Jan 102011
 

BPNUm repentinoso assomo de perplexidade por parte de responsáveis políticos, órgãos de comunicação social, economistas reputados na praça e afins, sobre notícias mais que conhecidas acerca do BPN, deixam-me perplexo com com estas, mas com o facto de haver muito boa gente a rever posições assumidas em 2008.
Só quem não está no mercado, como políticos de escola partidária e economistas Doutores a soldo da Estado que nunca no mercado tiveram de vergar a mola em empresas privadas é que poderiam não saber o que era o BPN, o BPP e outros…
Em Novembro de 2008, no dia 4, escrevia (ler na íntegra):

A nacionalização do BPN em curso comprova o delírio em que os governantes europeus entraram aquando o capital deixou de se interessar, em definitivo, pela democracia e pela liberdade.
(…)
Não quero chamar nomes a ninguém, mas a não nacionalização da totalidade do grupo, nomeadamente da Real Seguros, permitirá que os accionistas malfeitores possam aliená-la a bom preço, encaixar dividendos e, em calhando, livrarem-se da responsabilidade civil, criminal (gestão danosa) e a reversão da dívida da empresa para os accionistas, individualmente!

Um mês depois, regressava com outro texto (ler na íntegra):

Os 30 principais accionistas do BPN, ou melhor, da Sociedade Lusa de Negócios, cujo presidente do conselho superior é Rui Machete, irão decidir como deverão encaixar mais-valias com a alienação do que o Estado não nacionalizou.
(…)
Como é que isto é possível? Não há vergonha! Vigaristas, agiotas, usurários sempre houve, sabemos, a novidade é a falta de vergonha dos dias de hoje.
(…)
Perdoem-me a expressão, mas isto cheira demasiadamente mal e toda a gente, mas toda, sabe donde provém tão nauseabundo odor!
Se não têm ética, haja pelo menos decoro. Dignidade. Sabem o que é? Como pode ser permitido aos accionistas do grupo BPN a realização de mais-valias pessoais depois de terem, durante anos, aprovado as contas de Oliveira e Costa, sendo, para todos os efeitos, os principais responsáveis (por isso são os accionistas principais) pela gestão do BPN e do grupo?

Mas ao que que parece aparece agora muita gente que apoiou o dislate que foi a nacionalização do BPN, ou que se calou, a dizer o que na altura deveria ter impedido – que fossem os contribuintes a pagar a falência por gestão danoso de um bando privado!
Das duas uma, repito, ou deixavam o mercado funcionar obrigado o BPN a abrir processo de falência ou, se coragem faltasse, nacionalizavam a totalidade do grupo a que pertencia – a SLN!
Mas não, anda agora tudo perplexo… enquanto o contribuinte paga e pagará os desvarios dos responsáveis políticos que permitiram este desconchavo!

Jan 202010
 

Faria de Oliveira já admitiu hoje serão os contribuintes que pagarão pela nacionalização do BPN, muito embora só no final do processo de privatização será possível apurar os seus custos (fonte), uma vez que só no início do processo é que o BPN tinha condições para prestar garantias (fonte), sendo que até há cerca de 8 dias as assistências de liquidez ascendiam a 4,2 mil milhões de euros.
Se a reprivatização será ainda mais cara que a nacionalização é cousa que parece ainda ninguém saber, ou querer saber…, mas, é claro, tudo em nome da defesa do sistema bancário e do funcionamento do mercado, não o apregoado livre livre, porque nesse, ‘hélas’, há empresas que vão à falência!

Dez 042008
 

Grupo BPNOs 30 principais accionistas do BPN, ou melhor, da Sociedade Lusa de Negócios, cujo presidente do conselho superior é Rui Machete, irão decidir como deverão encaixar mais-valias com a alienação do que o Estado não nacionalizou. Veja-se o excerto do Jornal de Notícias:

O Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) reúne-se na quarta-feira para discutir as opções estratégicas do grupo incluindo um programa de alienações que abrange a área seguradora.
(…)
A venda da área seguradora era a que estava mais adiantada no programa inicial, como confirmou à Lusa a mesma fonte, estando a entrega de propostas prevista para “dentro de alguns dias”,
Está ainda por decidir se é feita a venda conjunta das duas áreas de seguros – vida e não vida – embora, segundo a mesma fonte, “exista um entendimento nesse sentido”.
Também os negócios de vinhos que a SLN podem estar prestes a ser vendidos, tendo a sociedade recebido já uma proposta de compra, como é referido no sítio de Internet que foi criado para o efeito.

No entanto,

O Grupo Português de Saúde é a única empresa da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) que não está à venda, disse hoje à agência Lusa Alberto Figueiredo, membro do Conselho Superior do grupo, que hoje reuniu.
“A saúde é uma área a apostar, quer consigamos um parceiro estratégico quer tenhamos de apostar sozinhos”, afirmou Alberto Figueiredo, referindo-se ao Grupo Português de Saúde.
“À parte a saúde, que está firme, quanto às outras empresas se não é para vender toda a empresa é para vender uma parte”, acrescentou.

Rui MacheteComo é que isto é possível? Não há vergonha! Vigaristas, agiotas, usurários sempre houve, sabemos, a novidade é a falta de vergonha dos dias de hoje.
Vamos lá por partes a ver se entendemos:
1 – não foram os accionistas que nomearam Oliveira e Costa?
2 – Não foram os accionistas que aprovaram todos os relatórios de contas?
3 – Por que razão, como escrevi atrás, o Estado não nacionalizou as empresas que pudessem render mais-valias com a alienação de modo a atenuar os prejuízos que aceitou com o BPN? Porque não nacionalizou a totalidade do Grupo?

Perdoem-me a expressão, mas isto cheira demasiadamente mal e toda a gente, mas toda, sabe donde provém tão nauseabundo odor!
Se não têm ética, haja pelo menos decoro. Dignidade. Sabem o que é? Como pode ser permitido aos accionistas do grupo BPN a realização de mais-valias pessoais depois de terem, durante anos, aprovado as contas de Oliveira e Costa, sendo, para todos os efeitos, os principais responsáveis (por isso são os accionistas principais) pela gestão do BPN e do grupo?