualquer cinismo, a verdade é que desde que Olegário Benquerença exibiu o amarelo ao Paulo Assunção na primeira falta que cometeu, depois de 3 bem durinhas de Grimmy, senti o caminho que o árbitro traçara para a sua actuação naquele jogo. Consequências do ‘apito dourado’ ou do ‘apito final’? Não saberemos nunca a causa, mas a motivação desde cedo ficou à vista.
3 – Há anos que muitos falam da existência de corrupção no futebol, de um sistema montado de batota nos resultados corporizado nas pessoas de Valentim Loureiro e Pinto da Costa e que levaram o Ministério Público a montar uma perseguição, dir-se-ia, não à corrupção nem à batota, mas a essas duas pessoas, em particular a Pinto da Costa, que viria a consubstanciar-se nos processos ‘apito dourado’ e no ‘apito final’ protagonizado pela Liga de Clubes.
Desenganem-se, se é que alguém andava ao desengano, os que pensam que alguém está interessado em combater, generalizadamente, a corrupção no futebol! Não há interessados em acabar com a batota, mas sim em ser donos dela. Se assim não fora, os arautos anti-corrupção estariam mais uma vez a clamar por ela no fim do jogo de ontem e não a festejar. O que vi (para além do F C Porto nada jogar) foi o regresso àquela outra batota, a que assisti durante 19 anos, ou seja, desde que nasci até 1977.
Nem o ‘apito dourado’ nem o ‘apito final’ têm a ver com o fim da batota no futebol, mas tão-só com a passagem de mãos de quem detém poder para a fazer, sendo a satisfação patenteada no rosto do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, no fim do jogo de ontem um verdadeiro atentado à honestidade intelectual depois da arbitragem a que assistiu.
Desengane-se quem pensa que existe apenas um ataque pessoal a Pinto da Costa; o que existe é um ataque soez contra a superioridade desportiva do F C Porto nos últimos 30 anos, que terá de ser creditada ao seu presidente.
4 – Uma palavra de solidariedade para António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa, que recebeu com dignidade e elegância o vencedor da Taça de Portugal, o Sporting, pois será, muito certamente, apontado como mais um que cedeu à promiscuidade entre o futebol e a política pelos comentadores dos media que elaboram e gerem campanhas de interesses pessoais, partidários e políticos, mas que não são promíscuos…
Promiscuidade entre futebol e política só tem a ver, ao que parece, com quem abrir a porta ao F C Porto ou a Pinto da Costa…
É o que pretende dizer Albino Almeida ao Procurador-Geral da República a propósito dos maus-tratos infligidos por professores a alunos. Vai ser dia 18, segundo o Público.
E vídeo para o Youtube, não há? Sugiro, então:
Pressinto uma generosa janela de oportunidade para jovens cineastas em ambiente escolar, isto é, se se aplicarem em tecnologia e inovação.





















