Chega um gajo de fora, assim para o estourado, e dá conta que tem de lidar com um inusitado número de pedidos no ‘Twitter’ e no ‘Facebook’. Cá para mim foi vírus que se apegou neste fim-de-semana!
Bom, apesar de tentar, já não tenho idade para estas novas formas de estar (é preciso ter tempo, sim, tempo que foge), mas poderá indicar que as pessoas parecem interessar-se por uma nova forma de estar na web, i.e., relacionarem-se.., tal como no início da blogosfera, lembram-se?
Ilusões.., minhas…

Decorrerá hoje no Museu da Electricidade em Lisboa, pelas 15:00, a 3ª edição de Conversas UNICER, que visão reflectir sobre a Comunicação Institucional e a Gestão Empresarial, sob o tema Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?, sendo transmitido on-line neste link.
Esta tarde o orador principal será Bruno Giussani, contando com António Granado, Eduardo Correia, Maria João Nogueira e Paulo Querido (gestor da rede TubarãoEsquilo) como oradores e interlocutores numa discussão sobre blogues, relações públicas, Internet social e empresas.

A Sony BMG, useira e vezeira em bloquear o acesso aos seus produtos sem curar de aprender a livre circulação deles é o melhor meio publicitário, por um lado e, por outro, que o canal de distribuição de música via net está para ficar, anunciou que retirará os códigos “DRM” (Digital Rights Management) por si inventados.
A protecção contra cópias da Sony BMG – DRM – consiste num software inserido no CD que se instala automaticamente nos computadores de secretária que usam o sistema operativo Windows, criando problemas sérios de segurança, pelo facto de interferirem na protecção contra vírus e spywares.
Mas o mercado falou mais alto (ainda se lembram na guerra no início do vídeo entre o sistema VHS e o Beta da Sony nos anos 80?) obrigando a Sony BMG a anunciar que irá retirar esse software dos seus CD’s e abrir-se à venda online. (ver notícia na Folha de S. Paulo)
Com efeito, a WEB 2.0 abriu (e continua a abrir) possibilidades de edição (ver Web 2.0 coloca mercado da música em ebulição), difusão e venda directa de música directamente pelos músicos, sendo que quem está em causa e a perder espaço são precisamente as editoras como avisou, atempadamente, o Paulo Gomes:

(…) a história do “coitadinhos dos músicos que estão a ser tão prejudicados..”? não pega!! Não é bem assim! A industria discográfica (das grandes editoras/distribuidoras/lojas) que abusou durante anos e anos é que está a sofrer.
(…)
As regras do jogo estão alteradas. Os músicos de alguma maneira vão continuar a publicar o seu trabalho.
Os músicos vão continuar a fazer música …. os outros ….. não sei !!!

Totalmente remodelado o novo site da rede de blogues TubarãoEsquilo é um exemplo do que de bem feito se pode fazer na Web 2.0.: tem um feed que comporta todas as actualizações da rede; os blogs arquivados tematicamente; breve descrição de cada autor. Por outras palavras, uma casa onde todos temos lugar e o nosso espaço de e em partilha.

TubaraoEsquilo

De parabéns está o Paulo Querido por este trabalho de qualidade, ah sim, o bom gosto do layout!

A Cristina Vieira no Contracapa pega no assunto do excerto do artigo de Pacheco Pereira (que atrás abordei) e abre portas ao que sinto que poderá estar por trás não só daquela passagem, como doutros ataques desferidos contra a blogosfera – uma campanha orquestrada e desesperada dos media tradicionais devido à drástica quebra de vendas e as virtualidades abertas pela Web 2.0 (vulgo Web Social), nomeadamente à criação de redes específicas e especializadas e seu inter-relacionamento digital.
O excerto em causa tem provocado alguma polémica, nomeadamente através do escritos de Fernando Venâncio, do José (aqui e aqui), da Zazie, do Paulo Querido e do Dragão, mas foram Paulo Querido e Fernando Câncio que me incitaram a procurar ler na íntegra o artigo de Pacheco Pereira.

Afinal, deduz-se, que o artigo tem por base a leitura de The Cult of the Amateur de Andrew Keen que não li mas, socorrendo-me da Wikipédia, dou conta de que este autor tenta alertar para os perigos da Web 2.0, identificado-a como um grande movimento utópico similar à sociedade comunista, pelo facto de todos, mesmo os que não receberam educação adequada, poderem usar a tecnologia digital para se tornarem realizadores cinematográficos, músicos e escritores autodidactas. No seu entender este processo empobrece a criatividade, democratiza os media e nivela por baixo tanto amadores como profissionais. Propõe ainda como solução que os media tradicionais elitistas se constituam como inimigos da Web 2.0.

Sendo sensível à preocupação que Pacheco Pereira tenta manifestar – o tal empobrecimento cultural – não me parece defensável a tese de Andrew Keen, muito menos num mundo que diz defender a liberdade individual e cujo poder se sustenta no sufrágio universal e no apelo a uma cidadania activa, seja de professores catedráticos, seja de analfabectos! Regular a liberdade para que a de cada qual não colida com a do próximo, parece-me evidente em lugares que prezam o Estado de Direito; agora limitar a liberdade de expressão (de opinião ou de criação) parece-me, isto sim, muito mais próprio de uma ditadura, comunista ou de qualquer outra adjectivação. ( leia-se a crítica sugeria por Paulo Querido de Lawrence Lessig no Lessig 2.0)
Se seguíssemos à letra a solução preconizada por estas profecias apocalípticas e pelo calar dos tais amadores autodidactas, nunca teríamos tido um Torga, um Eugénio de Andrade, um Fernando Namora, um Carlos Paredes, uma Amália…

Continuo, afinal, com a impressão primeira que formei, a de que está constituído um poderoso lobbie global que colocou em marcha uma campanha contra a rede da blogosfera, nomeadamente a proporcionada pela Web 2.0 (vulgo Social Web), por parte dos media tradicionais, desesperados que estão com a drástica redução das suas vendas, contando com o apoio dos comentadores contratados pelo facto de sentirem diluir o seu poder enquanto opinion makers, buscando sustentação teórica nas inusitadas opiniões escritas de Andrew Keen.

A apoiar o que defendo, vejo o que a Cristina adiantou sobre a campanha contra os blogues que o Estadão lançou há cerca de um mês, criada pela empresa Talent, onde se lê e passo a citar, todos os blogs, ou melhor, todo o conteúdo gerado por não profissionais, não presta. A tónica da campanha estava em duas ou três ideias: blogs limitam-se a copiar informação, blogs não são fidedignos (…).. A Resposta não tardou através de Cristiano Dias no blogue Brainstorm#9 onde se lê o óbvio: Obviamente, existe muito lixo na internet. Falando especificamente de blogs, dos milhares que aparecem todos os dias, poucos se aproveitam, é verdade. Mas a lei da sobrevivência é a mesma: apenas os com conteúdo relevante e/ou divertido permanecem. A tecnologia avança, mas isso não muda.

Assim sendo, para além do artigo do Dr. Pacheco Pereira não acrescentar novidade dentro deste estratagema, a sua motivação para o escrever deverá ter sido bem mais elaborada e alargada que a nobre defesa da cultura e de uma elite de qualidade que a lidere, como insinua, enquadrando-se, antes, num lobbie global que ataca os blogues por considerar ser a melhor defesa para travar a tendência de redução de vendas dos media tradicionais e a não diluição do poder de opinion makers dos comentadores lá instalados.

Quem como eu gosta de música e teve digestões difíceis aquando da passagem dos Lp’s para os CD’s, destes para o MP3, preparem-se porque a Web 2.0 (a net em rede ou net social) dará muito brevemente a estocada final no mercado de CD’s.
De há uns anos a esta parte a conjugação entre a facilidade de downloads de música e sua partilha, o incremento da qualidade das conversões para MP3 e a massificação dos leitores portáteis (geração iPod) vem causando sérios danos à venda de CD’s e, consequentemente, à sustentabilidade das editoras. Muitos auguraram o pior, o fim do negócio da música, a falência das editoras e dos músicos, mas nestas coisas de futurologia convém ter algumas cautelas sob pena de o tempo se encarregar de reduzir a pó as mais brilhantes teses e afins.
The Do Band Em boa verdade, conforme Paulo Gomes escreveu e aqui transcrevi, se parece agora certo que as editoras serão muito mais selectivas, reservando as suas iniciativas a mercados muito mais vastos (atente-se nas fusões a nível mundial), a verdade é que dá ideia de que os músicos começam a agarrar uma nova oportunidade de negócio, via internet, criando os seus próprios espaços para divulgação dos seus trabalhos através de um bom marketing de rede (social web) – começam por colocar a sua música, divulgá-la pelos seus social bookmarks, permitir alguns downloads gratuitos e outros a muito baixo custo, conseguindo medir, com um grau de risco muito mais reduzido, a receptividade do consumidor e, claro, a viabilidade de eles próprios de produzirem e editarem.Ishkur
Um caso muito recente da aplicação desta técnica com bons resultados é a dos The DO (o “o” é traçado como o zero), um duo formado pela finlandesa Olivia B. Merilahti (voz e guitarra) e Dan Levy (multi-instrumentista) que poderão ser os pioneiros da pop music de sucesso nascida na net, veja-se o sucesso do seu myspace, com temas já sacados pelos media ingleses e norte-americanos, radiodifundidos e incluídos nos top 20 como The Bridge is Broken e Song for Lovers.
Paulo GomesNoutros géneros musicais e em Portugal também o caminho parece começar a ser desbravado: no Jazz, Paulo Gomes, por exemplo, já aposta mais no seu myspace do que no seu próprio site; no Black Metal o Ishkur tem uma experiência em rede bem vigorosa através de uma interligação estreita entre o seu myspace, o seu Hi5, o last-fm e o seu site!
Os novos tempos da WEB 2.0, da social web, onde a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva (Tim O’Reilly traduzido para a Wikipédia em português) poderá, afinal, revelar-se amiga dos músicos ao revelar-se como o principal canal de distribuição da música, mas muito dura para com os intermediários e editores.
É curioso constatar que enquanto a blogosfera e os media, editados, em geral, por um grupo etário mais elevado, ainda debatem e rebatem as virtualidades da Web 2.0, os mais jovens, seja através dos grupos, do myspace, do hi5, da last.fm ou do Spaces Live, movem-se e intercomunicam já com naturalidade e sem perda de tempo em considerações teóricas na Social Web!
Uma questão geracional? Não sei! Certo estou é de que os marketeers terão muito que fazer para se adaptarem aos novos e poderosos canais de distribuição que a net proporciona.

Conforme o anunciado aí está, oficialmente, o sítio da TubarãoEsquilo.

TubaraoEsquiloO website da TubarãoEsquilo, primeira rede de blogues portuguesa, será oficialmente lançada no próximo dia 27, terça-feira.
A rede conta já com cerca de 25 projectos editoriais, estando outros em perspectiva de breve lançamento. De momento estão, por ordem alfabéctica:

Adufe 4.0
Atlântico Expresso
Carreira da Ã?ndia
Capital Intelectual
Dados Pessoais
Diário Universal
Direito & Economia
Economia & Finanças
Get a (second) Life
Geoscópio
Granosalis
Low Cost (Portugal)
Magia de Papel
Marketing de Busca
Memória Virtual
Modus Vivendi
Na Web 2
Oldies and Goldies
Ponto Sapo
Portugal Geração Starup
Remixtures
Teknológico
Tomar
VideosAver
e este Ideias Soltas.

A todos os companheiros e ao Paulo Querido, autor do projecto e suporte de toda a rede TubarãoEsquilo, votos de sucesso nesta nova etapa blogosférica.

Ontem, no Público, saiu a primeira notícia da TubarãoEsquilo, um projecto de blogues em rede, cumprindo o que se espera da Web 2.0. Deixo um excelente vídeo animado publicado ontem no Arte da Fuga pelo António Costa Amaral que ilustra bem, para quem se interessar, o que se pretende com o ciberespaço em rede ou a web social.

Primeiro porque caça impiedosamente o spam nas caixas de comentários, segundo porque ser alvo dos spammers é sintoma de que o Ideias Soltas está no bom caminho. Bons sinais!