Valter LemosValter Lemos que ultimamente, apesar de consumar a estocada final para a anunciada destruição do ensino especializado de música (Portaria n.º 691/2009), andava tão longe dos holofotes mediáticos, resolveu hoje dar mais um assinalável contributo para a descredibilização do Ministério da Educação e, consequentemente, do PS. Não é que agora veio afirmar que a ‘Sociedade Portuguesa de Matemática’ é responsável pelos resultados menos positivos alcançados no exame de ‘Matemática A’!

“O facto de se anunciar a facilidade do exame [de Matemática A] só pode ter efeitos prejudiciais sobre os alunos. É um desincentivo ao estudo e ao trabalho. Foram considerações baseadas em preconceitos e em acções políticas que não têm nada a ver com os exames”, considerou Valter Lemos, admitindo estar a referir-se à Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e aos “partidos e pessoas com responsabilidades políticas”. (via JN)

O PS anda mesmo com pouca sorte. O governo até tem ministros e Secretários de Estado bons, mas outros há que Sócrates deveria rogar-lhes, piedosamente, um juramento de voto de silêncio e, em casos mais graves, abstinência… mediática!

A Alice Valente deslumbra com mais uma das suas reflexões sobre a arte, no ALI_SE, desta vez sob o interesse e o processo, socialmente transversal e poderoso, de desvirtuar a arte, no seu texto Os Apossados da Arte a transformá-la em não-arte.
Partindo da constatação do processo de desvirtuar a arte (…) tal como o que diz respeito ao que é político e económico, já todo um público ou sociedade em geral, se habituou ou se tornou de certa forma, condescendente e compreensivo para o que se está a fazer com a arte e as artes, no serem dia após dia, completamente desvirtuadas ou transformadas em não-arte, a Alice Valente interroga-se para que servirá, então ensinar arte, escolas especializadas de ensino artístico e até faculdades para o efeito se tudo, afinal, nas cabecinhas pensadoras e dominantes do pensamento, a instituição de “obra de arte” está sujeita à moda e ao escrutínio de maioria. Chega mesmo a denunciar que existe uma animosidade categórica da arte para quem a desvirtua, a fazer arte dando-lhe uma dinâmica de não-arte.
Prossegue, denunciando também, a quem interessa este desvirtuar da arte ao afirmar e permitam tão largo excerto:

As novas e já tão generalizáveis e interessantes profissões que por aí reinam: arte-terapia, musico-terapia, cinema-terapia, pintura-terapia, drama-terapia, dança-terapia e por aí fora e depois também sei lá que tal: poesia-terapia e porque não também: escrita-terapia, enfim… e mais terapêuticas invencionices virão… de se ensinar arte através de uma qualquer curativa ou estimulante auto-ajuda (…)

Não conclui a Alice Valente sem ensaiar qual o resultado deste aviltante processo de desvirtuar a arte:

(…) no futuro, seremos todos doentes e aprendizes a precisar de uma qualquer obrigatória terapia muito bem roubada às artes, mas note-se bem: já sem artes e sem artistas.

Acrescentaria eu, já só com conferencistas, comentadores de arte e cientistas de educação de artes que arte não criam.
É evidente que não poderá haver arte sem artistas nem ensino artístico sem os mesmos, sem sentir a arte sem a viver, para sentir e compreender e tudo isto nos leva ao tema que nos é caro e que ambos abordamos ad nauseum sobre a destruição do ensino artístico, que está a ocorrer por toda a Europa, mormente em Portugal, onde o poder, através do Ministério da Educação, com a complacência do Ministério da Cultura, está a promover o desaparecimento dos últimos baluartes de ensino artístico especializado, os chamados Conservatórios de Música e de Dança, os quais obrigou a desistir da exigência que sempre os pautou, a avaliação rigorosa que sempre os distinguiu da vergonha dos sistemas de avaliação do ensino genérico.
O ensino artístico especializado, aquele que pode forma artistas e pessoas que pretendam ter acesso a uma educação que lhes permita fruir compreensivamente da arte, nomeadamente da música, está moribundo, em processo último de destruição, ou melhor, despachado por Valter Lemos no Despacho n.º 18041/2008 e, se calhar, em processo de falência a muito breve prazo.
A Alice Valente conclui, muito certeiramente, sobre o futuro (eu diria já o presente) da arte e seu ensino:

(…) o que pretenderá vir a ser ensinado pelos seus apossadores ou nos que nada sabem da prática do que são as artes e do que é Artístico mas porque cursados de um nome para esse mesmo fim, a tornarem-se como tal os eleitos para um ensino de artes a fingir e do faz-de-conta.
É que estas vias enviesadas de se usar a Arte é afinal ficarmo-nos só pelo que é a sensibilização sem vivenciar ou praticar, é isso que se pretende? Parece-me que sim!

Este texto da Alice Valente é para mim um dos melhores, se não o melhor, texto sobre os camuflados intentos do poder em relação às artes e seu ensino que me lembro de encontrar na blogosfera e fora dela. Trata-se de um texto de referência para quem sobre o assunto pretenda, seriamente, reflectir, até porque, como entre nós não há novidades que não sejam as importadas ou obrigadas pela União Europeia ou OCDE, a discussão está neste momento, dividida entre os que apelam a uma “Educação pela Arte” contrapondo-se àqueles que defendem a tradição de uma “Educação para a Arte“, defendendo os primeiros que esta última é elitista (o chavão de sempre e que serviu e serve para promover o facilitismo na educação) e que, a existir, só faz sentido para quem quiser ser artista, como se os dois conceitos de ensino não possam ser paralelos e de livre acesso!
Ora “artistas” vejo-os por todo o lado, comodamente assentados no poder, seja político, económico ou académico, ou todos juntos em intrincados interesses, insinuando, sem pudor, a falácia de que é possível propiciar e promover o desenvolvimento criativo da arte sem uma educação exigente, seja para se ser artista de qualquer arte, seja para aceder à sua compreensão e fruição.

Valter LemosO Sr. Secretário de Estado Valter Lemos anunciou hoje que em Fevereiro será lançado pela Agência Nacional para a Qualificação o programa de avaliação externa das escolas e cursos profissionais.
Agora? Avaliar as escolas? Não deveria ter sido bem antes de mudar a avaliação dos alunos? Antes do Estatuto da Carreira Docente? Não deveria ter sido antes de mudar o método de avaliação dos professores? Antes da mudança da autonomia e dos órgãos de gestão da escola? Não quererá isto dizer que tudo quanto fizeram até ao momento foi sem conhecimento de causa?
Agencia Nacional para a QualificaçaoAvaliação pela Agência Nacional para a Qualificação? Quem são e o que sabem sobre educação, ensino e gestão escolar e, já agora, gestão Cultural?
Quando terminarão os dislates desta equipa do Ministério da Educação?

Numa conferência do Semanário Económico Sócrates afirmou:

O Governo tem sido deixado sozinho nesta batalha (do processo de avaliação dos professores) apenas por ter defendido que quer um melhor sistema de ensino público para o país.
(…)
A avaliação dos professores é indispensável para a melhoria do sistema educativo em Portugal nos próximos anos. (via Portugal Diário)

Jose SocratesÉ natural que Sócrates e sua equipa se sintam sós nesta ‘batalha’ em que se empenharam. É que ninguém vê no modelo de avaliação dos professores que:
1 – se avaliem os professores pelo devem fazer – ensinar;
2 – se consiga avaliar professores sem avaliar, com a mesma exigência, os alunos, pois os resultados destes, em exames nacionais ou provas globais corrigidas cegamente, é que se deve, prioritariamente, aferir o desempenho do ensino e da aprendizagem;
3 – se possa melhorar a qualidade do ensino público!
O problema não é a incompreensão dos partidos e seus apaniguados, antes Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Jorge Pedreira e Valter Lemos querem ver o que mais ninguém vê, atestado pela sondagem que revelou que quase 75 por cento dos professores mudavam de profissão se tivessem alternativa!
Ninguém com um mínimo de sanidade coloca em causa a avaliação de desempenho de quem trabalha, mas também ninguém vê que este modelo sirva para avaliar professores.

Agitaram-se ontem as águas com o anúncio de uma fusão do 1º e 2º ciclos do ensino básico, a propósito de um estudo coordenado não pelo Conselho Nacional de Educação, mas por Isabel Alarcão e que está em fase de apreciação, onde se fala de transições por vezes traumáticas na passagem do pré-escolar para o 1.º ciclo e deste para o 2.º ciclo. (via Público)
Desde cedo surgiram as mais diversas reacções:
1 – Valter Lemos a dizer que As bases já estão criadas, o perfil dos professores já foi alterado de modo a que, se for preciso, estejam preparados para a mudança; (via Portugal Diário)
2 – a ‘confap’ do Dr. Albino a dizer que pretende 3 professores desde 0 1º ciclo e não o Professor Único que há muito advoga Valter Lemos; (via Público)
3 – um pediatra que aparece não sei de onde a dizer que Não se pode fazer uma transição tão brusca. Do 1º para o 2º ciclo muda-se de espaço, de colegas, de matérias e também de um professor para uma data deles. (via Público)
4 – Maria de Lurdes Rodrigues, apesar do que disse Valter Lemos, afirma que Não é o meu objectivo e isso não estava no programa do Governo, não estava no nosso programa. (via RTP)

Valter LemosDesde que Valter Lemos profetizou sobre o ‘Professor Único’ (ver atrás) e que a Ministra da Educação anunciou o alargamento da ‘Escola a Tempo Inteiro’ que se adivinhava uma série de alterações no que concerne ao ensino básico. Aliás as Escolas Superiores de Educação já estam a licenciar professores generalistas e a graduar mestres, com as facilidades de Bolonha, em educadores de infância, professores do 1º ciclo e professores do 2º ciclo. Tudo se conjuga para haver alterações no ensino básico até ao 6º ano, para já, e até ao 9º em breve.

Convém, no entanto, ler, ler atentamente o estudo em causa que me aprece bastante completo e bem feito e não nos limitarmos às suas conclusões, ainda que ricas e não só assentes no que vem sendo propagado. (pode fazer o download directo do pdf daqui)
Para já ficam algumas notas que saliento:
1 – alguma desarticulação entre Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos;
2 – a irrelevância da observação da Ministra sobre o facto de não constar no programa de governo! A alteração dos regimes de frequência do ensino artístico especializado também não constavam e nem tal facto demoveu a Ministra nos seus intentos e tudo poderá ir avante sem utilizar a expressão ‘fusão’.
3 – sempre que o Ministério da Educação pretende alterar profundamente algo no sistema educativo surgem sempre conferências e estudos elaborados por académicos reputados.

Apesar destas constantes, leia-se o estudo porque vale a pena e tem matéria para reflectir.
Volto só a referir que nos exemplos de outros países falta, como vem sendo já habitual em estudos sobre educação, o caso alemão que, por sinal, no que ao assunto diz respeito, opta pela diversidade de professores em detrimento da mono-docência desde o 1 º ano do 1º ciclo para evitar o tal ‘choque’ ou ‘trauma’ na referida transição.

Augusto Santos Silva e Teixeira dos Santos distinguem-se pelo facto de em meia-dúzia de dias darem a mesma resposta a dislates de colegas seus, i.e., não comentar.
Augusto Santos Silva não comentou o descontrolo de Valter Lemos ao atacar o desempenho dos titulares do Ministério da Educação do governo de Guterres e Teixeira dos Santos recusa-se a comentar a afirmação de Maria de Lurdes Rodrigues de que o modelo de avaliação dos professores é mais simples e transparente do que o da Função Pública.
Estas atitudes distinguem quem as pratica, pelo menos para quem ainda as consegue compreender e dar valor.

Este país em Agosto anda sempre muito depressa! É de louvar o trabalho estival, em especial, aquele que um gajo só dá conta quando nele tropeçar, no caso quando nos apercebermos que os nossos filhos vão para a escola enriquecer em vez de aprender!
Não é que o Sr. ex-Presidente dos Institutos Politécnicos e actual Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, parece querer que todos os alunos sejam enriquecidos em vez de ensinados, trocando professores experientes por técnicos de enriquecimento avençados a 12 meses e directamente dependentes da superior boa-vontade dos Conselhos directivos?
A ideia até nem parece má, pôr os filhos na escola a enriquecer e, quem sabe, daqui a uns anos eles até já nascerão a ganhar para casa!!!
Vamos ler…

Escolas podem começar a contratar directamente professores a partir de 17 de Setembro. Esta medida serve para assegurar a substituição temporária de docentes, o recrutamento de formadores para as áreas técnicas e profissionais e ainda a contratação de professores para projectos especiais de enriquecimento curricular e de combate ao insucesso escolar.
Segundo a portaria, que aguarda ainda publicação em Diário da República, os estabelecimentos de ensino podem começar a 17 de Setembro a contratação directa, caso seja necessário, de professores dos grupos de recrutamento de Electrotecnia, Ciências Agro-Pecuárias e Música.
De acordo com o documento, assinado pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a 20 de Agosto, as contratações cíclicas mantém-se até 8 de Outubro para nove grupos de recrutamento, entre os quais Francês, Alemão, Espanhol, Geografia e Informática. (via Público)

«O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu hoje que a educação será uma prioridade do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) 2007/2013» (Público)

«O Governo quer que os alunos até ao sexto ano tenham um único professor a leccionar as áreas básicas.» (Público)

Atão qrenem ou não?
Eu, por mim, assim no mesmo dia, ò pessoal, tomem as gotas! Dasss