Um repentinoso assomo de perplexidade por parte de responsáveis políticos, órgãos de comunicação social, economistas reputados na praça e afins, sobre notícias mais que conhecidas acerca do BPN, deixam-me perplexo com com estas, mas com o facto de haver muito boa gente a rever posições assumidas em 2008.
Só quem não está no mercado, como políticos de escola partidária e economistas Doutores a soldo da Estado que nunca no mercado tiveram de vergar a mola em empresas privadas é que poderiam não saber o que era o BPN, o BPP e outros…
Em Novembro de 2008, no dia 4, escrevia (ler na íntegra):
A nacionalização do BPN em curso comprova o delírio em que os governantes europeus entraram aquando o capital deixou de se interessar, em definitivo, pela democracia e pela liberdade.
(…)
Não quero chamar nomes a ninguém, mas a não nacionalização da totalidade do grupo, nomeadamente da Real Seguros, permitirá que os accionistas malfeitores possam aliená-la a bom preço, encaixar dividendos e, em calhando, livrarem-se da responsabilidade civil, criminal (gestão danosa) e a reversão da dívida da empresa para os accionistas, individualmente!
Um mês depois, regressava com outro texto (ler na íntegra):
Os 30 principais accionistas do BPN, ou melhor, da Sociedade Lusa de Negócios, cujo presidente do conselho superior é Rui Machete, irão decidir como deverão encaixar mais-valias com a alienação do que o Estado não nacionalizou.
(…)
Como é que isto é possível? Não há vergonha! Vigaristas, agiotas, usurários sempre houve, sabemos, a novidade é a falta de vergonha dos dias de hoje.
(…)
Perdoem-me a expressão, mas isto cheira demasiadamente mal e toda a gente, mas toda, sabe donde provém tão nauseabundo odor!
Se não têm ética, haja pelo menos decoro. Dignidade. Sabem o que é? Como pode ser permitido aos accionistas do grupo BPN a realização de mais-valias pessoais depois de terem, durante anos, aprovado as contas de Oliveira e Costa, sendo, para todos os efeitos, os principais responsáveis (por isso são os accionistas principais) pela gestão do BPN e do grupo?
Mas ao que que parece aparece agora muita gente que apoiou o dislate que foi a nacionalização do BPN, ou que se calou, a dizer o que na altura deveria ter impedido – que fossem os contribuintes a pagar a falência por gestão danoso de um bando privado!
Das duas uma, repito, ou deixavam o mercado funcionar obrigado o BPN a abrir processo de falência ou, se coragem faltasse, nacionalizavam a totalidade do grupo a que pertencia – a SLN!
Mas não, anda agora tudo perplexo… enquanto o contribuinte paga e pagará os desvarios dos responsáveis políticos que permitiram este desconchavo!

Como é que isto é possível? Não há vergonha! Vigaristas, agiotas, usurários sempre houve, sabemos, a novidade é a falta de vergonha dos dias de hoje.