Emmanuel Demarcy-Mota foi o escolhido pelo conselho de administração do Théâtre de la Ville de Paris para seu director, sucedendo a Gérard Violette que durante os últimos 22 anos empurrou a fasquia da qualidade e diversidade da programação bem a nível muito elevado.
A responsabilidade que Emmanuel Demarcy-Mota aceitou é tarefa de grande exigência embora a sua vasta experiência, no Centre dramatique national de Aubervilliers, no Forum do Blanc-Mesnil e na direcção do CDN de Reims, bem como as diversas colaborações internacionais, ateliers de escrita para teatro e a abertura para a música e a dança, tenha sido o motivo para que Gérard Violette afirmasse: il mène une politique culturelle pluridisciplinaire qui séduit.
A reputação internacional do Théâtre de la Ville na dança e músicas do mundo será para respeitar, segundo o novo director, e implementar uma identidade mais enraizada no domínio do Teatro, é pretensão do conselho de administração.
ps: Gestão cultural em Portugal? Teatro Nacional de S. Carlos, Rivoli, teatros municipais, já ouviram falar em gestão cultural, em conselhos de administração que decidem as missões e objectivos dos directores artísticos e programadores?
Ainda não recebi a dita cuja programação da Casa da Música, mas a avaliar pelo que o Heitor vai adiantando no desNorte só espero que a Sra. D. Gabriela Canavilhas continue a comentar uns concertozitos porque é uma grande mais valia para a instituição!
É caso para perguntar: que seria da Casa da Música sem a Sra. D. Gabriela Canavilhas?
Apesar de não defender nem a Festa da Música nem os Dias da Música por entender que o Estado não deveria dedicar grande parte do seu orçamento em eventos culturais pontuais em detrimento de uma programação continuada, diversificada, territorialmente abrangente e, sempre que possível, conjugada com a educação (entenda-se escolas regulares de ensino público e não serviços educativos de variadíssimas índoles e esquemas) e formação de novos públicos nas camadas mais jovens (quem se interessar ver arquivo Educação em Cultura), senti necessidade de regressar a este assunto pelo facto de me parecer que Mega Ferreira não estará a corresponder como gestor nem como programador do Centro Cultural de Belém (CCB) ao que é exigível a um gestor cultural público.
De facto, depois de Mega Ferreira ter vindo para os media anunciar que por culpa da Ministra da Cultura o CCB não poderia realizar a Festa da Música este ano e que se soubesse, quando chegou ao cargo, que o Governo iria instalar a colecção Berardo em todo o centro de exposições e que o Ministério da Cultura iria cortar os seus apoios anuais, “provavelmente não teria aceitado o convite” (excerto de notícia do Público de 10/02/2007), não é compreensível que, feitas as contas como o Raposa Velha as apresentou, a diferença se situe nuns parcos 88.000,00€, ou seja, 17.643 contos em moeda antiga!
Sobre a comparação entre a Festa da Música e os Dias da Música já o Henrique Silveira e a Teresa Cascudo escreveram bem para além do que eu conseguiria, mas o que me apoquenta é o que poderá estar por detrás de toda a encenação mediática que o presidente do CCB montou com o único objectivo (aparentemente, depois de feitas as contas) de atingir Isabel Pires de Lima. Note-se que Mega Ferreira não mostrou uma indignação bastante para apresentar a sua demissão por não concordar com as alterações introduzidas, limitando-se a afirmar que se, aquando da sua aceitação do cargo, soubesse do acordo com Joe Berardo e dos cortes orçamentais, não o teria aceite.
Isto é, no mínimo, muito estranho! Os cortes do Ministério da Cultura já tinham sido feitos no Orçamento de Estado de 2007 e o acordo com Joe Berardo transcendia já, como todos sabiam, Isabel Pires de Lima, uma vez que o dossier estava na mesa do Primeiro-Ministro!
Assim sendo, o show mediático de Mega Ferreira só poderá compreender-se se o seu objectivo (aquele que poderá estar por detrás da sua animosidade contra a Ministra) for o de alcançar a função de Ministro da Cultura com o apoio de um lobbie na comunicação social, o qual não deverá estar isento do circo mediático montado sobre o affaire Pinamonti / Mário Vieira de Carvalho, que envolveu jantar de homenagem e tudo com cerca de centena e meia de participantes a maior parte dos quais, estou plenamente convencido, estão totalmente alheios a estes meandros do poder!
Dito isto, é evidente que a Ministra da Cultura também não terá andado bem nestes assuntos muito especialmente ao dar dois tiros no pé, logo a a montante: ter convidado Mário Vieira de Carvalho para Secretário de Estado e Mega Ferreira para Presidente do Centro Cultural de Belém!
É caso para dizer que, se Isabel Pires de Lima soubesse o que sabe hoje não os teria convidado só que, se assim fosse, colocar-se-ia também na incómoda posição de ninguém perceber por que é que ainda não os demitiu!. Mas esta é outra questão…, daquelas que só mesmo os políticos poderão almejar entender!
Anunciado o fim da Festa da Música por iniciativa de Mega Ferreira, uma parceria entre a Câmara de Lisboa e a UNICER permite os Dias da Música, dedicados ao piano, que decorrem este fim de semana.
Nesta iniciativa do Centro Cultural de Belém destaco a aposta em patrocínios privados e a programação que, se bem que à semelhança do que disse em relação à Casa da Música, sente-se, aqui e ali, uma tendência para a inclusão de amigos, traz alguns excelentes pianistas que, se pudesse, tentaria não perder:
portugueses:
Maria João Pires, Artur Pizarro, António Rosado, Miguel Henriques, Miguel Borges Coelho, Bernardo Sassetti.
estrangeiros:
Pascal Rogé, Piotr Anderszewski, Elena Rozanova, Valentina Igoshina, Ami Hakuno.
O Festival Internacional de Música do Algarve (FIMA 2007) elevou o nível organizacional deste tipo de eventos em Portugal. De facto, desde a programação, à conjugação de co-organizadores, apoios, media partners e patrocínios com uma forte aposta da respectiva Região de Turismo, passando pela divulgação, nos media e online, demonstram um profissionalismo difícil de igualar mesmo em regiões mais habituadas a estas andanças.
Destacar algo do programa não é fácil, mas arrisco a chamar a atenção para as presenças de António Rosado, da Orquestra Sinfónica do Conservatório de Viena e dos Virtuosos de São Petersburgo, em especial para a interpretação do Quarteto para Piano em Sol menor, Op. 25 de Brahms, da Suite Italiana de Stravinsky e do Trio para Piano No.2 em Mi menor, Op. 67 de Schostakovitch.
O Algarve está de parabéns e muito bom seria que outras regiões tivessem a humildade de, se é que não sabem, aprender a fazer, porque estas coisas antes de se chegar à fase da programação cultural tem por sustentáculo outro know how, a gestão cultural, imprescindível para que tudo funcione, desde a programação, à gestão de recursos, à formação de equipas, à angariação de patrocínios, ao envolvimento de co-organizadores, à divulgação, à recepção do público, enfim, a tudo o que à administração diz respeito, de modo a que a direcção artística ou programação possa dedicar-se, em plenitude, àquilo que sabe fazer.
O HVA do Desnorte faz um breve balanço da programação da Casa da Música desde Abril de 2005 para chegar à mesma conclusão que o Henrique Silveira, no Crítico, e eu também escrito – muito fraca a programação do 2º trimestre!
Conforme dei notícia (aqui e aqui) a Casa da Música deixou-nos em suspense (ou à beira de um ataque de nervos) quanto à ausência de programação para este ano. Finalmente lá temos a dita cuja que estava em falta para, atempadamente, podermos escolher.
Escolher? Sim, escolher entre um extenso rol de eventos, cuja qualidade geral deixo ao critério de cada qual, numa programação, como direi…, assim talvez, de amigos para amigos!
A manter-se esta tendência tão amistosa do seu amigo, tudo quanto Alves Monteiro deixou e que Withworth-Jones programou esfumar-se-á, deixando a Casa da Música à mercê daqueles que, para já muito veladamente, são seus inimigos, mas que ao mínimo rastilho surgirão em uníssono coro contra os gastos que a instituição efectua por conta do contribuinte. E o pior é que poderão ter razão!
São estas duas mulheres que estão a definir (termo generalista mas provocatório) os modelos de programação de dois espaços numa cidade de tribos urbanas
A ler e reler o que o Tiago Bartolomeu Costa escreveu sobre Sasha Waltz.
Subscrevo na íntegra a solicitação do HVA no desNorte que com humor expõe o ridículo da programação da Casa da Música para 2007 bem como a impensável qualidade da estrutura e da informação do respectivo site.
Ai Alves Monteiro, que saudades…
A propósito do concerto que Murray Perahia deu anteontem na Casa da Música o HVA, no desNorte, escreve um texto que subscrevo na íntregra, pelo que escreve diz e pela elegância com que justamente se indigna!
A Casa da Música está a mudar, vai mudando, vai refazendo-se, vai esquecendo o que Alves Monteiro legou! (ver aqui, aqui e aqui)
Deixo um breve excerto do texto do HVA:
Não sei se tem a ver com o regresso do filho pródigo, mas sei que a programação já não tem o fulgor (leia-se qualidade) de tempos não muito distantes. Parece que está mais variada, dizem-me. Naquilo que me diz respeito, quem quiser variedade(s) que vá ao Rivoli.





















