(…) é necessário partir da «suspensão da avaliação em curso, acabar com a divisão entre o professor titular e não-titular na carreira docente e criar um novo modelo de avaliação» Aguiar Branco à TSF em 12 de Novembro.

Nós não prevemos a suspensão, prevemos a substituição, o que eu diria que ainda é mais e melhor(…)» Pedro Duarte no Público.

Ainda assim Aguiar Branco é peremptório:
- não me sinto um líder parlamentar a prazo.

Mas estes assentos a que acedem mesmo sem votos que plebiscitem passaram a vitalícios?

Opiniões e ‘opinistas’ não faltaram antes, durante e após os últimos actos eleitorais, deambulando sobre a fragmentação da composição da Assembleia da República e sobre a deslocação de votantes do PCP para o PS em Lisboa. Mas falar da indecência do desavergonhado centralismo dos partidos do bloco central e suas artimanhas parece assunto desinteressante para a nata que acede aos meios de comunicação social.
Tentemos enxergar para lá do que nos querem enfiar goela abaixo…
Sobre o resultado das legislativas:
Não é verdade que o PS e o PSD poderão continuar a aplicar em Portugal toda e qualquer orientação emanada pelos poderes mandantes instalados na União Europeia? Alguém se acreditará que estes dois partidos deixem de estar em pleno acordo para nos infligir o mais pequeno ‘espirro’ vindo de Bruxelas e seus mandantes da OCDE, central dos interesses do capital sem rosto? Não, pois não?

Sobre as Autárquicas a sem vergonha é descarada!
- Ingenuamente os votantes do PC acorrem a colocar o seu voto no PS em Lisboa em nome de uma ideia de esquerda que só na cabeça deles pode ainda existir, enquanto que em Beja o PSD esfumou-se para derrubar o PC, dando a vitória ao PS. É interessante ver o quadro:

Beja Eleições Autárquicas resultados 2009

Das últimas autárquicas para agora o PSD perde mais de 2.000, ou seja, 69,4% de votos. Poder-se-ia dizer que os eleitores castigaram o PSD por alguma medida que tenha tomado, mas como explicar perda idêntica das legislativas para as autárquicas, i.e., 15 dias? Confiram, por favor:

Beja - Eleições Legislativas 2009

A única explicação é a junção de forças do Bloco Central para derrubar o PC, como se estivesse em causa a implantação de uma revolução bolchevista pela planície. Não, senhores do PC, a ideia de esquerda que têm e que vos levou a votar PS em Lisboa só existe na vossa cabeça. O PS, esse, sabe que lida melhor com pessoas da sua família política – os ‘yes men’ de Bruxelas! A esquerda que eles clamam é estritamente comunicação de propaganda eleitoral.

Mas o medo das pessoas que não controlam não se queda por aqui. Em Matosinhos o candidato do PS mais não fez que denegrir a obra que Narciso Miranda ergueu em nome do PS, um dos melhores autarcas deste país de sempre. Narciso Miranda deveria ser, junto com muito poucos mais, autarca exemplo do PS. Mas não. Não porque não presta vénia ao poder central, nem ao público nem ao do seu próprio partido. Narciso perdeu e o candidato do PS, vencendo com maioria relativa, pasme-se, acaba de anunciar um ‘entendimento político’ com o PSD, atribuindo um pelouro ao social-democrata Guilherme Aguiar, arredando o natural aliado Narciso Miranda!

Matosinhos - Eleições Autárquicas 2009

Em boa verdade trata-se é de medo, sim do medo dos centralistas com assento, acesso ou conivência de interesses com o poder central que, pela via partidária, afastam os militantes que fizerem obra pelas populações e por elas e através delas atingiram uma notoriedade que os ensombra e assombra!

Mais exemplos? Como entender a desvalorização (pelo PSD e pelos órgãos de comunicação social) da esmagadora vitória de Luís Filipe Meneses (mais cerca de 15.000 votos que em 2005), com uma obra autárquica notável, e de Fernando Moita Flores que quase duplicou a sua votação?

Se de asfixia democrática se pode falar, este manto obscurantista dos poderes centrais dos partidos do arco de poder, o qual se estende e distende pelos órgãos do comunicação social, é paradigma. Paradigma de vergonha dos sem vergonha na cara!

Manuela Ferreira Leite, apontada como a grande salvadora do PSD, foi a arma de arremesso nos baixos golpes desferidos contra Luís Filipe Meneses. Hoje, tomados os assentos na Assembleia da República, Manuela Ferreira Leite passa a prescindível e, caso não se importe de ir andando, não se intimide. A senhora, afinal, cumpriu o papel de que alguns senhores, que desprezam o real PSD e vitórias eleitorais, careciam – tomar assento. O próximo líder terá de os aturar, mesmo à revelia do PSD que nas autarquias tem trabalhado para as populações.

Com alguma distância, por cansaço, mas com intrínseca curiosidade, tenho seguido o evoluir da campanha eleitoral, em oficial fase de pré, para as próximas eleições legislativas, sendo com franca expectativa que vejo desenharem-se duas alternativas deveras consistentes: a do ‘cheque em branco’ e a do ‘cheque sem provisão’!

Vamos lá tentar adivinhar contra é que Manuela Ferreira Leite se manifestará hoje:

Manuela Ferreira Leite1 – o Pagamento Especial por Conta;
2 – o aumento do I.V.A. de 17 para 19%:
3 – a compra pela PT da rede fixa;
4 – grandes investimentos públicos que não sejam na região da Grande Lisboa.

Habilite-se, mas não acalente esperança de ganhar qualquer prémio. É o jogo pelo jogo!

Manuela Ferreira LeiteManuela Ferreira Leite, passadas três semanas, afirma que se o PSD chegar ao governo, já não rasga “todas as soluções” do PS “em termos de política económica e social.
Já antes tinha mandado às malvas a tal ‘política de verdade’; agora foi-se também a coerência e, temo eu, que terá ido, precisamente, na Educação.
É pena! Aquele rasgar, a eito, poderia criar muitos postos de trabalho na área da indústria de reciclagem e, quiçá, o seu produto faria baixar os preços dos manuais escolares.

Cavaco Silva entendeu ontem pronunciar-se, enquanto Presidente da República, sobre um hipotético negócio entre duas empresas constituídas como sociedades anónimas e ambas cotadas em bolsa, supervisionadas pela ‘ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social’ e pela ‘CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários’.
Cavaco SilvaQue a Dra. Manuela Ferreira Leite tenha embarcado (ou alimentado) numa estratégia de suspeição geral sobre todos os opositores, que chega a rodar a arruaça, característica do PSD desde a forma como tratou o anterior líder, Luís Filipe Meneses, será assunto para os cidadãos resolverem no momento em que forem chamados a votar; agora que o Estado, através do Presidente da República, intervenha directamente em negociações entre empresas é algo de inaceitável num Estado de direito democrático, livre, membro da União Europeia, onde há instituições próprias, não para se interferirem sobre a liberdade negocial empresarial e ainda menos no sigilo que é necessário, mas para aquilatarem e regularem, a seu tempo, a legalidade de negócios realizados.
Cavaco Silva prestou um péssimo serviço ao país ao tomar uma atitude que não podia, não deveria por ser absolutamente contraditória com a democracia e liberdade do mundo ocidental em que vivemos, o qual renuncia ao intervencionismo estatal, atitude absolutamente imprópria, inoportuna e inaceitável em qualquer país do mundo dito livre.
Atitudes destas compreender-se-iam no Irão ou na Venezuela, mas em Portugal não estamos, nem deveremos estar disponíveis para pactuar nem aceitar (a liberdade e a democracia custou-nos muito), nem Cavaco Silva, aliás, tinha alguma vez denunciado tais intenções!
Neste conformidade, Senhor Presidente da República, a saída é só uma – a demissão – uma vez que a sua atitude abre gravíssimos precedentes anti-democráticos, coloca em causa a liberdade negocial e feriu, muito seriamente, a credibilidade de Portugal perante eventuais investidores, sejam eles nacionais ou estrangeiros.

Para não escrever outro textos sobre o assunto, não posso deixar de manifestar a minha profunda estupefacção pelo facto de José Sócrates anunciar que

Para evitar “qualquer suspeita” de intervenção do Governo na linha editorial da TVI, José Sócrates anunciou que o Executivo se vai opor ao negócio (via JN)

Se Sócrates não mantiver firmeza nas suas convicções e continuar a ter medo, pactuando, por cedência, com a estratégia de implementação de um clima de suspeição generalizado protagonizado pelo PSD e, pelos vistos, por outras entidades com responsabilidade acrescida, mais vale pedir, de imediato, a demissão, para ver se no PS ainda poderá surgir alguém que enfrente, sem medo, esta arruaça terceiro-mundista que se instalou no meio político, nos órgãos de comunicação social e nos comentadores de serviço!

Maria da Glória Garcia! Eis! Agora compreendo! Era a pequena nuance que me não ocorrera, mas que não escapou a Manuela Ferreira Leite nem ao PSD nem ao Paulo Rangel!

Se a professora universitária de 55 anos for eleita, Portugal terá “um Provedor com uma idade bastante abaixo daquela que é habitual, uma mulher…”
(…)
Paulo Rangel apontou como “um avanço civilizacional importante”. (Paulo Rangel via DN)

Ora aqui está o que me escapara – uma mulher que é um avanço civilizacional, coisa que Jorge Miranda não é de todo. Apenas professor universitário de direito com algumas provas dadas. Aqui e acolá!
Ora bardamerda! TRABALHEM para os CIDADÃOS!!!

Escala de CinzentosBem guardado este tabu de Manuela Ferreira Leite, o Paulo Rangel, escolhido, criteriosamente, pela líder para cabeça-de-lista às eleições europeias, entre várias soluções. É o que vem no Expresso). Ele que é, ainda segundo a líder, especialmente competente e um valor político da nova geração.
Não tenho a mais pequena dúvida de que Paulo Rangel foi uma escolha muito pessoal de Manuela Ferreira Leite, atendendo ao brilho da matiz que ambos irradiam.

Enquanto que Sócrates afirma no último congresso do seu partido que os Portugueses podem continuar a contar com o PS, Manuela Ferreira Leite queixa-se que não se ouviu uma palavra sobre os problemas do país e era isso que eu julgo que os portugueses deveriam ouvir (…) adiantando ainda que (…) as conclusões que tirou não serão diferentes das “que todos os portugueses tirarão”.
Ora acontece, Sra. Dra. Manuela Ferreira Leite que, se uma sondagem fosse feita, ficaria, certamente, muito surpreendida pelo facto de mais de 90% dos portugueses não fazerem a mínima ideia do que foi dito ou não dito no congresso do PS; por outro lado, e mais grave, é que por sua responsabilidade, o Eng. Sócrates não terá razão na sua afirmação – em boa verdade seria mais correcto afirmar que não podemos é contar com mais ninguém para além do PS, uma vez que a sua liderança fez o PSD, pura e simplesmente, esfumar-se como alternativa e até como partido.
Julgo que nem será preciso o Eng. Sócrates carregar muito com o tema da regionalização para ‘enfrangalhar’ de vez o PSD.

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